Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

18 março 2013



Uiiiiiiiiii...
Era a pura da lókuraaaaaa!!!
Se era!!!!
Gosto destas rosinhas... cheiram tão bem!!!
E hoje já me ri... ao menos isso!!
A primeira mensagem da manhã era trabalho, a segunda, logo a seguir, era um amigo maluco de todo e dizia só: "sonhei contigo. tórrido."
Ahahahah .... mas o que se responde a isto?? eu ri-me, há gente mesmo doida!!
Mas, pronto enfim, pelo menos alguém me acha/achou tórrida - mesmo que só em sonhos!!!
E a minha resposta foi mesmo esta - uma gargalhada - acrescentada de "ao menos isso." eheheh
Realmente andar a noite toda com pesadelos (como eu) não é tão tórrido, embora queime mais...
Bom Dia

17 março 2013

...apetecia-me.
Boa noite.

Não me deixes partir.
Dá-me a mão, 
põe-me no colo, 
cola-te a mim, 
agarra-me, 
toma-me, 
porque sou tua.
Não me deixes partir, 
 se for, vou partida
 e nunca me recuperarás inteira, 
ainda que regresse, volto em ferida, 
em carne viva remendada. 
Não me deixes partir, 
porque se me for é porque me deixaste, 
porque não me queres 
tua como sou - inteira;
 ninguém mais me voltará a ter inteira como tu, 
se me deixares partir, nem tu, 
ainda que me remendes.

16 março 2013


Boa Noite




[foto de Hossein Zare]
Eu sou a estrada por que não se segue.
Uma estrada secundária que não vem no mapa.
Quem segue o mapa nunca me encontrará.
Não sou o destino da viagem,
sou uma viagem sem destino,
que chega ao fim a cada cortada da vida que se quer decidida,
e por onde se decide nunca seguir,
afinal sou só uma estrada secundária.
Boa Noite

15 março 2013

...como se fosse possível vir fechada, confinada numa lata, pesada em gramas... e tão poucas!!...
(mas vai daí e como se pesa a paixão? como se pesa o amor, ou a raiva, ou a amizade, ou a inveja??? pois... não se sabe, nem sequer, em termos relativos, o que pesa mais e menos...)
Há coisas que não têm dose, e não se confinam por natureza, e se lhe alteram a natureza, deixam simplesmente de ser o que são, o nome que têm pelo que são. 
A paixão é como a loucura, cada um tem a sua dose própria, e o excesso é só uma opinião: cada um tem a sua medida, mesmo que desmedida... afinal como se mede a loucura? como se consegue doseá-la, cortá-la em porções simpáticas, e usufruir sem perigos em boas doses individuais diárias??? 
Isso não é loucura, não pode ser paixão: são psicofármacos e vêm em latas ou em embalagens de cartão. Não é loucura, a loucura é boa, e a paixão também, porque tudo o que há de verdadeiro é para viver à nossa medida - e se formos loucos e apaixonados??? e então? e se formos? qual o problema? 
Não somos compreendidos, olham-nos de lado e chamam-nos doidos... e então? 
novidades?
K'é lá saber!!!!!!

...e sorrir para fora quando o coração chora, porque é suposto sermos fortes... 
e estarmos sempre em cima do salto!!
(não concordo com essa do ter de pensar como um homem (e por várias razões, até)... 
é que eu tenho mais de dois neurónios, e não me parece boa política estar sempre a dar férias aos milhões restantes... ainda se desabituam, e torno-me demasiado masculina...ahahahahah)
Bom Dia!!

14 março 2013


"Os silêncios tristes fecham janelas dentro das mulheres. Até que se perdem dentro da sua escuridão como numa câmara escura em que se revelam. Perdemos uma mulher quando ela sai de dentro de si por uma porta diferente da que entrou."

João Morgado
depends...
... on how good can a bad boy get... at being bad...




Não digas nada, dá-me só a mão. Palavra de honra que não é preciso dizer nada, a mão chega. Parece-te estranho que a mão chegue, não é, mas chega. 

(...)
Gostava tanto que ma apertasses três vezes, depois eu apertava três vezes, depois tu apertavas quatro vezes, depois eu apertava-te quatro vezes e ficávamos que tempos assim, num morse de namorados. Fantasias. Desejos. Se calhar sou uma pessoa carente. Se calhar nem sequer sou carente, sou só parvo.

António Lobo Antunes, in "Migalhas".


[depois de ler isto concluo que sou carente, além de parva. Acumulo, e gosto. 
(adoro este homem...mesmo que ainda não tenha conseguido acabar nenhum livro dele - devem ter uma chave que eu ainda não tenho no meu chaveiro... um dia...quando for maior)]
Sssssooooollll!!!!
Hoje está sol, pah!!!
E finalmente não me esqueci dos óculos sol... 
não têm tanto estilo como estes... mas vai daí,
 eu também não, por isso tudo bem!!

Todas as cartas que não me escreveste, guardei-as. Atei-lhes um cordel e perfumei-as com o que me lembra de ti, todas as razões de ti que me fazem sorrir no vazio. Juntei todas as cartas vazias que não escreveste com resmas de cartas que te escrevi e não guardei, nem tu as recebeste. Embrulhei as palavras que guardei para ti sem tas entregar, e as que guardei para me escreveres, para me dizeres, para me entregares - guardo-as, ainda, em papel pardo, daquele antigo, onde se escreviam lindas e ridículas cartas de amor, que nunca cheguei a receber, mas que guardo, como a uma recordação que não vivi.
Bom Dia!!

13 março 2013

...só estou indecisa...
...não sei se assado, se cozido, se frito...
ou às postas fininhas não cozinhadas...
...há decisões dificeis na vida!!...
Bolas!!

Eu também queria umas explicações!!....
até de jardinagem eu queria, se fosse um jardineiro destes a dá-las....
eheheheheh
Eu detesto coca-cola, não bebo, mas realmente estas publicidades têm o seu quê....

12 março 2013

...as minhas muitas vezes são...
...outras são para viver...
e outras são para pensar
Boa Noite


A casa doía-lhe no corpo, nos cotovelos, nos joelhos, nas juntas que não juntavam, que separavam. Mexia-se e lá vinha a casa doer-lhe nas entranhas das peças que não ligavam. Às vezes dançava como quem respira, em harmonia com a vida, outras lembrava-se da vida, desabava-lhe a respiração, e tudo se desarticulava, parecia um boneco articulado desengonçado nas mãos desarticuladas dos dias que não perdoavam. A vida nunca lhe perdoava, e ela muitas vezes desistia de ouvir música, era um desperdício de ouvidos, mexer-se um chamamento arriscado, porque a casa estava em cada esquina de que fugia, mas em que sempre esbarrava, e o corpo queixava-se - doíam-lhe os cotovelos, os joelhos, às vezes até os olhos em protesto do que viam, os ouvidos que não queriam os barulhos da casa por visita; e a música cada vez mais bonita e mais rara, e a harmonia no dançar um êxtase secreto perfeito de duração duvidosa. Às vezes a casa acordava-a a meio da noite e dizia que tinha de ir pôr o cão lá fora, tinha de educar o cão, ensiná-lo a tratar bem da casa, e do jardim, que a casa era tudo o que importava... e ela às vezes interrogava-se se ela também não deveria importar, mas interrompia-se ao ouvir um eco vindo de longe que dizia "amei-te sempre muito" e outro que a cercava tantas vezes a gritar implorando a gostosa da boca que queria, e a boca dela sêca, a acordar a amargura da vida que nunca perdoa, e o passado que não fica no passado porque é um fio que trazemos na algibeira e de que nunca largamos a ponta, parece estar tudo ligado... menos as juntas que não ligam, a casa que lhe dói por dentro. Pensa, remexe-se e ouve a porta a fechar-se por fora, é a casa que é tudo e que lhe dói por dentro e fica-se a olhar para o fio que traz na algibeira da sua nudez, não sabe para onde vai, mas sabe sempre donde vem. Um dia corta o fio, e a casa, e deixa de esbarrar nas esquinas, e bate a porta por dentro e deixa cair a maçã, que sempre traz na nudez que vestes antes de partir, e tu não queres.

Conta-me outra vez, é tão bonita
que não me canso nunca de a ouvir.
Repete-me de novo, os dois da história
foram felizes até à morte,
ela não foi infiel, ele nem
se lembrou de a enganar. E não te esqueças,
apesar do tempo e dos problemas,
continuavam a beijar-se cada noite.
Conta-me mil vezes, por favor:
é a história mais linda que conheço.

Amalia Bautista


[conta-me mil vezes para eu não esquecer.
conta-me mil vezes para não me lembrar de todas as outras histórias
conta-me mil vezes para eu esquecer
que há coisas diferentes daquelas que quero ouvir-te repetir mil vezes,
e outras mil, e mais mil depois dessas.
e depois de tudo conta-me outra vez,
para não me esquecer de esquecer tudo o resto.]

E ousaram – aventura a mais incrível.
Viver a inteireza do possível.

Sophia de Mello Breyner Andresen


[e depois, quando o futuro chegou, espantaram-se, perceberam que envelheceram juntos. 
o possível tinham-no feito inteiro, incrivelmente.]
Gosto de hortênsias também, roubo às vezes num jardim donde me deixam roubar...
Bom Dia


11 março 2013


É assim que te quero, amor,

assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada

(...)
Pablo Neruda


[era bom, era, mas não. O que eu visto, como me arranjo, não é como seria apreciado, mas sou eu, sou assim, e continuarei a ser eu, só sei ser eu, ainda que não te sirva, que não seja à tua medida... mas deve ser bom sentir que nos querem assim, que gostam assim, como somos e nos vêem, nos arranjamos e vestimos, mesmo que seja a coisa mais normal do mundo, sem estilo particular ou diferente, ou uma qualquer espécie de afirmação muda que grita aos olhos dos outros. Eu sou calada de boca e de aparência, só me ouve quem atenta nos detalhes sussurrados, quem vai à procura, quem aprecia o que eu aprecio, no fundo. Não me imponho nem ao olhar dos outros. Não gosto que reparem em mim, muito menos de forma gritante, por isso escondo-me na normalidade de que não prescindo, que me veste, que sou. Não sou, nem quero ser, nem parecer, diferente.]

Si... mucho es poquito...

...é tão bom, ADORO!!
Bom Dia
(o dia está feio, eu não estou melhor, mas vamos pelo menos fazer de conta que está tudo bem, e que o sol brilha nas nossas vidas, e no nosso olhar, e no nosso sorriso inexistente... vamos fingir, há tanta gente a fazê-lo... por que não? pode ser que nos consigamos enganar a nós mesmos...)

09 março 2013


Ronhaaaaaa....
Será que pôr um anuncio no jornal funciona? Procura-se homem para ronha ao fim de semana. Nao deve falar muito ou pouco, tem de dizer coisas lindas na medida certa, tem de ter sentido de humor e gostar da nossa gargalhada para ter motivação acrescida.... Tem de ser meiguinho, doce e querido sem ser piegas e chato. Tem de dar vontade de encher de beijos e fazer rir... E pronto tem de ser alto, lindo, cheio daquele charme estúpido e parvo e eu tenho de o adorar... Hummmm é capaz de ser difícil por anuncio, não??? Bahhhhhh nunca mais me safo é o que é!!

08 março 2013

danadinhas, hein??
ehehhehe

Hoje vou-me esconder aqui dentro, ok??
Não me chateiem... e principalmente não me dêem os parabéns, ou desejem um dia particularmente feliz, 
se não quiserem ter uma resposta torta... combinado??? 
E uma vez assente estas premissas....
Bom Dia!!

Boa Noite

...outra modalidade saca cuecas...
este é a versão à socapa, ou será só à preguiçoso?

07 março 2013

hum hum...
dizem que sim... 
 ver-me pelas costas... é a parte mais interessante...
bahhhhhhh


05 março 2013

Boa Noite
(sinto falta dos teus braços, de me puxarem para ti e me envolverem num abraço que me cola a ti, 
que me rouba inteira sem me tirar nada só me acrescentando o que me falta. 
acho que a saudade me abraça assim, inteira, para mais miseravelmente me lembrar de ti.]

-Eu deixo-te nervosa?
-Às vezes.
-Mas porquê?? Isso não é bom...
- Às vezes não é muito agradável, mas não é que seja mau...
(na verdade, não é nada mau sinal... parece-me...)
hummm... isso explica muita coisa....
Vou ali beber um café, ou dois, e já volto!!
Bom Dia!!

04 março 2013



Bem-me-quer, mal-me-quer, 
mal-me-quer, mal-me-quer... 
Nem-me-quer....
Bom dia!
(gosto muito destas, mas as margaridas acho que são as minhas eleitas)

03 março 2013

"A noite avançava, uma lassitude banhava as figuras. Senhoras sentadas havia três horas na mesma cadeira, tinham um ar de aborrecimento inconsciente, contudo felizes, por se aborrecerem ali."
Emile Zola, in Uma página de amor.

[incrível como há coisas que não mudam, tontices intemporais...]


.... E depois acordar...
Porque só em sonhos... E já nem sonhar consigo, tudo à volta não me deixa, tudo me repete e grita que o teu lugar nunca serei eu. Eu não chego, nem te chego; ao longe nem te toco, o teu lugar não sou eu ou chegar-te-ia onde estivesses, por longe que fosse, por alto que parecesse. Não te chego nunca, o teu lugar não sou eu. Como fazer para deixares de ser o meu?

01 março 2013

Sonho de um dia de quase primavera - passar férias numa torradeira com um pão à beira mar!!!
ahahahhaha
(por acaso acho que não aguentava muito tempo numa torradeira onde não conseguisse tomar um bom banho de manhã... mas pronto isso agora não interessa nada...) 
hum hum

28 fevereiro 2013

Brrrrrrr... está um frio que só para renas mesmo!!!
Vou para o quentinho da caminha.... sem enfeites destes...
Boa Noite

"Those damn eyes fucked me forever. 
We made love just looking at them."
Charles Bukowski

[há olhos assim...]
[Franz Kafka]
...pois...
Bom Dia!!

27 fevereiro 2013

Bom Dia!!
(era bom, não era?? mas é só para a fotografia, nunca vi nada assim na realidade.
Às vezes parece-me que a felicidade também é só para a fotografia...
e para algumas pessoas isso é realmente felicidade, o parecer feliz aos outros, como uma personagem que se nos cola tão bem à pele, que nos parece já ser a nossa...o que na verdade só revela que nunca, verdadeiramente, sentimos a nossa.)

26 fevereiro 2013


I want to tell you
How much I love you
I'm drowning in a sea of love
(Tom Waits)
Nesta corrente não me importava de nadar, de me afogar, 
mas aqui só segue a corrente quem tem vida dentro.
Quem se afoga nela.
Boa Noite 
vida?? contas??
impostos?? o diabo a sete???
Toma!!!
(estou farta disto, vou deixar de trabalhar. Não compensa. 
Procura-se gajo rico, que não seja mão de vaca, sem herdeiros e que dure pouco tempo. 
Enquanto durar eu trato-o o bem, mas o gajo que não se atrase muito, nem a chegar, nem a ir!!)


Abraça-me. Quero ouvir o vento que vem da tua pele,
e ver o sol nascer do intenso calor dos nossos corpos.

Quando me perfumo assim, em ti, nada existe a não ser
este relâmpago feliz, esta maçã azul que foi colhida na
palidez de todos os caminhos, e que ambos mordemos
para provar o sabor que tem carne incandescente das estrelas.

Abraça-me. Veste o meu corpo de ti, para que em ti possa buscar
o sentido dos sentidos, o sentido da vida. Procura-me
com os teus antigos braços de criança
para desamarrar em mim a eternidade, a soma formidável
de todos os momentos livres que a um e a outro pertenceram.

Abraça-me. Quero morrer de ti em mim, espantado de amor.


(...)

Joaquim Pessoa

[penso que este poema será uma repetição aqui no tasco, mas é tão lindo, eu gosto tanto, que de vez em quando tenho de voltar a ele. voltamos sempre às coisas de que gostamos muito, que são quase nós, não sendo nossas; falam-nos como se nossas fossem, tal nos acertam em cheio...]
Era bom para começo de dia...
Bom Dia!

25 fevereiro 2013


Namora uma rapariga que lê. Namora uma rapariga que gaste o dinheiro dela em livros, em vez de roupas. Ela tem problemas de arrumação porque tem demasiados livros. Namora uma rapariga que tenha uma lista de livros que quer ler, que tenha um cartão da biblioteca desde os doze anos.

Encontra uma rapariga que lê. Vais saber que é ela, porque anda sempre com um livro por ler dentro da mala. É aquela que percorre amorosamente as estantes da livraria, aquela que dá um grito imperceptível ao encontrar o livro que queria. Vês aquela miúda com ar estranho, cheirando as páginas de um livro velho, numa loja de livros em segunda mão? É a leitora. Nunca resistem a cheirar as páginas, especialmente quando ficam amarelas.

Ela é a rapariga que lê enquanto espera no café ao fundo da rua. Se espreitares a chávena, vês que a espuma do leite ainda paira por cima, porque ela já está absorta. Perdida num mundo feito pelo autor. Senta-te. Ela pode ver-te de relance, porque a maior parte das raparigas que lêem não gostam de ser interrompidas. Pergunta-lhe se está a gostar do livro.
Oferece-lhe outra chávena de café com leite.

Diz-lhe o que realmente pensas do Murakami. Descobre se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entende que, se ela disser ter percebido o Ulisses de James Joyce, é só para soar inteligente. Pergunta-lhe se gosta da Alice ou se gostaria de ser a Alice.

É fácil namorar com uma rapariga que lê. Oferece-lhe livros no dia de anos, no Natal e em datas de aniversários. Oferece-lhe palavras como presente, em poemas, em canções. Oferece-lhe Neruda, Pound, Sexton, Cummings. Deixa-a saber que tu percebes que as palavras são amor. Percebe que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade – mas, caramba, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco com o seu livro favorito. Se ela conseguir, a culpa não será tua.

Ela tem de arriscar, de alguma maneira.

Mente-lhe. Se ela compreender a sintaxe, vai perceber a tua necessidade de mentir. Atrás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. Nunca será o fim do mundo.

Desilude-a. Porque uma rapariga que lê compreende que falhar conduz sempre ao clímax. Porque essas raparigas sabem que todas as coisas chegam ao fim. Que podes sempre escrever uma sequela. Que podes começar outra vez e outra vez e continuar a ser o herói. Que na vida é suposto existir um vilão ou dois.

Porquê assustares-te com tudo o que não és? As raparigas que lêem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Excepto na saga Crepúsculo.

Se encontrares uma rapariga que leia, mantém-na perto de ti. Quando a vires acordada às duas da manhã, a chorar e a apertar um livro contra o peito, faz-lhe uma chávena de chá e abraça-a. Podes perdê-la por um par de horas, mas ela volta para ti. Falará como se as personagens do livro fossem reais, porque são mesmo, durante algum tempo.

Vais declarar-te num balão de ar quente. Ou durante um concerto de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Pelo Skype.
Vais sorrir tanto que te perguntarás por que é que o teu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Juntos, vão escrever a história das vossas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos ainda mais estranhos. Ela vai apresentar os vossos filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos da vossa velhice e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto tu sacodes a neve das tuas botas.

Namora uma rapariga que lê, porque tu mereces. Mereces uma rapariga que te pode dar a vida mais colorida que consegues imaginar. Se só lhe podes oferecer monotonia, horas requentadas e propostas mal cozinhadas, estás melhor sozinho. Mas se queres o mundo e os mundos que estão para além do mundo, então, namora uma rapariga que lê.

Ou, melhor ainda, namora uma rapariga que escreve.


- Rosemary Urquico -
tradução de Carla Maia de Almeida


[parece-me um bom conselho...]
Sim...isto podia resultar...
saber assim que gostam de nós, sem dúvidas, sem espinhas, sem nada,
acalmava-me de certeza...
quer dizer, em parte, 
outra parte ficava, assim... com cócegas, digamos...ehehheh

24 fevereiro 2013

"E as suas conversas não saíam dali. Nem sequer já falavam da terra. Quando lhes surgia uma recordação, compreendiam-se com uma palavra e riam-se para dentro toda a tarde. Bastava-lhes isto. Quando Rosália punha Zeferino na rua, ambos se tinham divertido muito."

in Uma pagina de Amor, Emile Zola