Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

18 junho 2014

...exacto.
uma palerma estúpida é o que eu sou.
Lixam-me sempre sem qualquer problema de consciência, e eu que me arranje. 
O que interessa é que quem interessa esteja bem, com muita calma e descontracção e com tudo o que quer, eu que fique com as histórias inventadas e espalhadas a bel prazer e com as suspeitas que nada fizeram para evitar levantar. 
eu que me lixe. como sempre.
se estou bem? então não estou? que pergunta!!
eu aguento tudo, não é mesmo?
 e sem dar em descontroladinha e fazer merda atrás de merda e sem prejudicar ninguém.
Mesmo não tendo nada do que quero e tendo tantos bónus sopimpas que eu dispensava de bom grado.
Realmente a única parva aqui sou eu, eu sei.
parece que só descansarão quando acabarem comigo de vez e de todas as maneiras
Agradecida.
Era um favor que faziam se o fizessem bem e eficientemente.
é que eu não aguento tudo, e principalmente não aguento injustiças.

As noites boas escondem-se atrás da lua. Hoje a noite não tem sono, e anda a procurar a lua que se escondeu para não nos escondermos no luar. Hoje a lua está fria, e eu trouxe uma manta que esconde tantos luares como sorrisos, gargalhadas e beijos quentes que tantas vezes despiram o frio e largaram a manta. Esconde tudo escancarado no sorriso que me brilha nos lábios sem quase me dar conta. Só o amor não se esconde, quando se esconde brinca de não existir. Brinca?

"Quando se faz amor assim, de paixão total, fica-se longe das palavras...
o encantamento é uma casa que tem o silêncio por tecto" 
Mia Couto

[é um silêncio de boca cheia.]
Boa Noite

17 junho 2014

...eu bem digo que preciso dum exorcismo... 
e esta parece-me a melhor maneira de me tirarem o diabo do corpo...
ou tentarem muito e com afinco...
bahhhh...

... e o comentário da Filipa no post anterior lembrou-me desta foto guardada há muito,
 e que agora fui buscar ao fundo do baú.
E é verdade, há quem tenha luz própria e quem a reflicta e tudo tem o seu lugar e a sua beleza, por isso temos o Sol e temos a Lua. Um é a vida, o outro o sonho.
Deve ser por isso que me fico embasbacada a olhar para a lua, é a vida reflectida que se sonha.
Que sonho.

...parece-me que sim...
e ainda bem.
É quando as coisas correm mal que se vê de que são feitas as pessoas, 
se a luz vem de dentro, ou se só reflectem holofotes próprios para palcos e teatros para entreter públicos...
Não faço ideia de que tipo sou, mas acho que nem ao sol eu brilho muito quanto mais na escuridão. 
Pelo menos sou consistente, vá.... menos mal...eheheh

Noite tão boa para dormir cá fora. Se ao menos se conseguisse dormir, mas não, entretenho-me aqui a olhar as estrelas, a tentar contá-las, mas elas fogem-me e eu fico a magicar que falta aqui alguém para me encostar e ajudar a contar as tresmalhadas fugidias. São essas que eu quero contar e que me contam dos sonhos por construir, da luz que incendeia os dias mornos. Mas tudo me foge e ninguém me ajuda, e eu não me incendeio e fujo não sei para que onde, não sei para que dias, porque nunca agarro as estrelas que não conto. Conta-mas que eu agarro-as. Não fujo. Prometo.

16 junho 2014

ahahahah
...estas podem dar jeito, sim senhor!!
Inteligentes e com piada!!
Eu gosto mais a partir da terceira...mais sarcásticas, 
o género que eu, num dia mau, não hesitaria em usar...
e hoje até está um dia desses...

Bom Dia!


"Ofereci-te tanta coisa. A mais preciosa, aquela que há muitos anos não dava a ninguém - a mais preciosa, repito, foi a minha absoluta disponibilidade para estar contigo, ouvir-te, ou estar em silêncio perto de ti."

Al Berto

[..e faz-me falta esse silêncio acompanhado, pleno, completo. ainda me faz falta o silêncio dar-me colo. E eu gosto de silêncio, mas prefiro quando não é ausência. Ausência que não escolhi.
Agora o silêncio ainda me parece oco de significado, de conteúdo, de densidade, mesmo que o encha de coisas que nunca existiram, ou talvez por isso...
Incrível como o que não existe consegue ocupar tanto espaço, inutilizar tanto espaço, tantos amanhãs silenciosos que ainda não chegaram.]

E agora dormir, que amanhã vai chegar e é outro dia. O mundo começa todo outra vez amanhã. E depois e depois... e às vezes não apetece, mas agora apetece é dormir.
Boa Noite

15 junho 2014


Tus manos son mi caricia
mis acordes cotidianos
te quiero porque tus manos
trabajan por la justicia

si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos

tus ojos son mi conjuro
contra la mala jornada
te quiero por tu mirada
que mira y siembra futuro


tu boca que es tuya y mía
tu boca no se equivoca
te quiero porque tu boca
sabe gritar rebeldía

si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos

y por tu rostro sincero
y tu paso vagabundo
y tu llanto por el mundo
porque sos pueblo te quiero

y porque amor no es aureola
ni cándida moraleja
y porque somos pareja
que sabe que no está sola

te quiero en mi paraíso
es decir que en mi país
la gente viva feliz
aunque no tenga permiso

si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos.

Mario Benedetti

[e depois tropecei nisto. este homem, o que escreve toca-me, ou ando assim mais para isto, para este doce deambular pela vida... fui à procura da tradução para português, mas algo se perdia na tradução, este melado das palavras, este musicar de frases (podem ler uma das traduções aqui). O engraçado foi encontrar duas traduções para o título do poema "Te quiero", há tradução para "Te quero" e para "Te Amo" (português do Brasil, está visto). Estranha esta língua nossa, que de tão vasto vocabulário, de tão pequenas diferentes nuances, parece tratar diferente uma mesma coisa. Parece até confundir, baralhar. Ninguém ama alguém sem a querer, e ninguém quer realmente uma pessoa se não a amar (digo pessoa, enquanto pessoa inteira, e não mero caso de pele que se esgota ou vai esgotando, e que também aqui é um querer, mas uma fome que se sacia no comer, ou outro não se sacia). Fiquei a pensar no que escolheria, lembrei-me do "adoro-te" que prefiro ao "amo-te" se souber, se sentir, que quer dizer o mesmo mas com uns pozinhos ainda de paixão, de adoração, de fogo. Também aqui preferia o "quero-te", porque eu só posso querer quem ame realmente, mas o "quero-te" risca de todo e qualquer cenário o amor à distância, platónico e morno - quero-te é urgente, e é forte, e é força, onde o amor se deixa dormir. Quero-te. Sem dúvida.]

Acordei nua, mas sem mãos. Procurei não procurar na memória quando terá sido a última vez que acordei assim sem ser culpa do calor que me sufocou ao amanhecer, e me fez tirar tudo o que tinha em cima do pelo e ficar pele na pele dos lençóis. As mãos, essas coisas que me atraem e fazem as vezes congelar o tempo, mãos malandras que fazem rir e querer. Rir muito, querer demais. Mãos que são difíceis de encontrar e fazer a minha pele querer e rir. Pouco que fosse.
Acordei tarde - se estes domingos tivessem horas, suponho que seria tarde- e sem nada em casa que se almoce, ou vontade de o fazer, decidi por aquilo que as pessoas finas chamam brunch, e eu que estou fininha, fininha, apesar de foleira, também tenho direito a usar o termo em vez de pequeno-almoço-a-fazer-de-grande, começo a fazer dois ovos mexidos (que me lembraram outros que fiz há três meses atrás...) umas torradas, um café para pôr no leite à falta do chocolate que acabou, juntei uma dúzia de cerejas que restaram e um fim de tarte de maçã, que apesar de já não estar fofinha, eu nunca o fui e não foi por isso que deixaram de me comer... Ora a tarde merece pelo menos o mesmo tratamento, e em não havendo outra, serviu bem para sobremesa (são as coisas da vida, ser a sobremesa possível...) acompanhada com um bom bocado de gelado de baunilha. Tudo posto numa bandeja e levado para a varanda, depois de desencantar um robe de verão, que a minha varanda não me deixa entrar lá nua...
E agora aqui estou eu, a fumar um cigarro e a escrever baboseiras, e a lembrar-me doutras, enquanto o sol já me sobe pelas pernas... Malandro. Cadê as mãos?
... Apetecia-me. 
Isto. 
Assim.
 Gargalhadas, brincadeiras, sussurros, caras juntinhas, beijos e beijinhos a entremear tudo, até poisar a cabeça na melhor almofada, feita peito que me acolha e me proteja, que queira ser o meu porto seguro, e que tenha uns braços que me envolvam em segurança, onde sempre me possa render ao fim do dia e deixar-me embalar num sono doce e tranquilo - paz plena. Há quem chame Felicidade. 
Os nomes a mim não me interessam, os rótulos são só indicações para o exterior, para os outros. Mas não me interessa que percebam ou não, isto não é para perceber, não preciso que percebam - não isto pelo menos -, só quero sentir: é o que eu quero sentir. 
Outra vez.
Boa Noite

14 junho 2014

Esticadinha de pijama na varanda. O sol ainda só toca as pontinhas dos dedos dos pés. Está um calor bom, misturado com uma brisa que não abafa. Só a preguiça - tanta - abafa. 
Acabada de pintar as unhas, com os dedos espetados como se isso evitasse algum desastre, tenta-se pensar no resto do dia com cores boas, relembra-se a conversa com primo ao telefone e entendemos que não se pode entender porque gostam de nós, ou porque gostamos de alguém, mas sabemos que relembrá-los, ou algo deles, nos faz o sorriso de dentro espelhar-se num sorriso para fora. Com tudo isto tenta-se afastar os fantasmas a quem queremos virar a cara e meter ordem de despejo da alma. Moram mas não habitam. 
Entretanto penso se pinto os pés também. As unhas, bem entendido, se bem que com o meu jeitinho se calhar é mesmo mais os pés...
...coisa mais boa!!
coisa linda.
Bom Dia.

"Vá dormir muita coisa boa.
Minha."

Vou. Depois de fumar o último cigarro na varanda, de pijama, à procura da lua que não devo ver.
Amanhã é outro dia. Felizmente.
Boa Noite.

“Ele jogava às escondidas no corpo dela, e ela mostrava-se feliz com aquele formigueiro no íntimo resguardo do corpo, que mais parecia um fruto vermelho, possuído. Havia um cheiro a prazer na cama, lençóis sujos da sujidade mais limpa dos corpos, e murmúrios que ficavam exaustos de uma noite para a outra.” 

João Morgado

[um fruto vermelho, uma maçã, uma tentação, a Eva que já não sou.]

13 junho 2014

Em vão, tudo em vão. Então para quê? 
Nem uma palavra em troca de tantas palavras e tantas conversas, de tanta coisa há tão pouco tempo. Tanto nada em resposta a tudo o que se deu sem nada pedir, e quando se pede o mínimo, que nem devia ser preciso, nada, nem uma palavra. Tudo em vão. Tudo vão.
"- A porta está aberta.... é seguro ir lá ver?
- É pois.
-... ou ainda me aparece lá um homem nu?
- Eu até deixei a porta aberta para se ele aparecer nem ter de bater à porta, podia desmotivar-se, sei lá...."

ahahahahhahaha
Irra!!.... estou sem pachorra para certas coisas... 
as pessoas às vezes (muitas ou sou eu que tenho mau feitio, sei lá...) 
parecem parvas... outras vezes parecem muito parvas,
é pouca a variação, torna-se monótono assim, a sério!!
bahhhhh



...eu precisava das duas coisas...
de tratar a cabeça e que me tirassem o diabo do corpo...
...será que se arranja um dois em um?
...é que as finanças são curtas...
e se ainda pudesse ser médico....uiiiiii então é que era!! 
Tinha a vida ganha!!
(sou mázinha pois sou...)
Bom Dia!!