Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

08 julho 2014

Amén.
Assim seja.
Assim o espero.
Estava até capaz de acender uma velinha...
... mas tenho medo que se apague...


"O amor pode matar, pode levar à implosão dos amantes, à sua transformação em algo mais, numa amálgama de corpos em que já nem um nem outro se reconhece, da qual se acabam por afastar ambos, desiludidos por deixar de ver o corpo amado, por deixar de se ver a si mesmos. O amor não é uma colisão mas uma órbita, um bailado, uma sucessão de movimentos de dois corpos em torno de um ponto invisível que lhes serve de fulcro, em movimento permanente. Achar este ponto é difícil; mas talvez a solução seja não o procurar – seja cada um dos astros seguir o seu caminho próprio, nem que pareça afastá-lo do outro, e deixar que o amor, como a gravidade, os puxe na direcção um do outro e os mantenha juntos à medida que fazem o seu caminho. Sabendo que se podem afastar irremediavelmente; procurando até aproximar-se deliberadamente quando isso for necessário; mas sabendo que não ter destino que não seja o outro é uma rota para uma colisão inevitável, inexorável, e fatal. O universo é um lugar cruel, mas é o único que temos."

Do Menino.

[O amor é uma órbita sim, dois corpos que brincam e se atraem mutuamente, que se deliciam do outro, pelo outro, com o outro, numa força invisível que não sabem explicar, de gravidade sustida em leveza, à volta do que os une aos dois - esse centro de órbita, não é um ou o outro, é que são os dois -, é o que são os dois juntos que é o Amor, e é à volta dele que a vida se vai dando a bailar.  Só à volta dele a vida se baila sem saber de música ou de passos, é apenas a harmonia do estar, do saber estar a dois na vida de cada um. Só se afastam realmente quando saem de órbita, e então é porque já não há nós, já não há aquela força invisível que os mantém juntos.]

Mario Benedetti

[... Contra o maldito desamparo. Este. O meu. 
A chave que não abre porta nenhuma mas que é a negação do fim.]

E aqui estou eu no meu sofá debaixo das estrelas que não vejo, mas sei que estão lá mesmo quando não as vejo, a olhar para a lua que está baixa e corada... Muito corada, alaranjada. Dizem que vai começar o calor, os dias bons, e eu aqui que só acabo, só me acabam tudo, só me acabam, e aqui me sento: acabada. Acabada com frio debaixo duma manta quente. Fumo um cigarro, mais um e pondero deixar-me dormir ao relento. Ao relento dos pensamentos sentidos. Pode ser que acorde corada, ou acabada na mesma. Sei lá. Aqui não se começa nada, só se acaba. É estranho em cada fim há sempre um começo de qualquer coisa, onde está? Onde anda? É como as estrelas que me vigiam mas eu não vejo? A lua quase a esconder-se agora por trás dos edifícios, quase vermelha. Será raiva? Ou está farta de sumir no horizonte, sem darem por ela?


- Porque paraste?
- Porque não te sinto aqui como tinhas de estar aqui.
- Tens de estar todo para ser o amor. Caso contrário é só prazer.
Caso contrário é só prazer: aqui está uma boa definição de amor.

Pedro Chagas Freitas

[ é uma boa definição. verdade que é. pelo menos é uma das minhas definições. verdade que é.]
"Suicídio é que nem uma mulher bonita num bar. Você olha ela e algo dentro de você cresce e diz 'eu preciso dessa mulher pra mim'. Aí você pede um whiskey e começa a pensar no que falar pra ela. Eu pergunto o nome dela? Ou eu chego me apresentando? Eu pergunto o que ela gosta de fazer ou tento encantar ela com as coisas que eu gosto? Você vai ficando nervoso, pede mais uma bebida e se questiona: por que eu quero essa mulher tanto? Mas você não consegue responder. É algo maior que você. Quando você finalmente toma coragem e se levanta, o caminho entre o balcão e ela parece uma eternidade. Você chega perto dela e trava. Fica com medo. Você desiste e volta pra casa agoniado por não ter conseguido falar com aquela mulher. Chega em casa e se masturba pensando naquela mulher. Você não consegue entender o conflito entre existir algo dentro de você dizendo que você quer; e, quando você tenta fazer, outra coisa dentro de você diz que não é pra fazer. Suicídio é que nem uma mulher bonita num bar."

***

"Sentado ali, bebendo, considerei a opção de suicídio, mas me senti estranhamente apaixonado pelo meu corpo, pela minha vida. Apesar das cicatrizes que marcavam meu corpo e minha existência, ambos eram propriedades minhas."

Charles Bukowski

[já tenho tanta cicatriz propriedade minha, que já nem dá para contar... nem vale a pena começar, mas são o que sou, o que me tornei, o que hoje me define em boa parte, provavelmente, e sim há coisas que parecem suicídio. cada vez mais parecem, e cada vez me lembro mais disso. e eu não penso ser suicida mas agradecia tanto não ver o dia de amanhã nem todos os seguintes. agradecia. tanto.]

07 julho 2014

hum hum...
...a lixar-me com "F" grande há muitos anos e das mais variadas e criativas maneiras... 
sim senhor!!


"Ainda em desamor, tempo de amor será.
Seu tempo e contratempo.
Nascendo espesso como um arvoredo
E como tudo que nasce, morrendo
À medida que o tempo nos desgasta.
Amor, o que renasce."

Hilda Hilst

06 julho 2014

"-Tinha-o previsto - dizia ele, com amargor - o seu amor eclipsa-se ante a felicidade de receber um rei em sua casa. Este alvoroço fascina-a. Amar-me-á outra vez quando os preconceitos da sua casta já não lhe perturbarem o espírito.
Coisa para admirar: isto fez com que o seu amor por ela aumentasse."

Stendhal, in Vermelho e Negro

[Brilhante. ]

05 julho 2014

E aqui ao meu lado resolvem-se problemas de matemática. Eu olho, e ponho-me a pensar que estou com inveja, inveja ou o que queiram chamar, talvez saudade de saber resolver, de haver respostas lógicas e lúcidas num mundo onde as regras são provadas e demonstradas, onde as dúvidas e problemas se resolvem por a+b, e que a resposta é resposta e conclusão. Estou aqui e tenho saudades de mim, da altura em que me sabia e me concluía em respostas que eram eu. Não me duvidava, entendia que me sabia. E era bom. A matemática é um mundo em que me sinto segura, porque mesmo quando não a sei, sei que há resposta certa, é só estudar e chegar lá. A vida não é segura e precisa de respostas, mas como saber a resposta certa, como reconhecer a resposta certa, se não há regras nem lógica? Sinto-me perdida hoje e desconsolada, carente, a precisar de mimo e duma regra qualquer que seja amar-me, sentir-me desejada daquela forma completa de corpo e alma, onde os olhares mergulham na alma do outro e nos encontramos lá, perfeitos nesse mundo a dois, dos dois; onde a pele se encontra, se toca sem medo, e se reconhece e se sente feliz. Sinto-me assim, com saudades do mundo fazer sentido, não deixando de ser sentido. Apetece-me estudar matemática.

"no teu abraço calcula-se o limite do perigo,
definiste em mim o imediato, se é mais lento do que agora já demora demais, ouviste?,
acordei com uma tristeza distante hoje, falta-me sempre qualquer coisa enquanto não vens,
preciso dos teus olhos abertos para a coragem de abrir os meus,
perguntas-me o que tenho,
tudo,
mas há qualquer coisa estranha em mim, a esperança de repente tão longe,
de quantas cores somos feitos afinal?"

Pedro Chagas Freitas

Daqui.

[...o limite do perigo e o tempo sem limite -o abraço-, como uma espécie de eternidade a prestações que se teima em prestar congelada em instantes, como uma felicidade a conta gotas por tanto se contrariar.
O limite é sempre o medo que encarna a alma.
O verdadeiro perigo é contrariar o resultado do tempo, é não querer ver, é amordaçar a felicidade, de cada vez e de todas as vezes, sem limites. 
...À espera que o Amor se silencie.]

Boa Noite


......alternativa às palmadinhas.
prefiro....


04 julho 2014

....pois não, só queria que me consertassem.
Há poucos dias atrás alguém dizia que me ia consertar, 
que ia ser uma trabalheira, mas que se fazia com gosto. 
Queria a Eva de volta só, só, para ele...



... hum hum
( e eu nem gosto muito de palmadinhas no traseiro, mas gosto - e muito - deste espírito, 
e definitivamente dum cavalheiro deste género... um cavalheiro que me deseje e o mostre. 
Não importa onde, embora importe como. 
Não se pode pedir mais, né?)

Bom Dia!!

03 julho 2014


“Expose Yourself to your Deepest Fear…
After that, Fear has no Power.
And the Fear of Freedom Shrinks and Vanishes.
You are Free…”

Jim Morrison
...precisa-se quem dê colo, 
quem agarre com mãos ávidas,
quem toque com suave ternura,
quem beije com vontade de engolir,
quem me sinta sentindo-se.
quem me mate as dúvidas com a certeza de eu ser o lugar que não se quer deixar.
O melhor sítio do mundo é aquele donde não se quer sair.
o meu é no colo onde mora um nós que não chegou a nascer.

ahahahhahahahah...
é isto!!
( e com sorte, senão é sem resposta mesmo... eu quero um Romeuuuuuuu....)



 "Há garrafas que dão à nossa praia e não conseguimos evitar abri-las."

[uma pequenina nota do Menino, que diz tudo - para mim diz tudo. 
E acrescento que depois de abertas, depois de ver,
por muito que se fechem, os olhos nunca mais conseguem voltar a ser cegos.]

Bom Dia!!
...abre os braços, fecha-me num abraço e voamo-nos...
É fácil de tão natural.
Difícil é não voar e esquecer esses abraços que voam.
se calhar impossível... naturalmente.
Contrariar as asas que nos demos faz-nos sobreviver contrariados (ou tentar),
o instinto é viver, o instinto natural é voar quando sentimos asas.
há abraços que sentimos como nossa casa
dão-nos asas sem sair do sítio.
qualquer sítio,
não qualquer abraço.

Boa Noite

02 julho 2014

sol na pele.
o som do mar.
o descanso com paz.
 um nós que se sinta por dentro.
apetecia-me.

Bom Dia


01 julho 2014

Nahhhhh....é nada!!
É fácil, fácil, porque depois é só dizer que afinal se enganou, afinal não eram saudades...
desculpa lá qualquer coisinha.... 
 enganei-me, desculpa... ahhhh e as férias, olha esquece também, enganei-me... abandono-te,
 mas não é por mal... tu aguentas!!


“Mas quem poderá dizer o que é melhor? É por isso que tens de agarrar todas as oportunidades de ser feliz onde as encontrares, e não te preocupares demasiado com os outros. A minha experiência diz-me que não temos mais de duas ou três oportunidades dessas na vida, e se as deixarmos passar, arrepender-nos-emos para o resto da vida.”

Haruki Murakami
Lido aqui.

[não tenho arrependimentos já aqui disse, e realmente, sempre que acho que a vida me dá um caminho que me cheira a felicidade sigo em que condições for, como for. Sei para mim que fiz tudo e que mais à frente posso olhar para trás à vontade, tenho a consciência tranquila e os pés queimados lembram-me que corri o que pude pelo caminho que a vida me deu, mesmo que o caminho fosse difícil, tortuoso e magoasse os pés. Tenho a paz de ter dado tudo. tudo. nunca recusei as guerras da vida e isso dá paz. ]

30 junho 2014

"Criámos barreiras contra o optimismo, habituámo-nos a ver os optimistas como líricos, a arrumar tudo o que nos digam na prateleira da auto-ajuda, da charlatanice. O optimismo é um filtro cor de rosa que nos aumenta a importância própria e nos faz criar uma visão selectiva do mundo; é uma pala à frente dos olhos. Se olharmos a vida sem optimismo percebemos que tantas vezes não fazemos diferença nenhuma na vida de ninguém. Que se não existíssemos, não mudava nada.

Todos temos o secreto sonho de ser a pedra angular na vida de alguém; é isso que nos faz sentir importantes, que nos faz achar que a nossa vida tem sentido. É um condicionamento mental, evolucionário talvez, que está na base de porque procuramos relações amorosas, porque desejamos ter filhos. O sentido da vida é ser importante para alguém. E quando olhamos à volta e entendemos que os nossos filhos, os nossos amigos, os nossos amantes, os nossos companheiros, são tão autónomos e bem resolvidos que na verdade não precisam de nós para nada, isto afecta-nos.*

E aí acontece uma de duas coisas: ou nos deprimimos por nos considerar inúteis, ou percebemos que fazemos falta a nós mesmos; que, acima de tudo, sempre fizemos falta a nós mesmos, e que somos imprescindíveis na procura da nossa própria felicidade.

E que mesmo que não consigas ser relevante para ninguém, a última palavra é sempre tua: és relevante para ti próprio, ou a tua vida é apenas uma função da vida dos outros?"

* aprende no entanto uma coisa: é muito diferente “fazer falta” e “ser desejado”, e a única coisa que interessa é a segunda.


[ eu não sou definitivamente optimista, e daquelas duas coisas acontece-me a primeira em tempo quase real: deprimo. eu não faço falta nem a mim mesma, a sério, é triste chegar a esta conclusão, mas hoje é assim que estou.]
Há cheiros com efeitos colaterais. Hoje entrei em casa dos meus pais e sem saber como as lágrimas caíam-me sem pedir licença. Há cheiros que nos desfazem as armaduras, que nos fazem cair despedaçados em nós mesmos. Tornamo-nos o cesto de papéis amarrarrotados que a vida amarrota e salga e que vamos tentando, um a um, recuperar, alisar e refazer-nos no caos. Já tentaram desamarrotar um papel? Nunca volta à forma original, cada vinco fica marcado, mas as lágrimas correm, salgam a pele e desaparecem, como se nunca tivessem sido. Os cheiros, os cheiros esses, ficam na memória e não amarrotam, há coisas que não passam. Nós somos o que não passa, somos a nossa memória e o que queremos ser.

29 junho 2014

... Os jardins. Outra vez. É perto e eu gosto. É fresco e tem céu. Se fugirmos um bocadinho até tem silêncio. 
Sentei-me com a sandes e o sumo e comi a ouvir falarem italiano, e dou por mim, mais uma vez, a olhar em volta a observar as pessoas. A italiana é infeliz, estou certa. Dois filhos, um marido a mais metros de distância do que o espaço que separa as cadeiras. Um olhar quase sobranceiro, quase indiferente, para ele. Na relva levanta-se outra mulher com um bebé ao colo deve ter perto de um ano, tem um ar feliz e uma barriga quase com outro bebé ao colo, já não falta muito. Esta é feliz, tem qualquer  coisa nos olhos e no sorriso genuíno, na maneira de se mexer? Despretensiosa, à vontade, leve. O respectivo macho perto dela com o carrinho para onde o bebé não quer ir. Colo de mãe não se substitui, dizem. Eu por mim, agora, queria esticar-me na relva ao colo (mas não da minha mãe), a olhar para o céu enquanto discutíamos as formas que as nuvens fazem enquanto correm para algum lado, como fizemos uma vez com sombras na parede da sala. Mas não, vou-me entreter com um gelado de cereja e ficar aqui a olhar para os outros. Ver se alguém noutra mesa se perguntará de mim e da minha (in)felicidade, não faço ideia da ideia que dou. Mesmo. Mas acho que pouca gente, e aqui se calhar ninguém, gosta de observar e analisar as faunas locais como eu. Isso e eu sou transparente. Ninguém me vê mesmo. E eu não sei se sou feliz ou infeliz.
.., beija-me na boca 
e chama-me sandokan
..,rasga-me as cuecas e o soutien.
(Estas músicas, sim senhor... Mas ainda prefiro o "me joga na parede e me chama de lagartixa!...)

28 junho 2014

... E é isto... A inexistência...
A namorar sozinha nos jardins.
De papo para o ar, os olhos no céu que passa por entre a frescura das folhas.
E assim se ganha uma meia hora que se perde a ouvir o silêncio.
(O banco é duro, bolas!...)
...caixa de música, copos de vinho vazios cheios de conversa.
Fugidas que se tornam doces mas em que a alma amarga de incompleta quando se lembra. Principalmente quando se lembra que não somos lembrados por quem lembramos sempre.
Noites em que as cartas nos dizem que temos uma essência selvagem, intensa, e em que nos gozam ao dizer que isso está-me nos olhos, não são precisas cartas.
Eu acho que as cartas se enganaram no tempo do verbo, e que os olhos têm esperança ainda de se reverem no futuro... O presente domesticou-me. Demais. 

Boa noite.

27 junho 2014

E isto.
Boa Noite

tu. eu.
um beijo na cara.
assim quase de repente, quase sem esperas, e eu quase de certeza sem o esperar.
depois outro, na cara, com vontade, quase alegre, parecia.
parece sempre tanta coisa, não parece?
e depois, depois, namorar- sempre namorar - fora do mundo,
 num sitio que nem olhei duas vezes, que não interessa, era o melhor lugar do mundo naquele momento.
o lugar donde não apetece sair.
o abraço, os beijos, o mimo que se sente, o calor que não é do clima mas acelera o coração, a alma que ri, o sabor da tua pele, da tua boca. Nós.
O nós que eu gosto.
Nós.
E eu teimosas em dizer se havia saudades, calo-me, como te calaste tantas vezes, calo-me, mas a alma grita pelo coração e eu cedo-me como quem sucumbe.
Oiço e oiço e não quero acreditar, não me mandas mais embora, agora não, não mais, é a última vez; a partir de agora é só "anda cá"!! Estás doidinho para isso, para o "anda cá", para namorar, para as férias, para uma vida. Para mim? parece...
parece sempre tanta coisa, não é?...
Tenho medo, tenho tanto medo, que me dizes distante, porque quero que me convenças, que me proves, que me ames, porque te quero porque nos quero. e tenho medo. tanto.
e não sei de quê...  nós nunca houve, já te perdi há tanto tempo, quando nunca te tive, quando nunca me quiseste, quando nunca fui a tua escolha, quando nunca fui a vida que queres.
quando nunca fomos nós.
 eu perdi-te sem nunca te ter.
parece, parece sempre tanta coisa.
e estamos sempre aqui.



"- Por que é que julgas que eu nunca choro? 
- Tu não morres o suficiente para poder chorar. "

Jack Kerouac

[não choras porque não morres o suficiente, nem vives porque não amas o suficiente.
eu tenho de sobra dos dois. morro tanto porque amo tanto. 
só não vivo.]

26 junho 2014


... Mais do que presos, que não gosto de correntes, prisões ou obrigações, estamos entranhados. Coisa difícil de desfazer. Não há chave que nos liberte, água que lave ou tempo que apague.
Mario Benedetti
A doçura que se sente, é a doçura que se dá ou a doçura que se recebe? Estava aqui a pensar... É que entregar a doçura que se tem, e quer dar, a quem não a sinta é uma doçura estéril, não vai a lugar nenhum, não sai de nós por não encontrar poiso em que se sinta em casa para crescer. Recebê-la sem ter vontade, não aquece e não adoça; ou nem se sente ou amarga-nos pela vontade de rejeitar uma doçura que não nos é doce, que quase nos fere e nos faz fugir. Tantas vezes de nós mesmos, porque percebemos que não conseguimos escolher que doçura querer, o que sentir ou a quem dar. Não se escolhe a quem se dá porque não escolhemos s quem nos damos. Na verdade, se calhar, não nos damos, roubam-nos, e tornam-se o nosso poiso, a nossa casa, a nossa doçura. Que afinal é tão pouco nossa... A doçura só é doce se o é nos dois extremos dum beijo em que se tocam. Como a ternura, como o carinho, como o mimo, como o desejo, como o Amor.
O chocolate só é doce na minha boca, sinto-o doce. Senão é só um chocolate e é só a minha boca uma boca.

(e agora vou fechar a luz ao telemóvel e fumar o último cigarro na minha varanda e rezar para que não amargue a doçura que me descobri, mas que na verdade nunca foi minha... só é nosso o que controlamos, o que pomos e dispomos conforme a nossa vontade ou razão. Infelizmente.)
Boa noite

25 junho 2014

"-Partiu, vou ter de consertar. Já percebi... Uma trabalheira... ahahha mas com gosto.
...coisa boa. Dava-lhe já um mimo e colinho."

[sim? que é dele?...pois estou precisada disso. há muito tempo. e que me consertem, me colem os bocados rasgados da alma, que mos cosam com beijos pequeninos e me ensinem o coração a bater com vontade outra vez, com vontade de acordar de manhã, que me colem os quereres e descolem de mim as dúvidas que me matam e desossam o carácter, que me lambam as feridas e me deixem aninhar até adormecer. que me deixem ser eu. há tanto tempo que não sou eu, falta-me isto para ser eu, falta-me o doce e a pele, o carinho e a gargalhada, a ternura e a tesão, o silêncio e o que o beijo diz. faltas-me. ainda. 
(lembra-me um comentário a um post deste blog há muito tempo, que dizia "sabe há quanto tempo não beijo?", eu é há quanto tempo me falto por falta de ti. só que eu não é da boca para fora. nunca é da boca para fora o que eu digo sinto dentro, é sempre o que tenho dentro.)]
Pois não, é junto de quem se quer, melhor se num abraço apertado. 
E qualquer sítio se torna o lugar perfeito. 
Quero que este seja perfeito. Aqui. 
Falta-me o abraço...E quem eu quero querer-me em qualquer lugar.
...mas pelo sim pelo não, põe os dentinhos no seguro, sim?
nunca se sabe....
É que estou farta de ser eu a magoar-me e sem seguro...
 ninguém me segura, é o que é!!!
bahhhhhhhh
Bom Dia
(vamos animar, malta, que isto de chorar todos ao dias não é vida)



"Eu quero a Eva de volta e vou ter."
Onde estás?
Onde estás no meu grito por ti se não gritas por mim?
Onde?

23 junho 2014

Já pensei muito, e muitas vezes, sobre esta dicotomia do sim e do não, e nunca tinha pensado nesta perspectiva, ou resumido tão bem e acertadamente a questão, mas é mesmo isto. 
Para quem não sabe dizer não o sim não é nada, é apenas inércia, é o deixar-se ir com o que há. 
Mesmo que esteja sempre implicitamente a dizer não ao seu contrário, di-lo da mesma forma que diz sim, sem convicção, sem reflexão, sem acção. 
É, no fundo, não ter vontades, é não ter vontade de nada, não querer realmente, profundamente, nada. 
É a mais pura verdade. 


... e aqueles 1% devem ser os mesmos que aquela coisa de ganharmos ao Gana por não sei quantos,
 e os USA passarem-se da cabeça e serem os maiores e tal... 
enfim... logo a noite inclui vinho, com certeza....
perceberam, né?

...era isto.
...ou é do tempo, ou é de mim, mesmo... mas era isto.
...não podendo ser hoje, que tem de se trabalhar, que tivesse sido ontem, ou que seja daqui a cinco dias...
 só ronha e mimo e quentinho, até pode chover o dia todo... kélásabereee!!

Bom Dia!
(temos de começar a pensar em animar isto, levantar o nariz e não pensar, não pensar, não pensar,.... nem querer, não querer nada. nada. só isto, que é tudo.... bahhhhh estou sempre tramada!!)

 ... a simples coragem de me querer...
Boa Noite.
Ohhhhhh... Que pena!!... é que senão eu começava a querer ser muito religiosa... E nada de falhar idas à missa!!
(se bem que chamar por Deus assim parece o outro a dizer que não é pecado se estivermos a pensar em Jesus...credo, mais vale pecar mesmo!! )


22 junho 2014

E aqui estou eu a tentar comer o tempo entre cigarros, posts e leituras. À espera que a cama me chame com vontade, mas nada. Depois ponho-me a pensar que é difícil comer o tempo, porque tem de ser mastigado e engolido, e eu queria só engoli-lo. Mas para quê? Nem eu sei. Porque não sei nada, nunca sei. O tempo trará alguma coisa? Engolir este para chegar lá à frente, e lá à frente será que está alguma coisa? Será que alguma coisa vai mudar? Dou por mim descrente e a enterrar os pés no chão, a não querer  pensar, a querer não crer, nem querer nada, nem engolir o tempo que não sei que tempo trará à frente. À frente do tempo estão sempre saudades. Só isso eu sei e tenho medo de o saber mais, mais à frente.

"demorava a língua sem hesitação, pela astúcia do pescoço, pelo carnaval de arrepios que te dançava em várias repetições de desejos. (nunca se fala quando se avança sobre a pele e se rompe o corpo todo, para lá do desabafo do beijo, do silêncio que se conhece no começo dos dedos). deixavas-me, sem interrupção, a ser capaz de tudo. mas nunca se volta ao sitio onde se foi tempo e memória inventada, onde só os corpos estão, sem explicação, num estar sem limite, sem necessidade de haver mais depois. quando a noite caía a espaços prolongados de cor, ia ter contigo. gostava de te provar àquela hora. não num ritual, isso era haver razão. demorava a língua no desejo fundo do teu corpo, mantinha-te viva, arrastava-te para longe de qualquer lugar. sem ordem nos gestos. mantinha-te viva em várias repetições de desejos. e tu perdias-te e passavas do teu mundo para o meu. Trocávamos linguagens em que podíamos ser horas e dias e um universo que não se adivinha. (nunca se volta ao sitio onde se foi tempo e memória inventada, onde não constam nomes nem geometrias fixas). anjos e asas de demónio vermelhas. onde não sobra silêncio no movimento excitado das mãos. anjos sobre o tecto, demónios sobre a cama. demorava-me num estilo nu, sem procura nem destino, fundia-me em ti. mantinha-te viva. não num ritual, isso era haver razão e razão, só para lá do fim.
gostava de voltar a sentir a noite."

Daniel Camacho, página do facebook

[sem razão... e essa ser a razão. de tudo. a melhor de todas. a do porque sim.]
Boa Noite

21 junho 2014


Sou como você me vê...posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,depende de quando e como você me vê passar...suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contacto...tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras, sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calma e perdoo logo. 
Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre...Tenho felicidade o bastante para ser doce, dificuldades para ser forte, tristeza para ser humana e esperança suficiente para ser feliz. Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre...Sou uma filha da natureza: quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo, de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser...a única verdade é que vivo. 
Sinceramente, eu vivo. 

Clarice Lispector

[sou o que se vê... não tenho estratégias nem máscaras. Escondo o que devo esconder porque nem a todos me quero mostrar, e de alguns quero-me proteger ainda que não fuja, mas não sou nunca quem não sou. posso ser tão diferente e nunca deixo de ser eu. até este medo que me assalta e que não costuma ser meu, agora é muito meu é dum eu muito magoado mas com vontade de viver, ainda. Sou feita de contradições, de medos e de coragem para os enfrentar, de não desistir e de me afastar, de partida por dentro me dar inteira. De apesar da vida desistir de mim eu não mudar, ser assim porque assim eu sei que gostando ou não é de mim, é verdadeiro, sou eu. Mesmo que ser eu seja uma confusão em que me entendo na perfeição. ]

...Eu estava tão perto de ti que tenho frio ao pé dos outros...
Paul Éluard

[...por muita vontade que tenha de não ter frio, por muito que queira, há frios que não se descolam da pele sem a pele certa na nossa, sem a pessoa certa debaixo dessa pele, a que chega bem dentro do por dentro da pele. a pele deixa de ser pele, passa a matéria de Amor, e torna-se imprestável se tem frio. E o Inverno tem sido tão longo e rigoroso.]
Boa Noite
... e quando vês que está partido, que o partiste, se amas, fazes tudo para consertar. 
Foi o que sempre fiz mesmo quando não fui eu a retalhá-lo.
Só se conserta um coração esfrangalhado amando-o com  muito Amor, carinho, mimo e vontade de ser feliz a fazê-lo feliz . Com beijinhos pequeninos cheios de coisas grandes, com vontade de o Amar e ao que o faz bater. Ainda. Mesmo despedaçado, retalhado e cheio de medo de si mesmo. Cheio.

20 junho 2014

...ohhh, so lovely...
mas o melhor é fugir a sete pés...
Bom Dia!

19 junho 2014

...'Tá bem.
É já.
ehehehhe


"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."

Clarice Lispector

[às vezes estar não chega, tem de se ser, tenho de te ser, tens de me ser. esta vontade de sermos como alimento que é parte da fome, porque a acaba e a justifica, porque ela pede por ele, porque é uma urgência que se repete e se troca. há sempre fome se não há alimento. há sempre saudade se o Amor não puder comer a fome de amar o outro. há sempre saudade quando eu não somos nós. Saudade até de mim, duma parte de mim refém em ti.]

.... É... Queres ca(fé)sar comigo?
Deve ser assim. 
Para o resto da vida. 
Ou do café, sei lá.

... E eu hoje estou assim.
Um dia tinha de me saltar a tampa, pois acho que hoje foi o dia.
E acho que faz bem, é saudável. 
Evita que os fusíveis queimem de vez.
Bom Dia!

18 junho 2014

...exacto.
uma palerma estúpida é o que eu sou.
Lixam-me sempre sem qualquer problema de consciência, e eu que me arranje. 
O que interessa é que quem interessa esteja bem, com muita calma e descontracção e com tudo o que quer, eu que fique com as histórias inventadas e espalhadas a bel prazer e com as suspeitas que nada fizeram para evitar levantar. 
eu que me lixe. como sempre.
se estou bem? então não estou? que pergunta!!
eu aguento tudo, não é mesmo?
 e sem dar em descontroladinha e fazer merda atrás de merda e sem prejudicar ninguém.
Mesmo não tendo nada do que quero e tendo tantos bónus sopimpas que eu dispensava de bom grado.
Realmente a única parva aqui sou eu, eu sei.
parece que só descansarão quando acabarem comigo de vez e de todas as maneiras
Agradecida.
Era um favor que faziam se o fizessem bem e eficientemente.
é que eu não aguento tudo, e principalmente não aguento injustiças.

As noites boas escondem-se atrás da lua. Hoje a noite não tem sono, e anda a procurar a lua que se escondeu para não nos escondermos no luar. Hoje a lua está fria, e eu trouxe uma manta que esconde tantos luares como sorrisos, gargalhadas e beijos quentes que tantas vezes despiram o frio e largaram a manta. Esconde tudo escancarado no sorriso que me brilha nos lábios sem quase me dar conta. Só o amor não se esconde, quando se esconde brinca de não existir. Brinca?

"Quando se faz amor assim, de paixão total, fica-se longe das palavras...
o encantamento é uma casa que tem o silêncio por tecto" 
Mia Couto

[é um silêncio de boca cheia.]
Boa Noite

17 junho 2014

...eu bem digo que preciso dum exorcismo... 
e esta parece-me a melhor maneira de me tirarem o diabo do corpo...
ou tentarem muito e com afinco...
bahhhh...

... e o comentário da Filipa no post anterior lembrou-me desta foto guardada há muito,
 e que agora fui buscar ao fundo do baú.
E é verdade, há quem tenha luz própria e quem a reflicta e tudo tem o seu lugar e a sua beleza, por isso temos o Sol e temos a Lua. Um é a vida, o outro o sonho.
Deve ser por isso que me fico embasbacada a olhar para a lua, é a vida reflectida que se sonha.
Que sonho.

...parece-me que sim...
e ainda bem.
É quando as coisas correm mal que se vê de que são feitas as pessoas, 
se a luz vem de dentro, ou se só reflectem holofotes próprios para palcos e teatros para entreter públicos...
Não faço ideia de que tipo sou, mas acho que nem ao sol eu brilho muito quanto mais na escuridão. 
Pelo menos sou consistente, vá.... menos mal...eheheh

Noite tão boa para dormir cá fora. Se ao menos se conseguisse dormir, mas não, entretenho-me aqui a olhar as estrelas, a tentar contá-las, mas elas fogem-me e eu fico a magicar que falta aqui alguém para me encostar e ajudar a contar as tresmalhadas fugidias. São essas que eu quero contar e que me contam dos sonhos por construir, da luz que incendeia os dias mornos. Mas tudo me foge e ninguém me ajuda, e eu não me incendeio e fujo não sei para que onde, não sei para que dias, porque nunca agarro as estrelas que não conto. Conta-mas que eu agarro-as. Não fujo. Prometo.