"A noite avançava, uma lassitude banhava as figuras. Senhoras sentadas havia três horas na mesma cadeira, tinham um ar de aborrecimento inconsciente, contudo felizes, por se aborrecerem ali."
Emile Zola, in Uma página de amor.
[incrível como há coisas que não mudam, tontices intemporais...]
Eva me chamaste
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
03 março 2013
.... E depois acordar...
Porque só em sonhos... E já nem sonhar consigo, tudo à volta não me deixa, tudo me repete e grita que o teu lugar nunca serei eu. Eu não chego, nem te chego; ao longe nem te toco, o teu lugar não sou eu ou chegar-te-ia onde estivesses, por longe que fosse, por alto que parecesse. Não te chego nunca, o teu lugar não sou eu. Como fazer para deixares de ser o meu?
02 março 2013
01 março 2013
Sonho de um dia de quase primavera - passar férias numa torradeira com um pão à beira mar!!!
ahahahhaha
(por acaso acho que não aguentava muito tempo numa torradeira onde não conseguisse tomar um bom banho de manhã... mas pronto isso agora não interessa nada...)
(por acaso acho que não aguentava muito tempo numa torradeira onde não conseguisse tomar um bom banho de manhã... mas pronto isso agora não interessa nada...)
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Tonta...
28 fevereiro 2013
Brrrrrrr... está um frio que só para renas mesmo!!!
Vou para o quentinho da caminha.... sem enfeites destes...
Boa Noite
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Boa noite,
Tonta...
"Those damn eyes fucked me forever.
We made love just looking at them."
Charles Bukowski
[há olhos assim...]
[há olhos assim...]
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Maçãs alheias
27 fevereiro 2013
Bom Dia!!
(era bom, não era?? mas é só para a fotografia, nunca vi nada assim na realidade.
Às vezes parece-me que a felicidade também é só para a fotografia...
e para algumas pessoas isso é realmente felicidade, o parecer feliz aos outros, como uma personagem que se nos cola tão bem à pele, que nos parece já ser a nossa...o que na verdade só revela que nunca, verdadeiramente, sentimos a nossa.)
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Bom Dia
26 fevereiro 2013
I want to tell you
How much I love you
I'm drowning in a sea of love
(Tom Waits)
Nesta corrente não me importava de nadar, de me afogar,
mas aqui só segue a corrente quem tem vida dentro.
Quem se afoga nela.
Boa Noite
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Boa noite
vida?? contas??
impostos?? o diabo a sete???
Toma!!!
(estou farta disto, vou deixar de trabalhar. Não compensa.
Procura-se gajo rico, que não seja mão de vaca, sem herdeiros e que dure pouco tempo.
Enquanto durar eu trato-o o bem, mas o gajo que não se atrase muito, nem a chegar, nem a ir!!)
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Tonta...
Abraça-me. Quero ouvir o vento que vem da tua pele,
e ver o sol nascer do intenso calor dos nossos corpos.
Quando me perfumo assim, em ti, nada existe a não ser
este relâmpago feliz, esta maçã azul que foi colhida na
palidez de todos os caminhos, e que ambos mordemos
para provar o sabor que tem carne incandescente das estrelas.
Abraça-me. Veste o meu corpo de ti, para que em ti possa buscar
o sentido dos sentidos, o sentido da vida. Procura-me
com os teus antigos braços de criança
para desamarrar em mim a eternidade, a soma formidável
de todos os momentos livres que a um e a outro pertenceram.
Abraça-me. Quero morrer de ti em mim, espantado de amor.
(...)
Joaquim Pessoa
[penso que este poema será uma repetição aqui no tasco, mas é tão lindo, eu gosto tanto, que de vez em quando tenho de voltar a ele. voltamos sempre às coisas de que gostamos muito, que são quase nós, não sendo nossas; falam-nos como se nossas fossem, tal nos acertam em cheio...]
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Maçãs alheias
25 fevereiro 2013
Namora uma rapariga que lê. Namora uma rapariga que gaste o dinheiro dela em livros, em vez de roupas. Ela tem problemas de arrumação porque tem demasiados livros. Namora uma rapariga que tenha uma lista de livros que quer ler, que tenha um cartão da biblioteca desde os doze anos.
Encontra uma rapariga que lê. Vais saber que é ela, porque anda sempre com um livro por ler dentro da mala. É aquela que percorre amorosamente as estantes da livraria, aquela que dá um grito imperceptível ao encontrar o livro que queria. Vês aquela miúda com ar estranho, cheirando as páginas de um livro velho, numa loja de livros em segunda mão? É a leitora. Nunca resistem a cheirar as páginas, especialmente quando ficam amarelas.
Ela é a rapariga que lê enquanto espera no café ao fundo da rua. Se espreitares a chávena, vês que a espuma do leite ainda paira por cima, porque ela já está absorta. Perdida num mundo feito pelo autor. Senta-te. Ela pode ver-te de relance, porque a maior parte das raparigas que lêem não gostam de ser interrompidas. Pergunta-lhe se está a gostar do livro.
Oferece-lhe outra chávena de café com leite.
Diz-lhe o que realmente pensas do Murakami. Descobre se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entende que, se ela disser ter percebido o Ulisses de James Joyce, é só para soar inteligente. Pergunta-lhe se gosta da Alice ou se gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar com uma rapariga que lê. Oferece-lhe livros no dia de anos, no Natal e em datas de aniversários. Oferece-lhe palavras como presente, em poemas, em canções. Oferece-lhe Neruda, Pound, Sexton, Cummings. Deixa-a saber que tu percebes que as palavras são amor. Percebe que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade – mas, caramba, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco com o seu livro favorito. Se ela conseguir, a culpa não será tua.
Ela tem de arriscar, de alguma maneira.
Mente-lhe. Se ela compreender a sintaxe, vai perceber a tua necessidade de mentir. Atrás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. Nunca será o fim do mundo.
Desilude-a. Porque uma rapariga que lê compreende que falhar conduz sempre ao clímax. Porque essas raparigas sabem que todas as coisas chegam ao fim. Que podes sempre escrever uma sequela. Que podes começar outra vez e outra vez e continuar a ser o herói. Que na vida é suposto existir um vilão ou dois.
Porquê assustares-te com tudo o que não és? As raparigas que lêem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Excepto na saga Crepúsculo.
Se encontrares uma rapariga que leia, mantém-na perto de ti. Quando a vires acordada às duas da manhã, a chorar e a apertar um livro contra o peito, faz-lhe uma chávena de chá e abraça-a. Podes perdê-la por um par de horas, mas ela volta para ti. Falará como se as personagens do livro fossem reais, porque são mesmo, durante algum tempo.
Vais declarar-te num balão de ar quente. Ou durante um concerto de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Pelo Skype.
Vais sorrir tanto que te perguntarás por que é que o teu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Juntos, vão escrever a história das vossas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos ainda mais estranhos. Ela vai apresentar os vossos filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos da vossa velhice e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto tu sacodes a neve das tuas botas.
Namora uma rapariga que lê, porque tu mereces. Mereces uma rapariga que te pode dar a vida mais colorida que consegues imaginar. Se só lhe podes oferecer monotonia, horas requentadas e propostas mal cozinhadas, estás melhor sozinho. Mas se queres o mundo e os mundos que estão para além do mundo, então, namora uma rapariga que lê.
Ou, melhor ainda, namora uma rapariga que escreve.
- Rosemary Urquico -
tradução de Carla Maia de Almeida
[parece-me um bom conselho...]
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Maçãs alheias
Sim...isto podia resultar...
saber assim que gostam de nós, sem dúvidas, sem espinhas, sem nada,
acalmava-me de certeza...
quer dizer, em parte,
outra parte ficava, assim... com cócegas, digamos...ehehheh
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Tonta...
24 fevereiro 2013
"E as suas conversas não saíam dali. Nem sequer já falavam da terra. Quando lhes surgia uma recordação, compreendiam-se com uma palavra e riam-se para dentro toda a tarde. Bastava-lhes isto. Quando Rosália punha Zeferino na rua, ambos se tinham divertido muito."
in Uma pagina de Amor, Emile Zola
in Uma pagina de Amor, Emile Zola
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Livros
23 fevereiro 2013
"Aquele casamento ainda a maravilhava. Carlos adorava-a, ajoelhava no chão, à noite quando ela se deitava, para lhe beijar os pés nus. Ela sorria, cheia de amizade, censurando-o por ser tão criança. Então recomeçara uma vida sem sobressaltos. Durante doze anos, não se recordava de um abalo. Vivia muito calma e muito feliz, sem uma febre na carne nem no coração (...)
E ela viu bruscamente o quarto do hotel do Var, o marido morto, o vestido de viúva estendido nas costas de uma cadeira. Chorara como na noite de Inverno em que a mãe morrera. Em seguida, os dias tinham voltado a correr. Havia dois meses que ela se sentia muito feliz e muito calma com a sua filha. Meu Deus! E aquilo era tudo? E que dizia então aquele livro, quando falava daqueles grandes amores que iluminavam toda uma existência?" - realmente toda a gente parece achar que a felicidade é assim uma coisa morna, uma vida sem sobressaltos, uma ausência de febres; e deve ser, de certeza que é, para quem não conseguir adivinhar o resto, porque se o adivinhar, nem que seja através dum livro, toda essa felicidade se torna num marasmo pesado, uma sede constante, uma irritação sem motivo, uma fome sem tréguas.
"Joana, contudo, às vezes teimava.
-Ah! Tu agora vais-me dizer! - perguntou ela - Aquelas vidraças muito brancas?...É uma coisa muito grande, deves saber.
E designava o Palácio da Justiça. Helena hesitava:
- É uma estação de caminhos de ferro... Não, parece-me que é um teatro...
Teve um sorriso, beijou os cabelos de Joana, repetindo a sua resposta habitual:
- Não sei, minha filha.
Então continuaram a olhar para Paris, sem pensarem mais em conhecê-lo. Era uma coisa muito suave, tê-lo ali e ignorá-lo. Continuava a ser o infinito e o desconhecido. Era como se tivessem parado no limiar de um mundo do qual presenciassem o espectáculo eterno, recusando descer a ele." - deve ser suave ter a vida ao alcance da mão, da pele, dum olhar, e ignorá-lo, preferir não o conhecer, dá-lo por infinito e inconsequente; olhar o espectáculo de fora e não querer fazer parte... mas então nunca compreenderão o espectáculo, toda a sua dimensão, nunca o sentirão por dentro. O medo, ou a covardia (que é a concretização imobilizante do medo) é uma defesa, procura preservar-nos, mas preserva-nos até, ou principalmente, da vida, daquela que se sente.
"Então, lágrimas de enternecimento subiram aos olhos de Rosália, e para testemunhar a alegria de o tornar a ver, o que achou de melhor foi fazer troça dele." - conheço alguém assim, quando não sabe o que dizer, e lhe apetecem dizer outras coisas que não pode, e tem de disfarçar a alegria da surpresa, desata a disparatar, a gozar a vítima que a vitimou e destabilizou...
"E calaram-se. Entreolharam-se com os olhos a luzir, os lábios apertados e mexendo lentamente numa careta de ternura. Devia ser a sua maneira de se beijarem, porque eles nem sequer se tinham estendido a mão."
in Uma Página de Amor, Émile Zola
(os comentários parvos são meus mesmo)
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Livros
Parece-me que há coisas para eu ouvir,
e podes dizer, eu sou toda (ou quase) ouvidos, aliás orelhas.
Estou quase tão orelhuda como as coisas cabeludas que tenho de ouvir...
Bom Dia
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Tonta...
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