Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

26 maio 2015

Sim, parece-me que será verdade - atenção, cuidado. Não esforço, não obrigação, nunca martírio.
O amor parece-me que deverá ser uma coisa para gozar, aproveitar, para fazer a vida valer a pena e não a duras penas fazer valer. Isso é de ter pena, e não é de certeza amor (pelo menos não o meu). E eu tenho pena de muita coisa, e até de algumas pessoas, mas eu vejo a vida, o amor, assim, não para ser motivo de pena, mas para ser nascente de vida. Nunca quis ao pé de mim quem o fizesse por obrigação, ou com esforço, ou por pena, não poderia ser feliz assim - não sendo valorizada, amada, desejada, por mim, pelo que sou ou não sou, e não pelas circunstâncias. Talvez para muita gente chegue, para mim nunca chegaria (sou mais exigente que isso, sempre fui, talvez erradamente, mas ainda não mudei de ideias).
Começar o dia a tomar o pequeno almoço na varanda era coisa a que me poderia habituar, não fora o frio, o inverno... a vida tantas vezes. Mas em podendo, estando bom tempo e querendo, é coisa boa. Há que não deixar escapar as boas coisas da vida. Oiço os pássaros e os carros no meio deles, ou vice-versa. Pergunto-me como será o dia hoje, e pressinto uma ponta de entusiasmo, será dos pássaros? Podia ser descuido.

Bom dia
Todas as certezas que tinha estão desabitadas.
Há, com toda a certeza, que habitar as incertezas 
para chegar a uma casa que possa chamar minha. 
Casa minha é onde possa ser inteira de mim.

Boa Noite

25 maio 2015

Dia comprido, complicado e cansativo. Uma conversa difícil onde temos de dizer coisas que têm de ser ditas a pessoas de quem até gostamos, que apreciamos, que têm idade para ser mais que meu pai, um senhor à antiga, a quem me custou ouvir certas coisas, mais ainda ter de responder e não admitir que se passem certos limites. Custa, ainda que tenha de ser. Infelizmente as pessoas têm de perceber, ou ser relembradas, do que às vezes esquecem, e não, não basta pedir desculpa. A desculpa é uma emenda esfarrapada que nada remenda, e a mim já quase só desconcerta, depois de anos a ouvir pedidos de desculpa que se repetiam e reincidiam. Desculpa não é borracha. E depois duma certa altura passa a ser nada, mesmo. Depois outra conversa complicada, dura, onde tem de ser duro para que não nos tentem pisar. Enfim, complicações e trabalho a mais, sobra tudo menos paciência e vontade. E depois fica-se aqui, a rever o dia à espera de o espremer e deixá-lo ir com o sumo das palavras, tentando não engolir o veneno, mas apenas passar-lhe ao lado, deixá-lo escorrer para que a terra o beba, não eu. Venenos outros também não faltam, há veneno a mais no mundo e raros os antídotos. Os únicos que conheço são os afectos, o amor nas várias formas e reflexos, do fraterno, à amizade, à paixão, e as coisas que nos dão prazer fazer - ler, uma boa esplanada, um copo de vinho, a lua à noite, uma conversa quente ou animada, séria ou apenas parva de rir à gargalhada... coisas boas que nos queimam o veneno dos dias, ou, não o queimando, anulam-lhe os efeitos. Preciso de antídotos, muito e rápido.
(e agora música, caminho e pôr do sol. às vezes também é antídoto...)
... Que belo relógio, sim senhor!! 
Nada como um relógio destes para começar assim o dia a qualquer hora...
Mesmo tendo de ir trabalhar assim é outra loiça, sempre se está atrasado com estilo... E boas razões. Não como eu, que vontade (de trabalhar, entenda-se) não tenho nenhuma... Nem com pequeno almoço na varanda a ver o sol a coisa melhora, não me apetece, que fazer?? Ir, pois é. Mas primeiro o pequeno almoço na varanda e pensar uns disparates... Também não sei fazer mais nada, só pensar e dizer disparates... E ser má, claro, já me esquecia...

Bom dia
Aqui sentada no degrau da varanda vejo a lua à minha frente, já baixa, agora a precisamente dois dedos acima da linha dos telhados. O vento sopra e as árvores dançam nas suas folhas. Não gosto de vento, nunca gostei, dá-me medo. Faltam-me asas para navegar o vento e, ainda que tantas vezes possa não parecer, gosto de ter os pés no chão, gosto é de escolher esse chão, esse que piso, que leva onde eu quiser ir, se souber lá chegar. Pisar com convicção o caminho, pisar com o calcanhar na vontade de chegar, mas de gostar do caminho. Gostar de o fazer, de saber que tantas vezes só teremos o caminhar o caminho e que talvez nunca cheguemos onde sonhamos, mas pelo menos vamos gostando de caminhar, vemos a lua e medimos a distância que tem aos telhados deste meu horizonte com dois dedos, dois dedos onde não cabe a minha mão, que me cabe no bolso. Até parece que a lua me podia caber no bolso para levar no caminho... Mas o horizonte, o horizonte cabe-me no olhar, às vezes não sei é se o olhar cabe todo no horizonte. E o vento uiva por entre as folhas e eu tenho medo, não tenho as asas que tem o meu olhar. Se calhar devia ter medo do meu olhar. Não tenho.

24 maio 2015

... Depois da ronha, do acordar, levantar, comer e voltar a dormir, da preguiça que se estende pela manhã até o dia começar a entrar-nos nas veias e nos pensamentos, depois de nos dedicarmos a arrumações de mudança de estação, tomamos um banho sem horas, fazemos tudo sem horas, a não ser as da fome. Vestimos uma t-shirt e umas calças de ganga e vamos aproveitar o resto do sol numa esplanada, enquanto acabamos o livro que vamos ter pena de acabar. Não posso ler estes livros, e são os que leio mais rápido e que mais gosto, dão a dimensão e profundidade da alma, e a certeza inequívoca de que a alma existe na grandiosidade de sentir. Há livros que já não devia ler, fazem-me crer que se pode acreditar na raça humana e no que temos de melhor e mais extraordinário - o amor.

Bom dia.
Ver a cidade acender (*)
A veracidade acesa,
Que apaga a noite em mim
Tudo de ti em mim acendendo.
E as luzes no horizonte 
De mim são poucas,
São direcção sem norte,
Sinais sem vida
Existências à sorte.
Imagens de ti
Velam várias mortes,
E são tudo o que sinto
Acender vida em mim.
Com as mãos escrevo
E apago pensamentos.
Com as mãos 
Acendo  um cigarro
Que me te apaga.

(*) da música que tocava na altura e que serviu de mote

23 maio 2015


Ahahah 
... É assim mesmo, isto é que é moral que se apresente!!

Bom dia.

"Francamente, não sei se creio em Deus. Às vezes imagino que, caso Deus exista, esta dúvida não deveria desagradar-lhe. Na realidade, os elementos que ele (ou Ele?) mesmo nos deu (raciocínio, sensibilidade, intuição) não são absolutamente suficientes para garantirmos a sua existência ou inexistência. Graças a um pressentimento, posso acreditar em Deus e acertar. E daí? Talvez Deus tenha o rosto de um croupier e eu apenas um pobre diabo que joga no vermelho quando sai o preto e vice-versa."

Mario Benedetti, in A Trégua

Touché. 
Há gente assim eu identifico-me com esta roleta e resultados. Mas há quem nem isso faça. Com as fichas que a todos distribuem à entrada e nos confere o nosso saldo de resultados não jogam, deixam outros jogar com as suas fichas, ainda que o resultado lhe seja imprimido nas suas próprias contas, na própria pele. Por incrível e estúpido que possa parecer é o mais cómodo, assim se o resultado for bom o lucro reverte para o próprio, se a aposta for errada o prejuízo ainda que seja anotado na nossa conta não foi culpa nossa, a responsabilidade da escolha foi de outros, e eles apostaram mal... E assim protegem-se ao extremo, dos seus próprios medos e assumir de responsabilidades, evitando lidar e confrontar-se com o resultado das suas escolhas. Assumem as consequências, mas estão inocentes da culpa de apostar mal. 

22 maio 2015

Tantas chaves, que portas abrirão? que segredos encerraram? Que amores trancaram do mundo? Quantos se trancaram dentro, quantos fecharam as portas atrás de si para não mais abrir? Serão as chaves que deitaram fora ou as que religiosamente guardaram como os tesouros que protegeram? 
As pessoas terão chaves também? E quando a encontram se a deitam fora o que acontece?



Erika meets Eva. E as nostalgias de escrever e ter o que dizer do que se vive, do que se quer viver. Planos mudos, palavras escondidas.

Bom dia

20 maio 2015


Planos para cuidar de mim...
 Hoje é o dia. Se calhar, ou então não, é o que apetecer...
Sou uma moça de apetites, que fazer? 
E a maneira de melhor me tratar é ceder-lhes sempre que posso!! 
Fazer o que apetece quando dá!

Bom Dia
Não foi uma garrafa de vinho (o primeiro copo de vinho hoje depunha-me logo nos braços de Morfeu, e eu queria mesmo era abraçar o sossego) foram várias chávenas de chá quente, que conforta e relaxa, só não aquece o suficiente para o frio na varanda. Foi preciso o reforço de duas mantas, mas bem enrolada está-se bem com a noite límpida por cima deste meu pequeno mundo. A lua não a vejo, mas sei que estará pendurada algures no céu. Não a ver não me faz duvidar,  mas quando falta o luar a noite não brilha em nós da mesma maneira. A música toca baixinho aqui ao meu lado e enrola-se em mim como as duas mantas que me aconchegam, e aquece quase tanto como o chá. O sossego, esse, hoje sinto-o, talvez da inevitável rendição ao cansaço, ou por ter os pensamentos dormentes. Não os sinto, mal os distingo. Há dormências que são uma benção. Vou só ficar mais dez minutos, enrolada nas mantas que me desenrolam do frio, fechar os olhos e não saber do tempo que passa. Serão sempre dez minutos. Mesmo que não sejam.

19 maio 2015

Hoje o vestido que me veste despiu-me logo de manhã a memória... "Um vestido bom para fazer assim..." Um "assim" atrevido mas não como o da foto ali de cima. Se bem que aquele "assim" também tem a sua piada... 
...há dias em que sim!!
...tipo hoje...
 Apetece-me e preciso duma garrafa de vinho, e acho que hoje é o dia, preciso dum serão a meia luz,  vinho tinto e muita paz, na varanda se puder ser... com um luar que faça brilhar a noite em nós. 
Ando exausta... e com muita vontade de casa e sossego, de dia, se for com sol nas trombinhas (e no resto), melhor...

Bom Dia


No fim de contas são poucas as palavras
que nos doem de verdade, e muito poucas
as que conseguem alegrar a alma.
E são também muito poucas as pessoas
que nos fazem bater o coração, e menos
ainda com o correr do tempo.
No fim de contas, são pouquíssimas as coisas
que na verdade importam nesta vida:
poder amar alguém e ser amado,
não morrer depois dos nossos filhos.

Amalia Bautista

Boa Noite


18 maio 2015


"No sé tu nombre, sólo sé la mirada con que me lo dices"
Mario Benedetti

...porque há nomes que se chamam sem falar, e chamamentos que se sentem sem terem de ser ouvidos. Porque há conversas em silêncio numa língua que ninguém fala e poucos entendem. Conversas onde não há ruído ou mal-entendidos, onde nada se entende com a razão e tudo se sente percebido. Tudo se percebe sentindo - sabe-se porque se sente, só.

[ontem fiquei a pensar nesta frase, escrevi isto a meio da noite, porque não me largava, como não me larga a contradição de saber isto, sentir isto, e saber que o que se sente saber muitas das vezes está errado. pelo menos é o que me acontece a mim, mas sei que é possível - se eu o sinto, mais haverá que o sentem, que o sabem por sentir, e se entregam assim, apenas por sentir. Espero que nem todos se reduzam a cacos como eu. Ainda assim, faria tudo de novo. Há cacos que são relíquias e há cacos que são lixo para descartar. Eu prezo as minhas cicatrizes, lembram-me o que vivi, o que deveria ter aprendido, as lições que não aprendi logo, que desafiei arriscando mais cicatrizes, dores e mágoas. Descobri ilusões no sítio das verdades, que viraram cacos e cicatrizes de alma.. Todos as temos, há quem as negue, as esconda, as tape, eu rego-as para algo florescer no meio da tristeza. Um dia algo há-de nascer, algo para além destas palavras que me nascem dentro e saem dos dedos, algo para além de passado, de futuro ausente, órfão de presente. Um dia terei um presente presente, cheio de futuro dentro dum olhar poisado num horizonte que dá as mãos. Se não tiver, não foi por ter fugido dele. Também não o persigo, porque há coisas que só podem ser fruto de um encontro, de um olhar recíproco, que não se procura e não se persegue. E isso eu posso perdoar-me, fugir não. ]



(Foto de Brock Sanders)

Faz hoje (ou mais precisamente, ontem, Domingo que ainda é hoje para mim embora o relógio discorde...) seis anos que morreu Mario Benedetti, um senhor que me escreve ao coração. Curioso fazer seis anos sobre a sua morte, porque esses seis anos foram os que me ensinaram a lê-lo com a vida, saber do que fala sentindo... A sensação de que há coisas que afinal não existem só nos livros, mas que fazem parte da vida de algumas vidas, não de todas. Os últimos seis anos tornaram a minha vida uma dessas vidas. E foi também, algures durante estes seis anos, neste mundo de navegações internéticas, que descobri este autor. Depois procurei mais, ler mais, procurei os livros, e descobri poucos traduzidos para português. Tenho um por ler dele, e hoje ao ver esta notícia, decidi que o próximo a começar a ler e a acabar com a minha inércia de leituras que dura há tempo demais por razões à mais, vai ser "A Trégua". Para já, e para adormecer com pensamentos doces, escolhi uma das dez frases que elegiam na notícia como as suas melhores frases (que vale o que vale, e se calhar pouco, parece-me. esta coisa das listas dos melhores, haverá uma por cada um, diria eu, senão éramos todos iguais e gostávamos todos do mesmo, mas adiante...):

"No sé tu nombre, sólo sé la mirada con que me lo dices"

... Porque há olhares que podem dizer tudo, até quem és. Até quem gostarias de ser, e somos todos um pouco o que gostaríamos de ser, porque é também aquilo que gostamos que nos define, ainda que nem sempre o possamos ter. Somos, talvez, um pouco o que desejamos, o que sonhamos, para nós. Mesmo que seja só um sonho, é uma escolha. E, definitivamente, nós somos as nossas escolhas.

Boa Noite

17 maio 2015


Os pensamentos correm soltos na corrente de vodka. Se alguém os adivinhasse não os conseguiria apanhar. Nem eu. Malditos.

15 maio 2015


porque a loucura
deve ser rasgada por dentro
com as mãos cravadas numa ponte
acesa ao abismo

gil t. sousa

[... e não são todas as pontes por explorar um abismo? Um desconhecido da outra margem? Uma loucura, ou um sonho, a rasgar por dentro, com medo mas com vontade? Se por dentro a vontade não ganha, o medo não perde. Se ganha dizem que é loucura, se perde a vida não muda.
Loucura, o rasgar e ir. 
E não ser feliz e não tentar rasgar o desconhecido, não será a loucura mais perigosa? Na outra margem do abismo pode estar o que queremos, se nesta, onde estamos, não estiver. E aqui, onde estou, não está.]

Boa Noite

Ahahahahah 
Nada como o começar o dia com uma gargalhada e um café ao sol... 
Para aguentar a loucura do dia-a-dia!! 

Bom Dia!!

14 maio 2015

(foto de Ryan Muirhead)
Dia corrido, cansativo, onde os problemas parecem atropelar os minutos, onde parece não haver mãos para tanta coisa. Chega-se ao fim do dia e pára-se um bocado no sofá, entretem-se a cabeça com qualquer coisa entre mãos, e no fim, face a uma tela branca de que não quisemos fugir, percebemos que as palavras nos fogem, e nós, nem vontade nem força temos para as tentar apanhar. Deixamo-las ir. Pode ser que tudo o que não chegaram a dizer fuja com elas e me deixe. Talvez assim durma e amanhã não acorde cansada, mas cheia de palavras novas, menos problemas, e maiores e melhores mãos para os resolver. 
Agora só quero apagar de mim o mundo. Que vá com as palavras que me fugiram. Que me deixem vazio o escuro por dentro dos olhos.

Boa Noite

13 maio 2015

...pronto, pronto... não é preciso insistir!!
eu vou, vou já, até!!
Parece-me bem para passar uns dias, eu, um livro dos bons, música nos ouvidos para quando o livro se fecha e os olhos também, e sol na pele vestida de sal de água límpida e quente... que refresca as ideias e a alma.
sim, sim, não é preciso insistir, já me convenceram, vou assim que possa!!
ehehehhe
(estou doidinha para pegar em mim e pirar-me daqui, a sério, ando exausta... bahhhh)

Bom Dia!!

12 maio 2015

...isso, isso!!
...por favor, dava-me um jeitão!!
ehehehheeh

Bom Dia!

11 maio 2015

...Quantos queres?
Quantos?
e o que te reserva a sorte, ou a falta dela?
E quantos desejos?
E o que desejar?
E depois, quando crescemos?
Quantos queremos?
Já não queremos porque desaprendemos de sonhar,
ou de acreditar??
Ou queremos ainda?
Às vezes acho que desaprendi de sonhar porque já não acredito,
outras vezes acho que já não acredito porque desaprendi de sonhar.
Se calhar tanto para sonhar como para acreditar precisamos de fé.
A minha fé enterrou-se quando me enterraram os pés no chão em terra dura, ainda que me tenham dado asas, de nada servem, só para me cansar e pensar, enganar-me, sonhar-me de que poderia voar... não fosse a terra prender-me os pés, e a fé afundar-se por baixo dos pés.

Bom Dia.


... muito precisada dum abraço destes.

Boa Noite

10 maio 2015

Apetecia-me começar o dia assim, a ter um rosto a olhar para mim e eu com vontade de o guardar, congelado no tempo, para sempre hoje, para sempre este domingo. Para sempre aquele meu olhar a olhar para mim. E brincar, começar o dia a brincar e a mimar e a beijar. Apetecia. Deve ser do sol. Ou da Primavera. Ou de mim.
Penso isto e ao mesmo tempo penso que tenho de me deixar de pensar estas coisas... Acho que nada disto é para mim, e pensar nelas custa mais. Alguém me dizia que uma pessoa se habitua a viver sem estas coisas, sem mimo, sem cumplicidade. Talvez se habitue, eu estou habituada, mas pensar em tudo isto é vontade de perder esse hábito, é ainda desejar alguma coisa. É talvez acreditar ainda que posso viver assim, um dia, sei lá, alguém que eu possa gostar pode vir a gostar de mim assim. Nesse dia, ou noutro qualquer, posso começar o dia a tirar uma fotografia, assim, em cima do acontecimento.

Bom Dia

09 maio 2015

Agora. Cores quentes. Lindas. 
De lamber os dedos se os pudéssemos molhar nelas. 


Sim, é isto. Será assim tão complicado? Tão difícil? São coisas tão simples, tão fáceis, tão acessíveis e livres, e no entanto não se fabrica com quem se quer, e com quem acontece não é a pessoa certa, a que quer o mesmo com vontade (pelo menos) parecida. 

Boa Noite

08 maio 2015


A Mulher do melhor signo ;))

"As mulheres do melhor signo do zodíaco (o meu) são muito originais e sinceras. Nem sempre ela te dirá as coisas que tu queres ouvir [sim, quase nunca, não falamos para fazer vontades, esse não é o nosso departamento, e para reclamações também não é aqui, favor dirigirem-se a outro guichet..]; na maioria das vezes, ela vai deixar-te arrepiado com as suas observações desconcertantes e francas [arrepiado aqui é bem empregue, porque a maioria arrepia caminho, e faz muito bem, porque assim sabemos que os que ficam são os que valem a pena e sabem ouvir verdades... coisa rara.]. Mas, de vez em quando, ela dirá coisas tão maravilhosas que vão fazer-te dançar de felicidade [contar poucas vezes com isto, e restrito a muito poucas pessoas, já fazer rir é mais abrangente, é outra forma da mesma coisa... mas isto é só para quem entende que o que interessa é o que se faz sentir...não é para todos mas estas mulheres também não são para todos, nem amigas nem o resto...]. Ela talvez seja um pouco franca demais porque vê o mundo tal como ele é [há quem a chame de pessimista, porque uma grande parte do mundo está podre, mas é como aquela fruta do supermercado, a pele está brilhante e cheia de cor, abre-se e deita-se fora... para quê doirar a pílula? nós só o vemos e não o disfarçamos, mas também sabemos das coisas boas da vida, e essas não as desperdiçamos, podem crer...]. Ela não gosta de mentiras, e dificilmente alguma mulher do melhor signo do zodíaco (o meu) costuma mentir, até porque esta mulher dificilmente conseguirá convencer as pessoas quando estiver a contar uma mentira [é uma merda, pelo menos a mim, está-me tudo escrito nas trombinhas... vêem através de nós que até dói. se estou chateada vê-se, se estou feliz vê-se, se estou irritada... bom, é melhor não verem...]. E nós temos que admitir que isso é uma óptima qualidade, não é? Estas mulheres são muito independentes. Quando quiseres que ela faça algo, pede-lhe: não tentes mandar nela. A técnica dos homens das cavernas não funciona com esta mulher. Ela não nasceu para ser mandada, odeia ter que receber ordens e abomina todo o homem que tente aprisioná-la. Ela gosta de ser protegida, mas não gosta de ser mandada. Se nem mesmo o seu pai consegue dominá-la, não vai ser qualquer um que vai achar que pode dar-lhe ordens! A mulher do melhor signo do zodíaco (o meu) não é de abrir mão da própria personalidade e da independência por homem algum. Deve ser por isso que representam o maior número de mulheres solteiras! [quem pensava que era por termos mau feitio, ou assim, desenganem-se... estão a ver???] Quanto mais nervosa ela fica, mais sarcástica se torna [ui e de que maneira... não sabiam que o sarcasmo é a melhor arma contra a estupidez humana alheia??... bom ficam a saber então, mesmo que os visados raramente percebam o sarcasmo de que são alvo (já presenciei várias vezes)...]. A  mulher do melhor signo do zodíaco (o meu)  pode mandar-te para o inferno com um grande sorriso estampado nos lábios [é preciso classe... há que convir ...cof cof... eheheh, mas às vezes também nos limitamos a mandar só à real merda, assim, sem mais]. Mas nem sempre ela será tão “amável” assim, quando estiver realmente irritada [ora... o que é que eu dizia??...pois]. Enfrentar a raiva desta mulher não é a melhor coisa do mundo. Como todo o ser deste signo, ela não é de armar o barraco, mas se resolver fazê-lo é melhor esconderes-te até a tempestade passar [é verdade, parece-me, mas também uma mulher não é de ferro, se provocam muito, um dia resolve-se descer do salto, e quando se desce do salto é em grande, mas não se preocupem, no fim, subimos o salto outra vez, como se nada fosse, com uma classe que dá para desconfiar se não fomos apenas possuídas pelo demo por momentos...]. Feliz daquele que tem a sorte de ter uma mulher do melhor signo do zodíaco (o meu) como amiga. Ela alegrará todas as tuas festas, será a tua melhor confidente e estará sempre ao teu lado mesmo quando todos os teus amigos tiverem abandonado o barco.[nada a acrescentar, claro... cof cof] Ela é tão generosa, paciente e atenciosa com todos os amigos, que o seu telefone dificilmente fica muito tempo sem tocar [fica, fica... quando está tudo bem, e ainda bem, porque paz é uma coisa muito boa que sabe bem muitas vezes]. Se repararem bem, a maioria das mulheres do melhor signo do zodíaco (o meu) recebem sempre telefonemas de amigos que nunca conseguem esquecê-las, mesmo que estejam distantes [não, agora isso faz-se por mensagem ou mail, está desactualizada esta parte, portanto...eheheh]. Ela é uma das poucas mulheres que costumam ter amigos de infância. Sim, eu disse amigos. Os mesmos que brincavam com ela na rua enquanto jogavam à bola, e que um dia perceberam que aquela menina um dia tornou-se uma linda mulher [nunca joguei à bola, era mais bicicleta mesmo]. Tentem reparar numa mulher do melhor signo do zodíaco (o meu) a andar. Vejam como ela é uma mulher elegante e confiante [upa upa.... sim senhora!!], mesmo quando tropeça e derruba tudo pelo caminho [era escusado dizerem esta parte pfffff... mas é verdade... credo, é tão verdade, que se se sentem observadas quando entram nalgum lugar, mentalmente imaginam logo uma destas habilidades desengonçadas e vergonhosas.... é o horror...]! Sim, a coisa mais difícil de encontrar é uma mulher do melhor signo do zodíaco (o meu)  que por vezes não seja um pouco desajeitada [mas dizem que já foi avistada algures uma vez uma...há esperança]. Também costuma ter uma atitude um tanto ou quanto displicente em relação a envolvimentos amorosos, o que pode levar algumas pessoas a acharem que é uma mulher fria e insensível. Puro engano![chiça, tanto tempo a construir uma imagem, uma reputação e esta gente escancara-me isto aqui... a quem pedir os danos morais inflingidos? pfffff] Ela emociona-se ao assistir a um filme triste e sonha contigo durante as noites em que estiver solitária, mesmo que nunca confesse isso [deves é estar parvo... eu?? nimmorta!! e quando sonho estou a assassinar-te com os olhos]. É possível que ela tenha guardado todos os bilhetes de amor que tu lhe escreveste, restos de flores que enviaste e a primeira entrada do cinema a que foram juntos. Mas não esperes ver este seu tesouro tão cedo [às vezes nem tarde... não é para todos, já disse...]! A mulher do melhor signo do zodíaco (o meu) não gosta de revelar os seus segredinhos de amor. Deixar que tu vejas esses segredos é assumir que está apaixonada. E ela odeia sentir-se fragilizada! Quando um romance acaba, por dentro ela pode estar chorar, mas responderá com tanta inteligência e habilidade às perguntas dos amigos, que todos pensarão que tudo não passou de um simples namorico de verão [não é verdade, há pessoas com quem se chorava baba e ranho, quando ainda havia disso para chorar antes de se desaprender a chorar como gente...]. Mal sabem como ela pode estar arrasada por dentro. A idade realmente não importa quando o assunto é a mulher do melhor signo do zodíaco (o meu) [ahahahahahhaha, pronto esta fez-me rir cá por coisas, pronto, não liguem]. Elas permanecem meninas mesmo quando envelhecem [ahhh ai obrigada]. E, é essa alegria de viver, esse eterno optimismo [não confundam, não é optimismo, é tentar aproveitar as coisas que realmente valem a pena, porque o mundo está infestado das que não valem, por isso as outras é viver até ao tutano] que enfeitiçam os homens de bom gosto [ahhhhhhhhhhh..... então é esse o problema!! gaita ainda não tinha percebido, são só os de bom gosto... chiça logo essa espécie em extinção!! que raio de sorte a minha...]! Nenhuma mulher pode ser tão apaixonada pela vida quanto a mulher do melhor signo do zodíaco (o meu) , e transmitir esse amor por todos os cantos por onde passa. Estar ao seu lado é viver o bom humor e acreditar no futuro. Amar uma mulher do meu signo é recompensador e nunca é monótono [monótono acredito que não seja, é que às vezes dá-nos umas fúrias... só para agitar às vezes é bom, temos de ver assim, né?]. Não importa que ela não tenha aprendido a dizer o quanto te ama – para ela, isso é difícil [é dificil dizer a primeira vez, porque só se diz quando se sente com a certeza que esse amor parvo dá, e não se banaliza, não, não é questão de aprendizagem, é respeito pela palavra e pelo que ela quer dizer, mas diz-se de muitas formas sem usar o verbo, às vezes um olhar, um riso, um sorriso, mas lá está, é só para quem entende dessas coisas e as sente assim também...]. Quem já teve a felicidade de estar apaixonado por uma mulher do melhor signo do zodíaco (o meu) sabe que a melhor maneira que elas têm para demonstrar o que sentem é pelas atitudes [ora, pois eu nao vos dizia???....claro!]. Nenhuma mulher beija tão bem ou irradia tanta vida e alegria quanto um anjinho deste signo [anjinho?? vai chamar nomes a outra pahhh.... olhameste] que chegou à conclusão – após passar várias noites em claro – de que o que sente por ti não é amizade, mas amor! E, quando as setas do cupido penetram nos nossos corações, não há magia no mundo que possa livrar-nos do poder do amor de uma mulher do melhor signo do zodíaco (o meu)! [pois, acerca disto alguém uma vez disse, para aconselhar um amigo: cuidado, é dificil entrar no coração dela, mas sair é muito mais dificil.... e com esta me calo!!] "


Este texto já não sei onde o apanhei, mas é um daqueles sites com artigos deste género sobre as mulheres de cada signo... eu achei piada, e à semelhança do que fiz há uns anos para outro texto do género, fiz hoje os meus comentários (noutra cor para se perceber que não fazem parte do texto original)ao meu próprio signo, parvos claro, e adaptados a mim, obviamente em qualquer intenção de generalizar para quem quer que seja... deu-me para aqui, pronto. Mas fiquei mais bem disposta com este exercicio, e isso é uma coisa boa!!

Bom Dia!
Uma boa noite é aquela que se agarra com as duas mãos, a urgência da fome e a degustação lenta do deleite.

Boa Noite

07 maio 2015


... Isto sim, era um bom programa para amanhã... Bom tempo, praia, o marulhar a entreter os ouvidos, o entardecer salgado... E pronto, o resto, a trinquinha marota, é só um pequeno grande pormenor. Daqueles que fazem a vida respirar a alma pelos poros da pele, que tiram da ribalta o lugar, ou o clima, porque esses pormenores fazem o lugar, e a companhia permite esse pormenor de nos deixar existir assim, a pairar entre pormenores com vida dentro. Infelizmente o lugar - que esse eu poderia arranjar - não faz esses pormenores, e o resto ainda não arranjei, e não é um pormenor. É tudo, o resto é paisagem. 
Eu por enquanto vejo a paisagem sozinha, e gosto, é a melhor coisa, logo a seguir à paisagem não interessar nada.

Boa Noite

06 maio 2015

Só me quero ir embora daqui. Quero estar sozinha, ficar sozinha, não quero nada à minha volta, não quero sentir que existe nada à minha volta, que nada chegue a mim, que nada me toque, que nada me seja. Estou exausta do mundo, estou farta dos dias, fujo das noites. Durante o dia varro a memória para baixo do tapete do trabalho, dos problemas que se agigantam de dia para dia, à noite invade-me o passado que devia ter passado para me esquecer do presente que não vai trazer futuro, de tudo o que à minha volta se desmorona numa lenta angústia e rastejante crueldade, como a pele que nos arrancam devagar e a frio nas quentes extremidades nervosas, que gritam em modo mudo, e nada muda, só a frequência da dor, só a cadência do choro que não se chora, não se soluça, mas nos rola disfarçadamente rosto abaixo, para ir cair onde não se vê. De noite sonho com quem me atormenta e de quem fujo entre as minhas próprias sombras durante o dia, nem a dormir tenho descanso. Estou cansada e não aguento mais, nem quero aguentar mais, quero estar sozinha, ficar sozinha, onde nada mais exista, ou se calhar, onde eu não exista. Onde feche os olhos e simplesmente não seja, nada me seja, nada me falte, em que possa ser nada sem o sentir. Estou farta.

[e para cereja no topo do bolo acabo de me aperceber que há gente mesmo parva, enfim, vou-me mesmo embora, que se foda, também não estou cá a fazer nada mesmo. siga.]

O que desfoca não é o movimento, é tentar pará-lo onde o tempo não é variável.
Como a memória, como a fotografia. 
Como o passado.
Onde o tempo não é movimento.
Não mexe, não passa, desfoca.

Boa Noite


05 maio 2015


Eu não. Eu adoro olhar as estrelas; olhar as estrelas é perto, todas as noites está à distância de uma janela. Gostar só do que está longe quando está longe, não é gostar, é imaginação (ou mentira).
...era o que me apetecia...
esta paisagem, a banda sonora que ocupa tão bem o silêncio. 
O contar, medir e pesar cada onda que lambe a areia e dela se despede sem um beijo, sem nada, só com a espuma do ondular que vai e vem. E eu ali, sentada, a ver o vai e vem sem me faltar um beijo, sem dar pela falta de nada, a ouvir a música do mar sempre apaixonado que me apaixona.
E eu, com um sorriso salgado de mar nos lábios, de quem já não mede o horizonte, apenas se prende ao chapéu para não voar na espuma dos dias que ondulam, no vai e vem, sem um beijo sequer.
Era isto. ser isto, assim, sendo eu, porque não sei ser mais ninguém. Nem quero.

Bom Dia

04 maio 2015


Hoje estou com aquilo a que chamavam vontades assassinas, parece-me que também as raivas são como as cerejas... umas puxam as outras, ou parece... até achei por bem pensar em coisas boas que me acalmassem as raivas... eu estava a tentar, assim com estas coisas, com este ar de paz e tranquilidade, cores claras e leves... e parar de ouvir ecoar  na minha cabeça, alguém transformar tudo em defeito, alguém repetir vezes e vezes, ao longo dos anos, que era mulher demais para ele... Hoje apetece-me concordar, se calhar tinha razão, se calhar sou mesmo, terei esse defeito, ainda bem que nem toda a gente o tem. 
Agora só me falta alguém que não me veja esse defeito, mas ache que sou uma mulher à (sua) altura, quem queira alguém ao lado para que possam crescer juntos, sem um se sentir melhor ou pior que o outro, acima ou abaixo do outro, mas ao lado. Se não entenderam isto se calhar têm razão... É melhor não terem ao lado quem acham ser mulher demais para eles. Devem ter razão.

Não sei porque me lembrei disto hoje, ou agora, mas talvez tenha a ver com o ter barafustado com toda a gente hoje, de ter sido um dia mau, e me lembrar que me chamavam fera e outras coisas - entre elas que assustava os homens, e, claro, esta pérola, de ser mulher demais para ele... enfim é um defeito tramado este de ser mulher demais é que nem posso cortar os tomates para ser menos... não faço ideia como se pode minorar este defeito...

E pronto, hoje chega senão ainda bato mesmo em alguém!!!... que o caminho e o vendaval me esfriem as raivas...

... isto hoje está mesmo bera.... a sério!!
estou fartinha: FAR-TI-NHA!!!
esta gente só com os dentinhos todos para dentro, a sério.... gajos imbecis, cobardes, dizem o que desdizem, desdizem o que disseram, não assinam para poder desdizer (ou então não sabem, sei lá... tal é o grau de inteligência já desaprenderam a ler e escrever...) e uma pessoa que os ature.... mas eu tenho de aturar esta gente? a sério, tenho?? hummm? não posso mandar tudo à real merd@?... e não me chatear mais, comprar um cantinho na costa alentejana e fugir desta gente doida que me põe maluca???.... a sério, há muita falta de tomates nos homens que vejo por aí, e é daquelas coisas que realmente só quando a falta é muito notória, que  até sem grande conhecimento de carácter se dá por ela... homens com fruta à altura conheço poucos, muito poucos mesmo!!  é uma tristeza... mas parece que é moda... irra!!!

Pois... E tu S. Pedro estás a pedi-las... Não sei como foste parar a esse departamento, mas estou em crer que não será a tua vocação...Já nem a desculpa do Abril, águas mil, tens, já estamos em Maio, meu caro, por isso vê lá se deixas de te armar em rebelde e providencias um clima para estrear umas roupinhas, e estender a preguiça ao sol, que uma rapariga tem de ter algumas alegrias na vida, né? 

Bom Dia
Sussurra-me quem és 
todas as noites,
Apaixonar-me-ei, de novo, 
todos os dias.

Boa Noite

03 maio 2015



E hoje disseram-me "só me rio quando vens cá", e eu ouvi isto e pensei que sirvo para pouco, mas que esse pouco, às vezes, pode ser muito. E a mim tantas vezes me basta, me bastou, saber ou sentir isto, porque sim, das coisas que gosto é de fazer rir quem gosto de ver rir, de pôr bem disposto quem gosto. Põe-me bem disposta, cheira-me um pouco a felicidade, mesmo que só levemente. E as vezes estou chateada, outras até magoada, mas se sinto que não estão bem, só penso em virar-lhes a disposição, dizer disparates e ouvi-los rir. Há vezes em que não ouço nem vejo, mas desconfio (primeira versão é de longe muito melhor...)

02 maio 2015

Estava no banho e pensava que o segredo talvez seja estar-se bem sozinho no meio de quem for. Estar-se bem connosco, sozinho ou com verdadeira companhia, ou com companhia que é só soma de corpos. Estarmos bem connosco não importa onde estivermos. E eu estou bem comigo, estou cada vez mais em paz com quem sou, mas ainda tenho saudades de mim, como se houvesse uma parte da minha alma que tenha partido e ainda não encontrou regresso. Talvez tenha atravessado uma ponte que se teve de queimar. Talvez fique para sempre órfã dessa parte de mim, era precisa essa ponte para me regressar ao que era. Talvez regresse por outros lados  talvez deixe de ter saudades de mim como agora, mas nunca mais serei a mesma. Mesmo que me seja inteira de novo, será por outras pontes que não serão queimadas. Das grandes questões da vida é saber que pontes atravessar e que pontes queimar. 

You... May!!
Podes e deves, seu danadinho... 
eheheh

Bom Dia!

01 maio 2015


... Deve estar farta de andar, irra!! Vejam lá se acaba a maratona... E a chuva!! 
Já me apetece sol e primavera e no corpo o andar leve do tempo claro...
Bom dia!

30 abril 2015

(foto @nolenchristopher)

e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia

Al Berto

[o anoitecer cai-nos devagar na existência com o sentimento pesado da nossa rápida inexistência. A melancolia veste-nos pacientemente cada poro, um manto que não aconchega quando a noite chega e se instala no nosso abandono.]
... Que bela fruta!! Sim senhor!!
Duma fruta destas ao pequeno almoço é que eu precisava... Dizem que faz bem, a fruta logo pela manhã, e eu agora ando muito zelosa do meu bem estar... Tenho de providenciar um pequeno almoço assim... Tudo em nome da vida saudável, claro!!

Bom Dia!!

29 abril 2015


"Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, 
que ri de si mesma 
e faz as pazes com sua história.
 Que usa a espontaneidade para ser sensual, 
que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafectos. 
Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza, 
erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se 
culpa pela passagem do tempo. 
Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa 
seu deserto e ama sem pudores."

Fabiola Simões (a partir da frase de Adélia Prado "Erótica é a alma")

Ámen. 
Erotismo é espontaneidade, é rir com vontade, é chorar quando dói, é sermos nós, com o peso dos dias e a leveza dos sonhos. O genuíno é erótico, é cativante, é sensual. O melhor afrodisíaco é a intimidade duma conversa onde cabe o riso e a falta de siso, o doce do mimo com o sal do desejo, o silêncio que comunica, que não é vazio mas pleno. Porque há pessoas a quem por tudo que se diga, tudo fica, ainda e sempre, por dizer, como se as palavras se tornassem redundantes numa conversa que continua no silêncio, no riso, no mimo, no corpo com alma.
Erótica é a alma, o corpo ecoa. 

Boa Noite

... Já só falta a princesa... 
Brincos já temos...


... Verdade.
Tenho de retornar as minhas resoluções de novo ano (e que maldito ano, senhores...)
E acrescentar outras tantas medidas... Não posso sair de casa sem pequeno almoço de jeito e mantimentos para meio da manhã e tarde; não posso estar muito tempo sem comer porque não me apetece  ter de ir mesmo ao médico (nem os posso ver à frente, aliás...); tenho de ir definitivamente fazer exercitar o esqueleto, e à falta de melhor tem de ser num ginásio ou afins; vou outra vez voltar a arranjar-me um bocadinho de manhã, eyeliner e rimel e o olhar torna-se mais apresentável e a disposição também, temos de ajudar o pouco que temos... Voltei a usar brincos, ao fim de algum tempo, depois de várias tentativas frustradas de os pôr para os voltar a tirar porque não me assentavam no espírito (é engraçado é  a segunda vez na vida que o faço, desta vez mais tempo e não so brincos como tudo o que enfeitasse, mas suponho que é um pormenor  só meu que ninguém repara, e eu gosto disso de ninguém ter reparado e ser só meu, é talvez a minha forma de sentir as coisas que tantas vezes passa ao lado de quase todos, os que notam, poucos, são os que valem a pena), voltei a pô-los, faltam os anéis agora, falta voltar ao normal, ainda me falto, no fundo, mas quero-me inteira e muito eu, ainda que tenha de sangrar como as orelhas ao fim de tanto tempo sem brincos. Sangra-se de muitas maneiras, de algumas também se purga, só não podemos desistir de nós. Ou eu não quero. E agora vou passear que o sol já me espera... Ainda que a cara ainda não tenha melhorado... Um dia melhora. De dentro para fora, como tudo em mim.

Bom Dia

Sim, estamos sempre a tempo de viver e de fazer pela vida que queremos viver. Temos de estar. Ou já estaremos mortos, ainda que a respirar. A única regra é essa: tentar transformar o tempo em vida. Sempre. 

Boa Noite

28 abril 2015



... Do mesmo sítio muitas vezes vemos coisas diferentes. Onde transbordavam cores quentes hoje aqui, neste mesmo sítio, vejo um azul frio. Amanhã, quem sabe, o dia voltará a ser pincelado com a audácia das cores quentes, que mergulham a pele em vontades e quereres apaixonantes. Amanhã é sempre um dia diferente. Até hoje, passado uns minutos de aqui chegar, já é diferente. Ou eu acho. Ou eu quero.


... Exacto. Não é relação por relação, só para dizer que afinal ainda se está junto e isso ser sempre um sinal de caso de sucesso. Não, caso de sucesso é estar junto mas bem, não para não estar sozinho, ou não ter de admitir o falhanço, para não ter o sabor amargo de algo ter corrido mal e sentirmos o tempo passado como gasto em vez de vivido. Custa, eu sei, mas a mim custava-me mais manter uma relação com que já não me relacionava, onde já não se olhava nos olhos, não pegava na mao, não se gastava a boca a beijos e risos. Quero sim romance de longa duração, e isso assegura o resto. O inverso já não...
Bom Dia

Sim, como dizia alguém (penso que Saramago) "não tenhamos pressa, mas não percamos tempo"...
Há que renascer das cinzas a cada golpe de morte, a cada fim, a cada dia. Regressarmos sempre, e cada vez melhor, a nós mesmos, ao que resta de nós, a cada fim, no fim de tudo. O que resiste é o que temos de mais forte e mais nosso. O que nos resta sempre, e mais apurada, é a nossa essência. É bom que seja um perfume doce mas forte, que nos lembre a vida que queremos e não o que perdemos na vida.
(o grande problema da minha essência - ou um dos - é que o que tem a mais em resiliência no manter-se fiel a si própria e à sua teimosia, falta-lhe em contorcionismo. E é uma pena...)

Boa Noite

27 abril 2015

(foto de © Alfred Eisenstaedt roubado no voluptama)
...sair ainda com luz, ter esperança de ainda ter de pôr os óculos de sol a caminho. Ir deixar o carro a casa e depois ir beber um copo antes de um jantar que nos avisaram ser para conversar "daquelas conversas" que gostam de ter comigo... a vida podia ser pior caraças!!... podia, e sei que pode (demasiado bem, aliás). Também sei que pode ser tão, mas tão melhor, mas nos entretantos há que aproveitar o melhor que podemos, o que conseguimos ir tendo. Tentar esquecer o que se não tem e pronto: não é o que fazem todos? Talvez eu também consiga. 
Este fim de semana alguém me dizia que ao mesmo tempo que me achava uma idealista, uma sonhadora romântica, das que têm de pôr os pés mais no chão, por outro lado admirava essa minha faceta de não me contentar com menos do que aquilo que sabia que queria... Mas eu acho que ainda não (me) perceberam, eu não consigo explicar que "depois de se saborear um fillet mignon não é qualquer bifana que nos satisfaz" - ainda que possa matar a fome, é certo, acrescento eu - esta frase não é minha, foi ouvida duma prima que sabe do que fala. Eu ouvi-a e soube exactamente do que estava a falar... e não, não era de "comer" ninguém (embora essa parte também corresponda quando o resto é bom, ou eu acho que é assim, e recuso-me a conceber estar numa relação em que ao final da noite só se "esvaziam os tomates"), era da relação que existindo não nos mata só a fome, mas faz -nos apreciar e agradecer cada refeição como uma bênção, um luxo, uma sorte dos diabos, na verdade... Por isso, não, nem tudo me chega ou enche as medidas, e não tenho medo de ficar sozinha, ou melhor tenho, mas tenho um pavor muito maior de ficar com alguém ao lado que não me arranca a solidão dos ossos e do olhar, e não me faz a pele saber a mel. Não,. não me chega, quero uma coisa que me preencha, que me contente, que me faça querer acordar, que me faça querer começar o dia com um "Bom Dia" e um beijo, um abraço malandro de pernas antes de sair da cama, pelo menos de vez em quando, e uma risada sempre que dê ou for preciso... Não, para menos que isso estou bem sozinha; sozinha e a ouvir pessoas amigas dizer que se sentem bem comigo - não sei, não percebo porquê, mas agora oiço isto muitas vezes, de pessoas diferentes - que as pessoas se sentem bem comigo - sei-as ouvir, se calhar é isso, gosto de ouvir as pessoas, conhecê-las, ajudá-las no que posso, coisa que faço normalmente tentando escolher as perguntas certas para que pensem nas respostas. Talvez por isso gostem de conversar comigo e queiram uma conversa daquelas ao jantar em que se fala de tudo e de nada e se está bem... e sim, está-se bem. 
... Não está mas devia!!!... Se devia!!
Quando será que ganho o Euromilhões?? (Se calhar ajudava jogar de vez em quando...) ou então tenho de arranjar  daqueles amigos maravilha que têm uns milhões para dispensar e dar aos amigos e apartamentos e coiso... Não tenho amigos desses pahhh, o que é uma pena e está mal, muito mal mesmo!!... até estou um bocado desiludida, vocês não sabem seguir os bons exemplos de amizade forte e pura e conveniente, humm?... podia estar agora tão bem na caminha a ouvir a chuva cair sem ter de andar à chuva... Bahhhh 

Bom dia!
Lembro-me de ser miúda e ouvir alguém dizer que dantes, à noite, não havia luz como agora, mas havia a luz da consciência, que se acendia ao final de cada dia. Não percebi aquela coisa e perguntei... "A luz da consciência??", lembro-me de me responderem que a luz da consciência seria uma reflexão sobre o dia, sobre o que se havia feito de bem, e que se tinha feito de mal... (deve ter sido conversa a seguir a uma qualquer asneira minha, pois claro...) e na verdade não entendi na altura e continuo sem perceber muito bem, e pela mesma razão: quando se faz algo de mal sabe-se logo, não é preciso chegar o final do dia para aguardar julgamento da consciência... Talvez por isso os meus finais de dia, de despedida de um dia antes de abrir os olhos para um novo dia, se dedique antes a pensar ou naquilo que me soube bem até hoje - e por isso ir ao caixote de memórias remexer e remoer - ou, em querendo fugir do que se quer fechado e em caixotes arrumado, nos planos para o dia seguinte, a semana seguinte, a vida que teremos de ver cumprida. E é isso que hoje, aqui sentada, na companhia do último cigarro, me dedico a pensar - no caminho que se quer feito, nas tarefas que se querem arrumadas e despachadas. Mais uma semana à porta e tantas coisas por terminar, entretenho-me neste planeamento para fugir ao que não se consegue organizar, para fugir do vazio do futuro que já está terminado, num passado a encerrar todos os dias, a cada dia, enquanto se planeiam as tarefas de amanhã, na tentativa de que mãos ocupadas não se lembrem da falta dos gestos que lhe pesam por fazer.

Boa noite.