True.
Eva me chamaste
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
02 março 2015
Há dias órfãos. Como hoje, não se sabem donde vêm ou como apareceram... Não lhes sabemos a origem ou a árvore geneológica do pedigree. Acorda-se triste e só se pensa em quando é que poderemos voltar para a cama para enterrar o dia, quando na verdade o que nos assusta não é o dia, mas os que se seguirão. O futuro como problema presente. Todos os futuros, porque temos muitos no mesmo - a vida sendo uma só tem muitas facetas, como nós. E eu estou com medo, e estou cansada, e sem forças para nada, mesmo que não possa estar assim, mesmo que a vida agora não mo permita, estou. E isso implica mais esforço para compensar a inércia, o cansaço, o desalento. E nada que puxe, nada que me puxe da cama. Nada, a não ser a obrigação. Nada faz sentido senão o sentido do dever que me obrigo a sentir.
Aqui sentada, sinto os ombros embrulhados nas orelhas de tanta tensão, de tanto cansaço, de tanto medo. Só me apetecia ir para um sitio destes, longínquo, desterrado, amplo, onde ninguém esperasse nada de mim, onde ninguém se pudesse desiludir, e onde a solidão é uma bênção de paz, de sossego, de tranquilidade. Há dias em que a única coisa má da solidão é acabar antes de nós termos acabado com ela. Às vezes, o pior da solidão é saber que vamos ter de voltar ao mundo e enfrentá-lo. Quando na nossa solidão estávamos tão bem, tão aninhados, e quase protegidos dos outros a que não chegamos, mesmo quando queriamos chegar. Na solidão chegamos e bastamo-nos, chega a ser reconfortante não haver comparações, expectativas ou ansiedades de futuro. Somos, simplesmente. Sem medo de ser, ou medo de não ser.
O pior da solidão é acabar onde começa um mundo que tememos e não dá trégua. E nos vence todos os dias.
Preciso tanto de fugir daqui, de fugir para mim.
Boa Noite
01 março 2015
Há alturas em que já só queremos estar sozinhos... Ou já só sabemos estar sozinhos, se calhar. À nossa volta nada parece fazer muito sentido, ou sequer, algum sentido. Vemos a vida de pijama e pantufas sem vontade de sair para lado nenhum, nem ver ninguém. Uma espécie de hibernação sem Primavera à vista. Se calhar é assim que estou bem, que não chateio ninguém e que, pelo menos, não tenho a sensação - ou a certeza- de não chegar, de não servir, de não ser eu a do "amei-te sempre muito". Escondida assim em casa acho que nem eu me encontro, na certeza de que a ninguém falto.
... Yeah right. Pois sim...
Devia ser. E o último também, não era?...
Dizer as coisas é fácil, fazê-las ou senti-las é que não é para todos.
E acreditar também não, e eu estou no clube dos descrentes actualmente.
Dantes ainda acreditava, agora olho para trás, e com muita pena minha,
já não. e talvez não seja mau, afinal acreditar, confiar, sempre me levou a lado nenhum,
ou melhor, levou sempre a desilusões e mágoas.
Bom Dia
28 fevereiro 2015
O pior pesadelo é a ideia do sonho, como a nossa infelicidade acontece pela ideia de felicidade. Falta-nos quando queremos mais, porque na verdade cada um só precisa do que tem para (sobre)viver. Mas há uma altura em que conhece mais, que vê mais, que sente melhor, e já nada menos que isso lhe serve. E com o mesmo com que não eramos os infelizes tornamo-nos miseravelmente infelizes, à custa da ideia de felicidade, ideia que experimentamos, que vivemos, que sentimos, mas que depois se tornou, ficou apenas, no campo das ideias e do coração - baú dos sonhos que acalentam mas doem.
Hoje à noite sonhei, sonhei coisas boas, lindas. Eu estava feliz e tu estavas feliz, estávamos bem, abraçados, a rir, virados para uma paisagem cheia de horizontes, eu nos teus braços, tu com o peito colado as minhas costas, os dois virados para o horizonte, abraçados, felizes, com vontade, a rir, a brincar, a conversar. Tínhamos chegado de viagem, saímos do carro e tu abraçaste-me por trás e ficámos assim. Depois virei-me para ti e deixámo-nos continuar como sempre na brincadeira e nos beijos. Acordei. Não sei porquê, mas acordei. E acordei cheia de vontade de estar assim, de estar bem, de brincar, de beijar, de namorar. E não quero, não quero esperar nada, não quero sonhos de que se acorda, não quero horizontes que fogem, que não são partilhados na mesma vontade, não quero a ansiedade que se transforma sempre em desilusão, não quero a expectativa de ser o que nunca serei, nunca fui, não quero. Porque custa, custa acordar e querer ver-te, querer ouvir-te, tocar-te, falar-te, beijar-te e não ter nada a que me agarrar, nem a esperança de algum dia ter. Aliás a certeza de que nunca te terei, e nunca sequer te cheguei a perder. Não quero sonhar porque a tua ausência dói mais assim, não quero sonhar porque sonho sempre sozinha, e acordo sozinha para esse pesadelo de não te ter, de nunca te ter tido, de te saber desapaixonado e distante noutra vida, que por momentos, enquanto sonhei, foi nossa.
Não quero.
Sonhar acorda-me em pesadelos de ansiedade de te querer, de te querer ao alcance das mãos, da boca, do abraço apertado, e não posso, porque não me queres. E eu agora só queria poder encostar-me a ti, e esquecer-me que isso é um sonho.
27 fevereiro 2015
E agora, por ver uma apresentação dum concerto, dei por mim à lembrar-me de outras ocasiões, de outros concertos, de outros programas, e de me dizerem - como se nada fosse, ou como se isso justificasse alguma coisa - "eu tenho de ter vida, não é?" É, pois é. Pois tens, tens de ter vida, é isso que se faz, escolher a vida que se tem. Tu escolheste. E depois lembrei-me doutra, talvez por isso, por me lembrar de programas a não perder e coisas que se gostam: "não tenho razão para dizer que não". E se tu não tens, não ia ser eu que tas ia dar. Não faria sentido. Mas estas frases tiram sentido a tudo o resto que me diziam...
(Foto @aurelycerise)
... O que me apetecia um café ao sol, sentir o sol na pele,
com sossego por dentro e por fora, os óculos de sol a ajeitar o mundo
e as mãos dadas a quem nos quer bem e quer estar perto.
Por sermos tanto extensão dele como ele nossa.
Não pode ser, como sempre, não pode ser.
Toma-se café sozinha na cozinha,
a ver o sol lá fora e a desejar dias melhores...
Bom Dia
A vantagem do facebook é uma pessoa acordar as cinco e meia e não conseguindo dormir entreter-se a ler umas coisas, até que alguém na outra ponta do mundo está acordado e conversa-se um bocado, damos-lhes as últimas novidades de hoje, e depois dizem-me que aguento tudo, que sou como a mãe dele. E eu tento explicar aquela coisa da falta de alternativa... Aguentamos o que temos de aguentar por falta de alternativa que possamos escolher, é simples!! Como agora, se pudesse escolher estava encostada no peito que eu quero a fazer barulhinhos de golfinho, que na verdade nunca fiz, mas pronto. Mas isto era se eu pudesse escolher... Não posso. Não posso, e não devia escolher assim, se esse peito escolhe não estar aqui, eu nem devia ponderar escolhê-lo se pudesse, mesmo que esteja muito a precisar desse miminho, desse carinho, desse encostar de alma. Mas a realidade é que nao posso escolher. Tenho de estar sozinha e aguentar-me. Ora pois. É perguntar-me o que virá a seguir...
26 fevereiro 2015
Quando se gosta de alguém - gostar a sério - e essa pessoa não está bem, fazemos tudo o que podemos para á ver melhor, para a pôr melhor, ou no mínimo, se nada se puder fazer, ficamos ao seu lado, acarinhamos, mimamos, cuidamos. Dizer que se gosta, e depois ficar longe, por escolha própria, quando o outro não está bem isso não é sequer gostar, quanto mais amar. Suponho que amor se escreve para todos com as mesmas letras, mas nem todos a pronunciam da mesma forma. Nem para todos quer dizer o mesmo. Devem pensar que são só letras...
...A sério até estou curiosa com o que a vida me irá trazer a seguir... É extraordinária a capacidade de a vida nos surpreender, de as coisas poderem sempre piorar, por muito mal que estejam... Estou um bocado farto desta vida, estou. E nada melhora, não há nenhuma luz ao fundo do túnel, nada. Este ano, até agora, só me trouxe coisas muito más, até podia dizer que parece que me rogaram uma praga, se isto ao menos fosse sobre mim só, mas não é. Enfim, um dia a vida muda e melhora, é o que me dizem, eu só vejo o contrário... E sozinha, sempre sozinha no meio disto tudo. Tenho amigos, valha-me isso, gente que telefona e pergunta do que preciso, o que podem fazer, ajudar. Isso tenho é valorizo. Sempre os mesmos. Sempre os presentes, sempre os mesmos ausentes. Nada muda. Para melhor, pelo menos.
25 fevereiro 2015
24 fevereiro 2015
E há pouco, de repente, sem pensar - sem saber que o pensava -, vi-te naquela cama, moribundo, mas não eras tu que sofrias, não eras tu que morrias, era eu em ti. Deixavas-me morrer e senti-me sofrer por isso, morrer nisso. Eras tu que eu via nesta cama, mas era eu que me sentia morrer mais um pouco. Como se houvesse sempre mais para morrer do que se sabe viver. Sempre mais um pouco de morte, das mortes que não sabemos ter, mas nos encontram. De repente foste tu naquela cama, mas quem morre sempre sou eu. Morro em ti mas sobrevivo para o ver - para te sentir a indiferença de deixares-me morrer em ti por nunca te ter sido vida. Posso morrer-te que nada em ti morre. Só em mim, só eu.
[finalmente dorme, e eu despejo-me.]
" Nunca estiveste realmente onde não te tenhas perdido, onde não tenhas amado nem beijado nem sofrido, onde não tenhas sorvido o frio da noite, o céu da manhã.
São diferentes os lugares que se aprendem dos lugares em que o corpo se ensopou."
[Talvez quem não se ensope não saiba perder-se, não saiba que só perdido se reconhece na alma a casa onde somos. Onde sofremos, amamos e beijamos; onde nos aquecemos, porque sentimos o frio da noite, mas não medo. Onde acordamos por podermos adormecer ensopados em nós, no que somos, onde estamos.]
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