Eva me chamaste
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
22 novembro 2012
(...)
E vem aqui pra cá
Porque eu quero te beijar na sua boca
Que coisa louca
Vem aqui pra cá
Porque eu quero te beijar na sua boca
Ai que boca gostosa
(...)
Acordei com isto na cabeça, ou apareceu-me pouco depois, não sei de onde, não sei porquê. Não percebo. Nem percebo como certas coisas são possíveis, ou compreensíveis. Como é que coisas destas nos dão vontade de partilhar com certas pessoas, ou porquê. Ou donde veio, ou vem, essa vontade, ou se sempre existiu, mesmo que gastemos as nossas energias a contrariá-lo, só porque sim, porque estamos magoados e não queremos por fora, mas por dentro queremos, e de vez em quando traímo-nos e fazemos coisas que não entendemos. É nesse trairmo-nos que às vezes nos conseguimos, afinal, ser mais fieis a nós mesmos, mais próximos da verdade que queremos negar.
Há coisas que nunca entenderei, e não sei quando deixarão de me assaltar os dias para me deixar na penúria do que fica depois de mim depois de ti. Não sei mesmo.
Que coisa louca.
Ahhhhhhh.... Bom dia! (pelo menos que seja para vocês...)
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16 novembro 2012
12 novembro 2012
Aprendi cedo a não me render ao choro, mas cedo aprendi que não me rendendo ao choro, sempre me rendi às lágrimas que me sulcam a pele e caem algures no mundo onde não caibo. Cedo aprendi que há uma grande diferença entre chorar e as lágrimas nos caírem sem querermos, sem soluçarmos, sem os ombros balançarem ou a boca expressar o choro que nos sai de dentro, que queremos que saia, que choramos. Que queremos tirar de dentro de nós, que queremos libertar e que nos liberte. Lembro-me da primeira vez que pensei precisamente isto, estava no liceu sentada no parapeito duma janela, à frente tinha uma escada que não dava para lado nenhum, apenas uma pequena sala vazia. Do lado de lá do vidro estava um pátio, vazio também. Não havia gente, não havia ninguém, nunca houve. Eu agarrada aos joelhos, como ainda hoje faço. Lembro-me de nessa altura pensar que era assim, que chorar e render-me às lágrimas que me escapavam não era o mesmo, que o sofrimento pode ser activo ou passivo, reactivo ou só resignado, as lágrimas essas é que são iguais. Suponho. Só que há coisas por que não vale a pena chorar, porque não está nas nossas mãos mudar, então não se chora, mas as lágrimas choram por nós. Foi nessa altura que comecei a escrever, foi nessa altura que achei que o meu mundo, aquele que me amparava quando não havia ninguém, nunca houve, não cabia neste outro mundo em que caí sem me perguntarem se queria. Sempre quis fugir-me, achar casa nesse mundo emprestado que queria meu, mas se o queria, não o queria também. As raízes são de onde se fincam, na terra que lhes calhou, não na que queriam abraçar. Nem sempre será ao sol e abrigada, é onde é, e convém sabermos onde é para não nos perdermos e ficarmos sem chão, sem terra nenhuma onde ficar os pés, os pensamentos e os sentires. Onde sermos nós. Verdadeiramente nós. Acho que por isso nunca consegui sair desse mundo solitário, cheio de conversas que nunca existiram, de pensamentos, de sentires, de sucessivos porquês e repetidas respostas diversas. Nessa minha casa o lema é perceber. Perceber-me nesse mundo que não é meu, perceber esse mundo que não é meu, as pessoas que lá encontro, os factos, as causas as consequências, os porquês. E os porquês do que é meu e da maneira de olhar o que não é. Nessa casa dos porquês onde ainda hoje, e sempre, vagueio, percebi que nem tudo tem porquês, mas tudo tem consequências. Que a causa e a consequência nem sempre comem à mesa da razão. Aprendi que há coisas sem razão, e que a única razão de existirem, é não terem razão nenhuma. E perceber que essa é, às vezes, a melhor razão de todas. E é essa a razão porque volto sempre a esta casa, que é a minha, onde não há ninguém, nunca houve, quando volto está sempre vazia, onde não se chora, mas as lágrimas caem sem me render ao choro. E se um dia a penso não vazia, se um dia a penso como um lar, onde viver sem ser à noite e só, em que se fala a mesma língua, onde as conversas têm resposta, mesmo que não tenham razão ou porquês, e os pés se parecem fincar em terras gémeas, então, então percebo que me esqueço às vezes de que sou ainda aquela miúda sentada no parapeito da janela a olhar para o pátio vazio e para as escadas que dão para uma pequena sala vazia, onde não há ninguém, nem nunca houve. O mundo é lá fora. As lágrimas são cá dentro. A terra é onde é. As raízes são minhas. Não há porquês e esses são os porquês. É assim. Só.
[houve alturas em que te lembravas a meio dos jantares, ou do que fosse, e me mandavas um mail, uma mensagem, uma palavra sem som mas de presença, da minha presença em ti. agora lembro-me disso, em flashes de memória que arranham, e depois visita-me o que me dizias há não tanto tempo assim, que há uma altura certa para tudo, que tudo tem um prazo para acontecer, e eu não sei onde me perdi nesse prazo, nessa validade que não vi passar, nesse prazo que não senti passar-me, que não sinto, não sinto ainda nada errado, fora de prazo válido. deve haver algo de errado em mim, porque já não estou presente em ti na ausência... já não não há gestos, devem ter passado a validade sem eu saber, porque os meus devem ter falta disso, de prazo, continuam como se o tempo não os gastasse, como se o vento não os arrastasse para o passado de nós. para o meu passado de nós, que não passou, que não me passou.]
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Flashes
31 outubro 2012
Seria tão fácil, estenderes-me a mão, alcançares-me. Falares-me, dizeres-me uma e outra vez o que for que sentes, se sentes. Tranquilizares-me os medos, apaziguares-me as ânsias, acalmar-me as inseguranças agudizadas pelo tempo que te escapa das mãos através dos dias e das noites que passas longe. Seria tão fácil, se o quisesses, se não quisesses a distância a que me queres manter. Se não quisesses tão desoladamente deixares-me do lado de fora da redoma em que te queres trancar, em que queres tecer essa manta de passados sem futuro, para depois a trancares numa gaveta no fundo de ti, que só abrirás para te aquecer a vontade de doçura, de ternura, que quiseste perder, afastar, arrumar e trancar, dizendo que era o que tinha de ser, que o frio é a tua casa, que é o que tem de ser. Não é por ter já repetido vezes sem conta que te quero, que te sinto a falta, que o meu sítio no mundo é o teu colo, que o meu lugar é o teu olhar e que o meu tempo és tu, que deixo de o repetir, que deixarei de o dizer. E nunca guardarei cosido ao meu silêncio tudo isto e outro tanto que fosse preciso para te deixar melhor, para que não me duvides e do quanto te tenho dentro, o quanto de mim és tu, e sem o que não sei viver, mesmo trancada. Seria tão fácil, mas mais fácil é o silêncio e as tuas mãos trancadas com o bilhete premiado por levantar dentro (ainda te lembras de dizer que te tinha saído a sorte grande??).
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Meu amor...
29 outubro 2012
...
deito-me à sombra das tuas pernas
e o corpo arde em todos os movimentos
que não ousaste prolongar
na toalha branca da minha pele
deste lado a dor
é completamente minha
e por assim dizer inútil
era capaz de jurar
que nem me viste
...
Alice Vieira
[era capaz de jurar que nunca me viste. Era capaz de jurar que nunca me viram. Era capaz de jurar que de me olharem, pensam que me vêem. Era capaz de jurar.]
deito-me à sombra das tuas pernas
e o corpo arde em todos os movimentos
que não ousaste prolongar
na toalha branca da minha pele
deste lado a dor
é completamente minha
e por assim dizer inútil
era capaz de jurar
que nem me viste
...
Alice Vieira
[era capaz de jurar que nunca me viste. Era capaz de jurar que nunca me viram. Era capaz de jurar que de me olharem, pensam que me vêem. Era capaz de jurar.]
"A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedermos-lhe. Se lhe resistirmos, a nossa alma adoece com o anseio das coisas que se proibiu, com o desejo daquilo que as suas monstruosas leis tornaram monstruoso e ilegal. Já se disse que os grandes acontecimentos do mundo ocorrem no cérebro. É também no cérebro, e apenas neste, que ocorrem os grandes pecados do mundo."
(portas fechadas que temos vontade de abrir e não abrimos, são lugares que não chegámos a ver, e que nos perseguirão nos pesadelos dos sonhos que tivemos medo de sonhar, mais ainda de viver. Não lhes abrimos a porta. Mas há quem ainda bata à porta, e como as crianças, depois foge. Nunca pensaram em entrar. Nunca cresceram)
Un caffé per favore!!!
...que saudades de ouvir esta língua... o italiano derrete-me, embala-me, acorda-me...
enfim...desorienta-me...
talvez ouvir sussurrado ao ouvido numa voz quente, ainda que só "un caffé per favore",
já me animasse a manhã que parece ter acordado difícil...
aiiiiiiiii Itália... tenho de voltar aí depressa!!!
(e devia era ficar, acho que fui italiana noutra vida... só pode!!)
Buon Giorno!!!
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Bom Dia
28 outubro 2012
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia Mello Breyner
[por isso vais sempre sofrer, pela verdade, com a verdade, pela falta de te calculares e aos outros, mas também com a mais pura verdade da tristeza e a mágoa e até a revolta...pudesse eu conseguir usar uma máscara e confundir-me no meio dos mascarados, mil vezes o escolheria, se o conseguisse escolher...só não seria eu, mas neste momento apetecia-me ser qualquer uma menos eu. Não vejo vantagem, só desvantagem, e muita]
27 outubro 2012
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro
Ergo as pálpebras e tudo volta a renascer
(Acho que te criei no interior da minha mente)
Saem valsando as estrelas, vermelhas e azuis,
Entra a galope a arbitrária escuridão:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.
Enfeitiçaste-me, em sonhos, para a cama,
Cantaste-me para a loucura; beijaste-me para a insanidade.
(Acho que te criei no interior de minha mente)
Tomba Deus das alturas; abranda-se o fogo do inferno:
Retiram-se os serafins e os homens de Satã:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.
Imaginei que voltarias como prometeste
Envelheço, porém, e esqueço-me do teu nome.
(Acho que te criei no interior de minha mente)
Deveria, em teu lugar, ter amado um falcão
Pelo menos, com a primavera, retornam com estrondo
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro:
(Acho que te criei no interior de minha mente.)
Sylvia Plath
26 outubro 2012
Talvez eu seja
O sonho de mim mesma.
Criatura-ninguém
Espelhismo de outra
Tão em sigilo e extrema
Tão sem medida
Densa e clandestina
Hilda Hilst
(é o que ultimamente sinto, sinto-me intensamente clandestina do mundo, e tão sem molde e sem medida, de tão densa de mim ao mesmo tempo. Um sonho de mim mesma que nunca sonhei, uma criatura-ninguém...)
Amar!
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
Florbela Espanca
[amar, só por amar...uma alvorada a cada noite, perdermo-nos, ou nunca nos encontraremos.]
O que é que queres dizer com isso????
...sim, a vontade de trabalhar é imensa.. o que é que estão a pensar...hummm???
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Tonta...
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