Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

17 outubro 2013

A melhor língua é a dos beijos.
É a língua que gosto de falar, é nessa língua que gosto de dizer que gosto, 
e a única língua em que oiço que me gostas.

Boa Noite


Estava abraçada ao chão. 
Acreditei que tinha morrido 
e que a morte era dizer um nome sem parar.

Alejandra Pizarnik

[um nome feito de quatro letras que se chama com cinco.]
 Finalmente encontrei a música, aquela que acho que é tão, mas tão, a minha música, e talvez hoje seja bem mais minha do que quando a ouvin pela primeira vez. O ritmo, a sonoridade, a letra, a voz. Tudo. 
Sempre adorei a música, hoje é mais eu ainda, hoje...

is it alright to breath now??
is it alright for me to breath now??
'Cause I can't hold it back much longer...
........
holding back the thought that you actually could be my eternity
......
Boa Noite

16 outubro 2013

...e porque há muito tempo que não havia disto aqui no tasco, aqui fica.
...e porque é preciso animar o dia e alegrar as vistas, aqui fica.
...porque gosto do sorriso, da barba e do cabelo, aqui fica.
...porque estou chateada e triste e desmotivada e desesperançada de tudo,
 e preciso de acreditar em coisas boas e bonitas e doces, como este moço parece na foto, aqui fica.
Porque a vida não é justa fica, aqui fica em vez de ao meu lado, ou à frente vá, para não ganhar torcicolo...
ehehehehhe
Bom Dia!!

15 outubro 2013

Toda a escolha tem um avesso, quer dizer, uma renúncia, 
não existe diferença entre o acto de escolher e o acto de renunciar.


Italo Calvino

[e eu há tanto tempo que digo isto... ]
... é só para me desorientar, né?
para me fazer sair do sério...
não há direito...
bahhhhh



Amo-te tanto que te não sei amar, amo tanto o teu corpo e o que em ti não é o teu corpo que não compreendo porque nos perdemos se a cada passo te encontro, se sempre ao beijar-te beijei mais do que a carne de que és feita, se o nosso casamento definhou de mocidade como outros de velhice, se depois de ti a minha solidão incha do teu cheiro, do entusiasmo dos teus projectos e do redondo das tuas nádegas, se sufoco da ternura de que não consigo falar, aqui neste momento, amor, me despeço e te chamo sabendo que não virás e desejando que venhas do mesmo modo que, como diz Molero, um cego espera os olhos que encomendou pelo correio.

António Lobo Antunes

Boa Noite

14 outubro 2013

..noite má, muito má.
...pesadelos que se nos prendem no corpo e por muito que se esperneie não saem.
nem com a música no caminho os conseguimos expulsar... não percebo porque não basta a realidade martirizar-nos ainda têm os sonhos de nos torturar... 
só ocupar a cabeça nos leva um pouco para longe de nós, isso e um sorriso doce de manhã, que ainda a dormir nos passa o bracito à volta do pescoço... 
por que é que a vida não pode ser maioritariamente assim? 
porque tem de ser ao contrário, ou melhor, por que é que a minha é??....
porque eu sei que não tem de ser, eu sei...

Bom Dia

13 outubro 2013


Uma fogueira é sempre uma celebração 
Entre o ar e outra matéria.

Vem. Vamos arder nos braços um do outro. 

Depois, as cinzas hão-de espalhar-se
Pela memória desta noite.

Joaquim Pessoa



[...vem. vem arder em mim comigo.]
Boa Noite

- Já alguém lhe disse hoje que é linda??
....
(porque é que eu me lembro destas coisas sem aviso nem razão???)

12 outubro 2013

Boa Noite


Temos a mesma pele,
descobri anos depois.
É isso que nos impele
a sermos um, sendo dois.
Amar é ter a mesma pele,

o resto vem depois.
(...)

Torquato da Luz


[não sei se temos a mesma pele, sei que sinto a minha pele na sua, que é no seu calor que me aqueço, que é naquele colo que sossego e nos seus braços que vivo. sei que amar é sermos dois e sentirmo-nos bem nessa unidade de pertença. sei que quando se ama não há depois da pele, nem antes da pele, há sentirmo-nos únicos e bem na nossa pele, com alguém com quem nos sentimos no mesmo mundo e que fala a mesma língua, mesmo que muda, principalmente se muda. sei que é amor, e tudo o resto vem depois.]

Boa Noite

11 outubro 2013

Há dias em que me apetecia ter idade para poder fazer isto.
Ter idade para fazer isto e sentir-me segura, mimada, querida, completa.
Como se todos os males fossem a boneca que deixei em casa e que quero agora para brincar, o balão que me escapou da mão e voou para as nuvens que não alcanço, ou só o beijo que saí de casa sem dar e que me dá saudades.
Quero agarrar-me e ser parte, e o choro calar-se por si e esquecer-se de mim.
Queria tanto ter idade para ser pequenina e de alguém.
Não se pode ser pequenino sem tamanho???

Bom Dia

10 outubro 2013

...depois dum dia destes
precisava dum banho destes.

Boa Noite

"Estavas de costas e eu toquei-te num ombro.

Demoraste três anos a voltar-te."

Joaquim Manuel Magalhães 



Não sei quem é que tocou quem no ombro, talvez fosses tu quem me tocou,
 mas és tu que demoras mais de três anos a voltar-te, 
ou a ver que me voltei para ti, ou simplesmente a ver-me.
Sim, acho que é isso: tu tocaste-me sem me ver, nem quando me voltei inteira para ti me viste. 
... porque me tocaste tu no ombro se nem agora me vês?

.... Tenho de começar a abrir janelas em vez de andar sempre a fechar portas. 
Fechá-las na cara de quem demonstra que me quer ver.
Por mim ninguém fecha nem abre coisa nenhuma, 
e passeiam-se entre portas e janelas, sem sequer memória que eu existo. 
É triste. 
E eu estou derreada, há dias em que o desespero, e o peso do passado, se concentra de tal forma que bastam fracções de segundo para durar todo um dia, toda uma noite e ainda o dia seguinte. 
Porra... também quero ir passear e ver janelas ou uma porra qualquer...

09 outubro 2013

08 outubro 2013

Naquela noite fizemos o que mais gostávamos:
 perdermo-nos nos olhos um do outro.

Pedro Paixão

[coisa que se faz às vezes de olhos fechados...]
Boa Noite
É isto. 
É mesmo isto.
..às vezes uma pessoa está um dia inteiro, ou uma noite inteira, 
para tentar dizer isto, tentar explicar, e mesmo assim, assim está muito mais bem dito.



Quero isto.
Quero isto para a minha vida.
Uma carruagem cheia de gente, num mundo cheio de gente,
Eu quero ser aquele casal. 
Quero ser aquele beijo.
Quero, pelo menos, ser o fotógrafo - o que vê no meio dos cinzentos, e que não é cinzento. 
Ver é já fazer parte do beijo, da vida, é sair dos cinzentos sentados à margem das cores da vida.
Não quero ser uma daquelas criaturas sentadas e desconexas com a vida que não parecem tocar, 
nem parecem ver, mesmo ali à frente dos olhos e ao alcance, pelo menos, dos sonhos.
Quero isto para a minha vida.

Bom Dia!!

07 outubro 2013

"Afinal a palavra Amor existe."
Marguerite Duras
(que estou a citar de memória dum livro que li nas férias, e esta frase, ou uma muito parecida com este sentido, ficou-me. Peço desculpa se não for exactamente assim, mas agora não me apetece ir procurar, porque senão foge-me o resto)

Lembrei-me desta frase enquanto fui ao café engolir alguma coisa a fazer de almoço. Pensava no que escrevo, porque escrevo, porque não escrevo metade do que escrevo a pensar, escrevo no ar e no ar se desfaz, e algumas coisas giras, que gostaria de guardar, mas que o ar leva sem devolver. Escrevo tanto, e no entanto, escrevo nada ou quase nada, mas escrevo porquê? Escrevo porque há vezes em que tem de me sair de rajada o que doutra maneira não sai, fica preso na garganta, amarfanhado em lágrimas que não digo ou em mágoas que não engulo. Outras vezes escrevo porque sinto demais e gota a gota me transbordo. Vou-me revezando de capacidades volumétricas escrevendo e reescrevendo-me. Sou assim. Os que me têm amizade suficiente para me saber o que escrevo dizem-me que escrevo bem, eu corrijo, digo que gostam do que escrevo, que não escrevo bem, quanto muito ( e olhe lá), sinto bem: e não, não é porque sinta da maneira mais acertada - haverá??, não sei... suponhpo que não, seria uma tristeza haver uma maneira certa de se sentir o que quer que seja, não gosto de regras no que não tem fronteiras, nem horários no que não tem tempo que meça -, mas digo que sinto bem, porque sinto de maneira intensa, o que sinto sinto de dentro, por dentro, transbordante de mim para mim e depois para os outros, quando chego a eles, e quando lhes consigo chegar. Alguém que não me conhece as palavras - as minhas palavras, estas -, disse-me uma vez, que eu era uma mulher intensa, de sorriso espontâneo de gargalhada forte de olhar intenso, de intensidades sentidas. Acho que o que me quis dizer era que eu era intensa no intervalo das palavras, porque nunca me viu estas, se calhar... é aqui que me deixo e me despejo, escondida dos olhos que pensam que me vêem.. Haverá quem escreva coisas mais eruditas, há quem use palavras mais intelectuais, mais complexas e de categoria superior na hierarquia do dicionário, mas para mim, as minhas palavras são aquelas que eu sinto, que eu já comi o significado com as entranhas, já as mastiguei e até a alma já as cuspiu. O significado, não são letras que conjugadas fica bonitinho, não, são palavras que têm peso, têm densidade, têm uma vida e uma personalidade que se mistura connosco, que têm alma e sentir. Quando aprendemos as palavras aprendemos antes da sua composição de letras, e complexidades, o seu significado: o quente, o frio, o pequeno, o grande, o bom, o mau, o gostar e o não gostar... as palavras são sentires, são pensares, são memórias. E é por isso que eu também já posso dizer que a palavra Amor existe. Não são quatro letras duma palavra que tem mais definições que dicionários, é o que nunca ninguém entende até ela existir para cada um. E para mim existe. Afinal.

(e esta frase também fez parte dum mail que foi enviado e talvez tambem por isso nunca me esqueci dela, e de como a li, a vi e a senti...)
Boa Noite

06 outubro 2013


...pequenas grandes revoluções... 
Quando as paixões são grandes
E os dias pequenos.
Ou as paixões são pequenas e os dias tornam-se grandes...

05 outubro 2013

...estou preguiçosa.
Não me apetece coisa nenhuma...
...coisa nenhuma que possa fazer.
...porque apetecia-me ir para a cama e enroscar-me, prender com os meus pés outras pernas, sentir pele com pele, riso com riso, beijo com beijo, carinho com carinho, ternura com ternura: amor com amor. 
Apetecia-me sentir beijos nos ombros entre risos de conversas parvas, mimo por todo o lado, um corpo encostado ao meu - e nisso sentir, não o outro, mas nós.
Estou tão preguiçosa, que nem escrever me apetece.

Boa Noite

04 outubro 2013

Hoje arranjo eu o pequeno almoço e tu arranjas-me a mim... Combinado?
Bom Dia!

03 outubro 2013

Gosto!!
Gosto muito!!
Perfeito para acompanhar o anúncio seguinte:
"dá-se coração para adopção."
Coração simples que gosta de coisas simples, como flores silvestres, sem exuberâncias ou grandes exigências, como beijos dados na espontaneidade do querer, como abraços sem aviso, e gargalhadas sem autorizações. Coisas simples, coisas boas, por nos fazerem sentir bem connosco e com o mundo.
Está em mau estado (provavelmente péssimo, mesmo, ainda ninguém conseguiu aferir o real estado do bicho), rasgado, partido, seco, só indicado para seres muito doces e pacientes, que com a persistência do carinho, muito cuidado e ainda mais amor o consigam remendar aos poucos. 
É um coração que dizem grande, e quando restabelecido, se dá inteiro sem reservas de propriedade da dona (que obviamente, e não se engana aqui ninguém, não bate bem da bola...). Quando em bom estado aguenta muito bem o sentimentfitness ( o cardiofitness aguenta menos bem, avisam-se os interessados que é preguiçosa), a alternância de arrebatamento e paixão, com a calma e paz do mimo, do carinho doce, e do silêncio partilhado sem solidão. 
Já lhe chamaram anjo-demónio, e já a apelidaram de Eva porque cheira a tentação na pureza da concepção de todas as origens (acho eu, mas posso estar enganada, pode ser só porque soa bem, sabe-se lá...). Dizem que conjuga bem a dicotomia doce/salgado. Dizem , não há provas - que aqui não se engana ninguém.
Avisa-se que está ainda ocupado, aliás ainda transborda outro ser por todos os lados,
 mas cansado e com vontade de ser bem tratado e mimado.
Promete-se processo sem grandes burocracias mas bastante demorado...

Bom Dia!!

E agora a B mandou-me esta foto, que é perfeita para este post, e então vou acrescentá-la aqui.... um coração feito de duas metades de maçãs de especies diferentes que encaixam dolorosamente na perfeição:
Este sim, verdadeiramente perfeito e exemplificativo, para acompanhar o anúncio:
"dá-se coração para adopção"


02 outubro 2013


Dói-me qualquer sentimento que desconheço; 
falta-me qualquer argumento não sei sobre o quê; 
não tenho vontade nos nervos. 
Estou triste abaixo da consciência.

Bernardo Soares


[a modos que é mais ou menos isto... ou muito isto.]
Boa Noite
" Irei directo a casa dela, tocarei à campainha e entrarei. Aqui estou, aceita-me ou mata-me à punhalada. Apunhala o coração, apunhala o cérebro, apunhala os pulmões, os rins, as vísceras, os olhos, os ouvidos... Se um só órgão ficar vivo estás condenada - condenada a ser minha, minha para sempre neste mundo e no seguinte e em todos os mundos futuros. Sou um bandido do amor, um escalpador, um assassino. Sou insaciável."
Henry Miller, in Sexus

[ o punhal dos dias, do mundo, da realidade que corta, já me apunhalou tudo o que de mim conheço. nada ficou intacto, a não ser, talvez, este amor selvagem. ainda assim nada te condenou a ser meu, é uma pena que não cumpres por falta do crime de amar-me, neste, ou em qualquer mundo - nem no nosso, parece-me agora tantas vezes.]

E é quando se vê uma coisa destas que percebemos o quão emocionalmente nas lonas estamos. Uma coisa assim lamechas e coiso e tal, que noutra altura não nos diria nada, e até era capaz de suscitar um comentário trocista sobre o tom delico-doce da coisa...e agora dá-nos uma vontade imensa de que alguém se apaixone assim por nós, daquela forma ridícula à prova do ridículo (todas as cartas de amor são ridículas já dizia o outro, mas todos gostam de as receber e de se sentir com vontade de as escrever sem se sentirem ridículos),  ou que quando nos apetece fazer estas, ou outras coisas do género - que nos fazem sentir bem, e que nos fazem usar aquele sorriso parvo na cara tempos sem fim depois, sem sequer se saber bem a razão de tal -, as possamos fazer e não nos sintamos tremendamente estúpidas, e desperdiçadas, desprezadas ou apenas mal-amadas, na falta de eco destes gestos e na falta do sentir avassalador que os faz fazer.

01 outubro 2013


Há quem se habitue à escuridão. Há quem viva só na noite, onde as sombras se esfumam de luz delicada, onde os fantasmas habitam o seu hábito em silêncio e discrição. De tanta noite os olhos se habituam e se lançam ao céu, onde descobrimos o brilho inebriante das estrelas, e nos apaixonamos pelo luar fresco que nos banha a pele. apaixonados, enredados, estrelados, esquecemo-nos da escuridão fria, esquecemo-nos que há outras luzes mais fortes que fazem maiores as sombras que perseguimos. Esquecemo-nos que precisamos do calor na alma dessa luz na pele. Esquecemo-nos, ou fugimos de saber, que a noite cresce e amadurece para amanhecer, que as estrelas que salpicam o céu, e apaixonam o olhar, têm de dar lugar à estrela maior, e a um azul mais manso. Há pessoas que não querem amanhecer.
E está tão escuro aqui.
Sinto frio.

o teu rosto à minha espera, o teu rosto
a sorrir para os meus olhos, existe um
trovão de céu sobre a montanha.

as tuas mãos são finas e claras, vês-me
sorrir, brisas incendeiam o mundo,
respiro a luz sobre as folhas da olaia.

entro nos corredores de outubro para
encontrar um abraço nos teus olhos,
este dia será sempre hoje na memória.

hoje compreendo os rios. a idade das
rochas diz-me palavras profundas,
hoje tenho o teu rosto dentro de mim.

José Luís Peixoto



[tantos dias que são hoje na memória, tantos dias que amanhã serão hoje na memória, memórias que se alimentam de memórias, de sorrisos que puxam sorrisos, hoje, amanhã e depois; filhos de sorrisos que se sorriram em dias que já não são dias, são eternidades dentro da prisão dos dias sem ti, em que livremente te penso, te sinto e te gosto. Tenho todos os dias o teu rosto dentro de mim, as tuas mãos pelo avesso da minha pele, o teu olhar dento do meu sorriso de memórias, de hoje, de amanhã, ou de depois. ainda espero o amanhã que será hoje, ou o hoje que seja esse amanhã. E espero contigo dentro, por dentro de ti sem saberes. Infiltrei-me no meu sangue que pulsa e vive, e onde me corres desvairado. o meu caminho de ti são as memórias que vivo todos os dias na liberdade de gostar de quem não consigo, nem creio querer, deixar de gostar. E gostar é tanto - mas tanto - querer gostar e continuar a querer gostar. 
E como deixar de gostar do amanhã que queremos amanhecer?
E eu amanheço com os lábios já num beijo que te espera. 
amanheces? amanhecemos?]

30 setembro 2013



"Não existe nenhum disfarce que possa esconder
o amor durante muito tempo onde ele existe,
ou simulá-lo onde ele não existe."

 La Rochefoucauld 


[acredito nisto. é, para mim, uma verdade, mas será??...será mesmo assim para toda a gente???]
[adoro esta fotografia...]
Boa Noite
Mais um dia, mais uma voltinha...
Gosto do carro...muito!!
O macacão que ela veste também podia ser engraçado, mas parece que já veio com o fecho avariado, 
a qualidade hoje em dia escasseia, essa é que é essa....
eheheheh
Bom Dia!!

29 setembro 2013


É nos teus olhos que o mundo inteiro cabe,
mesmo quando as suas voltas me levam para longe de ti;
e se outras voltas me fazem ver nos teus
os meus olhos, não é porque o mundo parou, mas
porque esse breve olhar nos fez imaginar que
só nós é que o fazemos andar.

Nuno Júdice


[estou sem palavras, afogada no mar delas que em turbilhão me arrastam nem sei para onde. há coisas que nunca pensei vir a passar na vida, não sei como lidar com elas. só queria que as palavras todas, fora e dentro de mim, se calassem, me largassem, me deixassem a minha vida comigo. estou cansada, e quanto mais cansada, pior trilho o caminho, pior faço e nem sei o que faço, só que não gosto de não saber o que fazer, ou como fazer. às vezes parece que está tudo feito, e mal feito, e sou eu que faço mal. há coisas que não sei fazer, não sei esconder-me quando devo, nem fingir, mentir, quando devia.]

Boa Noite

28 setembro 2013

...e pronto, vamos lá então!!!
Mais um dia de lóóóócura...

(...)
- Tinhas sido muito mais feliz se tivesses ficado com ela.
-Não, eu estou feliz aqui e agora, assim.

Boa Noite

27 setembro 2013



(...) não despertes o que não podes calar.
José Tolentino de Mendonça

...too late... 
mas é um bom conselho.
Há coisas que depois de acordarem nunca voltam a adormecer em nós da mesma maneira. 
Mudam-nos, ou melhor, apuram-nos: trazem-nos mais à tona de nós, ficamos diferentes porque ficamos mais iguais a nós mesmos. 
Mudam-nos, fazendo-nos regressar a nós - e há regressos de que não se regressa. 
Nada volta ao mesmo. Há algo que não mais conseguimos calar em nós depois desse grito ser rasgado de dentro para fora da pele. 
Há amores que, se despertam, não se calam.
Não acordes o que não podes amar.
...too late...
eu sei....
Boa Noite

"Vejo tudo claro e nitidamente, e o que vejo significa desolação e morte, morte perpétua. Há trinta anos que carrego a Cruz ignominiosa, servindo mas não acreditando, trabalhando mas não recebendo salário, descansando mas não conhecendo a paz. Porque hei-de acreditar que tudo mudará subitamente só por a ter, só por amar e ser amado?
Nada mudará, a não ser eu."
Henry Miller, in Sexus

[e isso muda tudo, tudo o que se vê, se sente e se vive.]

26 setembro 2013

....poisssssss....
é só tangas...

T@nga-me... no meio da rua.
Em qualquer lado.


Falhamos, a cada dia em que não vivemos ao máximo todo o nosso potencial, matamos Shakespeare, Dante, Homero, Cristo que habita em cada um de nós. Cada dia que vivemos em conflito com a mulher que já não amamos, destruímos a nossa capacidade de amar e de ter a mulher que merecemos.


Henry Miller

25 setembro 2013

Boa Noite


"Um homem só encontra a mulher ideal quando olhar no seu rosto e vir um anjo e, 
tendo-a nos braços, tenha as tentações que só os demónios provocam."

(não sei se a frase é do Neruda, ou do Picasso, 
mas, aparentemente, é dum Pablo... e é uma frase dos diabos!!!)

Bom Dia!!

24 setembro 2013

"Claro que não me passava pela cabeça que aquela viria a ser a grande semana da minha vida e duraria sete longos anos. (...) Render-se absoluta e incondicionalmente à mulher amada é quebrar todos os laços menos o mais terrível de todos: o de não a perder."
Henry Miller, in Sexus

[há semanas que duram anos, há fins de tarde que não têm fim, e momentos que uma vida inteira não deve conseguir apagar. Beijos que não se despedem  da boca, abraços que não se desprendem dos corpos, olhares que não deixam de brilhar. Há laços que viram nós, e o único nó que não deslaça, somos nós; é o único que não conseguimos desfazer sem nos deixar desfeitos.]
Disseste-me que ao longo do tempo me amaste já de muitas maneiras, 
e de maneiras diferentes.
Eu acho que não.
Acho que provavelmente amaste pessoas diferentes, de maneiras diferentes, através de mim.
A mim nunca chegaste a amar.
Nem me chegas a ver, sequer.

23 setembro 2013

[foto de David Gordonovitch]

(...) Nos demais - eu sei, qualquer um o sabe - O coração tem domicílio no peito. 
Comigo a anatomia ficou louca. Sou todo coração (...).


Vladimir Vladimirovitch Mayakovsky
...apaixonei-me por este .gif e por isso anda repetentemente reincidente aqui no estaminé.
Infelizmente não foi só pelo .gif.
Boa Noite

21 setembro 2013

... e eu que já era tão desarrumada!!...
agora não sei como me arrumar, onde te arrumar, 
em que fundo de mim te esconderei para que não me desarrumes?
onde será que te arrumo para não me desarrumares?
e eu que gosto tanto - tanto! - da maneira como me desarrumas e me fazes amar a vida,
 que não desconfiava que podia haver: arrumada ou desarrumada.
Gosto do nosso não planeamento, gosto do nosso tocar de improviso, gosto das nossas gargalhadas e brincadeiras, e das conversas sérias, e dos silêncios cheios de mimo, gosto de nós, porque é uma desarrumação tão bem encaixadinha que passaria por arrumada, se ao menos tu deixasses.
Bom Dia!

Boa Noite.
(ou não...)

19 setembro 2013


(...)
Bebi entre os teus flancos a loucura 
de não poder viver longe de ti: 
és a sombra da casa onde nasci, 
és a noite que à noite me procura.
(...)

DAVID MOURÃO-FERREIRA, in MÚSICA DE CAMA


[eu sou o entardecer que desagua sempre nessa noite que foge com o amanhecer.]


Boa Noite

18 setembro 2013

Mensagem:
"Amar não chega quando não se ama o suficiente" Ouvi esta frase agora...lembrei-me de ti. Bom Dia!"

Resposta:
"Bom Dia. Boa frase. Mas não sei se há amar muito ou pouco. Ou se ama, ou não se ama. Quando se ama é sempre suficiente, é auto-suficiente, se não for, não é Amor, pelo menos como o entendo. É gostar um bocadinho."

[amar não se conjuga no pouco ou no muito, amar é amar, não há amor grande e verdadeiro e amor pequeno e falso. Há Amor, ou não há. Só isto. Pelo menos é como o vejo, Amor é o último patamar, é um estado que não tem diminuitivo e o aumentativo é redundante.]
(e resolvi eu brincar com a coisa... o que fui fazer...voltei a ouvir o que não queria...
"Gostosa... Tu... Davas uma excelente performer"
"ok... não perceberam a piada"
"bolas tu deves ser mesmo muito esperta"
...bahhhh... tirem-me deste filme!!!)

Há pessoas que não entendem o que se lhe diz, e esperam que as mesmas falhas não provoquem cada vez respostas mais tortas... não entendo. Será difícil entender que uma mulher não goste de dar ideia de ser "mulher de varão"??... que não ache isso um elogio? Que leve na brincadeira uma ou duas vezes, mas dando a entender que o que está implícito nessa ideia não é confortável, que não é sensual, nem bonito, nem sexy - que é só ordinário? Que quando perguntamos se gostariam que dissessem o mesmo da filha, já respondem que afinal queriam dizer corpo de bailarina?? Que eu é que tenho mau feitio e não sei brincar?? As pessoas têm de respeitar as outras, e as ideias das outras, e de como elas entendem e sentem as coisas, não? 
Não há pachorra, a sério, e depois disto vem todo um chorrilho de semi-insultos para que não tenho grande feitio de ouvir e relevar. Não é de ter mau feitio - que tenho, está bem, mas neste caso não é o problema-, ou de ser adolescente, ou insegura e complexada, amarga, irritante, ou o que me queiram apelidar, é por ter o direito de não gostar de certas reacções, e de não ter idade nem pachorra para me chamarem de imatura porque não gosto, mostro e respondo: e respondo torto, e cada vez mais torto, ao que é reincidente depois de explicado, porque demonstra desprezo pelo que nos chateia e magoa, e a isso não sou tolerante. E depois, depois respondo, argumento: "ahhhh... então sou insegura e complexada, e tu, do alto da tua inteligência, achas que ajudas uma pessoa insegura e complexada tratando-a assim????... é de amigo, sim senhor..." e do outro lado não há argumento na resposta, só mais do mesmo, e eu não estou habituada a discutir sem ideias, só com ofensivas gratuitas e não fundamentadas em nada... e depois a adolescente sou eu, ok!!...Só faltava dizer que, além de andar a descarregar a minha amargura para cima de pessoas que gostam de mim (adoro estas maneiras torpes de gostar das pessoas, mas isso realmente é a única coisa que me calha na vida, as pessoas gostarem de mim das maneiras mais inviesadas e mal tratantes...devo atrair estas coisas), e se preocupam, porque a vida não me corre bem, que ando mal fodid# ou com falta de peso... é que anda-lhe mesmo debaixo da língua, mas ainda não saiu, e é pena, porque acho que ia sair uma resposta de rajada que o calava de vez. A sério, mas eu mereço isto, não há pachorra!!!


Se me esfolassem agora
encontrariam o teu nome
colado num dos meus ossos.

De mim continuariam a nada entender.
Quanto a mim, sei que sou teu.

Manuel Cintra

[num não... até nos que não sei que existem ou sei pronunciar.
cravado é o que me estás, e é por isso que me entendo, mas só eu.]
Boa Noite