Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

01 dezembro 2012


Boa Noite



"O contacto do corpo dele - disse Constance.

- É isso mesmo. O contacto do corpo dele. Ainda hoje não esqueci, e nunca esquecerei. Se há um céu, ele estará lá, e deitar-se-á a meu lado para eu poder dormir. (...) O contacto do corpo dele. Porque os laços do amor são difíceis de desatar.
(...) - Mas pode durar assim tanto tempo a recordação de um contacto? - perguntou Constance - A ponto de perdurar ainda?
- Oh, Lady Chaterley, mas que outra coisa é que pode perdurar? Os filhos crescem e vão-se embora. Mas o homem é diferente! E até isso os outros querem matar dentro de nós, a lembrança desse contacto. Até os filhos. Se ele não tivesse morrido, talvez até nos separássemos um dia, quem pode saber! Mas o sentimento é diferente. O melhor é não nos prendermos. Mas quando vejo uma mulher que nunca foi aquecida por um homem, tenho pena dela, por melhor que se vista e melhor vida que tenha, parece-me um pobre mocho. Não, nada me fará mudar de opinião. Não me importo nada com o que pensem as outras pessoas.

D. H. Lawrence in O amante de Lady Chaterley

30 novembro 2012

Carris que vão a todo lado sem comboio.
O comboio parado, sem carris para deslizar até ao fim do mundo.
...e já agora eu também!! 
Que sono é coisa que não falta aqui, e dizem que miminhos fazem bem às constipações, gripes e desconsolos no geral. 
Eu preciso muito... 
Bahhh

...há cabras que não sabem ler!!!!
ehehheh
Bom Dia!!

29 novembro 2012

Aiiiiiiii Jezuzzzz.......
 com esses braços, e ombros, e isso tudo, prontossss, a gente até perdoa o cabelo... 
mal olhamos para ele aliás... 
mas rapaz, mocinho, atentai, tu não és o Sansão, podeis cortar a trunfa que só ficais a ganhar, sim???
(este não tem colarinhos, nem é engravatado, nem tem ar de não sei o quê, espero que agrade mais aos mais exigentes...)
ehehehhehhe

28 novembro 2012



A minha maneira de amar-te é simples:
aperto-te a mim
como se tivesse um pouco de justiça no coração
e ta pudesse dar com o corpo

Quando te revolvo os cabelos
algo de lindo nasce das minhas mãos

E não sei quase mais nada. Aspiro apenas
a estar contigo em paz e a estar em paz
com um dever desconhecido
que às vezes me pesa também no coração

Antonio Gamoneda

[uma das razões que me levam a gostar de algumas redes sociais e muito da internert é poder ler coisas de autores que nunca tinha ouvido falar, e gostar e depois poder ir à procura. é uma das vantagens deste blog, fica registado muito do que eu gosto e não conhecia...como este que acabei de postar]
















OS TEUS OMBROS

Junto ao mar os teus ombros

Brilham mais que o claro olhar.
Onde é lícito e urgente, poisar,
Os lábios, ao de leve, sobre a fina luz.

O mar deve ser, isso mesmo:
Uns longos ombros de mulher
Reflectidos no vidro das aves
Que pousam docemente sobre as águas.


Joaquim Pessoa
...se ao menos eu soubesse como fazer isso, eu fazia...
Já era tempo da tortura mudar de mãos.
Têm a certeza que me querem começar a lembrar do Natal???
A falar do Natal já?
Luzes de Natal espalhadas e árvores de Natal ainda nem chegámos a  Dezembro!!!
A sério??
Têm a certeza???
Grrrrrrrrrr


(...)
por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

foste eterna até ao fim.

José Luís Peixoto
...porque é que eu não tenho reuniões com espécimes destes???
hummmm??
Onde andam eles?? É que dava logo outra cor ao dia e outro interesse à reunião...
aiiiiiiiiiii... 
...é que sempre aquecia o ambiente que oito graus lá fora é frio p'ra caraças!!!
Bom Dia!!

27 novembro 2012

Boa Noite


Há dias em que só nos achamos ao fim do dia
naquele resto do dia em que restamos nós
E nesse resto de nós encontramo-nos de alma cheia
Plena de nós
De alma cheia do outro
Que não temos, mas que trazemos
Como nosso
Guardado onde os dias não chegam
Onde as noites não bastam
Onde sorri o olhar que não se vê
Mas que sentimos transbordar
Para depois se apagar
a luz ao sorriso,
encolher-se a alma
com frio,
esvaziarmo-nos
no vazio de nós
que encontramos no outro
em que não há sequer restos de nós
para apagar


"-Quantos beijos queres?
 - Todos, eu quero os beijos todos."
(passa para cá, que isto é um assalto à alma desarmada, TODOS!!)
Gosto e preciso de ti,
Mas quero logo explicar, 
Não gosto porque preciso.
Preciso sim, por gostar.

[Mário Lago]

Bom Dia!

26 novembro 2012

...e agora com licença que vou lavar a loiça...
a duas mãos... só!!
ehehehe


Se vens à minha procura,
eu aqui estou. Toma-me, noite,
sem sombra de amargura,
consciente do que dou.

Nimba-te de mim e de luar.
Disperso em ti serei mais teu.
E deixa-me derramado no olhar
de quem já me esqueceu.


Eugénio de Andrade
...tenho a máquina de lavar avariada. 
Soubesse eu da qualidade dos técnicos que mandam a casa, e era capaz de arriscar pedir uma visita ao domicílio, mas com a crise que está devia ficar muito caro sem garantia de sucesso ( nem de que me apareça realmente um técnico que valha a pena...), paciência. 
Lava-se a loiça à moda antiga mesmo.
Bahhhhh
(e tenho lá uma pilha dela para lavar quando chegar a casa. 
A preguiça raptou-me durante o fim de semana...)



“A idade não te protege do amor. Mas o amor, de certa forma, te protege da idade.”

( Jeanne Moreau )


Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho. 
Cada momento mudei. 
Continuamente me estranho. 

Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

FERNANDO PESSOA


[Este anda a fazer-me muito sentido, não sentia assim desde a altura da adolescência, da primeira paixão que nos desnorteia, que nos questiona, que nos faz baralhar o norte, que nos descobre a cada dia. Cada dia diferente nos faz diferente, e sentimo-nos, sempre e cada vez mais, nós mesmos, ainda que conquistando partes de nós que nos eram até aqui desconhecidas.E são, sempre nós, já erámos e seremos, ainda que amanhã sejamos diferentes. Há que mudar para nos mantermos nós mesmos na essência. São sempre os outros que nos descobrem, que nos obrigam a vermo-nos, que nos mudam, por nos fazerem questionar o que somos, o que temos por dentro, a massa de que somos feitos. "Continuamente me estranho/ Nunca me vi nem me acabei/ De tanto ser, só tenho alma" - é isto. Sou isto.]
[Foto de Inge Morath]
Think outside the box

[principalmente quando não cabes lá dentro...e não devia ser uma questão de tamanho, mas de tamanho do que se quer, do que se sonha. Os sonhos não ocupam lugar nem espaço, cabem em todo lado, menos nos caixotes em que nos ensinaram a viver, pensar e ver a vida, e donde não queremos sair. Dizem que é cómodo, eu não acho, eu ponho a cabeça de fora, mas não sou tão engraçada (nem enfeitada, penso eu!!!)]
Bom Dia!!

25 novembro 2012

Boa Noite
(dormir cedo para ver se amanhã acordo doutra cor...bahhhh)


(...)
Mais do que um sonho: comoção! 
Sinto-me tonto, enternecido, 

quando, de noite, as minhas mãos
são o teu único vestido.

(...)

David Mourão Ferreira

[e tanto frio de sempre andar despida do vestido que trazes nas mãos, tanto...]
[Foto de Joan Murray]

Dizem que a paixão o conheceu

dizem que a paixão o conheceu 
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros 
senta-se no estremecer da noite enumera 
o que lhe sobejou do adolescente rosto 
turvo pela ligeira náusea da velhice 

conhece a solidão de quem permanece acordado 
quase sempre estendido ao lado do sono 
pressente o suave esvoaçar da idade 
ergue-se para o espelho 
que lhe devolve um sorriso tamanho do medo 

dizem que vive na transparência do sonho 
à beira-mar envelheceu vagarosamente 
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria 
nunhum ofício cantante 
o tenha convencido a permanecer entre os vivos


Al Berto


estou triste e nem sei porquê.
a tristeza entra-me pelos poros por onde deverias entrar tu, o teu cheiro, a tua presença no meu corpo.
não me vejo livre dela e se quisesse saber o porquê não o saberia, mas não quero, basta-me saber que a sinto e que não vai embora quando lhe peço, se pedisse.
Não peço. 
E ponho-me a pensar, agora mesmo, no porquê,
 e percebo que esta tristeza, ainda assim, acabas por ser tu, que na tua ausência, estás presente.
E nem aqui te mando embora.
Deve ser isso.
Boa Noite

24 novembro 2012

O tempo está bom é para isto. 
Ronha, mimo, muitas festinhas com carinho, com ternura... o dolce fare niente...
acompanhado de um bom som de fundo e umas sonecas enroscadas pelo meio.
A vida poderia ser tão boa tão facilmente, mas toda a gente complica tudo.
Eu também... e tenho de descomplicar, é por isso que acho que vou fazer um chá, pegar num livro, enroscar-me na manta e tentar perceber, interiorizar, que sentimos as coisas como as vemos. É tudo uma questão de perspectiva, e a perspectiva da minha janela, mesmo num dia feio, é bonita. Eu gosto. Mais logo sair de casa para ver gente, para sorrir a quem não se conhece, para respirar o ar do mundo e um chocolate quente com que já se anda a sonhar desde que acordámos.
Bom Dia.

22 novembro 2012



(...)
E vem aqui pra cá
Porque eu quero te beijar na sua boca
Que coisa louca
Vem aqui pra cá
Porque eu quero te beijar na sua boca
Ai que boca gostosa
(...)

Acordei com isto na cabeça, ou apareceu-me pouco depois, não sei de onde, não sei porquê. Não percebo. Nem percebo como certas coisas são possíveis, ou compreensíveis. Como é que coisas destas nos dão vontade de partilhar com certas pessoas, ou porquê. Ou donde veio, ou vem, essa vontade, ou se sempre existiu, mesmo que gastemos as nossas energias a contrariá-lo, só porque sim, porque estamos magoados e não queremos por fora, mas por dentro queremos, e de vez em quando traímo-nos e fazemos coisas que não entendemos. É nesse trairmo-nos que às vezes nos conseguimos, afinal, ser mais fieis a nós mesmos, mais próximos da verdade que queremos negar.

Há coisas que nunca entenderei, e não sei quando deixarão de me assaltar os dias para me deixar na penúria do que fica depois de mim depois de ti. Não sei mesmo.

Que coisa louca.

Ahhhhhhh.... Bom dia! (pelo menos que seja para vocês...)

16 novembro 2012

diz que não sabe do medo da morte do amor
diz que tem medo da morte do amor
diz que o amor é morte é medo
diz que a morte é medo é amor
diz que não sabe

Alejandra Pizarnik

[E eu também. Não sei, não sei nada. Só sei que gosto da poesia desta autora que até há pouco tempo me era desconhecida.]

12 novembro 2012


Aprendi cedo a não me render ao choro, mas cedo aprendi que não me rendendo ao choro, sempre me rendi às lágrimas que me sulcam a pele e caem algures no mundo onde não caibo. Cedo aprendi que há uma grande diferença entre chorar e as lágrimas nos caírem sem querermos, sem soluçarmos, sem os ombros balançarem ou a boca expressar o choro que nos sai de dentro, que queremos que saia, que choramos. Que queremos tirar de dentro de nós, que queremos libertar e que nos liberte. Lembro-me da primeira vez que pensei precisamente isto, estava no liceu sentada no parapeito duma janela, à frente tinha uma escada que não dava para lado nenhum, apenas uma pequena sala vazia. Do lado de lá do vidro estava um pátio, vazio também. Não havia gente, não havia ninguém, nunca houve. Eu agarrada aos joelhos, como ainda hoje faço. Lembro-me de nessa altura pensar que era assim, que chorar e render-me às lágrimas que me escapavam não era o mesmo, que o sofrimento pode ser activo ou passivo, reactivo ou só resignado, as lágrimas essas é que são iguais. Suponho. Só que há coisas por que não vale a pena chorar, porque não está nas nossas mãos mudar, então não se chora, mas as lágrimas choram por nós. Foi nessa altura que comecei a escrever, foi nessa altura que achei que o meu mundo, aquele que me amparava quando não havia ninguém, nunca houve, não cabia neste outro mundo em que caí sem me perguntarem se queria. Sempre quis fugir-me, achar casa nesse mundo emprestado que queria meu, mas se o queria, não o queria também. As raízes são de onde se fincam, na terra que lhes calhou, não na que queriam abraçar. Nem sempre será ao sol e abrigada, é onde é, e convém sabermos onde é para não nos perdermos e ficarmos sem chão, sem terra nenhuma onde ficar os pés, os pensamentos e os sentires. Onde sermos nós. Verdadeiramente nós. Acho que por isso nunca consegui sair desse mundo solitário, cheio de conversas que nunca existiram, de pensamentos, de sentires, de sucessivos porquês e repetidas respostas diversas. Nessa minha casa o lema é perceber. Perceber-me nesse mundo que não é meu, perceber esse mundo que não é meu, as pessoas que lá encontro, os factos, as causas as consequências, os porquês. E os porquês do que é meu e da maneira de olhar o que não é. Nessa casa dos porquês onde ainda hoje, e sempre, vagueio, percebi que nem tudo tem porquês, mas tudo tem consequências. Que a causa e a consequência nem sempre comem à mesa da razão. Aprendi que há coisas sem razão, e que a única razão de existirem, é não terem razão nenhuma. E perceber que essa é, às vezes, a melhor razão de todas. E é essa a razão porque volto sempre a esta casa, que é a minha, onde não há ninguém, nunca houve, quando volto está sempre vazia, onde não se chora, mas as lágrimas caem sem me render ao choro. E se um dia a penso não vazia, se um dia a penso como um lar, onde viver sem ser à noite e só, em que se fala a mesma língua, onde as conversas têm resposta, mesmo que não tenham razão ou porquês, e os pés se parecem fincar em terras gémeas, então, então percebo que me esqueço às vezes de que sou ainda aquela miúda sentada no parapeito da janela a olhar para o pátio vazio e para as escadas que dão para uma pequena sala vazia, onde não há ninguém, nem nunca houve. O mundo é lá fora. As lágrimas são cá dentro. A terra é onde é. As raízes são minhas. Não há porquês e esses são os porquês. É assim. Só.
[houve alturas em que te lembravas a meio dos jantares, ou do que fosse, e me mandavas um mail, uma mensagem, uma palavra sem som mas de presença, da minha presença em ti. agora lembro-me disso, em flashes de memória que arranham, e depois visita-me o que me dizias há não tanto tempo assim, que há uma altura certa para tudo, que tudo tem um prazo para acontecer, e eu não sei onde me perdi nesse prazo, nessa validade que não vi passar, nesse prazo que não senti passar-me, que não sinto, não sinto ainda nada errado, fora de prazo válido. deve haver algo de errado em mim, porque já não estou presente em ti na ausência... já não não há gestos, devem ter passado a validade sem eu saber, porque os meus devem ter falta disso, de prazo, continuam como se o tempo não os gastasse, como se o vento não os arrastasse para o passado de nós. para o meu passado de nós, que não passou, que não me passou.]

31 outubro 2012

Seria tão fácil, estenderes-me a mão, alcançares-me. Falares-me, dizeres-me uma e outra vez o que for que sentes, se sentes. Tranquilizares-me os medos, apaziguares-me as ânsias, acalmar-me as inseguranças agudizadas pelo tempo que te escapa das mãos através dos dias e das noites que passas longe. Seria tão fácil, se o quisesses, se não quisesses a distância a que me queres manter. Se não  quisesses tão desoladamente deixares-me do lado de fora da redoma em que te queres trancar, em que queres tecer essa manta de passados sem futuro, para depois a trancares numa gaveta no fundo de ti, que só abrirás para te aquecer a vontade de doçura, de ternura, que quiseste perder, afastar, arrumar e trancar, dizendo que era o que tinha de ser, que o frio é a tua casa, que é o que tem de ser. Não é por ter já repetido vezes sem conta que te quero, que te sinto a falta, que o meu sítio no mundo é o teu colo, que o meu lugar é o teu olhar e que o meu tempo és tu, que deixo de o repetir, que deixarei de o dizer. E nunca guardarei cosido ao meu silêncio tudo isto e outro tanto que fosse preciso para te deixar melhor, para que não me duvides e do quanto te tenho dentro, o quanto de mim és tu, e sem o que não sei viver, mesmo trancada. Seria tão fácil, mas mais fácil é o silêncio e as tuas mãos trancadas com o bilhete premiado por levantar dentro (ainda te lembras de dizer que te tinha saído a sorte grande??).

29 outubro 2012

Miiiiaaauuuuuu....
ahahhahahah muito boa!!!

...
deito-me à sombra das tuas pernas
e o corpo arde em todos os movimentos
que não ousaste prolongar
na toalha branca da minha pele

deste lado a dor
é completamente minha
e por assim dizer inútil

era capaz de jurar
que nem me viste
...

Alice Vieira

[era capaz de jurar que nunca me viste. Era capaz de jurar que nunca me viram. Era capaz de jurar que de me olharem, pensam que me vêem. Era capaz de jurar.]


"O sucesso nunca é definitivo e o fracasso nunca é fatal. 
É a coragem que conta."
George F. Tiltonood


"A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedermos-lhe. Se lhe resistirmos, a nossa alma adoece com o anseio das coisas que se proibiu, com o desejo daquilo que as suas monstruosas leis tornaram monstruoso e ilegal. Já se disse que os grandes acontecimentos do mundo ocorrem no cérebro. É também no cérebro, e apenas neste, que ocorrem os grandes pecados do mundo."

Oscar Wilde, in 'O Retrato de Dorian Gray'


(portas fechadas que temos vontade de abrir e não abrimos, são lugares que não chegámos a ver, e que nos perseguirão nos pesadelos dos sonhos que tivemos medo de sonhar, mais ainda de viver. Não lhes abrimos a porta. Mas há quem ainda bata à porta, e como as crianças, depois foge. Nunca pensaram em entrar. Nunca cresceram)
Un caffé per favore!!!
...que saudades de ouvir esta língua... o italiano derrete-me, embala-me, acorda-me...
enfim...desorienta-me...
talvez ouvir sussurrado ao ouvido numa voz quente, ainda que só "un caffé per favore", 
já me animasse a manhã que parece ter acordado difícil...
aiiiiiiiii Itália... tenho de voltar aí depressa!!! 
(e devia era ficar, acho que fui italiana noutra vida... só pode!!)
Buon Giorno!!!


28 outubro 2012



Porque os outros se mascaram mas tu não

Porque os outros usam a virtude 
Para comprar o que não tem perdão. 
Porque os outros têm medo mas tu não. 
Porque os outros são os túmulos caiados

Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia Mello Breyner


[por isso vais sempre sofrer, pela verdade, com a verdade, pela falta de te calculares e aos outros, mas também com a mais pura verdade da tristeza e a mágoa e até a revolta...pudesse eu conseguir usar uma máscara e confundir-me no meio dos mascarados, mil vezes o escolheria, se o conseguisse escolher...só não seria eu, mas neste momento apetecia-me ser qualquer uma menos eu. Não vejo vantagem, só desvantagem, e muita]

27 outubro 2012



Lua às sete da tarde.
 A lua no inverno entra-nos na alma muito mais cedo. 
E no céu também.

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro
Ergo as pálpebras e tudo volta a renascer
(Acho que te criei no interior da minha mente)


Saem valsando as estrelas, vermelhas e azuis,
Entra a galope a arbitrária escuridão:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Enfeitiçaste-me, em sonhos, para a cama,
Cantaste-me para a loucura; beijaste-me para a insanidade.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Tomba Deus das alturas; abranda-se o fogo do inferno:
Retiram-se os serafins e os homens de Satã:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Imaginei que voltarias como prometeste
Envelheço, porém, e esqueço-me do teu nome.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Deveria, em teu lugar, ter amado um falcão
Pelo menos, com a primavera, retornam com estrondo
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro:
(Acho que te criei no interior de minha mente.)

Sylvia Plath
Boa noite

26 outubro 2012



Talvez eu seja
O sonho de mim mesma.
Criatura-ninguém
Espelhismo de outra
Tão em sigilo e extrema
Tão sem medida
Densa e clandestina

Hilda Hilst

(é o que ultimamente sinto, sinto-me intensamente clandestina do mundo, e tão sem molde e sem medida, de tão densa de mim ao mesmo tempo. Um sonho de mim mesma que nunca sonhei, uma criatura-ninguém...)

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Florbela Espanca


[amar, só por amar...uma alvorada a cada noite, perdermo-nos, ou nunca nos encontraremos.]
O que é que queres dizer com isso????
...sim, a vontade de trabalhar é imensa.. o que é que estão a pensar...hummm???


“Não ser amado é falta de sorte, mas não amar é a própria infelicidade.”

( Albert Camus )

[fui à procura desta frase por causa dum comentário da Dri, e cá está ela. É mesmo verdade Dri, não ser amado é triste, não amar é só desperdicio de vida, é só vazio. bom era amar e ser amado, mas isso...)
As conversas são como as cerejas.
Os beijos também.
(não gosto nada de coraçõezinhos, acho do mais piroso e tal, não é nada o meu estilo, 
mas este apanhei-o agora e fez-me lembrar isto... e sorrir, por isso fica aqui)

Boa noite

25 outubro 2012



“A felicidade está onde o coração encontra repouso."

Ditado Navajo


"Maybe…you’ll fall in love with me all over again.”
“Hell,” I said, “I love you enough now. What do you want to do? Ruin me?”
“Yes. I want to ruin you.”
“Good,” I said. “That’s what I want too."
Ernest Hemingway, A Farewell to Arms 


I want you to fall in love with me all over again... I want to ruin you...
Bom Dia!!!
O dia está péssimo por isso está bom!!!
Vou ao café, com licença...

24 outubro 2012

Boa Noite

I do.
Combino mais com o Outono e Inverno do que com o Verão...
Mas também gosto de dias de Outono com sol, de aproveitar as esplanadas, mesmo que encasacada e de óculos de sol. E gosto de dias de chuva em que nos guardamos em casa, enroscadas numa manta em frente à lareira, a bebericar uma chávena de chá quente, enquanto se olha pela janela e vê a chuva miudinha a cair lá fora. Gosto. E gosto de apanhar chuva. E já hoje de manhã a chuva me apanhou, e eu sorrio a correr para o carro. Não gosto de chapéus de chuva, tenho tendência a deixá-los esquecidos por todo o lado, só não me esqueço do que trago agarrado a mim. 
Bom Dia!!


23 outubro 2012

Tantos momentos, o mesmo carinho, a mesma ternura, a mesma vontade. Tu.
Boa noite.