Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

11 maio 2013

"foi sem querer
eu te amei do avesso
prometo que da próxima vez
te visto
do lado certo."

Lilian Aquino
in Cena de Mesa
(estou exausta, vou dormir, sem beijo de boa noite ou esperança de bom dia seguinte, 
enfim..isto há-de passar, se não passar a bem, passa a mal, que de passar mal ando eu farta.)
Boa Noite


10 maio 2013



Nada, nada, nada...
Nada!!!!
Acho que há muita gente com esta teoria, 
só não vivem é na agua...
Eu estou a ficar adepta, parece que se calhar até funciona.
Pelo menos parecem alegres e felizes.
Está bonito isto... Tudo a querer desmoronar a minha volta!!... E eu sem forças para agarrar nada, nem a mim quanto mais... Já sabia que este ano ia ser mau mas assim tão mau até a mim me surpreende... Que maravilha... Porr@ ( já é a segunda vez hoje...)
Boa Noite

08 maio 2013


"Apetece-me levar-te a um sítio bonito e foder-te aí. Eu, que te quero inteira e em toda a parte, ou já neste chão. Mas hoje apetece-me embrulhar-te em rendas e veludos e levar-te a um sítio bonito e foder-te aí. É uma questão de respeito, ou antes de apreço. Eu, que te quero inteira nos meus beijos, eu, que quero as tuas unhas cravadas nas minhas costas e as minhas nas tuas, eu, que quero lambuzar a cara toda nos fluidos viscosos da tua cona, eu que me quero enterrar em ti de todas as maneiras e em todos os lugares e fazer-te aumentar a tua tesão por me veres tão teso, respeito-te acima de tudo e de toda a gente. Não sei amar de outra maneira, e por vezes não sei dizer nem fazer as coisas que queria ou que devia nem mostrar-te o quanto és importante para mim.

Acabo às vezes por fazer coisas que não explico e que não sei se entendes, e que não sei se importam. Hoje, apetece-me simplesmente ir vestidos de coisas bonitas a um sítio bonito e fodermo-nos aí."

diz tudo, sem apelo nem agravo, directo, conciso e sempre tão certo. Sem meias palavras nem falsos pudores, há coisas que são mesmo assim, e ainda bem, é bom. Não é por precisar de variar, é para celebrar, consagrar, viver quando apetece: aqui, ali ou aí se, e enquanto, se ama.

Têm sido complicados os últimos dias, ainda que quisesse explicar, não sei se o conseguiria. Sinto-me a definhar por dentro, a apodrecer a alma, a amargar o ser, deixarei de ser quem era, não sei quem serei. Não quero saber, na verdade.
Dou por mim a ver rosas oferecidas a outras mãos e os espinhos cravados por dentro da minha pele. 
Oiço, e volto a ouvir, coisas que me disseram e sinto-me enganada - principalmente, essencialmente, por mim mesma - sinto mentiras em todas as verdades que sentia por dentro, não no que viam os olhos, não no que a razão me gritava, mas no que os olhos viam para dentro, sentiam. Relembro comentários e conversas, filmes emblemáticos, com significados próprios ocultos, que não me deram a conhecer, coisas que não eram nossas, que tinham outras memórias impressas na história, nos comentários; tanta coisa de que eu não fazia parte, percebo agora que o tocavam por razões que eu não adivinhava, eram coisas dele que nunca fui eu, eu nunca fui parte dele, nunca fui eu a tocá-lo, fui o preenchimento de um vazio entre margens do tempo, uma ponte que se foi atravessando, atravessando os dias e as noites, mais nada. E então relembro o rosto dele, a centímetros do meu, o corpo dele colado ao meu, pele com pele, numa pele só, a dizer-me que havia vezes que queria mergulhar em mim: para dentro de mim, correr-me nas veias, habitar-me por dentro, ir para onde eu fosse, cá dentro: fundirmo-nos... como doutra vez que me lembro agora, sem aviso ou previsão, me disse em que havia momentos em que as almas encaixavam tão bem, em silêncio, só encostados, que parecíamos perfeitos. Pré-feitos um para o outro digo eu, que era o que me parecia a mim. Tudo isso, tudo isso... dizia, falava a pensar em alguém que não eu, eu apenas ouvia, eu estava sempre lá para ouvir... era eu que o ouvia, e por o sentir, por sentir exactamente o que me dizia - ainda que eu o guardasse por dentro da boca nos beijos que lhe dava - acreditava que podia sentir, que era verdade, que podia ser verdade. 
Não era, não foi, não é. 
A verdade das verdades sentia eu, sinto eu, ele tinha mentira na minha única verdade, a verdade única que me mantinha, que me nutria, que me importava, mas que era, afinal, só minha. 
Como a culpa, a culpa é só minha. 
Acreditei no que sentia que sentiam.
Acreditei que sentiam o que sentia.
Vi-me ao espelho nele, e em mim viam outra pessoa.

E depois de um dia de merd@, uma noite que em nada destoou do dia, uma pessoa vem trabalhar e tem uma reunião com um cliente (antigo), que a meio dum argumento, sai-se com um "tão bonita!!"- que obviamente é golpe baixo para desarmar uma mulher (que corou logo, pois claro, e que fica, aí sim ,sem resposta), em que se sabe que não é verdade, que anda com uma cara que mete medo a qualquer um, e que o elogio é só para nos tentar levar (obviamente!!), mas ainda assim, faz corar genuínamente, e sorrir um bocadinho, antes de dizer "oh cale-se lá com isso que não é assim que vai ganhar a discussão!!"; lá continuei a argumentar e a explicar porque tinha razão, como não podia deixar de ser!!
Eheheh
... Uns a darem com os pés com toda a força outros a verem se põem as mãos...
Porque raio não trocam de lugar, bolas!!!
Eu agradecia!
Bom Dia

07 maio 2013

Estou capaz de morrer e matar alguém, mas ainda não sei bem por que ordem...
 F@&&#%$¥... que hoje não há maneira de virar a disposição do avesso.
Que bela merd@ de dia!

...para sobremesa, a acompanhar o cigarro, por favor.


Aiiiiiiiii este moço!!!!! 
...Ai este mocinho!!!

humm sim senhor podias cantar p'ra mim... coisas lindas e assim...
ou quando ele dizia: "é lindo, é tão lindo, é tudo tão lindoooo"
ehehehhehe muito bom o sentido de humor dele (também...)
Aiiiii este moço!!
(já disse?? aiii este mocinho gosto dele, lembra-me o género de alguém, mas este canta, e bem, e nunca me dirigiu palavra portanto ainda não estragou tudo.... aiiiii este mocinho!!!... e fez-me lembrar uma outra cena que me fez rir, alguém a fingir que tinha ciúmes, que havia espectáculos que eu devia ter de ter autorização para ir... ehehehe... teve piada. não teve ciúmes, mas teve piada...)

06 maio 2013



"Você conhece alguém, se apaixona, e todas as outras pessoas perdem a graça. Você se afasta de todos aos poucos de forma inconsciente, porque encontrou ali tudo o que mais procurava, em um único ser humano. Mas o problema é exactamente esse. Tudo perde o sentido quando esse alguém fica distante. E ninguém sabe se isso vai durar uma noite, ou uma vida inteira. Consumimos amor demais sem saber quanto tem em stock. Nos tornamos dependentes de uma droga que anda e fala. Abstinência de alguém é o pior vicio".

Sean Wilhelm


[Ámen. não conheço o autor, mas bolas, é que é na mouche!!.. até dói de tanto espetar o dedo na ferida.]

AMAVISSE

I
Carrega-me contigo, Pássaro-Poesia
Quando cruzares o Amanhã, a luz, o impossível
Porque de barro e palha tem sido esta viagem
Que faço a sós comigo. Isenta de traçado
Ou de complicada geografia, sem nenhuma bagagem
Hei de levar apenas a vertigem e a fé:
Para teu corpo de luz, dois fardos breves.
Deixarei palavras e cantigas. E movediças
Embaçadas vias de Ilusão.
Não cantei cotidianos. Só cantei a ti
Pássaro-Poesia
E a paisagem-limite: o fosso, o extremo
A convulsão do Homem.

Carrega-me contigo.
No Amanhã.


Hilda Hilst

[amanhã. sempre. o impossível a sós comigo.]
Encostem-se uns aos outros assim, com vontade de carinho e mimo...
...era o que me apetecia...
Tanto!
Bom Dia!

04 maio 2013


"(...) As mulheres são um cheiro. É pelo cheiro que as catalogamos no íntimo arquivo dos desejos. A que cheira uma mulher? – perguntou-me um dia a Diana. Uma rosa cheira a rosa. Um cravo cheira a cravo. Não sei a que cheira uma orquídea. Mas sei que todas as orquídeas cheiram igual, respondi. Já as mulheres, nenhuma repete o cheiro. As que nos refrescam têm cheiro de rio, as que nos enchem têm cheiro de mar. Todas as mulheres têm um cheiro húmido. Como a boca. Como o sexo. Só gostamos de uma mulher quando gostamos do seu cheiro. Quando tudo nos leva a bebe-la, como um chá quente, excitante, aromático. Se não gostarmos do seu cheiro não conseguimos ama-la, nem na pele nem na alma. Podemos ser amigos, companheiros, nunca amantes. Amar é beber um cheiro. É transporta-lo para dentro de nós. Amamos uma mulher quando cheiramos ao seu cheiro..."

JOÃO MORGADO, in DIÁRIO DOS INFIÉIS

[a que será que eu cheiro? se calhar não cheiro, deve ser isso...]
"- Então vais jantar sozinha? Anda lá, vem jantar connosco!!
- Vou. Eu sou sozinha. "
(saiu-me sem pensar, mas mesmo pensando é assim. E não tem mal nenhum. Eu, um prato e um copo de vinho, podia ser pior. Podia ter que estar acompanhada de quem não me tira da solidão. Fazer número é coisa que não me interessa: nem de fazer, nem de estar com quem faz. O mal nunca é estar sozinho é sentirmo-nos sós.)

30 abril 2013

Ahhhhhh...... pois.
Então se se desiste é porque não é.
Também sempre achei.
Eu nunca desisti, mesmo quando sempre desistiam.
Depois deixou de ser desistir, passou a ser não querer.
Não querer não deixa sequer espaço para dúvidas...
amar não é querer ou não querer, é amar.
Ou se ama, ou não se ama, ponto.
(como alguém um dia escreveu)
Não há espaço para desistências e ainda menos para não querer.


"ficar em silêncio quando o outro espera uma palavras é cobardia" - nunca tinha resumido a coisa assim, mas é mesmo isso, sim. 
Depois há quem diga que o silêncio já é resposta, é a resposta que quisermos, se é o que pensamos, é essa. Se temos um raciocínio lógico, deve estar certo, deve ser isso. 
É fácil, e não tem de se bater de frente com nada, assumir nada, dizer nada, assim nada é difícil. 
Nada é nossa responsabilidade: não dizemos nada, e o silêncio o outro que o entenda como entender, que deve estar certo. Se não estiver, paciência, também não faz mal, não é problema nosso querer dar respostas ao outro, isso é problema do outro, e ele que se dane, o importante somos nós.

29 abril 2013



Fizeram-me duas declarações de Amor na vida, ou que eu assim entendi.
Em nenhuma me disseram amar, nao assim, com esse verbo a sair pela boca, mas antes a ficar dentro de quem me falava.
 Das vezes que me disseram amar, não o senti como senti quando não o disseram, mas me pareceu no que diziam não dizendo o que entendi, porque o senti mais que qualquer coisa. 
Aquela de que me lembro agora veio por mensagem acordar-me o sono para um sonho que nunca chegou a acordar, dizia que a cidade estava em chamas, mas as chamas eram só tu a chamares por mim em chamas; dizias que nada fazia sentido, que sem mim nada mais fazia sentido. 
Parece que agora tudo faz sentido e já nada está em chamas.
E eu reduzida a cinzas dum sonho que nunca acordou.

A lei do desejo
Fala-se muito em justiça, nos tribunais, na Constituição, mas poucos são os que falam da mais elementar das leis: a do desejo. Muito se diz sobre o amor, a paixão, o dinheiro, como se todos fossem uma espécie de equipa que antes de entrar em campo já venceu, mas poucos são os falam sobre esta lei – a do desejo – como se esta não estivesse prevista no código, como se não tivesse regulamentada, como se fosse omissa, tamanho é o embaraço e o incómodo que tantas vezes provoca. Mas não, não há lei que se lhe compare, porque em todas as outras há alíneas várias que adiam os processos e os arrastam pelos tribunais. Na lei do desejo, a arrastar, só se for pelo chão, pelas paredes, pela cama. Enquanto nas outras há letras pequeninas e asteriscos minorcas que safam os bandidos à luz de uma outra suposta interpretação e leitura, na do desejo não há nada a fazer, não há segundas interpretações, encolhe-se os ombros, abana-se a cabeça e começamos a desapertar os botões da camisa como quem se vai entregar à justiça, já com as mãos esticadas e juntas, à espera de algemas. Pobre gente, fala-se tanto da energia nuclear se como fosse a fonte energética mais poderosa do mundo e ainda ninguém percebeu que bastaria conseguir transformar em pó o desejo, para que as duas Coreias se pudessem matar convenientemente. Por isso, o desejo segue os princípios bíblicos e seguindo essa conduta é sempre culpado para que, no fundo, nos inocente. De tal modo que não é primeira vez que chegados a tribunal a juíza pergunta: Foi você que traiu a sua mulher? E outra alternativa não restará ao réu, se não responder-lhe: Não fui eu dr.a juíza, foi o desejo.

Fernando Alvim

[o desejo, o desejo... esse culpado que supostamente inocenta toda a gente que lhe é vítima...]

28 abril 2013


I'm not here
This isn't happening
I'm not here, I'm not here....


[foto de Doisneau]
Há beijos que nos páram no mundo,
 nos apartam do mundo, 
nos páram o mundo.
 Criam um mundo só nosso onde se mergulha como num sonho, 
adormecendo a realidade.
...Pensamos que o mundo pára, mas é o mundo que continua, 
nós só adormecemos até que ele nos acorda.

27 abril 2013

Dormir sem comer é difícil.
Não dormi.
Não comi.
Beber sem comer é fácil.
Bebo.
Não como.
Vamos ver se durmo.
É difícil.
Entretanto fumo.
É fácil.


25 abril 2013

Hoje dei por mim às voltas na cidade, de repente lembro-me deste dia há precisamente um ano - eu sentada à beira da janela a fumar um cigarro e tu a passares de carro na rua em frente a minha casa. Há um ano eras tu que andavas às voltas na cidade e me passavas à porta e me mandavas mensagens em que dizias que "hoje é dia para uma revolução." Lembrei-me. Engraçado, não é?

24 abril 2013

Não é por teres crista que podes cantar de galo, ou sequer parecer ser um.
Não é por teres piercings que és moderno, ou tolerante, ou menos preconceituoso, podes ser ainda mais quadrado que muito betinho... 
Um carneiro é um carneiro, o tipo de carneiro que se é não se vê - nunca -  por fora... 
Bom Dia!!

23 abril 2013

21 abril 2013


Apanhei isto na net por aí, e o título é: 10 sinais que mostram que não está interessado... as coisas que uma pessoa aprende..... xiiiiiiii
( Isto faz-me tudo lembrar o quão estúpida sou, e o que é pior: em consciência, porque não é preciso ver escrito para saber, mas tem de certeza piada ver escrito quando não se quer ver o que se sabe...)



  • Ele não liga, não responde as mensagens, não se preocupa em manter contato. Só entra em contato quando quer te ver e na hora em que ele quer. E vem sempre com aquele papo de saudades para te amolecer. É da boca pra fora. - hummm pois... responder a mensagens, ligar, manter contacto é bicho mau...uiiii
  • Ele não faz a menor questão de te apresentar pros amigos (e família é um sonho distante de conto de fadas então).(...) - apresentar???? ahahahhaah...piadinha...
  • Caso você tenha a sorte de ser apresentada a algum amigo dele, o tratamento dele é aquele de “essa é minha amiga fulana”. Ele não te categoriza como namorada porque não é o que você é. E você ainda tem esperanças de que isso mude daqui a algum tempo. Boa sorte com isso. - Obrigada, mas acho que com sorte não chega lá
  • Ele sempre fala sobre ele mesmo e todo aquele papo egocêntrico de quem não tem o menor interesse sobre a sua vida e nem espera que você diga algo que o interesse. Ele te usa como ombro amigo nas horas vagas entre o futebol e o churrasco para desabafar e ser ouvido. - não, aqui por acaso acho que não, mas nunca  liga ao que eu digo, às vezes nem sei se ouve realmente...
  • Ele diz que te ama, que não vive sem você, mas não vê necessidade nessa pressa de oficializar as coisas. - não, não diz, mas a parte do oficializar confere.
  • Ele passa muito tempo longe e você acompanha a rotina de badalações e loiras gostosas com ele nas fotos das redes sociais. Depois ele volta, carente e com cara de cachorro pidão pro seu lado e diz que você é a mulher da vida dele. É sim, a mulher standby da vida dele. - não são loiras, mas a palavra gostosa não é inócua.
  • Ele não se dedica no pseudo-relacionamento e nunca está disponível afetivamente para tratar de assuntos como DRs e afins. Ele diz que não gosta desse papo e que prefere o sexo e fim. Ele não gosta mesmo é de você. - não faço ideia do que sejam DRs...
  • Se o cara tiver namorada e te der mole, prometendo largar a namorada por você e porque se encantou: ele não vai largar. Ele só quer uma diversãozinha de vez em quando pra sair da rotina. - pois, a rotina é tramada...
  • Ele não sente ciúmes, mas é possessivo com você. Ele não faz por onde, mas exige sua companhia quando bem entende. - não sente ciúmes, nem exige a companhia, não precisa chegar a exigir.
  • Ele fica contigo em festas, boates e afins. Mas nada de manhã ou de tarde em cinemas, parques, museus. Afinal de contas, esse tipo de coisa é programa de namorado. - óbvio!! 

  • Acordei.
    Afinal acordei - outra vez hoje, outra vez ontem. Abri os olhos para o mesmo vazio de sempre, a tentar estancar os soluços que os pesadelos não me deixam abandonar, quando os sonhos já me abandonaram há tanto, com a cabeça a estalar e nos ouvidos sempre a estalar "amei-te sempre muito", e então tudo estala, estilhaça em pequenos cacos que nem queremos remendar: queremos só fechar os olhos e deixar de existir para nós como não existimos para os outros.
    Afinal acordei, um dia não acordarei, um dia não acordarei outra vez ontem, outra vez hoje, um dia as coisas farão sentido, um dia já terá tudo sido sentido, e eu não acordarei.

    Bom Dia

    20 abril 2013



    Aqui, sentada às escuras à beira da janela, vejo a lua lá fora e a ti aqui dentro. 
    Vejo-te na sombra do luar na parede onde tu vias um grão de café, uns pulmões... Vícios, disse eu, que vi uma boca deitada e dois velhotes inclinados um para o outro - vícios, cada um com os seus, pensei eu...
    E penso agora que tu estás sempre onde eu estou, mas eu nunca estou onde tu estás; 
    nem sequer a minha ausência está presente.
    Boa noite

    19 abril 2013

    Brutal, cru e verdade.

    ..quero fugir.
    quero fugir-me.
    quero fugir-te.
    quero ir sem regresso
    e vir regressada de mim
    vazia de ti
    despojada de mim
    esgotada do que esgotaste.


    (...) Pedem tanto a quem ama: pedem
    o amor. Ainda pedem
    a solidão e a loucura.
    Dizem: dá-nos a tua canção que sai da sombra fria.
    E eles querem dizer: tu darás a tua existência
    ardida, a pura mortalidade.


    Herberto Helder
    ...boa pergunta...
    talvez um dia eu consiga a resposta a isso...

    18 abril 2013


    Sei que darei ao meu corpo os prazeres que ele me exigir. Vou usá-lo, desgastá-lo até ao limite suportável, para que a morte nada encontre de mim quando vier.


    Al Berto 


    [aproveitar tudo a que temos direito, sugar a vida até ao tutano, quando a morte nos apanhar já tudo de bom foi gasto em nós, usado até quase perder a cor, até ficar puído de tanto uso, até nos cansarmos e querermos afinal o descanso de ter vivido em pleno: ter sentido até aos ossos, que  nos sobreviverão, o bom e o mau.]





    Fica, enquanto não fores, será sempre tempo de partires,
    Por que queres tu que eu fique,
    Porque é preciso,
    Não é razão que me convença,
    Se não quiseres ficar, vai-te embora, não te posso obrigar,
    Não tenho forças que me levem daqui, deitaste-me um encanto,
    Não deitei tal, não disse uma palavra, não te toquei,
    Olhaste-me por dentro.

    José Saramago, in "Memorial do Convento".


    [o encanto é olhar alguém por dentro, e esse alguém sentir-se, por dentro, olhado, tocado, amado]
    Bom Dia!!

    17 abril 2013



    No meu olhar perdi tudo.
    É tão longe pedir. Tão perto saber que não há.

    Alejandra Pizarnik

    [tão perto que queima, 
    tão perto que corta, 
    tão perto que morre por dentro o pedir,
    tão perto que alagando-o seca o olhar.
    tão perto que sentir de longe o longe é esperança]

    16 abril 2013

    Aiiiiiii.... o Verão....
    Que bom!!!

    ..tenho sonoooooo!!!
    Estava tão quentinha, tão bem na cama, que raio tinha de me levantar??
    Quero ronha e levantar-me só quando chegar de ronha e apetecer comer ao sol...
    Bom Dia

    15 abril 2013

    Seguias de carro atrás de mim, ligaste-me para me dizer que estavas a pensar com os teus botões 
    "com esta mulher eu ia para qualquer lado... pensava eu nisto e começa a fazer a curva  a direito..." - eu respondi que pronto, assim já tinha desculpa para não ir comigo a lado nenhum... E é isso, há sempre uma desculpa, sempre houve uma desculpa, para não ir comigo para lado nenhum, há sempre uma desculpa em todo lado para ti.

    12 abril 2013


    (...)
    Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
    Esse eterno levantar-se depois de cada queda
    Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
    Essa terrível coragem diante do grande medo, 
    e esse medo infantil de ter pequenas coragens.

    Vinicius de Moraes



    [a coragem face a grandes terrores,que aparece sem avisar, invade-nos, toma-nos as atitudes e acordamos depois como se tivessemos hibernado num canto de nós enquanto alguma alma superior tomou conta de nós e das ocorrências. Nunca sabemos como tivemos coragem. E o medo que nos afugenta as pequenas coragens que nos mudam as miudezas da vida, ou que não nos deixam mudar nada, tal o medo das pequenas mudanças que podemos contornar e acomodar como se não mudássemos nada: e quando vamos a ver nada está na mesma, mas nada foi consciente e fruto duma qualquer decisão; é uma verdade que nos vai conquistando como quem invade o quintal do vizinho: pela calada e de mansinho. Estas miudezas de coragem parecem aterrorizar mais do que o terror de viver sem vida nenhuma. O cair uma e outra vez na desilusão. Não ter outro remédio senão levantarmo-nos para mais umas chapadas: é uma questão de tempo, e cada vez que nos levantamos sabemos que voltaremos a cair, e levantamo-nos para continuar a circular o labirinto, sem nunca perceber que o labirinto somos nós.]
    Parece que hoje há sol...vamos dar um passeio??
    Levas-me no bolso?
    Eu não peso, não faço barulho e ainda te aqueço...
    Leva-me, anda, quero ir no teu bolso, já que não te caibo no coração.
    Bom Dia!

    11 abril 2013

    - Ahhhhh...'tás muito gira hoje!!!!!
    - Sim!!! fui ao cabeleireiro, virei as pontas para fora,  vês??? 
    Sempre que vou ao cabeleireiro a minha auto-estima supera-se, vês pelo meu sorriso parvo??
    ahahahhaha
    Bom Dia!

    10 abril 2013

    Vi isto e pensei que era aqui que me apetecia - um dia destes, um fim de semana destes - tomar o pequeno almoço ao meio dia: com a luz a iluminar tudo, com a vida a sentir-se além da flor da pele, mas também à flor da pele, ali à mão de semear, de colher numa festa que se encontra por acaso na pele do outro, pelo peso da ternura nas pestanas que nos faz baixar os olhos e abrir um sorriso desabrido, pelo mel que se traz no olhar para ser colhido por quem se olha... depois percebi -caiu-me como um raio que fulmina e arrasa tudo a cinzas - que há coisas que já nem pertencem à categoria de sonhos, mas só à de miragens, piscamos os olhos duas vezes, atentamos melhor, e vemos que não está lá nada, nem vale a pena caminhar nessa direcção, não está lá nada, nós não estamos, nem nunca estaremos lá. Ainda que um dia possa ir precisamente a este sítio, sentar-me até nesta mesa, nunca o que eu vi quando vi esta fotografia, nunca isso deixará de ser uma miragem, e das que doem. 
    Ainda que um dia eu vá, nunca chegarei onde queria ir. 
    O destino às vezes não é um lugar, 
    é uma memória que fabricámos num futuro que não existe.
    Às vezes o destino é uma miragem.
    ..e cada vez menos.

    05 abril 2013


    Quantas vezes te esperei neste lugar
    quantas vezes pensei que não chegavas
    quantas vezes senti a rebentar
    o coração se ao longe te avistava.
    Quantas vezes depois de teres chegado
    nos colámos no beijo que tardava
    quantas vezes trementes e calados
    nos entregámos logo sem palavras.

    Quantas vezes te quis e te inventei
    quantas vezes morri e já não sei.

    Torquato da Luz
    Os sonhos numa mão, o passado na outra, os dois olhos no futuro.
    Com o caminho vamos deixando pesos para trás - uns largam primeiro os sonhos, outros, para manterem as mãos livres para agarrar os sonhos, vão largando pedaços de passado que atrasam e prendem; fica só o que se aprendeu, para usar no caminho, para escolher o que melhor chega aos sonhos, 
    mesmo que estes nunca cheguem à vida.
    E a nossa vida pareça nunca chegar.
    Bom Dia

    04 abril 2013


    Um dia
    sem ouvir a tua voz
    é como descobrir
    que o mar morreu.

    David Mourão-Ferreira

    03 abril 2013



    (...)
    Ah, meu amigo
    Que límpida paixão
    Que divina vontade
    Fervor feito de lava
    Fogo sobre a tua fronte
    Tanto amor
    E não te deram nada.
    (...)

    Hilda Hilst, Poemas aos Homens do Nosso Tempo

    [Quantas vezes tudo se resume a nada, 
    e os nadas a tudo? 
    Quantas vezes queima o fogo 
    e quantas acalenta? 
    Quantas vezes corta o gelo 
    e quantas nos refresca? 
    Quantas vezes nos consumimos em fogo,
    e quantas nos alimentamos de silêncio?


    Quantas vezes me silencias do teu amor 
    e quantas mo sussurras? 
    Quantas vezes me foges 
    e quantas te entregas? 

    Quantas vezes nos repetimos
    e quantas vezes nos voltaremos a repetir?
    Quantas repetições fazem os nadas, que fazem o tudo,
    diluir-se no tudo chegar a nada?]
    Gato...
     se ocê fô o mê gato,  não tá bom não, tá mêmo bótimo...
     senão descola da minha sola,  né?...



    "A tua beleza aumenta quando estamos sós, 
    e tão fundo, intimamente, 
    a tua voz segue o mais secreto bailar do meu sonho 
    que momentos há em que eu suponho seres um milagre criado só para mim".

    Sophia de Mello Breyner

    [...se ao menos eu acreditasse em milagres e te supusesse só meu... 
    tudo o resto é a mais milagrosa das verdades, ainda que amargamente doce... ]

    O que eu já me ri com esta notícia!!! É assim mesmo!! És cá dos meus, diz o que há para dizer, sem espinhas, e se houver, que as engulam!!
    Com garra, com espinha e com raça - gosto deste homem! mesmo que às vezes um bocadinho arrogante além da minha conta, perdoo-lhe pelo resto todo.
    E tão lindinho que ele continua!! 
    Por que raio os homens com a idade ganham charme e as mulheres rugas ou cu, ou os dois?? 
    Ahhhh Mourinho que não apanhavas chuva no meu quintal, não!!!
    Bom Dia!!