Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

17 abril 2015

Vê-la dormir é das únicas coisas que agora me adoça o olhar. Das únicas, não, a única.
Velo-lhe o sono e os sonhos, e tento acordar-me dos últimos tempos. 
Olho-a e sei que é poesia, a única poesia que agora consigo trincar com a alma. O resto são palavras que hoje nao passam da porta, que alma não vê nem come. Talvez a alma não seja mais que a poesia do nosso olhar, enquanto a vida não lhe fecha os olhos e arranca os dentes.
Guardo-lhe o sono e os sonhos, e tenho medo que sonhe demais, porque sonhar demais, tarde ou cedo tranca portas que tarde ou nunca nos libertam.
Neste olhar doce sobre a sua doçura encerro amarguras e medos. 
A fuga nao me cabe noutro olhar. 


beijos do paraíso...
Há os românticos disfarçados e os disfarçados de românticos.
gosto dos primeiros.
Dos beijos, gosto de todos os que sabem a vontade a par
e nos levam ao paraíso de mãos dadas.

Boa Noite

16 abril 2015

Não encontro texto ou fotografia que hoje fale por mim, que diga o que teria para dizer, talvez também não o queira dizer, não me apetece dizer nada. Às vezes agora acontece-me isto, entupo-me de coisas que não quero que saiam, que guardo, talvez para concentrar, talvez para diluir, não sei. Talvez para ver se me esqueço que as guardo, ou onde as guardo... se perco tudo, porque não perder o que dizer??, perder as perguntas e as vontades de respostas... porque não?
Perde-se tanta coisa, e não se perde o que daria jeito deixar cair em qualquer canto sem chão... porquê?
porque é que tudo tem chão menos os muros por onde escorregamos sem fim?
porque é que tudo tem chão menos a queda?
porque é que tudo tem chão,
e eu não encontro onde fincar os pés para parar de cair?
ou uns ombros que me adormeçam o sono
ou uns braços que me envolvam a alma
ou um olhar em que repousar o sorriso que não se vê
não é sempre preciso um apoio para subir?
se calhar, dos outros, fui chão vezes demais,
se calhar ao chão, às vezes, falta-lhe apoio.

(e eu não queria dizer nada, depois não dizendo nada, perco-me em disparates... é assim, agora vou, que já fiz tempo de não fazer nada )

15 abril 2015

Dia D'  "o beijo"
[foto que me foi enviada por comentário em Junho de 2011 (daqui), comentários que hoje tem alguma piada ler, mas que não me fazem rir... ou talvez sim, de facto talvez sim... 
Perceber tudo mentira, a começar pela foto, pelo que ela quer dizer, pelo que me disseram acerca dela... tudo mentira até na altura em que ma enviaram em que me disseram tanta coisa, ou o beijo não teria rasgado, e ainda que tivesse rasgado, seriam duas bocas desfeitas. Não haveria uma desfeita e outra feita de lábios de outros beijos. Mas por aí, nada desfeito. Também para ser desfeito é preciso um dia ter havido algo verdadeiro para desfazer, nem que fosse uma ideia, um ideal, algo que nos consome e aquece por dentro, e que a mentira gela - mas queima e gela, faz e desfaz. 
Não faço parte dos mortos vivos que nunca conheceram vida. Ainda que só para mim tenha sido verdade, vida - para mim foi. E os outros cada vez me interessam menos. Cada vez me são menos. ]


14 abril 2015


Perto de mim há sempre um lugar vazio que me lembra o vazio do lugar. Lembra-me o que lhe falta, o que me falta, e que a mim sobra-me sempre um lugar vazio. E eu a ocupar uma cadeira, mas não há lugar para mim. Curioso.
(foto @blackandwhiteisworththefight)

... Na varanda, com a manta a enrolar-me ainda. A ponta ardente do cigarro arranha escuridão, e eu penso em tudo o que tem acontecido e no que não pára de acontecer; em tudo o que se cruza comigo, tudo o que vejo partir e todo o medo que me parte. No entanto, e paradoxalmente, tenho cada vez menos a perder.
... O cigarro acaba, mas as palavras não acabam de falar-me, ainda que eu não as saiba dizer para as despejar aqui. De repente parece que não me sei, que tudo me foge das mãos, quando se calhar o que me foge são as mãos para agarrar alguma vida. O chá ao meu lado ainda está morno, eu estou fria de tantas mortes, em mim e fora de mim que me chegam dentro. Em mim tão adiadas, fora de mim tão antecipadas. Todas me gelam, por dentro e por fora.

13 abril 2015



Não consigo dormir. 

Tenho uma mulher atravessada entre minhas pálpebras. 

Se pudesse, diria a ela que fosse embora;

 mas tenho uma mulher atravessada em minha garganta.



Eduardo Galeano



[eu tenho um homem, que não tenho, para quem queria ser essa mulher, que não sou.]

(post originalmente publicado a 25/01/2013)


[mais um dos bons, ou, pelo menos, dos que eu gosto, que não escreverá mais. qualquer dia não haverá mais homens destes, dos que admiro através das letras, que me apaixonam e me falam. 
às vezes acho que errei a geração, provavelmente errei mais, muito mais que a geração... Suponho que errei em tanta coisa que agora acho que certas coisas só existem escritas; mas enquanto houver quem as escreva ao pé da letra do que o meu coração (ainda) sussurra e eu ainda consigo sentir, ao menos em palavras gozo-as, e vivo-as, e saboreio-as, com travo a verdade. À minha verdade, que eles escrevem. E que eu perco cada vez mais: a eles e à verdade, parece-me.]

12 abril 2015

As expressões são curiosas... Dizemos pôr-do-sol, como se o sol tivesse alguma coisa com isso, como se se mexesse, como se fosse embora. Mas não, na verdade o sol não se mexe, somos nós que nos mexemos, mesmo que estejamos parados... Porque estar parado em cima de algo que mexe, é mexer também. Em conjunto. A culpa não é do sol, é nossa, mas até as expressões mostram erro de perspectiva, só porque a uma primeira vista somos nós que deixamos de ver o sol que parece esconder-se atrás do horizonte. Há tantos erros cómodos de perspectiva por aí, e tantos passam da primeira, segunda e terceiras vistas... Mas ver o cómodo é mais fácil que pensar no que se vê, ou no que não se quer ver...

11 abril 2015

Oiço a água correr, continuamente, a uns metros donde me poiso. O livro que trouxe para ler também poisa, emudece. O sol lambe até a pele que não vê, mas eu sinto-o.
Dizem que o som da água a jorrar acalma, a mim fala-me enquanto me cala. Põe-me os pensamentos a correr dentro das emoções, ou talvez ao contrário - sim, definitivamente, ao contrário -, põe-me as emoções amordaçadas a correr dentro dos pensamentos que as querem calar. Como as fontes que, paradas no espaço, contêm em si, no tempo que corre, o cair, o correr, o falar, sempre da mesma água.
Som contínuo, mas feito sempre de gotas diferentes duma mesma água que nunca cai da mesma maneira. Há quem não oiça a diferença. Eu oiço, e sabê-lo inquieta-me a calma.
A água nunca corre impune, como o tempo. Nem sempre se ouve.

07 abril 2015


Não, nem sequer se perde tempo a pensar-me, a lembrar-me, a saber-me, quanto mais perder a cabeca a tentar entender-me... Também sempre fui tão simples e transparente, se calhar tão fácil de entender... Nunca valeu a pena sair da perspectiva do próprio umbigo para ver a minha. Perceber o que, e como, eu sentia, era perda de tempo, como o seria agora pensar-me, lembrar-me, saber de mim... e eu anos a perder a cabeça a tentar entender quem nunca me quis ver realmente. Talvez esses anos tenham servido para chegar aqui e perceber isso sem perder a cabeça. Talvez até por perceber que quem perde é quem tinha quem perdesse a cabeça a tentar entender, sem nunca pedir nada, e sem nunca ter nada, só o que lhe dava. Perde sempre mais quem dá, ou deu, menos.

Boa noite
(e acabo de escrever isto e as palavras que me desaguam no pensamento são a dizeres-me que precisas de descanso, descansar comigo, que doutra maneira não descansas. Ou esta mais antiga: "Pelo menos uma semana que nem uma lapa.". Não sei onde estarão perdidas estas e outras palavras que passo a vida a encontrar, mas que tu não sabes onde as deixaste, nunca mais te lembraste delas. Talvez as tenhas perdido da boca para fora, ou talvez tu nunca percas nada, apenas esqueces.)

06 abril 2015

Dia de loucos depois duma noite em que não se notou ter-se chegado a dormir. O sono não vinha sem eu saber porquê, não tinha mais que me preocupar que nos dias anteriores... mas era um raio duma agitação interior que não me largava o bater do coração, a ansiedade de não sei o quê... estranho e não percebi o porquê... mas nem tudo tem porquê, ou se calhar tem, nós só não o sabemos.
Depois, o dia a atropelar-nos a levar-nos à frente, a fazer-nos a vida e nós a termos de pelo menos tentar acompanhar. No meio do dia conversas salpicadas de frases que depois me ficam na cabeça, umas efectivamente ditas, outras só meias ditas, "a minha pele deve ser alérgica a quem não me conhece a alma, a pele para mim não é fronteira, não é onde começa o corpo e acaba a alma, é onde ela brinca, ri e aproveita no corpo o que alma tem para dar e receber - não é o fim da alma e começo do corpo, é o começo da vida que se vive"... 
E agora o final do dia, o repouso que devia cair nos ombros não se chega a sentir, só o peso, o peso do final do dia. Na pele e na alma. Pode ser que o jantar aligeire com um bom vinho estas duas que não se sabem descoser, saber onde uma começa e acaba a outra. Ainda são o mesmo - eu.


"Eu não sou como muita gente: entusiasmada até à loucura no princípio das afeições e depois, passado um mês, completamente desinteressada delas. Eu sou ao contrário: o tempo passa e a afeição vai crescendo, morrendo apenas quando a ingratidão e a maldade a fizerem morrer."

Florbela Espanca

[bom resumo para o último cigarro da noite. Parece-me que eu sou ao contrário em muita coisa. Não sei se isso é bom, e mesmo não sendo mais fácil assim, há muitas coisas em que não quero mudar.]

Boa noite

05 abril 2015


... A dama da noite, sob um fino véu diáfano, espera (talvez) o seu cavaleiro negro, camuflado de noite na escuridão, que a luz que irradia nos caminhos lhe  trará...
(Para quem ainda acredita em histórias de encantar... Eu cá ando só de passeio e (de)parei-me com este espectáculo... As palavras só apareceram assim, sob encantamento desencantado...)

Este mocinho faz hoje 50 anos, ao que parece, e eu gosto, gosto do mocinho. Muito.
Era-me relativamente indiferente até há uns anos, agora olho para ele e só vejo aquela boca, e eu gosto, gosto daquela boca. Lembra-me boca de beijos e risos malandros, e eu gosto, gosto dessa malandrice. 
Realmente, e agora aqui sentada a pensar uma série de coisas, que gosto, umas que sempre soube que gostava outras que fui descobrindo, Lembro-me de um dia aqui estar nesta mesma posição a escrever outras coisas, coisas que tinham a ver com a admiração e o orgulho que sentimos em alguém, que isso é imprescindível a quem ama, que é uma expressão do amar - é talvez o seu respirar. Dou por mim a pensar nisto por uma frase que li algures que dizia  "só se ama o que se admira". E dessa admiração vem também o orgulho de fazer parte, de alguma forma ser parte desse alguém, tanto, que tomamos para nós a satisfação de ver quem amamos satisfeito, realizado. E estou aqui sentada a pensar que nunca senti que por mim sentissem esse orgulho quase que em espelho, isso que torna o reflexo e o que é reflectido, não a mesma carne, mas a mesma alma que habita o amor de duas pessoas.
(juro que isto era para não ser nada disto, era para acabar ali no mocinho, mas a cabeça voa-me...)


Hoje sonhei. Ando com as noites agitadas por sonhos, a dormir mal, ainda que as vezes a sonhar bem, a acordar com um sorriso nos lábios, mas com a cabeça a pôr-se logo a trabalhar: que não, que não pode ser, que não é assim que funciona, e que nem vale a pena sonhar com isso - funciona quase como publicidade enganosa. Acordei a pensar isto, ainda que com um sorriso de quase esperança nos lábios. Deixei-me ficar na ronha, enrolada em mim no meio dos lençóis, à espera que o sonho acordasse de mim, porque eu há muito que acordei dos sonhos.

Bom dia.
É isto.

Boa noite
Em conversa disseram-me:
-...ao fim de vinte anos juntos um gajo já nem paciência tem para comer a mulher.
E eu respondi:
- não exageres, para isso vocês arranjam sempre paciência...
- olha que nao, pelo que vejo e ouço, é mesmo assim, o que acontece é que tem de se esvaziar os tomates... Mas é uma coisa mecânica, sem aquela vontade, e isso não é "comer"... É só mesmo vontade de esvaziar os tomates...
E aquilo caiu-me cá dentro como um eco do que já tinha ouvido, aquela mesma expressão tão dura, tão crua, tão feia.. Ouvi-a pela segunda vez na vida e a dizer exactamente o mesmo, precisamente a mesma mensagem. Fiquei a pensar que realmente há quem veja certas coisas como uma compensação, um aproveitar quem está ali à mão, um alívio, um aliviar de vontade meramente física,  por, no fundo, condescender estar com alguém que já não lhe interessa. Mas enfim, não têm razão para dizer que não, e precisam de esvaziar os tomates. E é triste, muito triste. Tudo. No dia em que a pessoa com quem eu esteja não tiver vontade de me comer, eu agradeço que não condescenda continuar comigo. Quando já não gostar de mim, que mo diga, não condescenda ficar comigo por quaisquer outras razões, e entretanto ir esvaziando os tomates. Não, eu mereço mais que isso, valho muito além de condescender ser uma condescendência para alguém.
Sou mulher de ter muito mais medo de ficar com quem não me quer do que de ficar sozinha.
Sou esquisita, paciência, e isso podem condescender à vontade.

04 abril 2015



Noite de conversa boa, uns tantos vodkas e mais sorrisos. Há pessoas que apreciamos, e que gostamos de perceber que nos apreciam. Pessoas com espinha, com carácter, com princípios fora de moda que honram sem gáudio de plateia. Pessoas que tentamos olhar com outros olhos, com outra vontade, vontade talvez, de futuro. Pessoas que nos poderiam mimar e compreender e preocuparem-se connosco, com os nossos dias e noites, quererem querer-nos e estar perto, querer partilhar as vivências e dar vida - dar e receber o que ela precisa para ter esse nome. Isso tudo. Depois só não sei se não falta o essencial, o gostar de tudo mesmo que não se queira, o gostar e nada mais importar. Porque às vezes parece que se pode gostar por tudo isto importar, e isso é fazer tudo ao contrário, estar tudo ao contrário. Arranjar o que não se pode escolher, escolhendo o que se pode e gostava de arranjar. Porque eu sei - e tão, mas tão, bem - que gostar a sério não é o mesmo que gostar de estar, que gostar das qualidades que se vê no outro, nem sequer do carácter dele, nem se pode confundir com gostar que gostem de nós duma maneira que nos faz sentir bem. Não, gostar realmente de alguém, adorar alguém, amar alguém com paixão não é isto - é também isto, mas não só. São talvez condições necessárias, mas não suficientes. Falta o inexplicável, o que não se avalia. Então, sabendo tudo isto pelo lado de dentro da pele, e do olhar que lançamos à vida, fico-me aqui, quieta, sem dar um passo, neste impasse que me embrulha e me prende. Mas com a sensação que a noite foi boa, que me senti bem, ainda que impasses que combatem cá dentro me travem os passos e me encolham as vontades. Porque receitas são coisas para cozinhar e não para viver, e normalmente é sem receita que as melhores coisas acontecem. Sem se saber como ou porquê, ou qual o ingrediente não programado que lhe dá aquele toque inesquecível que vicia, que não se procura, mas que, quando encontrado, nos engole e consome por dentro em vida, com vida - e que torna tudo o resto nada. Aquilo que nos arranca do chão e nos apresenta às nuvens como programa diário. Que nos faz gente da casa na lua. Esta lua que agora me sorri, malandra ou traiçoeira, por trás dum véu que quer ser despido.

Boa noite

03 abril 2015


( foto @souk_and_pix)
... Mentiram. Disseram que ia estar sol hoje e, embora esteja um quentinho bom, sol nicles, e eu gosto de sol, hoje apetecia-me sol. Valha-me a vasta experiência de me dizerem uma coisa e acontecer outra. Não sei se já não me faz grande mossa porque já não acredito no que dizem, ou por realmente já andar a desenvolver há muito uma carapaça à prova de desilusão... Ou a tentar, pelo menos. De qualquer maneira, mentindo-me ou não, com sol ou não, cá vim, ainda indecentemente de pijama, tomar o meu almoço pequeno na varanda - ovos mexidos, torradas, quase metade duma alheira (eheh pois), um grande copo de sumo de laranja acabado de fazer e um iogurte. Ora, almoço pequeno porque não poderá ser apelidado de pequeno-almoço, já que de pequeno não tinha muito, nem de almoço com real propriedade, vai daí baptizamos a coisa de almoço pequeno, porque brunch é coisa de estrangeiro. Bem sei que toda a gente acha os anglicanismos o máximo para demonstrar actualidade, estar na moda, e até parecer que somos pessoas cheias de mundo. Eu cá uso alguns mas sou tímida, gosto muito do português, deve ser mesmo das coisas mais ricas que temos (alguém devia suicidar quem terá tido o primeiro pensamento de estragar a língua que temos esfaqueando-a com um miserável (des)acordo ortográfico, que eu não adopto, nem adoptarei) e não posso mostrar o mundo que não tenho, a ter são muitos mundos, meus, o que é diferente, não dá para impressionar ninguém, e não é para mostrar assim. 
Bom, mas dizia eu, agora, depois do almoço pequeno falta o centro ali da foto... Mas a preguiça é tanta que fiquei pela varanda a escrever estes disparates só para não levantar o traseiro daqui e ir buscar o abensonhado (esta roubei ao Mia Couto) café. Entretanto parece que o  sol está a aparecer, porque o sinto nas pernas, é que já não acredito muito no que vejo, e cada vez acho mais que a pele é o sentido que menos engana.... 
Bem, vou buscar o café, depois banho e depois sair de casa com um livro para qualquer lado e ler - hoje apetece-me um jardim mais do que uma esplanada, logo se verá, não tenho nada marcado, nem programado, nem planeado, e isso é tão bom...

Bom dia

... Malvada.
..."You put a spell on me"...