Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

29 outubro 2012



"A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedermos-lhe. Se lhe resistirmos, a nossa alma adoece com o anseio das coisas que se proibiu, com o desejo daquilo que as suas monstruosas leis tornaram monstruoso e ilegal. Já se disse que os grandes acontecimentos do mundo ocorrem no cérebro. É também no cérebro, e apenas neste, que ocorrem os grandes pecados do mundo."

Oscar Wilde, in 'O Retrato de Dorian Gray'


(portas fechadas que temos vontade de abrir e não abrimos, são lugares que não chegámos a ver, e que nos perseguirão nos pesadelos dos sonhos que tivemos medo de sonhar, mais ainda de viver. Não lhes abrimos a porta. Mas há quem ainda bata à porta, e como as crianças, depois foge. Nunca pensaram em entrar. Nunca cresceram)
Un caffé per favore!!!
...que saudades de ouvir esta língua... o italiano derrete-me, embala-me, acorda-me...
enfim...desorienta-me...
talvez ouvir sussurrado ao ouvido numa voz quente, ainda que só "un caffé per favore", 
já me animasse a manhã que parece ter acordado difícil...
aiiiiiiiii Itália... tenho de voltar aí depressa!!! 
(e devia era ficar, acho que fui italiana noutra vida... só pode!!)
Buon Giorno!!!


28 outubro 2012



Porque os outros se mascaram mas tu não

Porque os outros usam a virtude 
Para comprar o que não tem perdão. 
Porque os outros têm medo mas tu não. 
Porque os outros são os túmulos caiados

Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia Mello Breyner


[por isso vais sempre sofrer, pela verdade, com a verdade, pela falta de te calculares e aos outros, mas também com a mais pura verdade da tristeza e a mágoa e até a revolta...pudesse eu conseguir usar uma máscara e confundir-me no meio dos mascarados, mil vezes o escolheria, se o conseguisse escolher...só não seria eu, mas neste momento apetecia-me ser qualquer uma menos eu. Não vejo vantagem, só desvantagem, e muita]

27 outubro 2012



Lua às sete da tarde.
 A lua no inverno entra-nos na alma muito mais cedo. 
E no céu também.

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro
Ergo as pálpebras e tudo volta a renascer
(Acho que te criei no interior da minha mente)


Saem valsando as estrelas, vermelhas e azuis,
Entra a galope a arbitrária escuridão:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Enfeitiçaste-me, em sonhos, para a cama,
Cantaste-me para a loucura; beijaste-me para a insanidade.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Tomba Deus das alturas; abranda-se o fogo do inferno:
Retiram-se os serafins e os homens de Satã:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Imaginei que voltarias como prometeste
Envelheço, porém, e esqueço-me do teu nome.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Deveria, em teu lugar, ter amado um falcão
Pelo menos, com a primavera, retornam com estrondo
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro:
(Acho que te criei no interior de minha mente.)

Sylvia Plath
Boa noite

26 outubro 2012



Talvez eu seja
O sonho de mim mesma.
Criatura-ninguém
Espelhismo de outra
Tão em sigilo e extrema
Tão sem medida
Densa e clandestina

Hilda Hilst

(é o que ultimamente sinto, sinto-me intensamente clandestina do mundo, e tão sem molde e sem medida, de tão densa de mim ao mesmo tempo. Um sonho de mim mesma que nunca sonhei, uma criatura-ninguém...)

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Florbela Espanca


[amar, só por amar...uma alvorada a cada noite, perdermo-nos, ou nunca nos encontraremos.]
O que é que queres dizer com isso????
...sim, a vontade de trabalhar é imensa.. o que é que estão a pensar...hummm???


“Não ser amado é falta de sorte, mas não amar é a própria infelicidade.”

( Albert Camus )

[fui à procura desta frase por causa dum comentário da Dri, e cá está ela. É mesmo verdade Dri, não ser amado é triste, não amar é só desperdicio de vida, é só vazio. bom era amar e ser amado, mas isso...)
As conversas são como as cerejas.
Os beijos também.
(não gosto nada de coraçõezinhos, acho do mais piroso e tal, não é nada o meu estilo, 
mas este apanhei-o agora e fez-me lembrar isto... e sorrir, por isso fica aqui)

Boa noite

25 outubro 2012



“A felicidade está onde o coração encontra repouso."

Ditado Navajo


"Maybe…you’ll fall in love with me all over again.”
“Hell,” I said, “I love you enough now. What do you want to do? Ruin me?”
“Yes. I want to ruin you.”
“Good,” I said. “That’s what I want too."
Ernest Hemingway, A Farewell to Arms 


I want you to fall in love with me all over again... I want to ruin you...
Bom Dia!!!
O dia está péssimo por isso está bom!!!
Vou ao café, com licença...

24 outubro 2012

Boa Noite

I do.
Combino mais com o Outono e Inverno do que com o Verão...
Mas também gosto de dias de Outono com sol, de aproveitar as esplanadas, mesmo que encasacada e de óculos de sol. E gosto de dias de chuva em que nos guardamos em casa, enroscadas numa manta em frente à lareira, a bebericar uma chávena de chá quente, enquanto se olha pela janela e vê a chuva miudinha a cair lá fora. Gosto. E gosto de apanhar chuva. E já hoje de manhã a chuva me apanhou, e eu sorrio a correr para o carro. Não gosto de chapéus de chuva, tenho tendência a deixá-los esquecidos por todo o lado, só não me esqueço do que trago agarrado a mim. 
Bom Dia!!


23 outubro 2012

Tantos momentos, o mesmo carinho, a mesma ternura, a mesma vontade. Tu.
Boa noite.


22 outubro 2012


Vou te dizer o que sinto: sabe o que é você dormir pensando em alguém e acordar com esse mesmo alguém na sua cabeça? Como se já não bastasse o meu coração que acelera só quando falo contigo, tinha que dominar também os meus pensamentos? E os meus ouvidos? Parece coligados com minha alma, todo bom som e toda boa música, me traz você. E os meus olhos, estes são deslumbrados por ti, porque quando os fecho, o seu rosto é a única coisa que consigo ver, de um jeito só meu, um jeito que tive que criar na tentativa de saciar a vontade de te ter. Minha boca já nem mais me obedece, vive falando seu nome sem me deixar perceber. E os meus lábios? Estes vivem na espera de encontrar os seus.


(Caio F. Abreu)


"Há noites em que eu não consigo dormir de remorso por tudo o que eu deixei de cometer."



Mário Quintana

Eu não, é coisa que não tenho. Deixar de fazer o que queria, o que acreditava, o que tinha vontade e gostava. Há coisas que se não se fazem nos perseguem toda a vida, porque nunca saberemos qual a diferença que a tentativa de o fazer traria à nossa vida. Podemos ficar pior, mas ficamos com a certeza de que era pior, se o for, e não que falhámos o que poderia ser o melhor que nos puseram no caminho por medo, por comodismo, por falta de vontade de viver, porque mais à frente vamo-nos arrepender. Os "ses" perseguem-nos e torturam a vida que nos restou, e que assim de nada valerá, será uma vida amputada e assombrada, e por responsabilidade nossa - o pior castigo. Para quê a vida dar-nos uma oportunidade se nós não temos coragem de a mudar, de assumir que não estamos bem. E eu não estou bem, mas tenho a certeza de fazer tudo o que posso para ficar e que não recuso nada do que quero por medo ou comodismo. Há coisas que deixo de fazer porque na verdade não as quero fazer, mesmo que se calhar fossem as mais acertadas para mim. Poderei morrer muitas vezes durante a vida por muita coisa, mas não de remorso ou de arrependimento pelo que não fiz.

21 outubro 2012


"De que são feitos os dias?
De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças"

Cecília Meireles

18 outubro 2012

"-Se não fosse parva, o que gostaria de ser?
 - Amada, amada seria bom, amada seria uma boa variação."

(parva serei sempre, parece-me. Amada como gostaria de ser, parece-me que nunca...)

14 outubro 2012

"...porque era bonita, porventura não a mais bonita entre a assistência feminina, mas bonita de um modo indefinível, particular, não explicável por palavras, como um verso cujo sentido último, se é que tal coisa existe num verso, continuamente escapa ao tradutor."

"O camarote estava vazio. Atrasou-se, disse consigo mesmo, deverá estar a ponto de chegar, ainda há pessoas a entrar na sala. Era certo, pedindo desculpa pelo incómodo de fazer levantar os que já estavam sentados os retardatários iam ocupando as suas cadeiras, mas a mulher não apareceu. Talvez no intervalo. Nada. O camarote permaneceu vazio até ao fim da função. Contudo, ainda havia uma esperança razoável, a de que, tendo-lhe sido impossível vir ao espectáculo por motivos que já explicaria, estivesse à sua espera lá fora, na porta dos artistas. Não estava. E como as esperanças têm esse fado que cumprir, nascer umas das outras, por isso é que apesar de tantas decepções, ainda não se acabaram no mundo, poderia ser que ela o aguardasse à entrada do prédio com um sorriso nos lábios e a carta na mão. Aqui a tem, o prometido é devido. Também não estava. O violoncelista entrou em casa como um autómato, dos antigos, dos da primeira geração, daqueles que tinham de pedir licença a uma perna para poderem mover a outra. Empurrou o cão que o viera saudar, largou o violoncelo onde calhou e foi-se estender em cima da cama. Aprende pensava, aprende de uma vez, pedaço de estúpido, portaste-te como um 'perfeito imbecil, puseste os significados que desejavas em palavras que afinal de contas tinham outros sentidos, e mesmo esses não os conheces nem conhecerás, acreditaste em sorrisos que não passavam de meras e deliberadas contracções musculares, esqueceste-te que levas quinhentos anos às costas apesar de caridosamente to haverem recordado, e agora eis-te aí, como um trapo, deitado na cama onde esperavas recebê-la, enquanto ela se está rindo da triste figura que fizeste e da tua incurável parvoíce."

in As Intermitências da Morte, José Saramago

Um dos melhores retratos que me lembro de ter lido ultimamente, ou que mais me impressionou e encaixou, do estado de paixão, do apaixonarmo-nos, de quanta parvoíce se pode fazer e pensar. E isso, da esperança que nasce dela própria, que nasce até, ou apesar, de todas as decepções, e da parvoíce disso também. Tudo parvoíces das boas, das melhores, mas ainda parvoíces. Como dizia alguém "o amor é para os parvos". E eu sou uma parva. E espero continuar a ser, ainda que cada vez mais descrente, ainda que tantas vezes me deixe amargar por momentos, ainda que a vida me aconteça em nódoas negras que vou coleccionando na alma, essa continua à espera que venha alguém e que a faça esquecer de todas elas, e de todas as cicatrizes que não se curam, apenas se aprende a viver com elas, e às vezes, às vezes, conseguimos esquecer-nos delas. Essa é a parvoíce da minha esperança.

[ando muito preguiçosa nas minhas leituras tenho de voltar à carga, agora não sei quem será o senhor que se segue...]

05 outubro 2012

19 setembro 2012




Sonhos

Tudo era apenas uma brincadeira
E foi crescendo, crescendo, me absorvendo
E de repente eu me vi assim completamente seu


Vi a minha força amarrada no seu passo
Vi que sem você não há caminho, eu não me acho
Vi um grande amor gritar dentro de mim
Como eu sonhei um dia

Quando o meu mundo era mais mundo
E todo mundo admitia
Uma mudança muito estranha
Mais pureza, mais carinho mais calma, mais alegria
No meu jeito de me dar

Quando a canção se fez mais clara e mais sentida
Quando a poesia realmente fez folia em minha vida
Você veio me falar dessa paixão inesperada
Por outra pessoa

Mas não tem revolta não
Eu só quero que você se encontre
Saudade até que é bom
É melhor que caminhar vazio
A esperança é um dom
Que eu tenho em mim, eu tenho sim
Não tem desespero não
Você me ensinou milhões de coisas
Tenho um sonho em minhas mãos
Amanhã será um novo dia
Certamente eu vou ser mais feliz


[adoro esta letra, e acho que por isso não resisto a esta música. é perfeita, por ser quase perfeita...]

18 setembro 2012

Ahhhhhhhhhhh....que isto parece tão relaxante....
também querooooo...

É uma boa primeira frase do dia...ou seria!!
Até porque acordo sempre stressada, atrasada, apressada, e era um bom corta-corrente...
Tem calma e dá-me depressa um beijo devagar, já, agora mesmo!!!...
Era bom, não era?
Bom dia!!

Boa Noite.

17 setembro 2012

Ahhhhhhhh leão!!!!
É assim mesmo!!!!... 
Quer e vai atrás, que a felicidade não vem atrás de ti, só tu podes saber onde ela está,
 só tu podes saber o que queres, e é lá que a podes resgatar...
não te percas pelos caminhos da vida, nunca te esqueças de ir buscar o que queres. 
Nunca te esqueças do que queres. 
Nunca te esqueças de querer. 
Não te percas sem querer pelos caminhos que não queres...
Ahhhhh leão!!! Gosto disso!!
É assim que te fazes homem, não te estragues...


...adoro esta fotografia, não me perguntem porquê, mas adoro.

Era o começo de dia que apetecia. Em casa, a beber um café depois do pequeno almoço enquanto se pega em qualquer coisa para ler. 
Assim, uma manhã light, sem correrias, sem atrasos por encolher, sem razões para apressar o tempo que demoramos e que tem muita pressa de manhã, sem stress e com um beijo de bom dia.
E umas margaridas.
Bom Dia.

16 setembro 2012

...outras que tendo o poder de amar , não podem...
nem podem fazer nada...
(é muito cutchi cutchi não é?? isto está-se a tornar um blog muito "corrosinha" e peganhento e meloso demais... bahhhh)

...a melhor foto que vi das manifestações...
(roubada daqui)

U is missing...
Missing U


‎"Como se a água ficasse a um dedo da minha boca e todo o deserto à volta me segurasse..."

Hilda Hilst
...sim , é o amor que nos faz, é sempre o amor que nos faz...
vem dormir, que o amor são os lençóis em que nos deitamos
os beijos com que nos deleitamos
as palavras que ao ouvido sussurramos
o sono a que nos abandonamos.
O amor que abraçamos,
o amor que nos faz
Nós.
Não fazemos amor é o amor que nos faz um.
É sempre o amor que nos faz
e me desfaz em tantas

15 setembro 2012

-O amor é um estúpido.
É sim senhor. Que me faz estúpida.

"fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre
sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor.
eu sei exactamente o que é o amor. O amor é saber
que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer.
o amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte
de nós que não é nossa. o amor é sermos fracos.
o amor é ter medo e querer morrer. "


José Luís Peixoto

14 setembro 2012

O que me apetecia agora era isto... e um jantar calmo depois dum duche,
 e depois isto outra vez, ou mimo, ou um filme enroscadinho, ou enroscadinho sem filme nenhum na varanda debaixo do manto de estrela e a luz duma vela...
 (sim, porque eu não tenho jardim em casa, nem lamparinas dependuradas.. é uma pobreza...)

Este moço, de seu nome Kevin Baker, padeiro portanto, pelo menos de nome, faz-me pensar porque não haveria padeiros destes no tempo em que o padeiro nos deixava o pão pendurado na porta de casa... 
ou então, com padeiros assim, por que não regressar a esse costume... 
só me parece que este pão só deve ser padeiro de nome...
(.....tem um bocado orelhas de abano, mas pronto, face ao mercado, a gente deixa abanar...)

Roubei as flores ao frasco que faz de jarra antes de sair de casa.
Fui pô-las na tua mesinha de cabeceira.
Para me veres quando acordares.
Para saberes, mal acordares, que gostam de ti e dos teus sorrisos.
Que voltam atrás para os provocar, para os assegurar.
Voltam atrás quantas vezes precisarem.
Para teres a certeza que acordo e tu acordas comigo,
 que estás em todas as flores por onde passo, 
que me apetece roubar para te levar comigo, ou só para te devolver a ti.
Volto atrás quantas vezes quiser e quantas for preciso.
(a imaginação é uma coisa abençoadamente tramada!!!)
Bom Dia!!

13 setembro 2012

...You can leave your hat on...
Boa noite.
(estou exausta)


"E enquanto esperava
No fundo da rua 
Pensava em ti 
E em que sorte era a tua 
Quero-te tanto"

Circo de Feras, Xutos & Pontapés
Estou morta....
este parecia-me um bom programa de fim de dia... e depois ficar no mimo até dormir...
mas não, nada disso mesmo...

E esta é a expressão sexy de final do dia... 
orelhuda e tosquiada....
bahhhhhh
Que dia!!!!

Never LE-GO!!!
(e nada de mentes porcas, ok?? é para ser querido, e só isso 'tá??)

...hoje com menos bigode, vá...
e nem de longe pareço um leão... 
e segundo a minha pseudo- não psicóloga a descrição é mais de caniche...
mas a expressão sexy de hoje é mais ou menos esta!!!
/(&$#$"#"#%%$#$


Bom Dia!!
Isto hoje, aviso já, que não está muito bom...

12 setembro 2012


Hoje deitei-me ao lado da minha solidão.
O seu corpo perfeito, linha a linha
derramava-se no meu, e eu sentia
nele o pulsar do meu próprio coração.

Moreno, era a forma das pedras e das luas.
Dentro de mim alguma coisa ardia:
o mistério das palavras maduras
ou a brancura de um amor que nos prendia.

Hoje deitei-me ao lado da minha solidão
e longamente bebi os horizontes.
E longamente fiquei até ouvir
o meu sangue jorrar na voz das fontes.


Eugénio de  Andrade

Boa noite.
...normalmente aqueles que queremos que nos estraguem o baton só fazem esborratar o rímel. 
Os que não nos fazem esborratar nada, não nos fazem querer desperdiçar baton...
Está tudo ao contrário!!!!

Parece-me uma boa ideia!!!
ehehhhe


É verdade...
mas é mentira, ninguém se lembra...
bahhhh

Bom Dia!!!
Com o sono que tenho não sei se irá ser muito bom dia... só vos digo, não tentem fazer terapia pela net até às três da manhã com uma amiga doida, mas que é boa psicóloga e tem umas costelas de bruxa... é que por muito que se queira, na altura não apetece ir para a cama... ela diz que não vale a pena atirar-me da ponte, que sou doida, descreve-me com palavras que eu usaria para descrever um caniche a pilhas ( o que eu me ri com esta) que aparento precisar muito de ser cuidada e mimada que acredito no amor e que a minha força não se vê, está escondida. Não aparento ser forte nem guerreira, não pareço dar estabilidade a ninguém e isso assusta, ou seja pareço, um canichinho que precisa que tomem conta e levem a passear. Não sou uma mulher forte porque não sou capaz de fazer o que é preciso para ter o que quero, porque só quero de maneira que possa continuar a acreditar no amor e sonhar,  e basicamente continuar a parecer uma caninhe.... ou seja, sou doida, mas não muito, dá para consertar, diz ela... eu acho difícil, mas a ver vamos, como diz o cego... 
Há uma coisa que eu tenho boa na vida, são os amigos, poucos é certo, mas com quem posso dizer com muito orgulho que são pessoas de alma grande, com quem se pode conversar com a mesma facilidade com que se pode disparatar, e isso é uma coisa que me faz sentir nascer aquele sorriso do lado de dentro de mim, que me aconchega o calor da alma, mesmo quando ando gelada de tristeza. Ontem foi uma psicóloga doida, há uns dias uma miúda linda  que tem um coração doce que me lembra o meu há uns anos largos e que me ouve vezes sem fim, mesmo até às tantas da manhã no carro à porta de casa. Nisso das pessoas que escolho, ou me escolhem, para amiga sou abençoada, tenho algumas, mas poucas, razões de queixa. Nada é perfeito. Mas gosto das minhas pessoas. Muito.  As que fazemos família sem serem, que não partilhamos o sangue mas partilhamos os batimentos. E eu gosto disso. Sou uma pessoa de pessoas, é a elas que vou buscar, e dar, tudo. Com igual prazer.  Só pelas pessoas, pelo que se sente, e pelo que nos fazem sentir, a vida vale a pena ser vivida. E só assim é vida e não uma acumulação de dias respirados. 
Agora preciso dum balde de café ou duns palitos, mas não gosto de palitos de qualquer forma, e gosto de café... por isso lá vou eu ao café... já vos disse bom dia? 
Bom Dia!!!!

Não, não te quero para biblot, porque gosto de te atirar à parede e não convém que partas... porque gosto de atirar muitas vezes....
(pensamento estúpido  número 2633553 a esta hora da noite....)
Boa noite.

Também há quem lhe chame passatempo.
Mas isso são só rótulos... a única consequência de se errar no rótulo é guardar-se a coisa no sítio errado, e um dia, eventualmente, perceber que o rótulo estava errado. 
Não devia ter sido guardado ali, entretanto, estragou-se.
Convém saber o que se tem. E tratá-lo de acordo.


07 setembro 2012

"-Doce de amoras porquê?
-Porque é o mais parecido com amor..."
(adorei)
Bom Dia!!
Um dia docinho para todos, ainda que não me pareça que o meu vá ser...
bahhhhh...

01 setembro 2012

(...)" se não voltarmos a morrer não temos futuro."
José Saramago, in As intermitências da morte

22 agosto 2012

Apanhei esta música hoje à tarde no meu ipod em aleatório e hoje caiu-me particularmente bem, encaixou tão bem que ouvi várias vezes seguidas... I´ve got you under my skin... que agora está mais queimadinha... tostadinha, como diria alguém...
(o tipo é giro, que é, e tem charme, que tem, e toca uma coisa que eu gosto de o ouvir tocar, que gosto... mas aquela gaja tinha de ser tão gira e ter AQUELA voz de veludo ou sei lá de quê??? Parvalhonaaaaa... mas se não a virmos e ouvirmos só é bom.... Parvalhona!! deviam ser proibidas estas gajas aí à solta)

21 agosto 2012

Gosto da parte do "és minha"... gosto muito. Não que ache que as pessoas possam ter posse de outras, de alguém, porque não acho. E acho que nunca tratei assim ninguém. Pelo contrário, sou pela liberdade. Só fica quem quer, quem gosta e quer ficar, e talvez por isso, acho que não seria capaz de dizer "és meu", aliás, nunca disse, até porque nunca tomei ninguém por garantido. Mas adorava que me dissessem "és minha" porque não implica qualquer sentimento de posse meu e dá-me o sentimento de pertença. E é isso, esse sentimento de pertença, que acho que andei a vida toda atrás. Um sentimento de pertença por afinidade, por cumplicidade, por intimidade, por amor, por desejo.
(há bocado pus o excerto e fiquei a pensar naquele primeiro no banho, e é isto, acho que é por isto que gosto do "és minha"... também gosto quando é "anda cá que és minha"...)
"Se daí te mandarem para outro convento mais longe, avisa-me, que eu irei, sozinho ou acompanhado, roubar-te ao caminho. É indispensável que te refaças de ânimo para te não assustarem os arrojos da minha paixão. És minha!(...) Não sofras com paciência, luta com heroísmo. A submissão é uma ignomínia, quando o poder paternal é uma afronta."

"Passou-lhe na mente, sem sombra de vaidade, a conjectura de que era amado daquela doce criatura. Entre si dizia que seria uma crueza mostrar-se conhecedor de tal afeição, quando não tinha alma para lha premiar, nem para lhe mentir. Assim mesmo, bem longe de se afligir, lisonjeavam-no os desvelos da gentil moça. Ninguém sente em si o peso do amor que se inspira e não comparte. Nas máximas aflições, nas derradeiras horas do coração e da vida, é grato ainda sentir-se amado quem já não pode achar no amor diversão das penas, nem soltar o último fio que se está partindo. Orgulho ou insaciabilidade do coração humano, seja o que for, no amor que nos dão é que nós graduamos o que valemos em nossa consciência."

Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição

Tanta, tanta coisa certa... estou quase a acabar este também!!

16 agosto 2012

"Repugnava-me ver-te jogar, perseguia-te por esses salões rutilantes para te ver desfigurado, para tentar amar-te com moderação. Cheguei a desprezar-te, deixei de me suportar a mim mesma porque os meus sentimentos por ti eram, simplesmente, os meus sentimentos. O amor não tem portas que possamos abrir e fechar, nem passagens secretas para um sótão onde possamos fazer férias dele. "

"A verdade é que não há nada tão cruel como um amor perfeito. Passamos vidas inteiras a arranjar suspeitos, a confrontar testemunhas. Toda a gente sabe que ele aconteceu, mas ninguém o viu. Ninguém sabe descrever-lhe o rosto. Ataca sobretudo em horas ou pessoas de plena distracção, à revelia dessa confortável invenção humana a que chamamos razão. E ataca com escândalo."

"A paixão agita a economia do mundo; é a única falência de sucesso. Quanto mais perde, mais ganha. «Não te posso dar nada», dizíamos nós um ao outro depois de termos já dado tudo. Ladrão nenhum pode roubar-nos a dor de não podermos incarnar, fora do tempo e do espaço, nessa outra metade de nós."

"«Salvar não sei, senhora. Salvar só o feiticeiro da minha aldeia é que pode. Ou o Partido, se os deuses deixarem. Mas é preciso enterrar a vaidade do sofrimento primeiro. É preciso enterrar a vaidade do pensamento, também, que é a que custa mais a sair.»"

"Quando o Eduardo morreu, senti que me abriam o peito e me chupavam o sangue do coração, e as pessoas diziam: «Faz-te crescer». Quando a minha melhor amiga me traiu, levando com ela o hábito de confiar que eu trazia da infância, as pessoas diziam: «Faz-te crescer». Quando fiquei sem trabalho e sem amigos, e, ensurdecida pelo silêncio, telefonava a alguém, as pessoas do lado de lá da linha diziam: as pessoas diziam: «Faz-te crescer». Hoje sei que estou crescida: não tenho fé nem alegria nem confiança em nada do mundo."

"Hoje parece-me que até o desespero é difícil. Pelo menos é difícil seguir até ao fim um desespero inteiro."

"O Álvaro era, como de resto toda a gente, composto de peças soltas, um Lego permanentemente incompleto, abrigando possibilidades infinitas em permanente mutação. O Rui, pelo contrário, é aquilo a que dantes se chamaria um carácter. Sabe-se sempre o que ele pensa, mesmo nas escassas ocasiões em que ele se esquece de o dizer"

"Parece que nem consigo ter saudades do Rui; gosto de saber que ele existe, com o seu optimismo veemente, nalgum lugar. Mas é um lugar de visita, não um sítio onde a minha vida possa morar."

"Durante muito tempo pensei muito. O Álvaro foi a única pessoa capaz de me fazer deixar de pensar. (...) acho que estou a ficar saturada de brincar. Ou de pensar, que é a mesma coisa."

"Todos os erros da Terra se resumem a esta expressão rasa: evitação da vida."

"«O amor não se pode julgar. O amor não tem exterior.»"

"No cartão escrevi apenas estas palavras suas: «Vem para dentro de mim, não tenhas medo.» E ele veio, Jenny"

Inês Pedrosa, in Nas tuas mãos


E acabei o livro há pouco. Estive a reler algumas partes e deixo aqui algumas delas. Todas me fizeram parar. Todas me fizeram pensar por diferentes razões. Todas me fizeram lembrar algo. Todas têm a ver comigo ou com o que penso. Mas aquela que eu acho que realmente me fez perceber como me vêem a mim é a que fala de não ter saudades, de eu ser só uma espécie de lugar de visita. Faz todo o sentido.
Agora é escolher o próximo. Não é fácil, mas fosse tudo tão difícil como escolher este próximo.

15 agosto 2012

-Gostava de estar aqui, assim, perto. A Eva a ler ou a fazer qualquer coisa e eu aqui, perto, a olhar para si sem saber, e a fazer alguma coisa também . E de vez em quando uma festa, um beijo, uma conversa. Eu gostava disso, e lembro-me disso muitas vezes. Era isso que eu queria.

( lembrei-me disto agora, não sei porquê. Não sei se as palavras foram exactamente estas mas a ideia sei de cor que era. E eu ouvia estas coisas e só pensava mas então porque não estás? então porque não fazes alguma coisa para estar?? porque nunca fizeste? e porque o dizias e parecia ser verdade? Só para agora me lembrar disso? Só para afundar um bocadinho mais a dimensão da incompreensão? Não te cobro nada do que me disseste, nada, nem isto nem outras coisas que me disseste ao longo dos tempos, eu só não percebo. E não percebo porque sempre acreditei em ti, porque sempre achei que sentias o que dizias. E se fosse assim estavas aqui ou a vir para aqui. Nada me apetecia mais do que estar ao teu colo a namorar. Deve ser por isso que me lembrei disto. E porque devo ser masoquista.)

13 agosto 2012

"Estou na ponte"
"Eu estou no sofá"
"Um  dia trocamos"

Sim, um dia trocamos, eu estarei na ponte e tu estarás no sofá, só não neste, nem à minha espera, como eu sempre estava.
Sinto falta também destas brincadeiras, das mensagens, das gargalhadas que te conseguia provocar. 
E por estranho que pareça, a minha única terapia, e o meu único consolo, tem sido este, escrever o que me passa na cabeça como quem fala contigo, ainda que sabendo que já não estás desse lado. Ainda que escreva apenas para me tentar expurgar das coisas, porque do outro lado já não há voz, já não há nada. Mesmo que me lembre de quando me disseste que não me esquecerias nem em 20 anos. Tens uma qualquer fixação com o número 2, ou são 2 meses quando te perguntava certas coisas, sempre com a mesma resposta dos 2 meses, como chegam 2 meses para achares que tudo seria passado, como bastaram 2 semanas para isso ser verdade para ti. Passado.
Eu pergunto-me onde estarei, como estarei daqui a 2 anos, e tenho medo da resposta.
"«Não precisa dessas roupas para nada, avó», disse a Natália, e saiu zangada comigo. Como explicar-lhe que só preciso do que não serve para nada? Ela nunca compreenderia. Casou-se com um rapaz que lhe serve para tudo. Dividem a prestação da casa comum e dos automóveis individuais, ele cozinha e ela arruma a loiça na máquina de lavar, apoiam-se mutuamente em épocas de crise, gostam dos mesmo filmes, livros e discos, e sobretudo, garante ela, «cada um respeita o espaço do outro».
   Se não fosse a Natália, e se não fosse uma heresia, teria dito «Ámen» quando ela veio, eufórica, debitar-me esta lista de vantagens e convidar-me para o casamento. mas só me ocorreu perguntar-lhe se estava apaixonada por ele. Riu-se de mim. Fez-me uma festa na cara, mas riu-se de mim, e explicou-me que hoje as mulheres já não são tão tontas que se casem por paixão. Disse-me que está estatisticamente provado que os casamentos por paixão acabam ao fim de poucos anos. 
(...) Queria lembrar-lhe as noites que passei a limpar-lhe as lágrimas e a ouvi-la falar do Álvaro, por causa da condescendência com que ela me passara os dedos pelo rosto. Queria lembrar-lhe as vezes em que me confessara: «Preciso de sentimentos à antiga, Jenny, com maiúsculas, leis e provas de passagem!» Tinha saudades dessas noites em que ela me falava do amor dos homens numa linguagem que eu podia entender, sem entrosamentos nem estatísticas."

"Mudava o riso em lágrimas em menos de um segundo. Passei anos a temer que esse excesso de nascença lhe rasgasse a vida em pedaços. "

"Não tinha medo de se perder; sabia que é esse o preço da inquietação."

Inês Pedrosa, in Nas tuas mãos