Se precisas do recado para te lembrares, esquece... O mais importante nem é dizê-lo (mas também é importante, nada de confusões), o mais importante é fazê-lo sentir no que se faz e no que se diz, sem precisar de recados, e nunca, mas mesmo nunca, por condescendência. Só por vontade. Como dizer que se ama.
Eva me chamaste
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
26 abril 2015
Domingos quase perfeitos:
quando a luz entra sem pressa pela janela
e o dia entra devagar no corpo.
Bom Dia.
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Transferida
Como é que é possível matar sede de infinito bebendo a água dum oásis, no meio da travessia árida do deserto, que afinal era uma miragem?
Ninguém acredita, a quem eu conto, a quem tudo explico, ninguém entende... Repetem-me que era uma miragem, porque afinal, não era água, não era vida em estado líquido, não era sequer vida, era só mais um pedaço seco de areia no deserto... Não vês que estás seca e nada restou? Nada sequer chegaste a ter... É claro e evidente que eu é que me enganei, e simplesmente não quero ver. Não era água... Então como é que eu sinto que a bebi, e como me matou essa sede de infinito que ninguém percebe?
Porque não entendem?... se o infinito é meu, só eu sei como o sacio, talvez para mim a miragem tenha sido o verdadeiro oásis, porque me matou a sede, porque me mostrou o infinito. Não me interessa se era ilusão, a realidade é que por momentos bebi o infinito. E isso é realidade, a minha realidade - eu senti. Se era areia disfarçada de água fresca, miragem ou ilusão, não me interessa. Conheci o meu infinito, e conheci-me, já sei do que tinha sede. E agora, agora, não é qualquer finito, real ou mera miragem, que me sacia. E isso, isso, é que infelizmente não é miragem, é um real e longo deserto de travessia. Mas é possível, depois de se beber uma água que não existe para matar uma sede que nos agoniza, percebemos que é possível. Imaginem se não fosse miragem... eu imagino.
Boa Noite
25 abril 2015
E, é isto.... Só há que renegociar aquela parte de repararem noutros cus... Essa parte no me gusta... No no, nem mesmo para dizerem que é para concluir que gostam é daquele em que podem mexer.... (até porque só gostam provavelmente por essa razão.... Uma desgraça)
Resumindo há que manter um bom traseiro... É isso.
Bom Dia!!
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Tonta...
24 abril 2015
... e é isto.
Até o focinho está com esta expressão... bahhhh
Oh São Pedro, ide &#%$+%$&#,... sim?
Na segunda, para trabalhar, deve vir sol, né?
Deves pensar que tens um sentido de humor retorcido, só pode...
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Tonta...
Sentido na pele da alma,
vivido na alma da pele.
Paixão, amor, desejo
Alma e pele.
Um sentir.
O único sentido.
[às vezes ainda me lembro, esqueço-me que vou esquecer, e que um dia espero voltar a sentir que as coisas fazem sentido sentidas - aliás só sentidas. assim, alma e pele, a par num par que faça, um dia, um nós verdadeiro na minha vida e em duas bocas.]
Boa noite
23 abril 2015
Entro com esta minha cara que os meus paizinhos me deram e a vida tem tirado, com ar de cansaço, de calças de ganga e camisola, sem adornos nem enfeites que componham a figurinha que trago ultimamente, e peço meio frango. À minha frente uma boca meio sorriso, meio malícia, responde-me "tanto??" E eu em tom de ironia, digo "acha?"... E ele " não me diga que é só para si!?" "Pois... Parece que sim", respondo eu, e ele responde, já entretido com o frango... "Ahh... jantar sozinha, que pecado..." E eu tiro um pacote de batatas fritas enquanto calo o que me está debaixo da língua... não me diga que há tanto tempo a virar frangos e é o melhor que lhe sai... Depois fico a pensar, vai daí o problema deve ser de só virar franguinhas...
Tssss tssss... uma pessoa ouve cada uma e em cada tom, que balhamedeus...
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Tonta...
"Fecho os meus olhos para os abrir dentro dos teus olhos."
[...frase que me deixa sem palavras,
frase que resume tudo o que cabia no meu silêncio,
onde me desocupava para te ocupar sem saberes.
para ver pelos teus olhos, para te ver por dentro.
para ser tu, e eu, e nós.
para ser silêncio.]
Boa Noite
Boa Noite
22 abril 2015
(foto @ksenyeah)
(...)
Há noites que nos levam para onde
o fantasma de nós fica mais perto:
e é sempre a nossa voz que nos responde
e só o nosso nome estava certo.
Natália Correia
[fecho tudo antes de fechar os olhos, abro a escuridão, deixo-me vaguear nela, navegar a sua presença densa que me acaricia o momento. Olho para dentro e descubro que quero escrever mas não quero falar, não quero dizer do que vejo. Fecho-me em gavetas desarrumadas, abro-me em luzes que procuro. Não quero falar de dentro das gavetas; penso em tudo o que tenho de fazer, tudo o que trago por fazer, penso em toda a correria que não pára e que me apetece até acelerar. Penso numa coisa a seguir à outra à espera de ser feita, o tempo ocupado a voar - este mês, o próximo, e depois a vontade de sair daqui, de me deixar descansar sozinha onde possa respirar, respirar-me, onde sinta vida contagiar-me de fora para dentro. Parar, depois da azáfama, do cansaço que inunda o corpo e quase o afoga, mas em que se respira fundo e com vontade. Penso que nesta maré turbulenta e tão violenta, ainda assim, entre o ir e vir duma onda e outra, há aquela pausa, aquele momento vazio, entre o inspirar e o expirar, em que num instante milímetrico, cabe a eternidade do que não se viveu. E estranhamente, aparece conjugada no passado, finito e terminado, em memórias do que vivemos. Quase como projectar numa tela em branco um filme queimado.]
21 abril 2015
Aiiiiiii quero, quero, quero!!
Areia quente, sal na pele fresca de mar, sol que se respira, doçura que mata a sede.... Preciso disto, dum paraíso durante uns dias.... Deve ser do nome, volta e meia quero voltar ao paraíso...
Tenho é de trabalhar para o pagar.... O que não dá jeito nenhum, podia arranjar um banana que me bancasse, saía-me mais barato... Que mania a minha de só ir onde o que eu ganho pode pagar, e sempre foi assim, nunca deixei que fosse doutra maneira.... Raios, banana e parva, sou eu, é o que é!!.... Não há quem aprecie? Sem ser em batido, hum?
Bom Dia
Hoje foi um dia coooommmmmpridoooo, estou cansada e moída, mas não foi um dia mau, pelo contrário parece-me. Anda-me a deixar mais leve esta sensação de me parecer que finalmente começo a encaixar-me no meu papel, a assumir o papel que me deram, a não me duvidar tanto a toda a hora. Tenho medo, muito, mas sei guardá-lo, e parecer certa de que estou certíssima. Começo talvez a ver um pouco daquela mulher que alguns viam e outros ainda vêem, com qualidades que sempre duvidei, sentindo que os enganava não sei como, que viam o que não existia, como uma miragem no deserto, uma ilusão da vontade, e nada mais. E ficava triste e desconsolada porque, não sendo verdade, iria desiludi-los. O meu pior medo, o mais pesado fantasma, que me rói os calcanhares dos passos: desiludir quem vê em mim, quem me adivinha, mais e melhor daquilo que me faz, que eu sou. Que eles acham que eu sou. E agora, a olhar para trás para o dia e últimos tempos, talvez comece a antever um pouco do que me falavam - pouco e quase insignificante -, mas que me parece que tem crescido, amadurecido, quiçá... e acho que só hoje me dei conta. Hoje acreditaram que ia ceder, que precisava ceder. Não cedi, estava certa e segura do que dizia. Até ao último momento esperaram a minha insegurança, não a viram, disseram que iam pensar... Talvez cedessem, eles.
Eu posso ser mulher, parecer que ando nisto há pouco tempo, até me podem tomar por tontinha, mas sou-o muito menos vezes do que o pensam. E isso, hoje, também me soube bem.
20 abril 2015
19 abril 2015
"Eu cá sou bom, sou muito bom, sou sempre a abrir..."
Acabei de ouvir na rádio. Os cabrões dos sorrisos deviam ser disciplinados, nem que fosse à reguada... Ouvi isto e pus-me a sorrir. Os pensamentos, em uníssono, passaram a envolver uns certos boxers e outros tantos risos e muita parvoeira... Dêem-me uma régua que eu preciso de educar esta cabeça e os cabrões dos sorrisos selvagens... Ainda me pairam nos lábios e já não há nada da música, nem sequer da indumentária... Há urgência de outros novos sorrisos, parvoeiras, músicas e de esculpir na pele e no seu avesso outras memórias.
Acordei durante a noite, umas duas ou três vezes, a chorar com um sonho que não me largava. Até a dormir a morte não me larga nem morre, não se enterra de vez. E era isso mesmo: enterrar a morte. Deixá-la num sítio, longe, onde se possa não ir. Caixão aberto há dias, a cor da morte, marmórea, a envelhecer, a desbotar, apodrecida. E eu só dizia que temos de fechar o caixão e enterrar, deixar a morte morrer, e não definhar-nos. E chorava, e acordava, e adormecia e tudo na mesma. Finalmente resolvi não dormir mais e fiquei a pensar no sonho. Temos de deixar a morte morrer, enterrá-la num sítio onde possamos escolher não ir; senão a morte, todas as mortes, acabam por apodrecer-nos, de dentro para fora. Fiquei a pensar que há mortes que não consigo enterrar longe, enterraram-se-me por baixo da pele, das unhas que esgravatam a vida, e mortas, definham lentamente toda a vida. A que ainda há, a que houve, e a que posso ainda vir a ter e viver. Tenho de matar estas mortes e enterrá-las longe de mim, deixar ficar a vida que tiveram, que a morte pode levar, mas assim, com cores, com vida, não definhando em agonia os dias e as noites, e tudo o que podia brilhar no olhar posto no horizonte. Há mortes que tenho de enterrar de vez e desenterrar da pele.
17 abril 2015
Vê-la dormir é das únicas coisas que agora me adoça o olhar. Das únicas, não, a única.
Velo-lhe o sono e os sonhos, e tento acordar-me dos últimos tempos.
Olho-a e sei que é poesia, a única poesia que agora consigo trincar com a alma. O resto são palavras que hoje nao passam da porta, que alma não vê nem come. Talvez a alma não seja mais que a poesia do nosso olhar, enquanto a vida não lhe fecha os olhos e arranca os dentes.
Guardo-lhe o sono e os sonhos, e tenho medo que sonhe demais, porque sonhar demais, tarde ou cedo tranca portas que tarde ou nunca nos libertam.
Neste olhar doce sobre a sua doçura encerro amarguras e medos.
A fuga nao me cabe noutro olhar.
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