Eva me chamaste
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
Fizeste das minhas costas o teu piano
Dos teus desenhos as minhas curvas
Da minha boca a tua maçã
Dos meus olhos o teu mar
Do meu mundo os teus braços
(...)
06 outubro 2014
"O fim de qualquer Amor é uma despensa.
A minha máquina de café avariou-se. Preocupa-me metê-la no lixo, tanto por causa do seu valor comercial como pela ligação emocional que lhe tenho (sim, é possível ter uma ligação emocional com um objeto). Arrumo-a na despensa, onde todas essas preocupações vão morrendo devagar e, muito provavelmente, levo-a para o lixo daqui a um ano ou dois. Nessa altura já não me vai custar nada, porque entretanto deixou de fazer parte da minha vida.(...)"
Do Bagaço.
Parece-me que também vou tendo e mantendo uma despensa... nunca tinha pensado nisto assim, mas é bem verdade, há um intervalo de tempo em que mantemos as coisas perto apenas para o choque de as ter longe não ser tão brutal, mas é um espaço para onde só entram quando vão sair, parece-me.
Bom Dia
A poesia vinda daqui não será grande coisa, mas o acolhimento do sorriso será melhor. Muito melhor.
E mesmo sem saudades os abraços abraçam-se sempre que s pode. Com saudades então nem há vontade de desgrudar.
Mas não troco amores partidos porque não quero que ninguém fique com eles, doem muito, mas deixo - é até recompenso com beijinhos, parvoeiras várias e uma variedade de coisas perfeitamente inúteis - que me colem os pedaços com criatividade e ainda mais paciência para que se faça um amor novo, inteiro, sem pedaços. A não ser um bom pedaço de mau caminho, aí faço essa excepção, de resto, com pedaços nem os iogurtes, obrigado.
Boa noite
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Tonta...
05 outubro 2014
... Que bom, que notícia boa. Fico feliz, espero que continuem a fazerem-se felizes um ao outro, e que o teu riso continue gaiato e genuíno, que nada mude, mas que tudo vá mudando para melhor, acompanhando o tempo e os tempos, e que eu continue a ver-te feliz e de sorriso inspirador aqui desta plateia onde torço por ti tanto e sempre.
Que ver a felicidade de quem gosto me faça acreditar que algures na vida eu também vou conseguir ser feliz com alguém, e que entretanto a felicidade de quem gosto me vá pondo um sorriso sentido no rosto e me levante a alma para um horizonte onde possa ser eu plena e de alguém que me queira inteira para conseguir ser feliz. Como te vejo.
Gostava que todos os que gosto se arranjassem, fossem felizes, não houvesse angústias nem pessoas a sofrer porque a vida não os fez cruzarem-se com o que querem. Gostava. E fico feliz de cada vez que percebo que alguém que gosto está feliz e encontrou o seu caminho, aquele que quer percorrer. Que sente certo e seu. Fico, enche-me a alma, nasce-me um sorriso dos escombros mais negros. Mas fico sempre a pensar onde será que errei tanto que não me acontece o mesmo, ou será que já aconteceu e eu perdi a oportunidade, perdi o comboio e agora o destino foi-se. Outras vezes dou por mim a pensar que devo ter sido feita para estar sozinha, e que tenho de me contentar com a felicidade através de quem gosto e mais nada. Talvez não tenha nascido para fazer alguém feliz e ser feliz com isso. Talvez. Mas sei, sinto, que para me sentir feliz e bem preciso de alguém ao meu lado, preciso da partilha, do apoio, do cuidado mútuo. Preciso de dar e sentir que dou o que querem e gostam, e isso faz-me bem, e preciso que queiram dar, que se queiram dar para se sentirem felizes também. A minha felicidade, ainda que minha, tem de passar por mais alguém, pelos que gosto e me emprestam a felicidade deles quando os vejo felizes, e por alguém com quem construa um mundo, uma unidade a dois, alguém acima do resto de todos os que quero bem. Alguém que se faça parte de mim e me torne parte dele. Isto parece uma coisa séria, e é, mas que só se faz se se brincar, se brincarmos da mesma maneira, a falar ou a tocar, a beijar e a abraçar, só se faz se confiarmos, se nos mostrarmos sem medo, se conhecermos o outro para falar sério e para brincar. Só assim há intimidade para todos os cantos da vida. Se calhar o segredo é esse.
Ando a precisar de brincar a sério, e de mimo a sério, e de amor a sério. A sério. Não estou a brincar
03 outubro 2014
- Quando me quiseres.
Quando quiseres ir comigo e vir comigo, quando quiseres regressar a casa comigo, quando quiseres adormecer comigo e ver-me descabelada a acordar, quando tiveres a certeza que me queres, quando não me vieres com desculpas e números esfarrapados, quando quiseres namorar comigo, rir comigo, barafustar comigo e fazer as pazes comigo, quando quiseres ser teimoso comigo mas saberes que eu tenho razão sempre e reconheceres que eu não sou teimosa, quando quiseres dizer parvoeiras e ouvir as minhas frases tão acertadas e ajuizadas em resposta, quando achares que não te cansas de mim, e quando te cansares de me dizer que me vou cansar de ti, quando arranjares um bocadinho para escaparmos ao mundo e ficarmos só nós dois para depois voltarmos e nos misturarmos no mundo os dois, fazendo ainda assim um mundo dentro doutro.
Quando o teu dia começar com um beijo de bom dia que te arranco e acabar com um beijo de boa noite que me dás...... Vê lá na tua agenda para quando é....depois avisa que eu confiro a minha!!
...eu gosto mais da última... e não não é por aludir ao que me falta...
mas porque sou uma pecadora (i)nata....
e o "sin" saltou-me logo aos olhos!!!
eheheheh...
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Tonta...
Para amar é preciso assumir que se ama. Amar não é relativo, não é mais ou menos, não é assim-assim. Amar é absoluto. É o amor a acordar quando abrimos os olhos e a respirar quando o ar nos entra nos pulmões. A viver enquanto vivemos. Amar não tem localização, não há sítios onde se pode amar e outros onde o amor é envergonhado ou encapotado. Não há capota que cubra o amor, como não há nuvem que cubra o céu inteiro, o amor tem pés grandes e chega a todo o lado. O amor não se tapa e não se abafa. Não, para amar não é preciso assumir nada, estava errada, amar é já assumir. A única prova é sentir. Sentir é assumir. Tu sentes?
Boa noite
Boa noite
02 outubro 2014
...sempre foi a minha filosofia!!
Se calhar está na hora de mudar de filosofia...
é que leite condensado derramado... é um desperdício...
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Tonta...
- (...) acho que temos os dias contados...
- Os dias contados? porquê? Não me contas nada pahhh. Que se passa?
- Diferenças no sentir. No mostrar. Onde estamos quites é no querer.
- E então? Isso é normal as pessoas não são iguais....têm de acertar agulhas.
- É isso que estamos a tentar, mas é complicado. E dói. Ela esfria-me muito...
- Porquê? Achas que ela não mostra?
- Sim, sou eu que quero mais. Sou eu que tenho pressa. Sou eu que estou apaixonado... ela não mostra como eu...
- Mas mostra, só tem mais medo, não?
- Para ela somos uma "cena" calma. Tranquila. E ela é tudo menos tranquilidade para mim...
- eheheheh... que giro, miudo! Tu és paixão ela é amor. Queres melhor? É juntar isso!!
-... quero. Quero melhor. Sinto-me a morrer!!... aos poucos. Devagar. Com dor. Com tudo. Sem sono. É drama, mesmo...
- Porque ela não ferve como tu?
- Não. Não vejo. Não sinto. Sou o porto seguro dela. Com orgasmos. É isso.
- Mas isso é bom, não?
- É?
- Talvez ela seja do tipo calmo e tranquilo. Queira um porto seguro para amar e ser amada. O porto seguro é carinho é compreensão é ternura é apoio: é amor. Quem me dera ter esse conforto de ter com quem partilhar um lugar tranquilo no porto... e sim depois com paixão, com pele, com orgasmos partilhados. Vocês estão a velocidades diferentes é esse o problema. Tu vais chegar onde ela está, onde há mais tranquilidade, acho eu. Ela é que nunca chegará à tua asfixia, a asfixia que te faz sentir completamente cada respiração.
- E sei viver assim?
- Se os dois quiserem muito arranjam maneira de se encontrarem a meio, porque a alternativa de perder o outro, de perder a respiração, não é alternativa, não se concebe sequer. Se se conceber não é realmente forte...
(...)
- Falaram? Ontem fiquei preocupada contigo...
- Falei... disseste-me tudo.. acredita...
- Tudo? como? Expliquei-te como vejo esta coisa de gostar realmente de alguém...
- Fizeste-me ver as coisas de uma maneira que não conseguia.
- Como? Explica lá... Não te disse nada que não soubesses, pois não?
- Disseste....Eu achava que ser porto seguro era redutor de tudo o que sinto.Eu sentia que ela não merecia tudo o que sentia por ela.Que ela gostava menos, ou que não gostava de todo, e senti-me espalmado, asfixiado, encolhido com tudo o que sentia.. Sentia-me uma botija de gás com fogo a aproximar-se...eu ia explodir, mais cedo ou mais tarde. E algures tu dizes-me: "Tu és paixão. Ela é amor"
(conversa de ontem acabada, ou continuada, hoje com um miúdo que adora deixar conversas a meio e às vezes desaparecer... mas com quem gosto de conversar e das ideias, mesmo que um bocadinho bruto, às vezes... é um bom miúdo)
[as pessoas são diferentes, gostam de maneira diferente, mostram de maneiras diversas. O importante é gostarem e saberem que gostam e o quanto gostam, o quanto não querem a alternativa: a de ficarem sem a pessoa de quem gostam, aquela pessoa que torna os dias em alguns minutos que valeriam anos, que nos fazem depois, longe, sorrir sozinhos, e que nos fazem sempre sentir bem. O importante é que independentemente de como se gosta e se mostra é que os dois se sintam bem a mostrar e se sintam bem com a forma como o outro mostra. Às vezes é preciso sairmos dos nossos sapatos para entendermos o outro e as suas formas diferentes de mostrar, outras vezes as pessoas mostram de formas idênticas, o que interessa é que se goste de como somos gostados e como gostamos. Ambos têm de amar o amor que têm além de amar o outro.
Mas nem todos estamos nas mesmas fases, nem todos temos os mesmos ritmos... há pessoas que por serem muito atraentes valorizam muito mais o sentirem-se bem com alguém, o carinho, o mimo, a ternura, a amizade, a tranquilidade dum porto seguro que sabemos que nos quer bem pelo que somos, não pelo que todos vêem. Como se o privilégio deste porto seguro ser para cegos que só nos vêem pela alma, que nos sentem, e não os que passam por nós na rua e que os olhos sadios fazem rodar cabeças. E esse privilégio entrega-se quando há confiança, quando nos entregamos a alguém mais de alma que de corpo - tão mais de alma que de corpo... Quando todos nos valorizam o corpo, nós valorizamos quem nos valoriza a alma. Acho que é o que se passa com esta mulher.
E eu fiquei a pensar nisto, porque comigo foi o contrário. Precisamente o contrário. Sempre me disseram inteligente, perspicaz, amiga, boa para conversar, melhor ainda para ouvir. Isso para mim era o normal, reconhecido por várias e variadas pessoas ao longo da vida. Agora alguém que me fizesse sentir desejada, alguém que me fizesse acreditar que valia umas torcidas de pescoço na rua (nisso nunca acreditei, mas bastava-me acreditar que isso aconteceria em casa ou por quem eu realmente quisesse e me quisesse, e isso sim aconteceu), alguém que gostasse do meu corpo e mo fizesse sentir, dentro e fora dele, alguém que gostasse da maneira como me mexo, como me rio, da minha gargalhada, das brincadeiras parvas de mulher que só se tem com o nosso homem, no fundo da mulher que há em mim para além da pessoa. Isso surpreendeu-me, enganada ou não - que diferença faz? se se sente assim para nós é assim... -, e talvez isso me tenho feito encontrar-me completa, e sentir-me bem com quem sou, com o que sou, sentir que alguém me quer e deseja se me olha, que me olha e o desejo vê-se nos olhos e sente-se na ponta dos dedos, na boca, na pele que pede a minha. Alguém que me faça inteira e completa. E foi isto, fiquei a pensar nisto... eu acho que me sentiria bem na tranquilidade dum porto seguro que de vez quando se aventura mar adentro, às vezes revolto, às vezes frio, às vezes profundo, mas sempre verdadeiro, genuíno, e que sabe poder voltar à paz dessa tranquilidade, talvez só assim se possam aproveitar todas as viagens.
- Os dias contados? porquê? Não me contas nada pahhh. Que se passa?
- Diferenças no sentir. No mostrar. Onde estamos quites é no querer.
- E então? Isso é normal as pessoas não são iguais....têm de acertar agulhas.
- É isso que estamos a tentar, mas é complicado. E dói. Ela esfria-me muito...
- Porquê? Achas que ela não mostra?
- Sim, sou eu que quero mais. Sou eu que tenho pressa. Sou eu que estou apaixonado... ela não mostra como eu...
- Mas mostra, só tem mais medo, não?
- Para ela somos uma "cena" calma. Tranquila. E ela é tudo menos tranquilidade para mim...
- eheheheh... que giro, miudo! Tu és paixão ela é amor. Queres melhor? É juntar isso!!
-... quero. Quero melhor. Sinto-me a morrer!!... aos poucos. Devagar. Com dor. Com tudo. Sem sono. É drama, mesmo...
- Porque ela não ferve como tu?
- Não. Não vejo. Não sinto. Sou o porto seguro dela. Com orgasmos. É isso.
- Mas isso é bom, não?
- É?
- Talvez ela seja do tipo calmo e tranquilo. Queira um porto seguro para amar e ser amada. O porto seguro é carinho é compreensão é ternura é apoio: é amor. Quem me dera ter esse conforto de ter com quem partilhar um lugar tranquilo no porto... e sim depois com paixão, com pele, com orgasmos partilhados. Vocês estão a velocidades diferentes é esse o problema. Tu vais chegar onde ela está, onde há mais tranquilidade, acho eu. Ela é que nunca chegará à tua asfixia, a asfixia que te faz sentir completamente cada respiração.
- E sei viver assim?
- Se os dois quiserem muito arranjam maneira de se encontrarem a meio, porque a alternativa de perder o outro, de perder a respiração, não é alternativa, não se concebe sequer. Se se conceber não é realmente forte...
(...)
- Falaram? Ontem fiquei preocupada contigo...
- Falei... disseste-me tudo.. acredita...
- Tudo? como? Expliquei-te como vejo esta coisa de gostar realmente de alguém...
- Fizeste-me ver as coisas de uma maneira que não conseguia.
- Como? Explica lá... Não te disse nada que não soubesses, pois não?
- Disseste....Eu achava que ser porto seguro era redutor de tudo o que sinto.Eu sentia que ela não merecia tudo o que sentia por ela.Que ela gostava menos, ou que não gostava de todo, e senti-me espalmado, asfixiado, encolhido com tudo o que sentia.. Sentia-me uma botija de gás com fogo a aproximar-se...eu ia explodir, mais cedo ou mais tarde. E algures tu dizes-me: "Tu és paixão. Ela é amor"
(conversa de ontem acabada, ou continuada, hoje com um miúdo que adora deixar conversas a meio e às vezes desaparecer... mas com quem gosto de conversar e das ideias, mesmo que um bocadinho bruto, às vezes... é um bom miúdo)
[as pessoas são diferentes, gostam de maneira diferente, mostram de maneiras diversas. O importante é gostarem e saberem que gostam e o quanto gostam, o quanto não querem a alternativa: a de ficarem sem a pessoa de quem gostam, aquela pessoa que torna os dias em alguns minutos que valeriam anos, que nos fazem depois, longe, sorrir sozinhos, e que nos fazem sempre sentir bem. O importante é que independentemente de como se gosta e se mostra é que os dois se sintam bem a mostrar e se sintam bem com a forma como o outro mostra. Às vezes é preciso sairmos dos nossos sapatos para entendermos o outro e as suas formas diferentes de mostrar, outras vezes as pessoas mostram de formas idênticas, o que interessa é que se goste de como somos gostados e como gostamos. Ambos têm de amar o amor que têm além de amar o outro.
Mas nem todos estamos nas mesmas fases, nem todos temos os mesmos ritmos... há pessoas que por serem muito atraentes valorizam muito mais o sentirem-se bem com alguém, o carinho, o mimo, a ternura, a amizade, a tranquilidade dum porto seguro que sabemos que nos quer bem pelo que somos, não pelo que todos vêem. Como se o privilégio deste porto seguro ser para cegos que só nos vêem pela alma, que nos sentem, e não os que passam por nós na rua e que os olhos sadios fazem rodar cabeças. E esse privilégio entrega-se quando há confiança, quando nos entregamos a alguém mais de alma que de corpo - tão mais de alma que de corpo... Quando todos nos valorizam o corpo, nós valorizamos quem nos valoriza a alma. Acho que é o que se passa com esta mulher.
E eu fiquei a pensar nisto, porque comigo foi o contrário. Precisamente o contrário. Sempre me disseram inteligente, perspicaz, amiga, boa para conversar, melhor ainda para ouvir. Isso para mim era o normal, reconhecido por várias e variadas pessoas ao longo da vida. Agora alguém que me fizesse sentir desejada, alguém que me fizesse acreditar que valia umas torcidas de pescoço na rua (nisso nunca acreditei, mas bastava-me acreditar que isso aconteceria em casa ou por quem eu realmente quisesse e me quisesse, e isso sim aconteceu), alguém que gostasse do meu corpo e mo fizesse sentir, dentro e fora dele, alguém que gostasse da maneira como me mexo, como me rio, da minha gargalhada, das brincadeiras parvas de mulher que só se tem com o nosso homem, no fundo da mulher que há em mim para além da pessoa. Isso surpreendeu-me, enganada ou não - que diferença faz? se se sente assim para nós é assim... -, e talvez isso me tenho feito encontrar-me completa, e sentir-me bem com quem sou, com o que sou, sentir que alguém me quer e deseja se me olha, que me olha e o desejo vê-se nos olhos e sente-se na ponta dos dedos, na boca, na pele que pede a minha. Alguém que me faça inteira e completa. E foi isto, fiquei a pensar nisto... eu acho que me sentiria bem na tranquilidade dum porto seguro que de vez quando se aventura mar adentro, às vezes revolto, às vezes frio, às vezes profundo, mas sempre verdadeiro, genuíno, e que sabe poder voltar à paz dessa tranquilidade, talvez só assim se possam aproveitar todas as viagens.
Será que estar longe afasta? Será que estar afastado gasta as saudades? Ou habituamo-nos e deixamos de as sentir? Deixa-se de sentir? Será que estar perto aproxima? Será que só sabemos e pensamos o que temos quando nos falta? Como a saúde ou o amor? Será que nos habituamos a uma presença e deixamos de senti-la? E a ausência? Sente-se?
Será que alguém sente a ausência da minha presença ou a presença da minha ausência?
Será que as saudades são ausência ou presença? Ou é a presença sentida duma ausência não sentida?
As distâncias têm medida? Medem-se pelas saudades? E como se medem as saudades? Pelas faltas que provocam ou pelo amor que convocam?
Haverá por isso distâncias diferentes num mesmo espaço entre duas almas. E o espaço separa?
E o tempo? O tempo conhece a distância? O tempo aumenta com a distância? Ou a distância aumenta com o tempo?
As almas conhecem o tempo? E sabem o que é distância? Ou só sentem, sem saber sequer que sentem no tempo na distância ou na proximidade? Só sentem sem saber de variáveis relacionadas, correlacionadas, ou equacionadas.
Será que a distância afasta? Será que estar perto aproxima?
E eu onde estou?
Sem tempo, sem distância, sem proximidade?
Na saudade que mora no amor.
Do amor.
Boa Noite
01 outubro 2014
... também servem para uma mulher, só vos digo...
as regras, claro!!
Bom Dia!
(é o primeiro post e ainda há luz... vamos dizer bom dia, ok?)
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Tonta...
30 setembro 2014
"O consenso é o oposto da submissão, mas não parece.Porque não pode haver consenso com quem é submisso, por mais que te digam “sim”. Nunca sabes, num submisso, de quem é a língua que te fala, se da alma, se da mente, se do medo. E de falsos em falsos consensos se tece a teia em que tramas tudo."
Do Menino, e eu não podia concordar mais...
Submissa nunca me conheci e não me parece bom para ninguém. Quando tenho a dizer, digo. Não me calo para manter a paz podre. Acredito que fazer-me submissa ou concordante não resolve problemas, encapota-os. Concordo quando concordo, discordo quando discordo. As duas com respeito e consideração pelos outros. Quando se tem de discutir, descabelar e despejar o saco, é isso que se deve fazer, tendo o cuidado de o tentar fazer com justiça e sem magoar ninguém. Explicar o que se sente e como, o que se gosta e não; só assim pode haver entendimento e felicidade. Submissão e dizer sempre sim, ou ouvir sempre um sim, não pode ser felicidade para ninguém, alguém se anula e alguém abusa, permitindo que o outro se anule, nenhuma das posições é saudável e em nenhuma há respeito. Um mente e o outro deixa que o que mente se anule. Que não seja o que é. É porque não pode gostar do que o outro realmente é.
Quem diz amar um submisso não o ama porque ele não age como o que verdadeiramente é, apenas concorda em ser o que o outro quer que ele seja. De mim gostam ou não gostam, mas do que sou. Em geral não gostam digo o que penso e reclamo quando me magoam.
De submissão não sofro, posso é às vezes sofrer por pensar assim, por dizer o que entendo que devo dizer e o que não gosto, ou por mostrar que gosto tanto quando gosto. Sou um bocado transparente, e isso deve ser monótono, não é preciso ser detective ou bruxo para perceber o que sinto ou penso. Eu digo, não deixo espaço a grandes descobertas ou grandes enganos.
Casava-me já contigo - MEC
"Quando eu era pequenino e vi um cartaz do filme The Seven Year Itch, de Billy Wilder e de 1955, perguntei à minha mãe o que era. Ela respondeu: "Ao fim de sete anos a novidade do casamento começa a passar".
Ao fim de 14 anos, cada vez que eu olho para a minha mulher, cada dia que acordo ao lado dela, o que mais me comove e impressiona é precisamente a novidade de vê-la, poder amá-la, ter a sorte de ser amado por ela.
Cada coisa que fazemos é ao mesmo tempo antiquíssima – como uma cerimónia que construímos juntos só para nós os dois – e novíssima, pelo desejo e pelo entusiasmo de lá estar, naquele lugar que ela abriu para mim e ela no lugar que só é dela, que sou eu.
O casamento é só uma palavra: é verdade. Mas também pode ser a vontade de casarmos e ficarmos casados, todos os dias, com a mesma pessoa que amamos.
Cada vez nos casamos mais. As diferenças dela vão cabendo cada vez melhor nas minhas. Cada vez somos, a Maria João e eu, mais livres de sermos como somos, cada um de nós, e de sermos como somos, nós os dois.
Ela torna-se mais ela; eu torno-me mais eu, ela e eu com menos medo que o outro fuja por causa disso. Mas com medo à mesma. E ganância de viver e curiosidade em saber como é que o décimo quinto ano vai ser melhor do que este.
Mas vai ser."
Ao fim de 14 anos, cada vez que eu olho para a minha mulher, cada dia que acordo ao lado dela, o que mais me comove e impressiona é precisamente a novidade de vê-la, poder amá-la, ter a sorte de ser amado por ela.
Cada coisa que fazemos é ao mesmo tempo antiquíssima – como uma cerimónia que construímos juntos só para nós os dois – e novíssima, pelo desejo e pelo entusiasmo de lá estar, naquele lugar que ela abriu para mim e ela no lugar que só é dela, que sou eu.
O casamento é só uma palavra: é verdade. Mas também pode ser a vontade de casarmos e ficarmos casados, todos os dias, com a mesma pessoa que amamos.
Cada vez nos casamos mais. As diferenças dela vão cabendo cada vez melhor nas minhas. Cada vez somos, a Maria João e eu, mais livres de sermos como somos, cada um de nós, e de sermos como somos, nós os dois.
Ela torna-se mais ela; eu torno-me mais eu, ela e eu com menos medo que o outro fuja por causa disso. Mas com medo à mesma. E ganância de viver e curiosidade em saber como é que o décimo quinto ano vai ser melhor do que este.
Mas vai ser."
MEC, aqui
E ler estas coisas ao mesmo tempo que me dá uma tristeza profunda e dura, dá-me esperança por perceber que existe e é possível, e talvez um dia possa voltar a acreditar que isto é possível até para mim. Quem sabe? Talvez um dia oiça "casava-me já contigo" sem ser da boca para fora, e depois de estar casada há anos.
E ler estas coisas ao mesmo tempo que me dá uma tristeza profunda e dura, dá-me esperança por perceber que existe e é possível, e talvez um dia possa voltar a acreditar que isto é possível até para mim. Quem sabe? Talvez um dia oiça "casava-me já contigo" sem ser da boca para fora, e depois de estar casada há anos.
(é capaz de ser difícil, porque não me quero voltar a casar, mas a ideia, a intenção, é que me seduz, me encanta, me adoça, não o papel. Muito menos o contrato reduzido a escrito segundo normas que alguém estipulou. Papel por papel que seja um nosso, com as nossas regras. Isso podia ter a sua piada... eu, por exemplo, de repente já me estou a rir por dentro. Quero alguém que ria por dentro também e comigo nestas coisas parvas, e sem precisar de abrir a boca para explicar o que se sabe. Ele saberia da parvoíce de cada regra mais parva que a outra, e isso é talvez o melhor contrato que pode existir.)
Bom Dia
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Tonta...
28 setembro 2014
E hoje foi dia de ronha...
Dormir e muita ronha até tarde,
almoçar tarde e sem relógios na varanda,
perceber que afinal está frio...
E agora tomar um café....
E tentar que o tempo cinzento não se entranhe.
Bom dia!
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Ronha...
"Fala-me tu do Amor e dessa coisa esquisita que é o tempo com quatro dedos de distância entre o ardor das línguas e a asfixia dos corpos.
Fala-me tu do Amor e desse desejo que arrasta a proximidade que anula todos os intervalos em pequenas existências que de tão insignificantes desaparecem numa doçura e amargura.
Conta-me do constante faz e refaz, de ressuscitar e morrer, de adormecer e sonhar, do conforto da luz dos dias na realidade que nos mata. Porque do Amor também se morre e também se vive, como alimentação programada às calorias necessárias para respondermos."
Al Berto
[já não tenho as calorias necessárias ao amor, ao faz e refaz, ao morrer e renascer, as que tornam a amargura em doçura e os intervalos em instantes que se perdem no tempo no momento preciso em que tudo se refaz como se nunca desfeito tivesse sido. Já não tenho calor suficiente para aquecer o amor que me restou, ou para arrefecer o que ficou por dar. Já não sei contar a distância em dedos, nem estar a braços com a recordação de abraços que nunca se desfizeram, percebendo que nunca se fizeram como se recorda. e já não sei o sabor dos corpos em asfixia de desejo, ou o ardor das palavras não ditas que guardei debaixo da língua, donde nunca as libertaste, onde nunca chegaste.]
Boa Noite
27 setembro 2014
...e por falar em beijos cruzei-me com isto, e pelo que sei não estará muito errado...
...e fiquei cá a pensar que parece um menu, e assim sendo não sei que "prato" escolheria...
p'roquem'aviadedar!!!...
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Tonta...
Hoje sonhei. Sonhei que passeava com alguém e conversávamos, e ríamos. E parámos sem saber porquê, continuávamos a falar e de repente os olhos olharam-se e ele dá-me um beijo, e encaixa a minha cara perfeitamente entra as suas duas mãos, como quem pega com cuidado em algo que quer manter. Que quer guardar acarinhando. Acordei e tive muita pena, porque não sei quem era ele, mas principalmente porque me senti mal por pensar há quanto tempo não me sinto bem com alguém. Sentir o carinho, a ternura... E um beijo. Um beijo que pode ser todos os beijos, e tudo de bom lá dentro.
Sinto falta de estar bem entre as mãos de alguém. De entre as mãos de alguém sentir ter tudo.
Bom dia!
Sinto falta de estar bem entre as mãos de alguém. De entre as mãos de alguém sentir ter tudo.
Bom dia!
26 setembro 2014
...procura-se um destes lá para casa...
e não, não é um avental....nem do fogão...
E hoje, para dia, já chega, já me disseram ficam nervosos quando falam comigo
e não raciocinam direito...
'tá certo, ainda bem que não é a pilotar um fogão, senão seria perigoso...
já ouvi desculpas mais bem amanhadas...
mas esta de eu meter medo, não é simpática, digamos... bahhhh...
...agora vou descansar a mioleira e os ossos, não sei qual estará pior....
e depois, provave3lmente, chegar a casa e cozinhar... bahhhhh
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Tonta...
Sugestão (compulsiva...) para bilhete a deixar em qualquer lado,
desde que no meu caminho...
a caminho das minhas mãos, olhos e coração...
por alguém que substitua o "creo" por " "irremediavelmente", por "sei", por "sinto até aos ossos", qualquer coisa menos incertezas, dúvidas e balelas...
alguém sincero, doce e cheio de mimo, de vontade de o dar e receber,
que saiba o que quer e me queira.
Se for alto e giro e com piada convém ver mal ... muito mal, pronto, e correr pouco.
De resto tudo bem...
Acabamos essa crise que é um instantinho meu querido...
Bom Dia!!
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Tonta...
25 setembro 2014
... a única coisa madura nisto é mesmo a estupidez.
Estou cansada de ser estúpida.
Há que começar a magoar quem me magoa,
há pessoas que se calhar só entendem na pele
e não mergulhando na alma dos outros tentando entende-los.
Seja.
Na pele, na lata.
Para que sintam o que fazem sentir.
Assim eu consiga fazê-lo e vou andar ocupada por uns tempos.
Ahhhh.... Bom Dia
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Tonta...
24 setembro 2014
Hoje até a porra do gps funciona!!! Deve ter tomado os comprimidos... Hoje que está um sol radiante e não havia problemas de não ir direitinha o gajo está bom... A sério um pano encharcado no focinho é o que apetece... Isto é só sorte irra!!!! Parece que alguém lá em cima se diverte as minhas custas... É só gozar aqui com a palerma... Caminhos há muitos sua palerma e kms ainda mais!!...Como é para ir direitinha trabalhar tudo funciona, até a porra do clima...
E hoje o tempo está assim... É a minha sorte de despedida... Vim tomar o pequeno almoço cá fora. Mais uns dias e arranjava um amigo para a vida, anda sempre atrás de mim, só não entra em casa, é um gajo de muito respeito, se me sento dentro de casa deita-se à porta, quando estou cá fora que é quase sempre vem para ao pé de mim, e não não é de comida que vem à procura, porque à excepção de hoje que dividi a torrada com ele, nunca lhe dei comida, mas sempre que se chegava fazia-lhe festas. Ontem quando à noite a ver as estrelas deixei de lhe fazer festas começou a esfregar o focinho nas minhas pernas e depois a chamar-me com a patita... Os cães normalmente gostam de mim, simpatizam, não sei com que defeito vêm os humanos que não é a mesma coisa. Hoje quando lhe dei comida abanou o rabo mas o que ele veio sempre à procura foi de mimo, e isso eu tenho mesmo para dar e voltar a dar. Chamo-lhe Tôni mas disseram-me que se chamava Bobi, eu é que acho que tem cara de Tôni e nunca lhe consegui chamar Bobi, saía-me sempre Tôni! Foi o meu companheirao, não chateia e só quer mimo, nem preciso de lhe dar almoço e jantar... Perfeito!!
23 setembro 2014
... Mais um fim de dia, despedirmo-nos dos dias às vezes custa, mas quando as despedidas custam é porque o que as antecede é bom e deixa saudades. O mau é isso ficar atrás, no passado, e termos de continuar para a frente com esse peso das saudades que aumenta com o tempo que passa. Tenho tido nos últimos tempos demasiadas despedidas, mas não tenho como evitá-las. Tenho só que saber como fazer para as saudades não pesarem, aprender a lidar com as recordações sem o peso de se conjugarem no passado, mas apenas sinal de que se viveu e foi bom. Não as deixar morrer, as que valem a pena viverem em nós, mas não nos pesarem. Serem uma luz para o futuro, como a beleza desta luz que vejo agora neste céu a espreitar por entre as nuvens negras com uma luz quente e doce.
Eu e o Cortazar a meus pés enquanto fumo um cigarro e oiço chover. De volta ao cadeirão e à manta. No outro dia a experimentar umas aplicações novas de fotografia dei por mim a brincar com fotos minhas que ia tirando sem luz que não das velas que estavam acesas, e ponho-me a olhar e a pensar que raio de esquizofrenia será a minha de olhar as fotos e não me reconhecer, a sensação estranha de ver por fora o que os outros vêem, e chegar à conclusão que nao me reconheço muito na minha cara, à excepção dos olhos que me parecem familiares do que sinto por dentro do que forra o que por fora me parece estrangeiro. E isso é estranho. E hoje duma dessas fotos diziam-me "olhar doce, profundo e tranquilo". E eu fiquei a pensar nisso. Qual é a parte estrangeira de mim? O que se vê e não se vê. Como se vê o que não se vê? Quem aqui me lê, sem se me ver mas sabendo-me mais do que qualquer fotografia do meu focinho pode dar a saber, como me verá? E eu como me vejo, que quando me vejo não me pareço eu mas também não sei como deveria parecer para me parecer eu? Se calhar assim? O olhar sim, é a ligação de vários mundos que me fazem, que me habitam, ou eu a eles, isso reconheço como meu, o resto não sei, é estranho. Será uma esquizofrenia como outra qualquer.
E agora chove. Bem
"Vejo aquilo que não sou. Por exemplo (isto volto à explicá-lo, mas vem da mesma ideia): existem zonas enormes às quais jamais cheguei, e aquilo que não se conheceu é aquilo que não se é.
(...)
Toco a tua boca.
Com um dedo, toco a borda da tua boca, desenhando-a como se saísse da minha mão, como se a tua boca se entreabrisse pela primeira vez, e basta-me fechar os olhos para tudo desfazer e começar de novo, faço nascer outra vez a boca que desejo, a boca que a minha mão define e desenha na tua cara, uma boca escolhida entre todas as bocas, escolhida por mim com soberana liberdade para desenhá-la com a minha mão na tua cara e que, por um acaso que não procuro compreender, coincide exactamente com a tua boca, que sorri por baixo da que a minha mão te desenha.(...) Então as minhas mãos tentam fundir-se no teu cabelo, acariciar lentamente as profundezas do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de uma fragrância obscura. E se nos mordemos a dor é doce, e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo do fôlego, essa morte instantânea é bela. E há apenas uma saliva e apenas um sabor a fruta madura, e eu sinto-te tremer em mim como a lua na água."
Julio Cortazar, in O Jogo do Mundo (Rayuela)
[sim, há coisas que se pudéssemos imaginar antes de as sabermos as imaginaríamos exactamente como viriam a ser. Ou assim achamos. Como tentar imaginar a perfeição. Tentar agora imaginar a perfeição é reproduzir com retoques o melhor de tudo o que se conhece. Quando a vida nos surpreende a imaginação explode, conquista territórios desconhecidos que não sabíamos existir, e todo um novo mundo se abre. Novas imaginações, perfeições mais perfeitas. Novos limites e novas dimensões de felicidade. E novas dimensões de infelicidade, por perdê-las, por desperdiçá-las, o que for. Aquilo que não se conhece é aquilo que não se é, mas aquilo que passamos a conhecer passa a ser parte do que somos, e de como descodificamos a loucura do mundo. Renegar isso não é não andar para a frente é andar para trás. Nada volta ao que era. Passamos a ser pessoas diferentes quando os nossos limites de imaginação, felicidade e infelicidade se movem. O mundo altera-se, nunca mais o vemos da mesma forma mesmo que nada tenha mudado, a essência alterou-se, a essência do nosso olhar sobre as coisas. E as coisas não são coisas são a maneira como as vemos. Um parafuso pode ser um deus (esta é de outra passagem do livro, mas estou preguiçosa), tudo depende do que vemos. E eu pergunto-me vezes sem conta o que verão quando me olham? ]
(É sacrilégio estar a escrever estas coisas com um texto com a beleza deste, duma boca perfeita que afinal existe. )
Boa noite
(...)
Toco a tua boca.
Com um dedo, toco a borda da tua boca, desenhando-a como se saísse da minha mão, como se a tua boca se entreabrisse pela primeira vez, e basta-me fechar os olhos para tudo desfazer e começar de novo, faço nascer outra vez a boca que desejo, a boca que a minha mão define e desenha na tua cara, uma boca escolhida entre todas as bocas, escolhida por mim com soberana liberdade para desenhá-la com a minha mão na tua cara e que, por um acaso que não procuro compreender, coincide exactamente com a tua boca, que sorri por baixo da que a minha mão te desenha.(...) Então as minhas mãos tentam fundir-se no teu cabelo, acariciar lentamente as profundezas do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de uma fragrância obscura. E se nos mordemos a dor é doce, e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo do fôlego, essa morte instantânea é bela. E há apenas uma saliva e apenas um sabor a fruta madura, e eu sinto-te tremer em mim como a lua na água."
Julio Cortazar, in O Jogo do Mundo (Rayuela)
[sim, há coisas que se pudéssemos imaginar antes de as sabermos as imaginaríamos exactamente como viriam a ser. Ou assim achamos. Como tentar imaginar a perfeição. Tentar agora imaginar a perfeição é reproduzir com retoques o melhor de tudo o que se conhece. Quando a vida nos surpreende a imaginação explode, conquista territórios desconhecidos que não sabíamos existir, e todo um novo mundo se abre. Novas imaginações, perfeições mais perfeitas. Novos limites e novas dimensões de felicidade. E novas dimensões de infelicidade, por perdê-las, por desperdiçá-las, o que for. Aquilo que não se conhece é aquilo que não se é, mas aquilo que passamos a conhecer passa a ser parte do que somos, e de como descodificamos a loucura do mundo. Renegar isso não é não andar para a frente é andar para trás. Nada volta ao que era. Passamos a ser pessoas diferentes quando os nossos limites de imaginação, felicidade e infelicidade se movem. O mundo altera-se, nunca mais o vemos da mesma forma mesmo que nada tenha mudado, a essência alterou-se, a essência do nosso olhar sobre as coisas. E as coisas não são coisas são a maneira como as vemos. Um parafuso pode ser um deus (esta é de outra passagem do livro, mas estou preguiçosa), tudo depende do que vemos. E eu pergunto-me vezes sem conta o que verão quando me olham? ]
(É sacrilégio estar a escrever estas coisas com um texto com a beleza deste, duma boca perfeita que afinal existe. )
Boa noite
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Livros
...Ouvem-se só as cigarras e o vento a inquietar as folhas, um chocalhar ao longe e a conversa dos cães no fundo, corre uma brisa do lado de fora da manta. O silêncio aqui traz paz, ainda que esteja cheio de ausências. No céu não há estrelas que os olhos alcancem, só um tapete de nuvens que as estrelas pisam lá em cima. Fico-me aqui parada à espera das respostas que estão em mim, são as únicas que podemos ter, são as únicas que são resposta. Por muito que se procurem respostas nos livros, em tudo o que vemos e ouvimos, as únicas respostas para nós estão encerradas dentro de nós. Só às vezes não as queremos, só as vezes nos duvidamos, e isso também são respostas. De que estamos sempre inacabados. Que o tempo corre e ninguém fica imóvel e inalterado. Que o tempo nos traz incertezas e perguntas, porque estamos sempre a crescer, porque há sempre o desconhecido amanhã, daqui a bocado, agora. Só podemos continuar a crescer enquanto houver desconhecido e perguntas e a tentativa de buscar respostas.
E eu tenho tantas perguntas... É vários medos para cada uma.
21 setembro 2014
20 setembro 2014
Este clima tropical está do melhor!! Em dois minutos começou a chover torrencialmente. Agora só nos falta- ou a mim pronto - o espírito tropical!! Venha ele, alma quente de chuvadas rápidas. Lavam tudo.
(Ainda bem que não vim de t-shirt branca, senão o espectáculo seria outro... Ou melhor espectáculo talvez não fosse a palavra indicada, era mais vergonhaça...)
(Ainda bem que não vim de t-shirt branca, senão o espectáculo seria outro... Ou melhor espectáculo talvez não fosse a palavra indicada, era mais vergonhaça...)
Sim, tentar que pensem pela própria cabeça,
se cada um vem com uma não é para usarmos a dos outros...
... Coisa que nunca fui habituada a fazer,
mas parece-me tantas vezes hoje em dia
que nem pela minha ando a pensar...
Mas isso vai mudar. Os próximos tempos vão-me ser muito exigentes.
Vamos ver afinal de que sou feita...
E há muito medo nesta pergunta, nesta expectativa...
A resposta é uma espécie de auto sentença.
Temos de nos ver como somos é para isso temos de o descobrir.
E há descobertas muito dolorosas. Tenho tido muitas...
... Coisa que nunca fui habituada a fazer,
mas parece-me tantas vezes hoje em dia
que nem pela minha ando a pensar...
Mas isso vai mudar. Os próximos tempos vão-me ser muito exigentes.
Vamos ver afinal de que sou feita...
E há muito medo nesta pergunta, nesta expectativa...
A resposta é uma espécie de auto sentença.
Temos de nos ver como somos é para isso temos de o descobrir.
E há descobertas muito dolorosas. Tenho tido muitas...
19 setembro 2014
... Vou ficar uma artista com a esquerda então, de tão canhota!
Mas sempre se fica mais polivalente.
Principalmente poli... Porque valente ando muito pouco...
Bom Dia!!
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Bom Dia,
Tonta...
Verdade. Muito verdade, mas o que nos dá vontade de continuarmos sempre a entender-nos,
quando não concordamos, quando as vezes não entendemos, quando nos magoam, ou nos chateamos, é gostar do outro e ter consciência que se gosta e quer, e então sabe-se que tudo tem de se resolver e arranjam-se sempre soluções que sirvam aos dois.
Quando há amor tenta-se sempre, tenta-se tudo.
E essa vontade de resolver, e continuar, só amando. E só resolvendo e as pessoas dando-se bem é que o amor se sustenta.
É a chamada pescadinha de rabo na boca... A tonta, sempre à volta de si mesma.
Boa noite.
18 setembro 2014
...É isto. Aqui.
Antídoto para certos dias do ano. Para hoje.
Para onde fugimos do mundo em que não encaixamos,
que não entendemos,
em nos voltamos para dentro em busca do que há-de restar de nós.
Preciso desta paisagem, preciso de horizonte, preciso de ar.
Preciso-me com urgência...
...mas ainda vai ter de esperar uns dias.
E hoje eu devia já estar longe, daqui e deste coração teimoso que guarda estrelas como quem colhe conchinhas da praia e traz no bolso.
Chocalham e cheiram a mar.
As estrelas soam só a distância que brilha.
Bom Dia!!
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Bom Dia,
Bora lá?
...às vezes penso, sorrio e sonho uma vida que não tive, e depois obrigo-me a lembrar por que apenas sonho e não vivo, e lembro - obrigo-me a lembrar e a repetir até à exaustão - a resposta à minha própria pergunta; e pergunto-me quando deixarei de ma perguntar e de sorrir quando dou por mim a sonhar acordada esse sonho, que de tão meu, tão apenas meu, nunca chegará a vida. Lembro-me que não estás porque não (me) queres... e então penso que não te quero, nunca quereria alguém na minha cama que não me quisesse. Isso não pode fazer ninguém feliz. E infeliz por infeliz, antes sozinha, porque a solidão sozinha pode um dia deixar de ser solidão, a solidão acompanhada nunca deixará de ser solidão.
17 setembro 2014
...Sim!!
Isto, era mesmo isto, agora, ao chegar a casa!!
Um bom vinho tinto e um sofá suspenso...
... não sei é se aquilo será de confiança...
ainda assim há sempre o chão...eheheh
Bom Dia!!
(eu sei que é tarde, quase noite, mas que importa? o meu dia, verdadeiramente, ainda não começou... e na realidade nem me parece que vá começar tão cedo, por isso tanto faz!! )
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Tonta...
"Pensar é difícil. Fazer é fácil. Quando fazes já pensaste o que vais fazer. Não existe fazer sem pensar. E o que dói, o que custa, é sempre o momento em que pensas. E nunca o momento em que fazes. Quando fazes já estás no instante em que já viveste, por dentro do pensamento, tudo o que estás a fazer. O mais difícil de suportar é pensar o que vais fazer: aquele momento em que vives, por dentro, o que sabes que vais viver por fora. E sentes cada espasmo, cada corte, cada rasgão. Lá por dentro. Onde os actos não conseguem tocar. Onde fazer não consegue fazer nada. Fazer é fácil. Coisa de meninos. Brincadeira de crianças. Fazer é fácil. Qualquer um resiste ao fazer. Muito poucos resistem ao pensar."
in In Sexus Veritas de Pedro Chagas Freitas
[de alguma forma é verdade, há coisas que me custa mesmo pensar, porque antes de fazer (quando se é uma pessoa normal) pensa-se, pondera-se, confronta-se com a realidade antes da realidade. E é isso que é dificil, resistir a isso, levar os pensamentos até ao fim quando se quer fazer alguma coisa até ao fim. E para quê fazer se não for para fazer até ao fim? e eu tenho de pensar mesmo até ao fim muita coisa que tenho de fazer. até ao fim.]
16 setembro 2014
... que dia!!
A parte boa foi que não tive tempo para ter sono
ou para pensar, ou para o que fosse!!
Estou cansada e com mais vontade do trabalho... mas precisava duns dias para tentar assentar ideias, para fugir um bocadinho dos dias e dar-me tempo. Mas eu precisava de tanta coisa... e não é por isso que tenho nada do que preciso...
Enfim, agora rumo a casa, debaixo de chuva e ao som das músicas cheias de poesia do Nick Cave, que adoro. E combina com fins de tarde chuvosos e melancólicos e cheios de saudades não se sabe bem de quê, mas dá a sensação que é de mim mesma... e da poesia que eu tinha e sentia.
Enfim...
....isso vai mesmo bem com uma chuvada!!...
... mas isso vai bem com qualquer coisa!!
quando é a boca certa, vai sempre, sempre, bem!!
E eu tenho saudades disso:
de abraçar em beijos
e de beijar em abraços.
De baralhar tudo e nada conseguir ser mais simples...
... ou melhor.
A simplicidade é a coisa mais complicada de atingir.
Como abraçar em beijos
e beijar em abraços.
Bom Dia!!
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Tonta...
"Fazer dois barcos seguir juntos implica, a cada momento, que se decida o que é importante: se ir para onde queremos, se ir com quem queremos. Quem não decide acaba por ir na corrente, não vai parar onde quer, e quando olha para trás está sozinho.
O amor, como os caminhos no mar, não está escrito – escreve-se todos os dias."
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Maçãs alheias
...outra versão do "este vestido é mesmo bom para fazer assim"...
as coisas com que eu me cruzo... enfim, um dia deixo de me lembrar...
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Tonta...
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