Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

16 março 2015


Falei contigo - falei sozinha não sei se me ouvias. Fiz-te festas, disse-te que não sabia fazer mais nada - que não sabia, nem sei, que mais fazer. Nada está nas minhas mãos, nas minhas mãos só festas com carinho que posso dar, concluo e digo-to: não sei fazer mais nada, penso até que não sirvo para mais nada, nem me querem para mais nada. Sinto-te quente, olho para os números, não sei nada daqueles números, não daqueles. Não sei nada. Dei-te um beijo antes de vir embora. Não sei porquê, não o fiz das outras vezes. Só o percebi quando to dei. Não sei porque o fiz e fiquei a pensar nisso, não to devia ter dado. De repente parece-me uma despedida. Das outras vezes não o fiz. Saí com medo. 
Nada está nas minhas mãos, só as festas que não guardo de quem não quero despedidas. Mas dei-te um beijo, e fiquei a pensar nisso. Com medo.

2 comentários:

Anónimo disse...

Doce. Doce o que escreves, Evinha...Mas não tens do que ter medo...vais ver, um dia ele volta para ti...
Porque sim, acredito que a empatia (telepatia?) realmente acontece.
Bons sonhos.

Nanda


Eva disse...

Bons sonhos, querida Nanda :)
(mas não, este se me foge agora não voltará mais, e é estranho pensa-lo e mais ainda escrevê-lo... A vida as vezes é triste e muito cruel. Da-nos despedidas para sempre tão antes de as sabermos suportar.)