Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

28 novembro 2012



A minha maneira de amar-te é simples:
aperto-te a mim
como se tivesse um pouco de justiça no coração
e ta pudesse dar com o corpo

Quando te revolvo os cabelos
algo de lindo nasce das minhas mãos

E não sei quase mais nada. Aspiro apenas
a estar contigo em paz e a estar em paz
com um dever desconhecido
que às vezes me pesa também no coração

Antonio Gamoneda

[uma das razões que me levam a gostar de algumas redes sociais e muito da internert é poder ler coisas de autores que nunca tinha ouvido falar, e gostar e depois poder ir à procura. é uma das vantagens deste blog, fica registado muito do que eu gosto e não conhecia...como este que acabei de postar]
















OS TEUS OMBROS

Junto ao mar os teus ombros

Brilham mais que o claro olhar.
Onde é lícito e urgente, poisar,
Os lábios, ao de leve, sobre a fina luz.

O mar deve ser, isso mesmo:
Uns longos ombros de mulher
Reflectidos no vidro das aves
Que pousam docemente sobre as águas.


Joaquim Pessoa
...se ao menos eu soubesse como fazer isso, eu fazia...
Já era tempo da tortura mudar de mãos.
Têm a certeza que me querem começar a lembrar do Natal???
A falar do Natal já?
Luzes de Natal espalhadas e árvores de Natal ainda nem chegámos a  Dezembro!!!
A sério??
Têm a certeza???
Grrrrrrrrrr


(...)
por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

foste eterna até ao fim.

José Luís Peixoto
...porque é que eu não tenho reuniões com espécimes destes???
hummmm??
Onde andam eles?? É que dava logo outra cor ao dia e outro interesse à reunião...
aiiiiiiiiiii... 
...é que sempre aquecia o ambiente que oito graus lá fora é frio p'ra caraças!!!
Bom Dia!!

27 novembro 2012

Boa Noite


Há dias em que só nos achamos ao fim do dia
naquele resto do dia em que restamos nós
E nesse resto de nós encontramo-nos de alma cheia
Plena de nós
De alma cheia do outro
Que não temos, mas que trazemos
Como nosso
Guardado onde os dias não chegam
Onde as noites não bastam
Onde sorri o olhar que não se vê
Mas que sentimos transbordar
Para depois se apagar
a luz ao sorriso,
encolher-se a alma
com frio,
esvaziarmo-nos
no vazio de nós
que encontramos no outro
em que não há sequer restos de nós
para apagar


"-Quantos beijos queres?
 - Todos, eu quero os beijos todos."
(passa para cá, que isto é um assalto à alma desarmada, TODOS!!)
Gosto e preciso de ti,
Mas quero logo explicar, 
Não gosto porque preciso.
Preciso sim, por gostar.

[Mário Lago]

Bom Dia!

26 novembro 2012

...e agora com licença que vou lavar a loiça...
a duas mãos... só!!
ehehehe


Se vens à minha procura,
eu aqui estou. Toma-me, noite,
sem sombra de amargura,
consciente do que dou.

Nimba-te de mim e de luar.
Disperso em ti serei mais teu.
E deixa-me derramado no olhar
de quem já me esqueceu.


Eugénio de Andrade
...tenho a máquina de lavar avariada. 
Soubesse eu da qualidade dos técnicos que mandam a casa, e era capaz de arriscar pedir uma visita ao domicílio, mas com a crise que está devia ficar muito caro sem garantia de sucesso ( nem de que me apareça realmente um técnico que valha a pena...), paciência. 
Lava-se a loiça à moda antiga mesmo.
Bahhhhh
(e tenho lá uma pilha dela para lavar quando chegar a casa. 
A preguiça raptou-me durante o fim de semana...)



“A idade não te protege do amor. Mas o amor, de certa forma, te protege da idade.”

( Jeanne Moreau )


Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho. 
Cada momento mudei. 
Continuamente me estranho. 

Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

FERNANDO PESSOA


[Este anda a fazer-me muito sentido, não sentia assim desde a altura da adolescência, da primeira paixão que nos desnorteia, que nos questiona, que nos faz baralhar o norte, que nos descobre a cada dia. Cada dia diferente nos faz diferente, e sentimo-nos, sempre e cada vez mais, nós mesmos, ainda que conquistando partes de nós que nos eram até aqui desconhecidas.E são, sempre nós, já erámos e seremos, ainda que amanhã sejamos diferentes. Há que mudar para nos mantermos nós mesmos na essência. São sempre os outros que nos descobrem, que nos obrigam a vermo-nos, que nos mudam, por nos fazerem questionar o que somos, o que temos por dentro, a massa de que somos feitos. "Continuamente me estranho/ Nunca me vi nem me acabei/ De tanto ser, só tenho alma" - é isto. Sou isto.]
[Foto de Inge Morath]
Think outside the box

[principalmente quando não cabes lá dentro...e não devia ser uma questão de tamanho, mas de tamanho do que se quer, do que se sonha. Os sonhos não ocupam lugar nem espaço, cabem em todo lado, menos nos caixotes em que nos ensinaram a viver, pensar e ver a vida, e donde não queremos sair. Dizem que é cómodo, eu não acho, eu ponho a cabeça de fora, mas não sou tão engraçada (nem enfeitada, penso eu!!!)]
Bom Dia!!

25 novembro 2012

Boa Noite
(dormir cedo para ver se amanhã acordo doutra cor...bahhhh)


(...)
Mais do que um sonho: comoção! 
Sinto-me tonto, enternecido, 

quando, de noite, as minhas mãos
são o teu único vestido.

(...)

David Mourão Ferreira

[e tanto frio de sempre andar despida do vestido que trazes nas mãos, tanto...]
[Foto de Joan Murray]

Dizem que a paixão o conheceu

dizem que a paixão o conheceu 
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros 
senta-se no estremecer da noite enumera 
o que lhe sobejou do adolescente rosto 
turvo pela ligeira náusea da velhice 

conhece a solidão de quem permanece acordado 
quase sempre estendido ao lado do sono 
pressente o suave esvoaçar da idade 
ergue-se para o espelho 
que lhe devolve um sorriso tamanho do medo 

dizem que vive na transparência do sonho 
à beira-mar envelheceu vagarosamente 
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria 
nunhum ofício cantante 
o tenha convencido a permanecer entre os vivos


Al Berto


estou triste e nem sei porquê.
a tristeza entra-me pelos poros por onde deverias entrar tu, o teu cheiro, a tua presença no meu corpo.
não me vejo livre dela e se quisesse saber o porquê não o saberia, mas não quero, basta-me saber que a sinto e que não vai embora quando lhe peço, se pedisse.
Não peço. 
E ponho-me a pensar, agora mesmo, no porquê,
 e percebo que esta tristeza, ainda assim, acabas por ser tu, que na tua ausência, estás presente.
E nem aqui te mando embora.
Deve ser isso.
Boa Noite