Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

14 janeiro 2013

Precisava duma limpeza de pele, de fazer as mãos e os pés, de arranjar as sobrancelhas, precisava duma massagem de corpo inteiro, e dum bom corte de cabelo...resumindo, precisava dum spa... mas a única coisa que vou ter é um "spé na bunda"...que também é bom, não faz bem à pele, que não faz, dá olheiras e afins, mas não faz mal à carteira, e sempre dá impulso para a frente. 
Há que aproveitar, com a crise é o que temos...
aproveita-se tudo...
bahhhh

... e hoje, a caminho do trabalho, a rádio deu-me esta de presente. Aumentei o volume e lá fui eu a fazer figura de parva para quem quisesse ver (como de costume, aliás, em tudo)...
...mas meninas, não se enganem, não está nada no beijo, está sim no beijo, no olhar, no toque, em como nos tratam e nos querem... está nas atitudes... o resto, o resto, é só música para abanar o esqueleto com vontade.
Se bem que um bom beijo carregado do que se sente, ou parece que sentem, parece baralhar tudo, mas há que manter os pés no chão e tentar pôr as ideias no sítio, e isto é, arrumadas...
...não nos enganemos...
Bom Dia!!

11 janeiro 2013

hummmmmm???



O Amor é...O amor é o início. O amor é o meio. O amor é o fim. O amor faz-te pensar, faz-te sofrer, faz-te agarrar o tempo, faz-te esquecer o tempo. O amor obriga-te a escolher, a separar, a rejeitar. O amor castiga-te. O amor compensa-te. O amor é um prémio e um castigo. O amor fere-te, o amor salva-te, o amor é um farol e um naufrágio. O amor é alegria. O amor é tristeza. É ciúme, orgasmo, êxtase. O nós, o outro, a ciência da vida. 
O amor é um pássaro. Uma armadilha. Uma fraqueza e uma força. 
O amor é uma inquietação, uma esperança, uma certeza, uma dúvida. O amor dá-te asas, o amor derruba-te, o amor assusta-te, o amor promete-te, o amor vinga-te, o amor faz-te feliz. 
O amor é um caos, o amor é uma ordem. O amor é um mágico. E um palhaço. E uma criança. O amor é um prisioneiro. E um guarda. 
Uma sentença. O amor é um guerrilheiro. O amor comanda-te. O amor ordena-te. O amor rouba-te. O amor mata-te. 
O amor lembra-te. O amor esquece-te. O amor respira-te. O amor sufoca-te. O amor é um sucesso. E um fracasso. Uma obsessão. Uma doença. O rasto de um cometa. Um buraco negro. Uma estrela. Um dia azul. Um dia de paz. 
O amor é um pobre. Um pedinte. O amor é um rico. Um hipócrita, um santo. Um herói e um débil. O amor é um nome. É um corpo. Uma luz. Uma cruz. Uma dor. Uma cor. É a pele de um sorriso. 

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum' 
[o amor é tudo o que virmos nele, por causa dele, é o que fizermos com ele, o que fizermos dele. se não fizermos nada, não é nada. se fizermos tudo o que pudermos, o amor é tudo. ]
Boa Noite

10 janeiro 2013

...nem mais!!


Éramos uma invenção tão boa

Eles amputaram 
As tuas coxas das minhas ancas. 
Tanto quanto sei 

São todos cirurgiões. Todos eles.

Eles desmantelaram-nos
Um ao outro
Tanto quanto sei
São todos engenheiros. Todos eles.

Que pena. Éramos uma invenção
Tão boa e tão amável.
Um aeroplano feito de um homem e de uma mulher.
Com asas e tudo.
Pairávamos ligeiramente por cima da terra.

Até voávamos um pouco.

Yehuda Amichai


[uma invenção tão boa... até voávamos um pouco. num mundo tão rasteirinho os nossos vôos sabiam a nuvens doces. As nossas asas, as minhas coxas nas tuas ancas, agora ando apenas coxa, tão coxa de ti.]
oh jezuzzz
oh jezzzuzzzz
ohhhhh JAZZUZZZZZ!!!!
vou só ali acalmar os olhos, e já volto!!!
Bom dia!!
eheheheh

09 janeiro 2013

Boa Noite


"Dai-nos, meu Deus, um pequeno absurdo quotidiano que seja,
que o absurdo, mesmo em curtas doses,
defende da melancolia e nós somos tão propensos a ela!

(...)
Garanti-nos, meu Deus, um pequeno absurdo cada dia.
Um pequeno absurdo às vezes chega para salvar."

Alexandre O’Neill

08 janeiro 2013

Boa Noite



Ouço-te ciciar amo-te pela primeira vez, e na ténue luminosidade que se recolhe ao horizonte acaba o corpo.
Recolho o mel, guardo a alegria, e digo baixinho: Apaga as estrelas, vem dormir comigo no esplendor da noite do mundo que nos foge.

Al Berto


[anda, vem dormir comigo, deixa-me aninhar o meu corpo no horizonte longínquo do teu, mas deixa acesas as estrelas para que sempre saibas o caminho de volta aos meus olhos depois de fugires com o mundo que cala o amo-te da tua boca, e que o enterra nas estrelas que te devolvem ao sonho]
Aaaaiiiiiiiiii...
até com esse ar de intelectual, Clive, querido, eu te despenteava as ideias...
a mim podias-me despentear à vontade...
ahhhhhh... onde é que andam as prateleiras destes artigos???
alguém me diz???


(...)
não some não, que eu desmundo
cada sítio do mundo onde
você estava ou está ou há-de estar, e comunico só do toque
que lhe ponho num mamilo,
no umbigo,
no clitóris,
na unha mindinha do pé esquerdo,
só porque tu estremece dos estudos de meus dedos exultantes,
não some nunca, fica morrendo de meu sopro,
ou dá luz como folha contada uma por cima de outra

(...)

Herberto Helder

[é muito raro ler alguma coisa deste autor que goste, que me faça sentido, e não ache que escreve apenas para se fazer sentido do que não tem sentido nenhum, à laia duma loucura que todos admiram sem ninguém saber muito bem porquê, ou eu pelo menos, eu não consigo perceber porquê.  os poemas não me falam, perdem-se em labirintos de palavras de significados dispersos, longínquos, raramente me entendo com o que escreve.  apanhei este poema, de que gostei, e aqui publico um trecho que me faz muito sentido, em que me transparece um sentido  sentido. E para mim poesia tem de ser sentida, além do ritmo que nos embala, da fonética que nos envolve, tem de nos falar, tem de nos falar ao ouvido enquanto o coração se sussurra um sorriso.]

07 janeiro 2013


"A confiança é fruto de um relacionamento em que você sabe que é amado." 

William P. Young




Apago todas as mensagens. Menos as tuas. Guardo a tua voz em pequenas doses e, dia sim dia não, ouço-as todas de seguida. Sinto-me demasiado incapaz para falar contigo o que quer que seja. Não sei onde estás. Não quero saber. Tenho medo de saber mais do que sei.

Uma dor de cada vez basta.


Pedro Paixão


[uma dor de cada vez, com tanta vez, há tanto tempo, já bastava, já.  as tuas mensagens continuam no sítio, a tua voz ainda ecoa em vários sítios, e tenho cada vez mais medo de saber mais do que sei, ganhei medo das perguntas.]