Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

13 março 2015


“Às vezes te odeio por quase um segundo

depois te amo mais

teus pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo

tudo que não me deixa em paz.”

Cazuza

[já de mim a paz em ti abunda.
a tua memória esquece-se de me lembrar, entre um minuto e o outro, entre uma respiração e a outra, entre um dia e o outro, sempre.
não existo, não em ti.
se é tão fácil esquecer, porque não esqueço eu de me lembrar, e de me lembrar que me esqueceste (principalmente lembrar que me esqueceste, que não te sou, se te cheguei a ser...dói tanto isso, sei lá porquê), talvez, se pudesse escolher, eu escolhesse esquecer-me de te lembrar, de nos lembrar, de saber que respirar contigo é melhor, que rir contigo é melhor, que viver contigo perto é melhor - que me sinto melhor contigo, ao pé de ti. Talvez se me esquecesse de tudo o que senti, e senti que fomos, e que fui, e que posso ser, eu pudesse odiar-te em paz por mais de um segundo, de uma respiração, de um dia. talvez.]

Era uma ideia.
Uma boa ideia.
Digo eu...
... Mas eu não percebo nada disto...

Boa noite


12 março 2015


No... It's a crash!!...
Mesmo!... 
Não sei se foi, ou se ainda é, acidente, mas não deve ser e a culpa é só minha... 
(Esta ultima é a propósito dum post que vi ontem ali no Elasticidade do Tempo...)

Bom Dia

Na conversa até agora. Reparo nas horas, fecho o computador, e dou por mim a olhar para o lado, para aquele lugar no sofá, a pensar que dantes estava aqui, ao teu colo, e que já estaria a pensar que tinha mais poucas horas contigo. Não pensava nas poucas que iria dormir, nem se de manhã me iria custar acordar. Pensava em agarrar-te mais, em agarrar-me mais a ti e embrulhava-me, ainda mais, toda em ti. Quase que para o tempo não escapar, e tu com ele. Que tonta, nunca te agarrei, escapaste sempre, não estás. O tempo está, como se não tivesse escapado. Repousa nas minhas mãos vazias, embrulha-se na tua ausência sentada no sofá comigo ao colo.

Que coisa tão boa perceber a felicidade nas palavras de alguém de quem gostamos, nas cores da entoação com que se escreve, o ritmo da felicidade cheira-se nas letras, por poucas que sejam as frases que se trocam... e é bom, faz-nos renascer por dentro, acreditar que sim, que há coisas boas, que valem a pena. Fico feliz por eles e penso, como tonta assumida, que um dia alguém poderá ( se existe um dia pode-me calhar, sei lá, também pode ser que não, mas pode ser que sim... um dia) dizer de mim o mesmo, que me raptou para uns dias de namoro. Que quem o diga tenha o mesmo sorriso na cara que adivinho por trás das letras que leio, e que sei, sente-se, que será maior por dentro, como um brilho que reluz a toda a distância, e que eu faço de farol. Diz-me  que claro que está feliz, que sempre que estão juntos está feliz, estão, são felizes... 
É tão bom poder acreditar que a felicidade é um sítio certo e seguro para  que podemos correr de braços abertos, e donde nunca na verdade nos afastamos - e esse lugar é alguém onde estão os dois. 
É coisa boa, que me deixou a sorrir, estou aqui a escrever assim, de sorriso parvo na cara, a olhar para um ecrã que me deixa falar sozinha do bom que é a felicidade às vezes se espelhar, e me sobrar um bocadinho para ficar feliz por alguém. E por ainda me surpreender a acreditar nessa coisa de amar ser uma coisa boa e feliz. Sim, pode ser. É possível. Que bom... que bom saber que há felicidade genuína, imperfeita, mas talvez seja esse o toque da perfeição, porque é real.

Boa Noite

11 março 2015


"A primeira vez que dei por ti, foi quando dei pela tua falta. "

Miguel Esteves Cardoso

[é triste, mas acho que há muito quem seja assim... ]

Hoje liguei o bicho ao carro, aquele bicho que tem tudo, que quase podia contar a minha vida... e pus aquilo a tocar em aleatório... e saiu-me isto para abrir as hostilidades.. e eu gostei. É a minha música... ou é a minha música muitas vezes. É a música que uma mocinha que eu tenho aqui à frente tem no telemóvel para o meu numero... porque diz que é a minha música, porque eu dou em dançar quando isto passa no rádio, não consigo evitar... o que enfim dá direito a fornecer-lhe tesourinhos deprimentes que me impedem as ambições politicas que não tenho... 
Gosto, gosto da música, do tom, da vontade que me dá de dançar.... dançar: coisa que me falta há tanto tempo. Só conheço duas maneiras de libertar o  corpo e dançar é uma delas - e falta-me muitas vezes, é uma falta que se sente densa no corpo às vezes. Libertar o corpo, soltar cabelos, entregá-los ao vento, dar o corpo ao sol, mergulhar no ritmar do mar e fazer-me terra funda, onde se enterram os sonhos que voam alto e nos escapam, ou querem. Dançar e deixar o corpo ser o movimento que tem, mostrar o que é, respirar mexendo-se - fechar os olhos para ver por dentro a música a falar com o corpo, deixá-los conversar, rir, respirar, mexer juntos, gargalhar vivendo-se. 
Gosto, gosto da letra e do tom em que é cantada, talvez qualquer coisa naquele tom tenha algo que guardo na essência do que quase não mostro... e depois, depois, lembra-me o que me costumam apontar, os olhos, ou talvez mais o olhar expressivo que os olhos, o falar mais com os olhos que com a boca (alguém me dizia a rir há uns tempos "tu és tão expressiva, e tens tantas expressões diferentes, que às vezes, se uma pessoa se distrai, nem pareces tu mas és sempre muito tu"...), e a maneira como me mexo, que me lembra comentarem a forma como ando, coisa também reincidente nas pessoas que vão passando pela minha vida e que me ficaram de alguma forma... há coisas que ficam, e esta música lembra-me muitas delas, e por isso me acorda por dentro e dá vontade de mexer, de dançar, de sorrir com o corpo, e sim, pode não durar muito, mas dura o que durar... há que aproveitar o que mexe connosco e nos faz mexer! E eu hoje, mesmo a fazer figurinhas tontas, já dancei dentro do carro e por dentro de mim, e isso parecendo que não, é uma coisa boa, bem boa, mesmo...

Bom Dia.

Morro de ti, amor, de amor de ti,
da urgência da minha pele de ti,
da minha alma de ti e da minha boca,
E do insuportável que sou sem ti.

Jaime Sabines

[Falto-me na urgência de não me faltares.
Desalmada por um beijo roubado,
Tenho a alma a morar na tua boca
Em todas as palavras que o silêncio engoliu
E  tu calas em beijos que guardas de mim.
Matas-me por dentro dos teus lábios
Morro-te por dentro dessa pele
Que me prende a alma
E eu resto-me, insuportável, 
corpo oco,
De ser sem ti.]

Boa Noite


10 março 2015


e as duas coisas para a pessoa certa... 
...quem sabe?
(...eu não...)

Hoje em dia só quero dormir. Enquanto durmo não penso, não sinto, não sonho, nem medo tenho. Apago simplesmente, deixo de ser. Acordar é um suplício que suporto mal, tento olhar para o dia e pensar no que tenho de - ou devia - fazer. Nada me parece importante, não tão importante como fechar os olhos e apagar. Simplesmente. Isto não é bom, eu sei, mas também não faço mal a ninguém, não trato mal ninguém, não engano ninguém. De todos os males, talvez este, de só querer dormir, não seja o pior.
Mas temos que acordar, pior, temos de levantar e fazer alguma coisa que eu ainda não tenho quem me sustente, quem me banque alegremente, e não espero, nem quero, vir a ter. Por isso ainda há que fazer do coração tripas e tentar fazer alguma coisa...

Bom Dia

09 março 2015




" a mão presa no pescoço a subir pela cabeça, lentamente, mas de pulso forte, entre força e vontade, mas sempre carinho. fica-se ali na tensão, entre te quereres soltar, e gostares de sentir o aperto de quem te quer. mente e corpo em luta. coração e cérebro a discutirem-se entre a liberdade e a entrega. entre a quase dor e o quase prazer. maravilhoso, como o corpo fala ali mais que mil palavras. não há teorias, razões, ou perfis que encaixem melhor, que testem melhor uma relação: é o corpo. é a forma como se move, como se toca, como se entrega. e, se a forma como agarra, diz muito de um homem, diz mais de uma mulher a forma como se deixa agarrar. a forma como se deixa prender, como se entrega, como se confia aos braços do seu homem. como diz, sem falar: sou tua."


Talvez por este agarrar o meu fascínio por mãos. O toque certo com a firmeza exacta. O cheiro do desejo agarra-se à pele com paixão, entranha-se na vontade, no olhar, no respirar de cada som que nos enleva. Os corpos que falam enquanto se mexem, que se entregam à entrega, que agarram a vontade da pele com a pele. Os corpos que se chegam, aconchegam e se abandonam à essência despida de pele. 
Saudades de sentir isto, de me sentir assim. De me render, de confiar-me a alguém sem reservas, de deixar-me ser em alguém. Presa na mais genuína liberdade. Essencial, sentirmo-nos de alguém.

Boa Noite




Hum hum... 
Só se for a visão do precipício... Isso era coisa para me fazer saltar hoje em dia...

Bom Dia.

"Treme. Podes tremer. Desculpa se te fiz ter frio, mas podes tremer. Porque sabes que o meu corpo é quente. Porque sabes que as minhas mãos te aquecem, sabes que alcançarei o que houver, onde houver, para te cobrir, para te tapar, para te dar conforto, agarrar-te-ei, abraçar-te-ei com força para não tremeres mais ou então para tremermos os dois, para dividirmos e custar menos, até estarmos de novo quentes, prontos para mais, prontos para outra, para partilhar, sem achar que isso é lá contigo e eu satisfeito me afasto enquanto tu tremes a um canto como se nada disso me tocasse. Podes tremer, desculpa se te causei frio vezes demais, mas foram vezes a menos, e em todas elas o teu frio foi o meu, e nunca tremeste sozinha."


Nem de propósito, sobre o frio que não é sobre o frio, mas sobre não haver frio de quem se quer bem em que não se alcance o que houver para aquecer, ou para tremer junto. Não, não é sobre o frio, é sobre partilhar, e estar presente, é querer bem, e querer ver bem, seja o frio culpa nossa ou não, podendo aquecer ou não, é não achar que há coisas que "são lá contigo", é estar e ser de alguém com alguém. É ninguém ter frio sozinho. E isso ser quente, mesmo no frio. Ou apesar do frio.

(talvez eu não esteja tão errada em tanta coisa, há mais quem veja o que eu vejo, quem pensa como acho que se deve pensar, quem sente com o que vê e pensa)

Boa Noite

08 março 2015

Todo o dia angustiado, todo o dia tremendo de frio.
Todo o dia pareceu um século, um pesadelo.
Todo o dia uma tempestade me desassossegou, todo o dia me senti mal, uma espécie de dor que não começa nem acaba, persiste intensa, contínua, por todo o corpo.

Al Berto

[há frios que não se sabem aquecer. Tão dentro do por dentro onde a luz não chega, onde o sol não aquece. Há gelo que so se pode derreter pelo calor que nasce da alma. Se a alma dói em todo o corpo, o gelo algema o corpo, quieto, a si mesmo, numa tensão que cansa o dia até invadir a noite. Aguarda-se o sono para se fazer nosso dono, para nos libertar do que somos e queremos adormecer, ou pelo menos, fechar os olhos... só, sem sonhar, sem nada, só entregarmo-nos à escuridão vazia, que não pensa, nem sente. Que quase nos descansa porque nos larga. Pelo menos até amanhã. Pelo menos.]

(foto @allenandbear)

Outras das minhas flores preferidas.
Se uma pessoa se rodear do que gosta será mais fácil ser feliz?
Ou sendo feliz gostamos mais do que nos rodeia?
Eu gosto de coisas simples, despretensiosas, da preguiça que enche a alma, do deixarmo-nos ser o que somos. Do sol que nos basta e das sombras que nos descansam.
Tenho a cabeça cheia de coisas, pensamentos que não me largam, a vida cheia de sombras que não me descansam, antes inquietam e complicam. Sinto-me  carregada de coisa nenhuma e pesada de tudo. Sinto tudo tanto que parece que não sinto nada senão confusão. Só sei do que gosto, e gosto de coisas simples, do sorriso descomplicado, da varanda com sol, de fechar os olhos e sentir-me viva. Fecho os olhos e a vida foge-me. Não me encontra, não a encontro. As maos vazias o olhar sem destino.

Bom dia.
Outra vez aqui na varanda, sentada num degrau a meio caminho de sítio nenhum. Perdida, completamente perdida, de mim, da vida, dum sentido, que seja. Como se a vida tivesse mais maneiras de nos tirar o tapete do que as que nos conseguimos equilibrar. Sinto-me naquele momento preciso em que, por fracções de segundo, não sabemos se vamos cair ou aguentar-nos ao tropeção. Não sei o que pensar, como pensar. Não sei já o que esperar, ou o que esperam de mim. Não sei mais nada, só sinto. E no que sinto sinto-me perdida, sem amparo, sem companhia, sem eco de compreensão. Sem nada. E ao mesmo tempo tudo em turbilhão, num equilíbrio precário que me grita por dentro e me desfaz, que me rompe os dias dos olhos. Estou apavorada de medo nao sei de quê, sinto-me cair e combater a queda, exausta e sofrida, sei que nao aguento mais, nao aguento mais uma queda, sei, sinto que não me levantarei mais. 
Onde, onde é que estás? Se te grito toda por dentro e não me ouves? Onde é que estás, que não me estás se não te estou por dentro a gritar por ti? Onde é que te estou?

07 março 2015

"Volta até mim no silêncio da noite
a tua voz que eu amo, e as tuas palavras
que eu não esqueço. Volta até mim
para que a tua ausência não embacie
o vidro da memória, nem o transforme
no espelho baço dos meus olhos. Volta
com os teus lábios cujo beijo sonhei num estuário
vestido com a mortalha da névoa; e traz
contigo a maré da manhã com que
todos os náufragos sonharam"

Nuno Júdice

[...O que eu não esqueço, e porquê? Porque não se embacia a memória do que sinto, do que senti, do que fui e sou ainda às vezes? O beijo que não se desfaz do que nunca fez, do que nunca se fez dele - uma maré de promessas não prometidas que se sentem nos lábios que ainda beijam o que só embacia a memória. Tu não vens.]

Boa Noite

Esta é uma frase que eu adorava poder dizer. Que acho. Que acho que gosto de ti. Haveria uma esperança, uma esperança de poder estar errada, de poder não gostar. Pois não posso, não consigo dizê-la. 
Talvez o que nos define seja aquilo que sabemos e como sabemos, e o que não sabemos e vamos tentando saber, descobrir - ir achando, em tentativa erro. Talvez não sejam as atitudes, como todos dizem, que nos definem, mas sim o que sabemos e não sabemos, e o que fazemos da vida tricotando estas malhas. Ou as atitudes são afinal esse tricotar, se calhar. Eu sei poucas coisas, certezas então tenho poucas, perguntas tenho sempre  de sobra. Talvez as minhas perguntas e as minhas dúvidas me definam melhor do que o pouco que sei, ou acho saber. Mas do que sei, as dúvidas alheias não me abalam, se eu sei é porque sei como sei. As dúvidas que me põe não me fazem duvidar, principalmente sobre o que sinto (mas que é natural que noutras pessoas possa suscitar dúvidas, isso entendo). Talvez nem sempre saiba mostrar o que sinto, mas as dúvidas dos outros não me fazem questionar o que sinto. O que se sente é uma coisa que se passa por dentro de nós, é impermeável às dúvidas dos outros, embora tão permeável ao que eles nos mostram - porque é também fruto disso, ou ainda mais daquilo que lhes vemos mais do que mostram. 
Eu não acho que gosto, e não acho que sou teimosa, eu sei que gosto, se digo que gosto, e sei que sou muito teimosa. Não em tudo, mas em muita coisa se quero e gosto. Eu teimo se calhar tempo demais, mas agora de repente acho que dez dias é o mesmo que ontem, que é o mesmo que amanhã, ou já daqui a uma hora, porque há coisas que se acham que não importam. Acham. Mas eu teimo com esta ideia. Eu acho que há fomes que doem de vontade, sei que dói muito, porque a mim me dói todas as noites. Há fomes que são de pele, de qualquer pele, e há fomes que são de carinho e afecto e ternura e desejo de alguém - não alguém que engane a fome, alguém que seja a fome que não se cura, nem se engana. Eu acho que quando se tem uma fome dessas não há outra pele que nos alimente, que nos cure da vontade, que nos deixe descansar. Acho, mas estou com tanta, mas tanta vontade, de perceber essa coisa de enganar o estômago, de apaziguar a pele, de esvaziar a vontade, só para perceber se essa atitude diz de mim alguma coisa diferente, se isso diz alguma coisa. A alguém. Mesmo que eu continue a dizer o mesmo e que sou a mesma, que gosto e quero o mesmo, que o que interessa é quem temos por dentro, de quem gostamos - ou para alguns, de quem achamos que gostamos - e que o resto não tem importância  nenhuma. 
Afinal, no fim, talvez eu ache que não tem, e que não consigo achar que gosto de ti, na mesma, porque isso não muda - eu sei que gosto, mas a pele grita para que a esvazie de toque, de desejo, de tesão. Afinal é só uma atitude. Acho eu. Não tem de querer dizer nada. É enganar o estômago, ou alguém. Não achas?

06 março 2015

... apetece-me esta indumentária, este estar, este olhar. Ficar, assim, sem horas, sem tempo, o tempo suficiente para me recuperar, para me encontrar, para regressar-me. Ando a precisar muito duns dias assim, sem regras, relógios ou exigências, um dolce fare niente que agora seria tudo.
Ando a sonhar com isto há tempo demais...

Bom Dia