Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

06 novembro 2013

Boa Noite

Quero pirar-me desta vida, correr para outra, parar, gostar e ficar.
E quero ir de descapotável. Mesmo se chover. Quero o sol e quero a chuva.
E quero rir com gargalhadas genuínas, e chorar quando me doer forte. 
Quero que o meu olhar dispute com o meu falar quem mais diz do que sinto.
 Quero ser eu, quero uma vida em que eu consiga ser eu, e possa ser eu.
 Quero a minha vida. Não quero a minha vida de volta, quero a vida que encontrei em mim, novinha em folha, mas quero vivê-la à vontade e com vontade, com um sorriso nos olhos e uma mão na minha,
 feita de olhares cúmplices, beijos, ternuras, brincadeiras, conversas, paixão e um caminho todo para percorrer lado a lado.
Apetece-me ligar o carro e arrancar uma vida nova.

Bom Dia

05 novembro 2013

Boa Noite

AHAHAHAHAHHAH
Ainda está quentinho!!!...

... Mas não para ti, que não me sais da cabeça, tu veste-te que ainda te constipas!!!!
ahahahhah muito, muito boa!!



...que meninos tão prestáveis!!!
Que cavalheiros!!!
ehehhehe
há coisas que não mudam...
(e ainda bem!!)

Bom Dia!!

04 novembro 2013

...ahhhhhhhh....
já se comia, já!!!
... e massa e tudo.... ui ui que bom!!

..eu devo ser mesmo estranha.
Há dias em que este vestido é a minha cara (sem o cinto, ou fita, ou lá o que é...)
...há outros em que não.
Em que não chega nem perto...
Como é que eu consigo ser tantas pessoas sem nunca deixar de ser ninguém?
nunca chegar a ser gente para algumas pessoas?


tu boca que es tuya y mía
tu boca no se equivoca
te quiero porque tu boca
sabe gritar rebeldía
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos


Mario Benedetti
"Talvez também lhe houvesse entrado na cabeça pela primeira vez que a posse não significa nada quando não nos podemos entregar."

Henry Miller, in Sexus

01 novembro 2013


descalço-me de sombras para chegar a ti
as linhas do meu rosto são claríssimas
nelas não vês o velho, a criança, o adulto
vês apenas o traço comum
que é onde eu procuro a tua mão
na transparência da minha palavra inteira.

Vasco Gato


Boa Noite

- Está a falar a sério? – perguntou-lhe.
– Desde que nasci – disse Florentino Ariza – não disse uma única coisa que não fosse a sério.
O comandante olhou Fermina Daza e viu em suas pestanas os primeiros pingos de um orvalho de inverno. Depois olhou para Florentino Ariza, o seu domínio invencível, o seu amor impávido, e se assustou pela suspeita tardia de que é a vida, mais que a morte, que não tem limites.
– E até quando acredita o senhor que podemos continuar nesse ir e vir do caralho? – perguntou-lhe.
Florentino Ariza tinha a resposta preparada havia cinquenta e três anos, sete meses e onze dias com todas as suas noites.
– Toda a vida – disse.

Gabriel Garcia Márquez
in «O Amor Nos Tempos de Cólera»


[as últimas linhas do livro. li-o num ápice. 
não há amores assim; e se não for assim, não é amor. ambivalências. ]
...Às vezes sinto que o meu dia começa assim: 
com um café tomado sobre os escombros duma guerra, 
mas esta não mundial 
(como esta foto tirada nos escombros dos bombardeamentos em Inglaterra na IIGM),
apenas minha, interna, que só eu sei, vejo, e sinto.
Mas se os outros vissem, acho que seria isto que viam e sentiam.
Não é bonito 
(...até porque não me favorece o lenço na cabeça...)

Bom Dia

31 outubro 2013

Os beijos falam como se tivessem boca, como se tivessem língua.
Têm idioma próprio. E entendem-se no silêncio.
A falta deles também fala, e nem sempre no silêncio. 
Às vezes a falta deles fala aos gritos, num idioma que eles não falam.
Lembro-me de há muito tempo, nem sei quanto, surgir aqui um comentário que dizia:
 "sabe há quanto tempo não beijo?"
às vezes as pessoas esquecem os gritos quando estão em silêncio, 
esquecem-se como ferem, e como há idiomas que nos faltam, 
e como às vezes, mesmo sem querermos, falam por nós o que tentamos esconder.

Boa Noite

Boa Noite

30 outubro 2013

Não sei porque tanta gente pensa que aguento, que sou forte, que não preciso de ninguém, de nada, que nunca me sinto perdida. Não parecem ver que tantas vezes me falta o chão debaixo dos pés, só porque pareço pisá-lo com tanta convicção. Parece que os outros precisam mais, porque não sabem fazer isto aquilo ou aqueloutro, coisas que se aprendem, coisas mais simples (ou menos), que se têm de aprender a fazer quando não temos quem as faça por nós. Esses são os coitadinhos, têm de ser amparados e ajudados, tudo se desmorona se lhes falta quem lhes faça o que poderiam bem fazer. Eu posso com tudo, pensam. Não posso. Não sei nada tantas vezes, e nas outras tenho tanto medo... mas sei que a algum momento tenho de ir, tenho de dar de caras com esse medo, tenho de o derrubar, ou ele derrubar-me-á. E preciso, preciso tanto, de saber que tenho para onde voltar qualquer que seja o resultado: completamente derrotada e esgotada, ou nem tanto. Preciso de saber, que independentemente de tudo, tenho sempre quem me ampare a alma quando fiz o que tinha de fazer, mesmo que não tenha sido o mais bem feito, mesmo que o resultado não seja o melhor, ou que seja ainda melhor do que eu poderia temer. Preciso que me gostem para além das coisas, dos feitos e dos desfeitos, preciso que me tenham por dentro e que nada entre aí, nada profane esse colo. Que seja um lugar protegido do mundo, onde posso aninhar-me quando o mundo me cansa, me faz cair, ou até se me surpreende alegremente. 
Preciso que me tenham por dentro, sempre e de qualquer maneira. 
Preciso desse dentro para voltar ao que sou, mesmo que sinta que não sou nada, e principalmente, nada do que queria ser. E isso não se aprende a fazer sozinha ou simplesmente, não tem instruções, nem ninguém ensina. Os fortes são aqueles não precisam de se sentir por dentro de ninguém, por estarem tão por dentro e cheios de si mesmos, tão auto-suficientes de si, tanto, que não precisam de sair de si para aprender o que os outros têm de fazer por eles.

29 outubro 2013


(...)
A nudez corria-lhes pelas mãos
e chegava aonde tudo é branco e firme.
Aquele fogo de carne
era a carne do amor,
era o fogo do amor,
o fogo de arder amando-se e por toda a casa,
contra as paredes, no chão.
Se mais não pressentissem bastaria
aquela linguagem de falar tocando-se
como dormem as aves.
E os olhos gastos
por amor de olhar,
por olhar o amor.
E no chão
contra as paredes se amaram e
pela casa andavam como
se dentro das sementeiras respirassem.
Prisioneiros libertados, um
no outro eram livres
e para a vida e para o amor se beijaram
magoando-se mais, até ficarem magoados.
E uma presença rica,
agora nova e mais serena,
avidamente recebeu a música que atravessou de
um corpo a outro corpo
chegando às mãos
onde toda a nudez é branca e firme.
Com uma carne de fogo,
incarnando o amor,
incarnando o fogo,
contra o chão das paredes se amaram
pressentindo que
andando pela casa bastaria tocarem-se
para ficarem dormindo
como acordam as aves.


Joaquim Pessoa


[o Amor cabe em qualquer lado onde caiba a vontade, o desejo e um beijo.]
Boa Noite

... Que belas mãos!!...
...hummmm... 
...tenho um quarto livre lá em casa...
e é um bom e acolhedor lar... desde que não me chateiem muito...
mas o lixo fica à porta: caixotes, papelões e afins não entram...
ehehehehehhehe



Bom Dia!!
(Fora os óculos de sol, pareço eu quando acordo, 
a olhar-me ao espelho!!!... bahhhh)

27 outubro 2013


Sou um mero espectador da vida, que não tenta explicá-la. Não afirmo nem nego. Há muito que fujo de julgar os homens, e, a cada hora que passa, a vida me parece ou muito complicada e misteriosa ou muito simples e profunda. Não aprendo até morrer - desaprendo até morrer. Não sei nada, não sei nada, e saio deste mundo com a convicção de que não é a razão nem a verdade que nos guiam: só a paixão e a quimera nos levam a resoluções definitivas. 

(...)


Raul Brandão, in "Se Tivesse de Recomeçar a Vida"

Boa Noite