Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

10 outubro 2013

"Estavas de costas e eu toquei-te num ombro.

Demoraste três anos a voltar-te."

Joaquim Manuel Magalhães 



Não sei quem é que tocou quem no ombro, talvez fosses tu quem me tocou,
 mas és tu que demoras mais de três anos a voltar-te, 
ou a ver que me voltei para ti, ou simplesmente a ver-me.
Sim, acho que é isso: tu tocaste-me sem me ver, nem quando me voltei inteira para ti me viste. 
... porque me tocaste tu no ombro se nem agora me vês?

.... Tenho de começar a abrir janelas em vez de andar sempre a fechar portas. 
Fechá-las na cara de quem demonstra que me quer ver.
Por mim ninguém fecha nem abre coisa nenhuma, 
e passeiam-se entre portas e janelas, sem sequer memória que eu existo. 
É triste. 
E eu estou derreada, há dias em que o desespero, e o peso do passado, se concentra de tal forma que bastam fracções de segundo para durar todo um dia, toda uma noite e ainda o dia seguinte. 
Porra... também quero ir passear e ver janelas ou uma porra qualquer...

09 outubro 2013

08 outubro 2013

Naquela noite fizemos o que mais gostávamos:
 perdermo-nos nos olhos um do outro.

Pedro Paixão

[coisa que se faz às vezes de olhos fechados...]
Boa Noite
É isto. 
É mesmo isto.
..às vezes uma pessoa está um dia inteiro, ou uma noite inteira, 
para tentar dizer isto, tentar explicar, e mesmo assim, assim está muito mais bem dito.



Quero isto.
Quero isto para a minha vida.
Uma carruagem cheia de gente, num mundo cheio de gente,
Eu quero ser aquele casal. 
Quero ser aquele beijo.
Quero, pelo menos, ser o fotógrafo - o que vê no meio dos cinzentos, e que não é cinzento. 
Ver é já fazer parte do beijo, da vida, é sair dos cinzentos sentados à margem das cores da vida.
Não quero ser uma daquelas criaturas sentadas e desconexas com a vida que não parecem tocar, 
nem parecem ver, mesmo ali à frente dos olhos e ao alcance, pelo menos, dos sonhos.
Quero isto para a minha vida.

Bom Dia!!

07 outubro 2013

"Afinal a palavra Amor existe."
Marguerite Duras
(que estou a citar de memória dum livro que li nas férias, e esta frase, ou uma muito parecida com este sentido, ficou-me. Peço desculpa se não for exactamente assim, mas agora não me apetece ir procurar, porque senão foge-me o resto)

Lembrei-me desta frase enquanto fui ao café engolir alguma coisa a fazer de almoço. Pensava no que escrevo, porque escrevo, porque não escrevo metade do que escrevo a pensar, escrevo no ar e no ar se desfaz, e algumas coisas giras, que gostaria de guardar, mas que o ar leva sem devolver. Escrevo tanto, e no entanto, escrevo nada ou quase nada, mas escrevo porquê? Escrevo porque há vezes em que tem de me sair de rajada o que doutra maneira não sai, fica preso na garganta, amarfanhado em lágrimas que não digo ou em mágoas que não engulo. Outras vezes escrevo porque sinto demais e gota a gota me transbordo. Vou-me revezando de capacidades volumétricas escrevendo e reescrevendo-me. Sou assim. Os que me têm amizade suficiente para me saber o que escrevo dizem-me que escrevo bem, eu corrijo, digo que gostam do que escrevo, que não escrevo bem, quanto muito ( e olhe lá), sinto bem: e não, não é porque sinta da maneira mais acertada - haverá??, não sei... suponhpo que não, seria uma tristeza haver uma maneira certa de se sentir o que quer que seja, não gosto de regras no que não tem fronteiras, nem horários no que não tem tempo que meça -, mas digo que sinto bem, porque sinto de maneira intensa, o que sinto sinto de dentro, por dentro, transbordante de mim para mim e depois para os outros, quando chego a eles, e quando lhes consigo chegar. Alguém que não me conhece as palavras - as minhas palavras, estas -, disse-me uma vez, que eu era uma mulher intensa, de sorriso espontâneo de gargalhada forte de olhar intenso, de intensidades sentidas. Acho que o que me quis dizer era que eu era intensa no intervalo das palavras, porque nunca me viu estas, se calhar... é aqui que me deixo e me despejo, escondida dos olhos que pensam que me vêem.. Haverá quem escreva coisas mais eruditas, há quem use palavras mais intelectuais, mais complexas e de categoria superior na hierarquia do dicionário, mas para mim, as minhas palavras são aquelas que eu sinto, que eu já comi o significado com as entranhas, já as mastiguei e até a alma já as cuspiu. O significado, não são letras que conjugadas fica bonitinho, não, são palavras que têm peso, têm densidade, têm uma vida e uma personalidade que se mistura connosco, que têm alma e sentir. Quando aprendemos as palavras aprendemos antes da sua composição de letras, e complexidades, o seu significado: o quente, o frio, o pequeno, o grande, o bom, o mau, o gostar e o não gostar... as palavras são sentires, são pensares, são memórias. E é por isso que eu também já posso dizer que a palavra Amor existe. Não são quatro letras duma palavra que tem mais definições que dicionários, é o que nunca ninguém entende até ela existir para cada um. E para mim existe. Afinal.

(e esta frase também fez parte dum mail que foi enviado e talvez tambem por isso nunca me esqueci dela, e de como a li, a vi e a senti...)
Boa Noite

06 outubro 2013


...pequenas grandes revoluções... 
Quando as paixões são grandes
E os dias pequenos.
Ou as paixões são pequenas e os dias tornam-se grandes...

05 outubro 2013

...estou preguiçosa.
Não me apetece coisa nenhuma...
...coisa nenhuma que possa fazer.
...porque apetecia-me ir para a cama e enroscar-me, prender com os meus pés outras pernas, sentir pele com pele, riso com riso, beijo com beijo, carinho com carinho, ternura com ternura: amor com amor. 
Apetecia-me sentir beijos nos ombros entre risos de conversas parvas, mimo por todo o lado, um corpo encostado ao meu - e nisso sentir, não o outro, mas nós.
Estou tão preguiçosa, que nem escrever me apetece.

Boa Noite

04 outubro 2013

Hoje arranjo eu o pequeno almoço e tu arranjas-me a mim... Combinado?
Bom Dia!

03 outubro 2013

Gosto!!
Gosto muito!!
Perfeito para acompanhar o anúncio seguinte:
"dá-se coração para adopção."
Coração simples que gosta de coisas simples, como flores silvestres, sem exuberâncias ou grandes exigências, como beijos dados na espontaneidade do querer, como abraços sem aviso, e gargalhadas sem autorizações. Coisas simples, coisas boas, por nos fazerem sentir bem connosco e com o mundo.
Está em mau estado (provavelmente péssimo, mesmo, ainda ninguém conseguiu aferir o real estado do bicho), rasgado, partido, seco, só indicado para seres muito doces e pacientes, que com a persistência do carinho, muito cuidado e ainda mais amor o consigam remendar aos poucos. 
É um coração que dizem grande, e quando restabelecido, se dá inteiro sem reservas de propriedade da dona (que obviamente, e não se engana aqui ninguém, não bate bem da bola...). Quando em bom estado aguenta muito bem o sentimentfitness ( o cardiofitness aguenta menos bem, avisam-se os interessados que é preguiçosa), a alternância de arrebatamento e paixão, com a calma e paz do mimo, do carinho doce, e do silêncio partilhado sem solidão. 
Já lhe chamaram anjo-demónio, e já a apelidaram de Eva porque cheira a tentação na pureza da concepção de todas as origens (acho eu, mas posso estar enganada, pode ser só porque soa bem, sabe-se lá...). Dizem que conjuga bem a dicotomia doce/salgado. Dizem , não há provas - que aqui não se engana ninguém.
Avisa-se que está ainda ocupado, aliás ainda transborda outro ser por todos os lados,
 mas cansado e com vontade de ser bem tratado e mimado.
Promete-se processo sem grandes burocracias mas bastante demorado...

Bom Dia!!

E agora a B mandou-me esta foto, que é perfeita para este post, e então vou acrescentá-la aqui.... um coração feito de duas metades de maçãs de especies diferentes que encaixam dolorosamente na perfeição:
Este sim, verdadeiramente perfeito e exemplificativo, para acompanhar o anúncio:
"dá-se coração para adopção"


02 outubro 2013


Dói-me qualquer sentimento que desconheço; 
falta-me qualquer argumento não sei sobre o quê; 
não tenho vontade nos nervos. 
Estou triste abaixo da consciência.

Bernardo Soares


[a modos que é mais ou menos isto... ou muito isto.]
Boa Noite
" Irei directo a casa dela, tocarei à campainha e entrarei. Aqui estou, aceita-me ou mata-me à punhalada. Apunhala o coração, apunhala o cérebro, apunhala os pulmões, os rins, as vísceras, os olhos, os ouvidos... Se um só órgão ficar vivo estás condenada - condenada a ser minha, minha para sempre neste mundo e no seguinte e em todos os mundos futuros. Sou um bandido do amor, um escalpador, um assassino. Sou insaciável."
Henry Miller, in Sexus

[ o punhal dos dias, do mundo, da realidade que corta, já me apunhalou tudo o que de mim conheço. nada ficou intacto, a não ser, talvez, este amor selvagem. ainda assim nada te condenou a ser meu, é uma pena que não cumpres por falta do crime de amar-me, neste, ou em qualquer mundo - nem no nosso, parece-me agora tantas vezes.]

E é quando se vê uma coisa destas que percebemos o quão emocionalmente nas lonas estamos. Uma coisa assim lamechas e coiso e tal, que noutra altura não nos diria nada, e até era capaz de suscitar um comentário trocista sobre o tom delico-doce da coisa...e agora dá-nos uma vontade imensa de que alguém se apaixone assim por nós, daquela forma ridícula à prova do ridículo (todas as cartas de amor são ridículas já dizia o outro, mas todos gostam de as receber e de se sentir com vontade de as escrever sem se sentirem ridículos),  ou que quando nos apetece fazer estas, ou outras coisas do género - que nos fazem sentir bem, e que nos fazem usar aquele sorriso parvo na cara tempos sem fim depois, sem sequer se saber bem a razão de tal -, as possamos fazer e não nos sintamos tremendamente estúpidas, e desperdiçadas, desprezadas ou apenas mal-amadas, na falta de eco destes gestos e na falta do sentir avassalador que os faz fazer.

01 outubro 2013


Há quem se habitue à escuridão. Há quem viva só na noite, onde as sombras se esfumam de luz delicada, onde os fantasmas habitam o seu hábito em silêncio e discrição. De tanta noite os olhos se habituam e se lançam ao céu, onde descobrimos o brilho inebriante das estrelas, e nos apaixonamos pelo luar fresco que nos banha a pele. apaixonados, enredados, estrelados, esquecemo-nos da escuridão fria, esquecemo-nos que há outras luzes mais fortes que fazem maiores as sombras que perseguimos. Esquecemo-nos que precisamos do calor na alma dessa luz na pele. Esquecemo-nos, ou fugimos de saber, que a noite cresce e amadurece para amanhecer, que as estrelas que salpicam o céu, e apaixonam o olhar, têm de dar lugar à estrela maior, e a um azul mais manso. Há pessoas que não querem amanhecer.
E está tão escuro aqui.
Sinto frio.

o teu rosto à minha espera, o teu rosto
a sorrir para os meus olhos, existe um
trovão de céu sobre a montanha.

as tuas mãos são finas e claras, vês-me
sorrir, brisas incendeiam o mundo,
respiro a luz sobre as folhas da olaia.

entro nos corredores de outubro para
encontrar um abraço nos teus olhos,
este dia será sempre hoje na memória.

hoje compreendo os rios. a idade das
rochas diz-me palavras profundas,
hoje tenho o teu rosto dentro de mim.

José Luís Peixoto



[tantos dias que são hoje na memória, tantos dias que amanhã serão hoje na memória, memórias que se alimentam de memórias, de sorrisos que puxam sorrisos, hoje, amanhã e depois; filhos de sorrisos que se sorriram em dias que já não são dias, são eternidades dentro da prisão dos dias sem ti, em que livremente te penso, te sinto e te gosto. Tenho todos os dias o teu rosto dentro de mim, as tuas mãos pelo avesso da minha pele, o teu olhar dento do meu sorriso de memórias, de hoje, de amanhã, ou de depois. ainda espero o amanhã que será hoje, ou o hoje que seja esse amanhã. E espero contigo dentro, por dentro de ti sem saberes. Infiltrei-me no meu sangue que pulsa e vive, e onde me corres desvairado. o meu caminho de ti são as memórias que vivo todos os dias na liberdade de gostar de quem não consigo, nem creio querer, deixar de gostar. E gostar é tanto - mas tanto - querer gostar e continuar a querer gostar. 
E como deixar de gostar do amanhã que queremos amanhecer?
E eu amanheço com os lábios já num beijo que te espera. 
amanheces? amanhecemos?]

30 setembro 2013



"Não existe nenhum disfarce que possa esconder
o amor durante muito tempo onde ele existe,
ou simulá-lo onde ele não existe."

 La Rochefoucauld 


[acredito nisto. é, para mim, uma verdade, mas será??...será mesmo assim para toda a gente???]
[adoro esta fotografia...]
Boa Noite
Mais um dia, mais uma voltinha...
Gosto do carro...muito!!
O macacão que ela veste também podia ser engraçado, mas parece que já veio com o fecho avariado, 
a qualidade hoje em dia escasseia, essa é que é essa....
eheheheh
Bom Dia!!

29 setembro 2013


É nos teus olhos que o mundo inteiro cabe,
mesmo quando as suas voltas me levam para longe de ti;
e se outras voltas me fazem ver nos teus
os meus olhos, não é porque o mundo parou, mas
porque esse breve olhar nos fez imaginar que
só nós é que o fazemos andar.

Nuno Júdice


[estou sem palavras, afogada no mar delas que em turbilhão me arrastam nem sei para onde. há coisas que nunca pensei vir a passar na vida, não sei como lidar com elas. só queria que as palavras todas, fora e dentro de mim, se calassem, me largassem, me deixassem a minha vida comigo. estou cansada, e quanto mais cansada, pior trilho o caminho, pior faço e nem sei o que faço, só que não gosto de não saber o que fazer, ou como fazer. às vezes parece que está tudo feito, e mal feito, e sou eu que faço mal. há coisas que não sei fazer, não sei esconder-me quando devo, nem fingir, mentir, quando devia.]

Boa Noite