Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

16 setembro 2013


Primeiro foram as mãos que me disseram
que ali havia gente de verdade
depois fugi-te pelo corpo acima
medi-te na boca a intensidade 
senti que ali dentro havia um tigre
naquele repouso havia movimento
olhei-te e no sol havia pedras
parámos ambos como se parasse o tempo
parámos ambos como se parasse o tempo

é tão difícil encontrar pessoas assim bonitas
é tão difícil encontrar pessoas assim bonitas

atrevi-me a mergulhar nos teus cabelos
respirando o espanto que me deras
ali havia força havia fogo
havia a memória que aprenderas
senti no corpo todo um arrepio
senti nas veias um fogo esquecido
percebemos num minuto a vida toda
sem nada te dizer ficaste ali comigo
sem nada te dizer ficaste ali comigo

é tão difícil encontrar pessoas assim bonitas
é tão difícil encontrar pessoas assim bonitas

falavas de projectos e futuro
de coisas banais frivolidades
mas quando me sorriste parou tudo
problemas do mundo enormidades
senti que um rio parava e o nevoeiro
vestia nos teus dedos capa e espada
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse no fundo preciso
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse preciso dizer nada

é tão difícil encontrar pessoas assim bonitas
é tão difícil encontrar pessoas assim pessoas

Pedro Barroso


[é tão difícil, é tão difícil mesmo, e é tão fácil perdê-las.
e é por isso. é por isso.
é só por isso.
é por isso tudo que nada.]
Bom Dia!!

15 setembro 2013

...era bom...
Bom Dia!!


O teu rosto dentro das minhas mãos.
Os meus dedos sobre os teus lábios e a ternura,
como o horizonte, debaixo dos meus dedos.
Os meus lábios a aproximarem-se dos teus lábios.


José Luís Peixoto


[era a única coisa de que precisava agora: o teu rosto entre as minhas mãos. 
As  palavras foram-se, ficaste-me tu. 
Ficas-me sempre.]

Boa Noite

14 setembro 2013


...lindo.

(...)
Can our love, can our love
I feel in my heart I can't wait any longer
Can our love, can our love
Can our love, can our love grow any further
(...)
Não conhecia a música deles, fui à procura e gosto, gosto muito.

13 setembro 2013


e tu sussurras:
- não, não afastes a boca da minha orelha.
derrama dentro dela aquilo que não consegues dizer em voz alta.

e eu digo:
- as tuas mãos queimam-me a fala.

tu sorris, dizes:
- vem, sem medo, pela aridez do meu corpo.

no fundo de mim existe um poço onde guardo a tua imagem. é tempo de ta devolver. é tempo de te reconheceres nela.

Al Berto


[é tempo... é tempo de ser tempo.]
Boa Noite

Hummmm... Isto deve ser um sinal...
Se calhar devia mesmo comprar um tapete... 
Eheheh
"(...) E demais a mais a gente vai-se habituando aos objectos e acaba por ter saudades deles quando desaparecem. Teria saudades do marido se ele desaparecesse? Julgou que sim, julgou que não, julgou que sim, cessou de julgar. Em trinta e seis anos o marido não desaparecera nunca e, portanto, seria pouco natural que desaparecesse agora, perto dos setenta. Para mais afigurava-se-lhe que de há semanas para cá ele começara a arrastar um pouco umas das pernas e de perna arrastada ninguém vai muito longe. Para onde iria ele, de resto? Não possuía amigos, não frequentava cafés, não recebiam nem visitavam fosse quem fosse, nunca reparara num soslaio interessado para senhora nenhuma: lia o jornal, olhava a parede e acabou-se. Há quantos lustros não lhe tocava? Ao calcular há quantos lustros não lhe tocava chegou-lhe do andar de cima um
- Acabou-se a conversa
que a sobressaltou o bastante para deixar os cálculos de lado. Há assuntos em que é melhor deixar as questões como estão, e a mulher era uma criatura prudente. Aos sessenta e cinco anos vai-se ganhando bom senso, para quê arranjar maçadas agora? De modo que acabou por ir para a cama também, guiando-se pela claridade dos intervalos dos estores. Ao deitar-se nenhuma tábua estalou, o marido dormia numa respiração lenta, quando se preparava para se voltar para um dos lados percebeu-lhe um murmúrio
- Sissi
e ficou a repetir para dentro
- Sissi, Sissi
por acaso o nome da empregada que vinha uma tarde por semana ajudar nas limpezas, uma criatura baixa e gorda, viúva, com o filho preso por uma questão de drogas ou um problema no género. A criatura baixa e gorda não era de grandes expansões e o marido, estava certa disso, nem atentava nela. Nem atentava nela? Se nem atentava nela porque carga de água o
- Sissi
num soprozinho que classificou de enternecido? Decidiu sacudir-lhe o ombro
- Que história é essa da Sissi?
meditou com mais calma, não se atreveu, porém o facto é que não conseguia livrar-se daquele nome. Foi à cozinha beber água para acalmar os nervos, descalça, sujeitando-se a uma constipação ou uma gripe, o azulejos gelados, ela sensível do nariz, o médico, na última consulta
- Atenção aos pulmões que já não vai para nova
e a hipótese de uma pneumonia aterrou-a. Na bancada estavam algumas facturas por pagar e no meio das facturas uma página solta do bloco onde assentava as coisas a comprar no centro comercial, em que encontrou escrito
- Até para a semana meu ursinho rechonchudo, Sissi
e ficou séculos a reler aquilo, aparvalhada, Meu ursinho rechonchudo, Sissi, meu ursinho rechonchudo, Sissi, até que principiou a sentir-se cansada, estrangulou um bocejo e decidiu voltar para a cama. Ao fim de trinta e seis anos não era fácil substituir o marido mas podia muito bem substituir o tapete da sala. E, com um tapete novo na ideia, adormeceu quase contente."

António Lobo Antunes, crónica da Visão

Daqui.


Sim, para quê mudar o marido, a vida, se se pode mudar o tapete? para quê?
Um tapete compra-se, leva-se para casa, vê-se, e sorri-se porque é novo, porquer é escolhido - a nossa escolha -, até pode ser fofo e podemos deitar-nos nele, enquanto, sei lá, o nosso marido se deita com a Sissi... desde que não seja em cima do tapete novo, ou sendo, não se veja, qual o problema? Ele está a arrastar a perna, e com a perna a vida, e já não vai a lado nenhum... e o tapete novo, esse sim, já cá canta. Durmamos sossegadas...
A miséria da vida medíocre e a compensação burgueso-dramática da realidade mundana e tão supérfula. E como eu não sou deste mundo.

12 setembro 2013



"Comecei a amar-te no dia em que te abandonei. 

Foram as palavras dele quando, dez anos depois, a encontrou por mero acaso no café. Ela sorriu, disse-lhe “olá, amo-te” mas os lábios só disseram “olá, está tudo bem?”. Ficaram horas a conversar, até que ele, nestas coisas era sempre ele a perder a vergonha por mais vergonha que tivesse naquilo que tinha feito (como é que fui deixar-te? como fui tão imbecil ao ponto de não perceber que estava em ti tudo o que queria?), lhe disse com toda a naturalidade do mundo que queria levá-la para a cama. Ela primeiro pensou em esbofeteá-lo e depois amá-lo a tarde toda e a noite toda, de seguida pensou em fugir dali e depois amá-lo a tarde toda e a noite toda, e finalmente resolveu não dizer nada e, lentamente, a esconder as lágrimas por dentro dos olhos, abandonou-o da mesma maneira que ele a abandonara uma década antes. Não era uma vingança nem sequer um castigo – apenas percebeu que estava tão perdida dentro do que sentia que tinha de ir para longe dali para ir para dentro de si. Pensou que provavelmente foi isso o que lhe aconteceu naquele dia longínquo em que a deixara, sozinha e esparramada de dor, no chão, para nunca mais voltar. 

De tudo o que amo és tu o que mais me apaixona. 
Foram as palavras dela, poucos minutos depois, quando ele, teimoso, a seguiu até ao fundo da rua em hora de ponta. Estavam frente a frente, toda a gente a passar sem perceber que ali se decidia o futuro do mundo. Ele disse: “casei-me com outra para te poder amar em paz”. Ela disse: “casei-me com outro para que houvesse um ruído que te calasse em mim”. Na verdade nem um nem outro disseram nada disso porque nem um nem outro eram poetas. Mas o que as palavras de um (“amo-te como um louco”) e as palavras de outro (“amo-te como uma louca”) disseram foi isso mesmo. A rua parou, então, diante do abraço deles. Não há memória de alguém, algum dia, ter considerado que aquele abraço foi um abraço de traição entre duas pessoas casadas. Toda a gente percebeu, logo ali, que a única traição seria não abraçar aquele abraço, por mais que houvesse documentos que comprovassem o contrário. Nunca casaram nem nunca se divorciaram. Não queriam perder tempo com papéis desnecessários. Os únicos papeis que assinaram, todos os dias, foram os dos poemas que, religiosamente, deixavam nos mais recônditos e secretos lugares da casa um para o outro. Não eram grandes obras e terminavam, sem qualquer variação possível, sempre da mesma forma: “amo-te”. Nunca receberam qualquer elogio da crítica literária, o que os deixava particularmente irritados. Souberam, anos mais tarde, que toda a sociedade os havia renegado. Chamavam-lhes, mesmo, os fugitivos. Eles, nesse ponto, concordaram em absoluto. Ambos sabiam que haviam fugido durante dez anos. E tinha sido tempo demasiado. 
Sim, quero.
Foram as palavras dele quando ela, no registo civil como tinha de ser, lhe perguntou se queria nunca casar com ele."

Pedro Chagas Freitas

[Há coisas neste texto que tenho quase por certas irem acontecer num futuro mais curto que a década. 
A primeira frase vai-te estar por dentro da boca ainda antes de dar tempo de apodrecer a despedida que dela sair. Só o fim não será este, porque a poesia da vida não se vive, a mediocridade da vidinha morna se alimenta da cobardia, e porque não, não queres. E porque não quereres te vai matar em mim. 
Perguntaram-me "é falta de coragem ou é falta de amor?", e eu só pensei para mim: há diferença? haverá diferença? 
O contrário do Amor não é o ódio, talvez nem mesmo a indiferença: é o medo. Porque o medo só tem medo do Amor, é o único que o extermina implacavelmente, sem misericórdia ou instinto de sobrevivência. Quando há Amor não há medo que o submerja; quando há medo, o Amor fugiu ou nunca compareceu. É por isso que o mais cobarde dos medrosos é um herói que não percebe, nem quer perceber ou saber, os perigos quando corre por Amor. O morno deixa de o aquecer para o queimar por dentro.
É falta de Amor. 
E essa falta matar-me-á a tua falta. 
E, no entanto, "De tudo o que amo és tu o que mais me apaixona. " .
Depois a minha falta vai nascer em ti.
E tu finalmente vais perceber.]
a falta que me faz dar as mãos e sentir que recebo o coração.
que saudade de um abraço de mãos que me faz aconchegar a alma em paz.
que me apazigua a sede de amor e a fome de vida.
Um toque que dá segurança e vida dentro do peito,
que não me faz pensar quando se vai desfazer o abraço;
que não me deixa pensar nas outras mãos desejadas.
em que só sinto como respiro: sem querer e sem doer.
e parece que se vive disso, ou que se precisa disso para viver.
respirar e sentir.
amar como quem respira.

Bom Dia


11 setembro 2013


Está uma noite boa para aproveitar: quente, estrelada, com as arvores a dançarem, de quando em vez, à música do vento, sob o olhar crescente da lua, que me espreita ao virar da esquina.  Está bom para a varanda, para uma conversa que saiba partilhar o silêncio do luar, e um cigarro. Eu fico-me pelo cigarro e pelo silêncio, sem conversa. A lua não me fala e não me olha.
Abro o livro e a luz. Fecho-me.
eheheheh... 
ele há cada uma!!
dirty, mas não sujas...
mas nada!! nem sujas, nem limpas, nem coisa nenhuma...
bahhhh
Boa Tarde

10 setembro 2013


e afinal é isto e só isto
será? que seja, quero
dias todos assim, assim
boca, assim duas mãos
seguras por beijos e medo
da luz um corpo amanhecido
de muito mudas as palavras
e tão dentro dos teus olhos
vemos tudo o que não era
e somos o que não fomos
porque adormecemos inteiros
por dentro de dentro de nós
ao fundarmos um nosso verbo.

Nuno Camarneiro


.... um nosso verbo. Que seja.
Boa Noite
ahahahahhaha
pois é....
...quem me dera esta moral... mas há gente que a tem, e alguns até têm piada a tê-la... sacanitas!!
Bom Dia!

09 setembro 2013

... corpo de diabinho para pecar à séria, mas este para as meninas... 
...que cá para anjinhos papudos e sonsos não há pachorra... 
e este até vem com o bónus incorporado de série do melhor exfoliante natural de cara e corpo (inteiro de preferência) que eu gosto e recomendo, munido também de faróis no lugar dos olhos de tonalidade verde, que é a cor da esperança dizem... esperança que o mocinho se mantenha assim, ou como o vinho do Porto, melhore ainda mais com o tempo... sim, eu sei que é dificil, mas é daí a esperança....


“O corpo é a recriação perfeita para enganar os preguiçosos. 
É para isso que ele serve. Para forjar existências.
 Há quem passe pelo corpo sem nunca passar pela vida.”



"In Sexus Veritas", de Pedro Chagas Freitas

[há corpos de anjo que são a criação perfeita para o pecado...]


Brandamente, por vezes, te desvio
de mim, para melhor, depois, sentir
que és bem tu que eu agarro, acaricio,
bem tu que eu pude, em mim, fundir.

José Régio


[...uma espécie de tango... que não sei dançar, não sei desviar-te por medo de perder-te, de perder-me de ti. agarro-te sempre que posso sem desvio, mas sempre em desvario.]

08 setembro 2013


[a minha ternura sobre os teus lábios, 
o horizonte mesmo debaixo da ponta dos dedos que te percorrem. 
O teu olhar que me torna surda de razão, 
os teus beijos que me cegam
em sorrisos mudos a gritar para dentro. 
O teu sorriso que me morde de vida,
o teu cheiro que me devassa.
Restam-me os braços para te agarrar e abraçar, 
prender a realidade que não queres ser. 
Que não és.
és só a minha ternura, 
o horizonte da ponta dos meus dedos, 
o meu sorriso, 
a minha loucura e o meu abraço de infinito.
Mais nada.]

Boa Noite

07 setembro 2013

nas tuas mãos começa o precipício.


Luís Miguel Nava
"Não há nada a lamentar sobre a morte, assim como não há nada a lamentar sobre o crescimento de uma flor. O que é terrível não é a morte, mas as vidas que as pessoas levam ou não levam até a sua morte. Não reverenciam suas próprias vidas, mijam em suas vidas. As pessoas as cagam. Idiotas fodidos. Concentram-se demais em foder, cinema, dinheiro, família, foder. Suas mentes estão cheias de algodão. Engolem Deus sem pensar, engolem o país sem pensar. Esquecem logo como pensar, deixam que os outros pensem por elas. Seus cérebros estão entupidos de algodão. São feios, falam feio, caminham feio. Toque para elas a maior música de todos os tempos e elas não conseguem ouvi-la. A maioria das mortes das pessoas é uma empulhação. Não sobra nada para morrer."

Charles Bukowski


...Ámen.

05 setembro 2013



“Tinha um pouco de cerveja na geladeira e ficamos lá sentados, conversando. E só então percebi que estava diante de uma criatura cheia de delicadeza e carinho. Que se traía sem se dar conta. Ao mesmo tempo se encolhia numa mistura de insensatez e incoerência. Uma verdadeira preciosidade. Uma jóia  linda e espiritual. Talvez algum homem, uma coisa qualquer, um dia a destruísse para sempre. Fiquei torcendo para que não fosse eu”


Charles Bukowski, Crônicas de um amor louco

[a consciência dos homens é uma coisa deliciosamente retorcida e inconsciente. não se consegue viver com eles, e ainda assim, não se consegue viver sem eles - alguém disse e eu fixei, não sei quem. ]

03 setembro 2013

Ora este é muito mais o meu género....
Não há mocinhos a dançar um Tango como deve de ser, só Homens!!
Isto sim é uma coisa à séria, que eu ainda hei-de aprender, é menos colado,
 mas eu diria que só faz aumentar a paixão, a sensualidade, da coisa... 
mas pronto, isto sou eu...
que acho que o Tango é das coisas mais fortes, intensas e vibrantes de se ver dançar quando é bem dançado, 
tem todos os ingredientes para ser explosivo: paixão, desejo, sensualidade, muito sal e ciúme à mistura...
Tang@-me...



Ora aqui fica uma dancinha muito ....ham hum haammm pronto, enfim, vocês percebem, com um mocinho que pronto, enfim... hammmm hammmm hummmmm... vocês percebem... e lembrei-me disto porque ontem quando a B me mostrou isto - que, não sei porquê, gosta muito deste mocinho.. não faço ideia porquê, mas pronto -, eu achei piada ao Kizomba, sendo que no outro dia uma amiga me sugeriu irmos para as danças latinas, ou um workshop de Kizomba, ou assim, e eu disse... 
- humnmmm não me parece, com a sorte que eu tenho ia-me sair como par um gajo feio e malcheiroso... 
- ahhhh mas aquilo é muito sensual e tu deves ter jeito...- responde ela,
e eu só consegui responder que com um gajo malcheiroso não me consigo lembrar de nada sensual a não ser a recomendação dum banho urgente e bem longe de mim... Já com este mocinho, aqui a B disse ( e eu escangalhei-mer a rir...) "com este eu dançava até a Machadinha!!" ahahhahaha muito Bom!!"
Deve ser porque ele dança bem, claro, e tem um sentido de humor muito contagiante (e esperemos que não seja malcheiroso...)... e vá com este eu também tentava dançar uma kizombada, mesmo sem nunca ter tentado a façanha...
Bom Dia!

30 agosto 2013


(...) os naufrágios são belos
sentimo-nos tão vivos entre as ilhas, acreditas?
E temos saudades desse mar
que derruba primeiro no nosso corpo
tudo o que seremos depois

«Pago-te um café se me contares
o teu amor»

José Tolentino de Mendonça



[...se me contares o teu amor, se me ensinares o que eu já sei e não quero saber que sei. Não contes nada, fala-me em beijos desse amor que tens, explica-me o amor como se eu não o soubesse já, como se eu não soubesse do café amargo que me fica na boca cada vez que me contas do teu amor. Os naufrágios são belos, mas não o que seremos depois deles... Dou-te o resto duma vida, se me beijares o teu amor inteiro e me salvares do teu naufrágio.]
...hummmm???
un (a)petit??
avec moi?
Bom Dia

27 agosto 2013


Palavras para quê, 
se deixas na ponta dos teus dedos 
a minha pele por escrever?

Um livro em branco,
mudo,
cheio de mundos à espera de gritarem,
todo escrito por ti.

Palavras para quê,
se as palavras só existem
se dedilhadas por ti.

Boa Noite

26 agosto 2013

'Bora lá... todos floridos!!!
Isso, queria ir de vespa e flores no coração...
(a vespa não posso ser eu a conduzir, não tenho lá muito jeito...)
Bom Dia

han han... só boas intenções...
Boa Noite

25 agosto 2013


Acordaram-me.

O som duma mensagem que abri e dizia "olha-me esta lua"... Mas não era a lua que se via, era uma pessoa. Era a pessoa em quem penso quando não estou a pensar.

Vim fumar um cigarro cá fora. 
Vi esta lua, preferia ver a outra, mas não é recíproco.
Nunca me prefere a mim.

23 agosto 2013

Verdade!!...é mesmo!!


Caetano...catano, adoro a música deste homem!!!
...sofrer a eterna desventura de viver...


"Já lhe tinha beijado a boca e o pescoço. E esfregado a mão suada na dela. Sentira-lhe o hálito adocicado na ponta da narina esquerda e lambera-lhe o lóbulo da orelha direita. Ele já lhe fizera quase tudo. O “tudo” dos amantes. O “tudinho”. Eu disse-lhe que não. E argumentei solidamente perante o “mas.. mas…” atarantado.
Já conhecia cada centímetro cúbico das suas ancas.
“Não é aí”, disse-lhe. “Não é aí que mora a intimidade, homem!”

Os cafés chegaram à mesa, esperei pela saída do empregado para continuar.
“Olha lá, a intimidade de quem ama, ou gosta, ou deseja, só tem os nossos limites, certo?”
Levantou a sobrancelha e encolheu os ombros. Enquanto ele descrevia, subtilmente, o seu universo do “tudo”, recordei-me de um amigo, nas noites quentes do Seixal beira-rio, perdido na insensatez dos seus 19 anos dizer-nos “Pá, sexo oral com a nossa mulher, a mãe dos nossos filhos? Não. Fogo, nem pensar.” Isso seria coisa para “as outras”. Aquelas que desejamos mas com quem nada construímos. Como se houvesse um limite intransponível de intimidade com quem a mesma deveria ser plena. Voltei à mesa do café. Ele parara a descrição suculenta dos detalhes do amor e folheava, agora, os jornais.
“E já dormiram juntos?”
“Já!! Então, não te estou a dizer que fizemos tudo?”
“Está bem… mas dormir. Eu digo dormir. Ressonar. Fechar os olhos! Esse dormir!”
“Ahmmm…”
Ele olhou para mim com a nítida expressão do já me lixaste.
“Ohhh, lá estás tu… e isso é assim tão importante?”
É.

Contei-lhe uma história… uma viagem que fiz, em trabalho, à África do Sul. Em Durban, tive um motorista cuja sensibilidade ia muito além da memória fotográfica para ruas e da avidez para não parar em semáforos. Mtunzi era um homem fora de série. Um dia, em tom de confissão, contou-me… tinha apanhado, no aeroporto, um cliente. Casado, também ali em trabalho, o homem pediu-lhe para seguir para o hotel e, pelo caminho, lá lhe perguntou…
“Where can we find women, here. Beautiful ladies… hum?”
Mtunzi, a cortar a curva com a ternura de um talhante, lá lhe disse:
“What kind of women? The one you pay or the one you may fall in love?”
O cliente riu-se. E percebeu que a coluna afectiva do motorista era inabalável. Não mais abriu a boca durante a viagem.
Há coisas que não fazemos com quem se paga. Ou com quem o “tudo” é outro “tudo”. O meu amigo continuava incauto a mirar-me.
“Como assim?”
Sorri-lhe.
“Já lhe tocaste nos pés?”
Riu-se. Insisti.

O amor não está na juras ou promessas. Nem na liberdade dos teus dedos no corpo dela. Está nos pés. Naquele momento em que os teus tocam nos dela. Frios ou transpirados, sujos ou lavados, de unhas cortadas ou compridas. Quando os pés dela se esfregam nos teus e ali ficam.
É aquele instante tabu, em que a âncora do teu corpo tenta entrelaçar-se no outro. Em que ofereces a tua base. O teu sustento. O teu equilíbrio. Está aqui e é teu.
Não há intimidade maior, nem oferta mais doce. Quando, indiferente ao que aqueles cinco dedos comportam, deixas o teu dedo grande passar-lhe pela palma do pé. Quando sentes a rispidez da pele do calcanhar na barriga da perna e prendes, em pinça, os dedos dela nos teus.
“E, então? Já lhe tocaste nos pés?”

Disse-me que não, cabisbaixo. Mandei-o para casa. Fazer “tudo”. "

Roubado daqui., escrito pela mão da Rita Marrafa de Carvalho.

DELICIOSO... as pessoas não fazem ideia do "tudo" que podem ter... e às vezes eu gostava de também não ter, torna muito reduzido o que nos pode preencher depois do "tudo" tido e perdido. Há coisas de que raramente e dificilmente uma pessoa se refaz. 
Uma terrível nostalgia e melancolia por aqui hoje.
Tristeza e saudade.
Uma vontade enorme que outros sítios me puxem, me magnetizem, me façam querer alguma coisa de novo, alguma coisa tornada minha, tornada eu. Um eu diferente mas tão eu como eu agora.
Cada vez mais sozinha, cada vez maior a vontade de ficar sozinha.
Mas longe. E podia ser aqui, porque é a minha cara -  ou a cara, infelizmente, talvez não, mas o meu por dentro...
Bom Dia!

22 agosto 2013

... o que eu gosto disto...
Boa Noite





e tu,
sempre tu

num prodígio de luz

a enlouquecer-me
as sombras


gil t. sousa 





[eu, que me verti toda em sombras,
em sombras de mim,
do que fui, do que vivi, do que senti e lutei de olhos fechados ao mundo
ilumino-me, trémula, como se houvesse sol nos teus olhos. 
e há. 
 é o sol que me faz sombras. 
sem luz nunca haverá sombra. 
e a minha sombra enlouquece-se à tua luz
baralha-se 
esquece-se de ser
nunca deixando de ser
a sombra da tua luz ensandecida]
Adoro amores-perfeitos.
Deve ser do nome.
E da perfeição.
E de não se poderem arrancar, só apreciar, só gostar.
Como as papoilas de ar selvagem e silvestre.
Os amores perfeitos não têm ar selvagem, nem despreocupado,
mas parecem doces e perfeitos, e eu gosto.
Como gosto de pessoas de ar organizado e bonitinho que eu nunca terei.
 Provavelmente se eu fosse uma flor seria algo parecido com uma papoila.
(é preciso alguém com uma certa sensibilidade e diferença natural para espontaneamente reparar numa papoila, e depois não se vendem, não são comerciais - já repararam-, e eu gosto disso tudo. Muito.)
Mas a minha flor preferida acho que são as margaridas... giro né?
Bom Dia

21 agosto 2013


(...) Toca-me, conjuga um verbo que conheças
no presente do indicativo, soletra-o na segunda pessoa
do singular ao meu ouvido, dá-me qualquer coisa
que me pareça eterno.

Basta-me que o teu olhar me encontre.

José Rui Teixeira


[«...és-me.» - mas é uma sugestão que de tão irreal apenas poderia ser sonhada, se eu ainda sonhasse no tempo que me escorre pelas mãos e me deixa a vida como morta. Era o que eu soletraria se o teu ouvido fosse meu. era qualquer coisa de eterno que é, e que o meu olhar traz sempre, ainda que nem sempre o encontres.]
Bom Dia!!!
(não que eu comece o dia a beber - não que me falte vontade, atenção - mas posso começar o dia a piscar o olho, né?? há que tentar esquecer as tristezas que nos servem todos os dias fresquinhas, fresquinhas...)

20 agosto 2013

Bem sei que não é ano novo, mas há que decidir duma vez fazer qualquer coisa, isto é, voltar para o ginásio, ou fazer qualquer coisinha do corpo... que não implique saltar muito que isso cansa um bocado...
Vou colar esta foto na porta do frigorífico para motivação...  sou tão preguiçosa!!!!...

18 agosto 2013


Se calhar, para amar a sério, é preciso saber que se é amado.
Por isso o amor é uma espiral, quanto mais se recebe, mais se dá, e o inverso.


Cada vez mais sinto isto. Na pele, no olhar, na alma, no silêncio.
Infelizmente estou a aprender pelo inverso.

15 agosto 2013


Sinto-me terreno abandonado, árido, ao sol: nada brota, nada nasce, nem sequer morre. Nada semeia, nada colhe. O corpo parece morto, ressequido, esquecido, inerte, como um deserto seco de sombras. E é encharcada da escuridão das sombras que estou: falta-me a luz do olhar das tuas mãos, o toque quente do teu olhar; falta-me o sol dos teus lábios para me aquecer a pele, para beber a vida que me plantas, e que só tu sabes colher: faltas-me. E é este deserto que atravesso, e este deserto sou só eu, e onde os pés se cravam a fazer caminho - e que tantas vezes me engole -, é o que sinto.
Quando às vezes me acho menos só: quando acho que a distância me traz sozinha, mas não me leva na volta a tua ausência, descubro que é miragem: a realidade é o deserto.
O deserto sou eu com os pés cravados na areia que me escalda.

14 agosto 2013


"A memória mais forte que tenho dela é o toque dos seus dedos. Foi com ela que aprendi que a compatibilidade entre duas pessoas pode ser o toque, muito mais do que a voz, a semântica ou o cheiro. Ou melhor, os toques todos. Aqueles que acontecem quando se dá a mão na fila do supermercado e se discute o preço dos chocolates, mas também os outros, que nascem e morrem no segredo duma cama.
Por causa desses toques, caminhámos em silêncio durante uma parte importante da nossa vida, unidos pelos dedos. Uma vez parámos num pequeno café em Espanha, a caminho de lugar nenhum. Lembro-me das ruas desertas, do calor intenso e do estranho sabor agridoce na boca, logo pela manhã. Era ali que eu tinha prometido levá-la, para a devolver a casa depois daquele tempo que decidimos ser o nosso. Deu-me um abraço, estendeu-me a palma da mão esquerda no ar e colou a dela à minha. Ao afastá-la, brincámos com as pontas dos nossos dedos, como se todos os toques estivessem ali guardados.
Acho que ainda estão. Eu, pelo menos, ainda os sinto."


[há toques que falam mais que conversas inteiras que ninguém escuta. 
há toques, que mais que tocarem, falam com a alma e com alma. 
Difícil, depois, é calá-los em nós, mesmo muito depois de já não os sentirmos na pele...
Há toques destes, em que um toque acidental, não é um acidente, é um desastre. Fulminante.]

Boa Noite

«Estar nu, nada tem a ver com a pele. A verdadeira nudez é deixar que alguém nos morda os pensamentos; nos veja além da carne e nos leia como um livro. Os homens são fortes por fora, fazem-se fortes por fora, aparentam ser fortes por fora, mas resguardam a sua fragilidade interior, incapazes que são de assumirem o que sentem. Os homens têm medo das mulheres que os lêem, porque assim elas sabem mais deles que eles próprios. E como pode um homem fazer-se forte, quando uma mulher o despiu por dentro?»

João Morgado


[... era por isto que me dizias que tinhas medo de mim?? seria?... nãaaa]