Eva me chamaste

Fizeste das minhas costas o teu piano

Dos teus desenhos as minhas curvas

Da minha boca a tua maçã

Dos meus olhos o teu mar

Do meu mundo os teus braços


(...)

26 outubro 2015

... Devia estar pendurado na minha porta. Hoje estou com um requintado mau feitio (até o mau feitio é requintado hein?? Que maravilha eheh), mas sou tão boazinha que aviso (sou uma boa alma, é o que é...).  Menos a quem respondi agora a uma mensagem, não o avisei, mas acho que vai perceber depressa, compensando rapidamente a falta do aviso pendurado. Digo eu, sei lá. Há pessoas que fazem que não entendem. Às vezes têm sorte, o mau feitio há dias em que até passa depressa. Pode ser que este tenha sorte...

Então mas eu ando parvinha e ninguém avisa? Hoje quando chego ao carro e vejo a hora e quase salto do banco porque estava tramada se fossem aquelas horas... é que percebo que mais uma vez troco sempre esta coisa das horas e não perdemos uma hora, ganhámos uma hora!!... Ora mais uma vez deve ser o destino, porque entendendo tudo ao contrário lá deixei a oportunidade escapar!!... bolas!! e ninguém avisa?? obrigadinho, hein? Ontem quase não saí de casa, e os relógios lá de casa todos tão espertos e automáticos acertaram-se sem que se dê conta se foi para a frente ou para trás... são tudo sinais, é o que é, pequenos e fatais já dizia o outro. A fatalidade de não se saber às quantas se anda, a fatalidade de andarmos a vários tempos porque afinal o tempo anda para trás de vez em quando; a pequena fatalidade de não sabermos qual, na verdade, é o nosso tempo, a nossa hora, o nosso momento. Podemos deixá-lo passar. Eu este fim-de-semana deixei passar uma hora sem dar por ela... quantas mais coisas terei deixado passar? Quantos tempos em espera, quantos tempos que não me esperaram? O tempo, o tempo, dizem que não anda para trás e que todos os dias têm 24 horas. Enganam-se, ou esquecem-se. Nos últimos dias as duas coisas se provam erradas... ou talvez não.

25 outubro 2015


... Ora bolas!!
Anda uma pessoa a fazer planos para começar uma vida mais saudável, 
fazer desporto, correr, essas coisas cansativas e atribuladas... 
E cortam-nos as voltas, ou melhor dizendo as horas!!...
Aquela hora destinada precisamente a esse fim...
Não há direito!! Deve ser um sinal... 
Sinal que o meu destino nao passa pelo ginásio nem por correr, assim, sem destino....
Eheheh
Já apetecem mantas, o crepitar da lareira, a meia luz que se agrava ao final da tarde. 
Volta a apetecer-me ler, voltam a apetecer-me coisas que me fazem. Até escrever. Pareço aos poucos regressar-me, reconhecer-me, ainda que haja dias que o caminho parece perder-se, volta-se a ele da mesma forma: sem saber como. Somos o que somos, regressamo-nos sempre. Às vezes, quando as ausências são longas, tão longasque podem até durar meia vida, não encontramos tudo como deixámos, algumas coisas perderam-se outras estão fora do sítio, mas vamo-nos arrumando segundo o nosso código genético, segundo as raízes da alma, que não acredito que mude. Não mudamos, arrumamo-nos, e a algumas ideias, de forma diferente, para dançar os dias que a vida nos vai dando. O difícil, para mim, não é lidar com o que tenho, é saber a música das vidas que não dançarei. Mas, se calhar, basta saber a melodia, senti-la, pensá-la, para que se dance na nossa cabeça, cá dentro. O corpo quase a dançar de ouvido.
Afinal, se pensamos em pássaros a chilrear, ouvimo-los, mesmo que não estejam a cantar. 
Mas um dia pode ser que cantem mesmo. A minha alma precisa de pássaros que cantem, que me façam o sorriso, de alma e corpo, dançar. Isso não muda ou mudará.

Bom Dia
Acabar a noite com um copo de vinho e uma conversa com as estrelas escondidas por trás das nuvens. Sei que estão lá, até oiço o que me querem dizer e não quero ouvir. 
Bebo mais um golo, quase como trégua nas negociações do que não deve ser dito mas deve ser ouvido, e o que sendo dito nao tem de ser ouvido. O que não gostamos, dito ou não, fingimos fingir nao perceber, num jogo de gato e rato que não saem do sítio. 
Calo-me dentro do meu silêncio, sei que me sabem, não vale a pena fingir. Nem fugir do que me sei.

24 outubro 2015


Amanheci com ovos mexidos na cabeça, não no prato. Ovos que mexi para alguém que mexeu comigo. Parti os meus ovos, mexi-os com carinho, desejo e amor. Juntei uma pitada de esperança na vida. Não deixei que passassem do ponto. Servi-os na cama, acompanhados dum sorriso doce e incerto, à espera que acordasse em ti uma nova vida na tua alma de sempre. Nada em ti acordou. Comeste os ovos, disseste-os muito bons. Devo tê-los mexido bem. Restaram-me as cascas, vazias, partidas, do que, de tão mexido, já não mexe. 
Vou fazer uns novos, deitar as cascas velhas fora, acordar a incerteza de uma vida nova com um certo sorriso que agora se espreguiça. 
Talvez vá pela omelete desta vez... ;)

Bom dia!

23 outubro 2015

... ahhh é?
Olá, coisa boa...
...tinha de haver uma razão para as coisas boas me atraírem... 
finalmente está explicado!
eheheheh

Bom Dia!


"Todo o meu corpo está a arder quando chamo o teu nome e tu estás nua dentro dessas sílabas. 
É então que mais quero fazer amor, para confirmar que os teus braços fazem parte de uma luz antiga que despe o meu olhar."

Joaquim Pessoa


Despido o olhar 
Fica a alma nua
  Presença completa
  Na falta de ausências
A pele abre cada poro
ao amor
Bebe-o
Incorpora-o 
É-o
São-se
Fundem-se
 num amor
Despido deles
Que só eles são
Medida única
Indivisa desmedida

21 outubro 2015

... Experimenta, mas devagar, ainda que sem excessivos toscos cuidados. Esquece tudo, olvida-te do que não és, aprende que és os teus quereres e não o que crês querer ser. Tira tempo para lentamente lhe apreciares a cor, medires bem as formas curvas de semente inchada de firmeza. Sente-a entre as mãos, conhece-a pela ponta dos dedos, percebe-lhe a consistência. Cheira-a de olhos fechados para seres inundado do seu perfume, alimento do pecado. Prepara os dentes para a polpa de fortes apetites. Sonha primeiro em trincá-la, sonha sem pressas em fazê-la tua entre os lábios e entre estridentes entredentes selvagens. Depois, mal a vontade vença o sonho, espeta-a, trinca-a  sem cerimónias, com vontade, com desejo de a teres por dentro. Saboreia-a boca adentro, lambe até à última gota o sumo que escorre prazeroso pela pele. 
Cede à tentação, é a única maneira de ela te libertar. 
Experimenta a maçã, trinca a tentação, é para isso que tens dentes, não sabias?

Hoje, ao que parece, é dia da maçã. 
Escolhe bem a tua e não (te) tentes, faz.

Eheheheh ;)

Bom dia

20 outubro 2015



meio comédia,
meio tragédia

alegria toda,
dor inteira.

transbordante do que sinto sem conter,
trancando dentro, contido, tudo por sentir

Palavras escritas
guardam o que recusaram dizer

Olhos que se fecham para ver aberta a cor da alma
De quem só respira de peito aberto

Olhar que devora tudo
Olhares que me entregam toda

Dúvidas que me consomem
Da certeza consumida.


Bom Dia
"- Tenho medo de não regressar. Não regressar de ti."

Mia Couto, in Venenos de Deus, Remédios do Diabo

Recuperado dum post de maio do ano passado, que revisitei agora, donde ainda não regressei.
Já estive quase a dormir no sofá, já estive na cama e o sono resolveu esconder-se, o que me apareceu na cabeça foi este post, este post antigo com esta frase que não me largava. Lembrei-me dela esta noite quando respondia a um comentário, esperou que me deitasse para não me deixar dormir. Agora estou na varanda, não há sono nem frio, estou muito bem, só não sei se regressei do sítio onde nunca estive.

[espero que agora, esvaziada desta frase, o sono regresse...]

19 outubro 2015

- Prazer. Pode-me dizer onde é que posso arranjar um colete desses?

(foto @oreeeo)

"Eu tenho a minha loucura,
eu vivo em outra dimensão
e eu não tenho tempo para coisas que não têm alma.”

Charles Bukowski.

[tenho a minha loucura, quero-a, gosto dela, quero mantê-la sã para poder ser louca, 
poder ter alma e exigir para mim escolher nada menos do que coisas que a toquem. 
Cada vez mais acho uma loucura ter alma nos dias de hoje, querer mantê-la, 
sustentá-la a raros tragos de oxigénio que desencantamos nas coisas mais pequenas e escondidas dentro do mortalmente comum dos dias. Mas não tenho, nem quero ter, tempo para o resto, para querer o desalmado resto, matando tudo o que me resta de mim.]

Bom Dia

18 outubro 2015

(Roubado @algumfrancisco)

...fechados.

Boa Noite
Há qualquer coisa de belo na força. Talvez, aliás, toda a beleza esteja na força: na força da natureza, na força de carácter, na força de vontade, na força de um olhar.
Sento-me junto à janela que dá para a rua, da cama ouvia a força da chuva e precisei vê-la, quis vê-la cair com determinação, com força. Sim, precisava de ver, de sentir esta força, de sentir que somos todos pequenos, de ouvir esta melodia acelerada do gotejar que corre das beiradas. Precisava de me sentar aqui a ver a chuva forte que lava as ruas, que apaga o ontem, o há pouco, o ainda agora. Leva tudo, arrasta tudo, lava tudo.
Há qualquer coisa de belo na força, de delicado, de frágil, talvez seja a sua atracção pela fraqueza, pela fragilidade, pela delicadeza. Talvez seja essa a sua fraqueza, talvez seja isso que equilibra as forças. O forte precisa do fraco para saber da sua própria força e proteger aquilo que lhe falta, o fraco precisa da força que pensa que não tem, e às vezes não tem e precisa que alguém o leve pela vida, protegido de si mesmo, ou se tem, alguém forte que lha faça sentir e saber e confiar. Tudo tem o seu equilíbrio e os mecanismos próprios e naturais (e demorados) de ajustamento. Os mecanismos de auto regulação da natureza são perfeitos, tanto que nos podem vir a ser fatais.
E agora vou voltar para a ronha, só mais um bocadinho entre lençóis e calor, para apreciar a sinfonia da chuva maestrina.

17 outubro 2015

(Foto @wildfiresss)

Corre uma brisa cinzenta e pesada.
Há qualquer coisa de nada que dança no ar
Que se atabalhoa
Por desabar.
A rua vazia,
Eus por preencher,
Dias por fazer,
Tempo por desfazer.
À espera que chova
Sem esperar chuva.

[...mais um sábado de ronha preguiçosa...]
...maybe.

16 outubro 2015

(...alguém sabe a morada??.
... para ver se se apressa o recebimento da correspondência...
aqui, agora, só correspondendo mesmo...)

Bom Dia

15 outubro 2015

Amor não é merecimento
Amor não é recompensa
Amar não é uma escolha
Amar é a força
Que nos faz fracos e invencíveis
Viver o amor é escolher
Ser fraco e invencível,
Vulnerável e à prova de tudo.

(Acabou de sair com o café à minha frente. E eu que não quero escrever, as palavras perseguem-me, cercam-me. Prendem-me porque se querem libertar. Amar nao é para todos, algumas escolhas também não, acrescento depois de ler. )

Bom dia
(foto @blackandwhiteisworththefight)

"O que a gente não entende, se resolve com amor"
Clarice Lispector

[... e eu com tanta coisa por entender...]

Boa Noite

09 outubro 2015

Faz hoje um ano. Tenho isto guardado nas notas desde 14 de Novembro do ano passado. Fui à procura, tenho coisas nas notas que vou escrevendo e apagando, algumas não chegam a ser nada, outras são pontos de partida para outras coisas que depois escrevo. Este ficou intacto, e hoje, um ano depois de ter perdido mais um que me faz falta, leio isto e o tempo não passou pelas palavras. Nem sequer por aquelas que recordo de ti. Tenho saudades tuas, muitas das nossas conversas, tanto do teu carinho e desmesurada loucura. Lembro-me vezes sem conta daquela tua frase que não me larga "eles nem em bicos dos pés te chegam aos calcanhares", sinto falta deste carinho das entrelinhas, do sentido de protecção escancarado, até do enviesamento que cega a análise de quem gosta, é tão raro ser genuíno...
Porque é que todos os que preciso me vão deixando? Poucos me restam, e de mim sinto restar tão pouco. 
Espero que onde estejas estejas a dar cabo da cabeça ao pessoal, que continues com o teu sentido de humor inteligente e desconcertante, que continues a fazer do mundo música, e música do mundo. Do mundo que agora é teu. 

07 outubro 2015



O corpo, sei-lhe o traçado de olhos fechados.
Os beijos, sei-os de cor.
A pele, terreno mapeado com a ponta dos dedos.
Os sentidos, tão sentidos que dão o norte
Que a razão perde,
Para a alma encontrar
O seu lugar.
Como a primeira vez, 
Sempre.
Perco-me nesses caminhos;
Nesses caminhos me encontro.
Sempre.
Para nunca me levarem a destino algum
Nunca.

06 outubro 2015

É com agrado que constato a melhoria de qualidade dos espelhos em algumas casas portuguesas. De facto, denota-se nessa grande plataforma social, emoldurada em tons de azul o melhor, o mais bem aproveitado uso das distâncias nas fotos. Ou da distância entre a máquina que captura o momento e o objecto do momento (neste caso a própria pessoa que se identifica na dita plataforma através da referida fotografia), ou, em igualmente lúcida alternativa, da distância temporal entre o momento actual e o momento que há anos ficou registado. Em ambos os usos da distância ficam os objectos beneficiados, ainda que mais das vezes não favorecidos nos impiedosos registos fotográficos.
Apraz-me conferir que não faço estes usos das distâncias (nem sempre com bons resultados...).
Não me apraz perceber que poderá haver um "ainda" latente na frase anterior...

E ao escrever isto dou por mim a pensar que espero francamente que os espelhos de minha casa, onde me  vejo e avalio longe dos olhos alheios, continuem a reflectir sem mentiras o que vêem e que isso não mude, ainda que a imagem reflectida se vá alterando. E que sempre me veja de perto, não me esconda em distâncias que me disfarcem os defeitos. Mas isto já nada tem a ver com fotografias públicas e sim com o aceitar da fotografia que nos tiramos em frente ao espelho,  não tanto com o gostar ou não da estética do que vemos, mas de o aceitar pacificamente enquanto conjunto de defeitos e virtudes, que nos fazem, que somos, e que não foge nas distâncias. Ou se calhar até tem.
...humm... tipo euzinha?
mas é só tropeçar, sim?!
ehehehe

Bom Dia!

05 outubro 2015

(desenho @unskilledworker)
Com o Outono nos olhos
ela Primaverou o cabelo.

Bom Dia

... É melhor ir para a cama já, antes que dêem as três badaladas,
para ver se me livro de alguma das acusações....



Ontem, num serão de boa conversa e cheio de músicas, surgiu esta, e de repente transportei-me para outra noite, outra sala, quase outra vida. Uma música que tocava no escuro, que não lembro, que não era esta, mas que este som me fez lembrar, pelo que diz, pelo tom quente em que é cantada, não sei. Alguma coisa trouxe à tona o calor dum abraço que não se dançou, mas que me enlaçou, que me ficou, tanto que ontem me veio à ideia... I got ideas (too), é o que é.
Hoje fui à procura e deixo-a aqui, adoro.

Boa Noite

04 outubro 2015


Domingos de Outono. 
Em casa, melancólicos, cinzentos.
Apenas com o silêncio da chuva a bater nos vidros, o arfar do vento que não se cansa, o rosnar quente da lareira que não nos morde e outros silêncios que não se dizem...

(Mas hoje só depois de votar, ou antes.)

Bom dia


03 outubro 2015

...ronhaaaaa....
Ainda na cama cheia de lentidão no corpo, a luz entra pela janela, amolece no cortinado fino e lembra-me que há sol apetitoso lá fora mas que os meus apetites estão todos cá dentro. Fico mais um bocado, dou mais uma volta ao corpo na cama, penso no banho, no que hei-de vestir e que já vou chegar atrasada. Não gosto de fim‑de‑semana com compromissos que tenham horas, não gosto. Acho que devia haver um cortinado para as horas no fim‑de‑semana se esbaterem, como a minha vontade de me apressar.
Tenho de ir. 
Ainda não sei o que vestir depois do banho, acho que vou aqui ficar a pensar só mais cinco minutinhos. Está-se taaaaaaoooo bem. Sou tão preguiçosa, pois sou. Paciência, preciso destes bocadinhos ensonados e lentos para me equilibrar a semana.

Bom dia
Não se procura o que só te agarra se te surpreender. 
Agarra-me.

Boa Noite

02 outubro 2015

eheheheheh
Bom conselho... mas pouco seguido, pelo menos pelas pessoas que conheço 
que se enquadram nas características de excepção... 
estão-me sempre a surpreender na forma como se superam excepcionalmente nesta matéria...

Bom Dia

Na varanda com o meu último cigarro, oiço música ao fundo, concertos não muito longe. Fui ver, parece que há vários concertos pela cidade, parece que é o dia da música e passou-me ao lado. Acendi o cigarro e penso que às vezes a melhor música é o silêncio. E de certa forma, a música que oiço ao fundo não me perturba o silêncio. Há muitas espécies de silêncio como o há de música. Este meu silêncio hoje não se perturba com a música de fundo, sabe-me bem, é um silêncio sem gente indesejada que nos quebra o silêncio sem nos acrescentar nada. Só para dizer que bonito, que bom, que profundo, sublime, que intenso, que especial e outros que tais. É melhor deixar esses comentários em silêncio e deixarem-nos fazê-los para nós, apreciando realmente os momentos por dentro. Os instantes que mais nos tocam são silêncios intensos, cheios de mensagens onde as palavras não cabem, onde o som fere a comunicação. Poucas pessoas se entendem em silêncio, têm de falar a mesma língua, onde o silêncio é o espaço exíguo em que se tocam sem se sentirem confinados e onde o vazio não tem lugar. Apenas a música que os faz.

01 outubro 2015


...olha este nao sabe para onde quer ir...
Lembra-me alguém que eu conheci, só não tinha brevet nem deixava rastro... 

... Parece-me bem.
Bom dia.

30 setembro 2015

E às vezes necessidade de sermos olhados pelo toque
e tocados com o olhar.
Ver com as mãos, tocar com o por dentro dos olhos.
Com tudo o que temos guardado.
Com tudo o que temos medo de dar.
Eu hoje, sim. Assim.



29 setembro 2015


(foto @andreatomasprato)

(...)A luz é o meu túmulo.

Em tempos, os meus gestos tiveram o rigor da abelha que rouba o pólen à flor.
Com esses gestos quis construir um espaço para o silêncio. Uma morada onde fosse possível ignorar o mundo, ou esquecê- lo.

De vez em quando, aceito ainda o mistério das palavras que me cercam e não coincidem, em nada, com a realidade. Eu só quis celebrar a vida. Encontrar o esconderijo onde fosse possível um derradeiro acto de paixão.

O esconderijo onde pudesse, de novo, tocar teu rosto
e recusar a aridez da calúnia.
Mas a luz é o meu túmulo.

A pouco e pouco incendiaram-se os negros profundos, o círculo luminoso aprisionou-me, e as mãos gesticularam sem sentido. O interior das paisagens guardou a tua ausência. E numa última visão a madrugada irrompeu do mar adormecido.

As mãos abriram-se novamente,
quando o dia começou a devorar a nudez do corpo.
Comovido, perdi a voz.
Não podia chamar-te, lembro-me, por isso desatei a escrever o teu nome nas paredes da cidade. Tempo perdido. Já não podias ouvir-me nem ler-me.

(...)

Al Berto, "O Esconderijo do Homem Triste"

[Já não podias nada porque podendo tudo nunca quiseste. Faltou-te sempre a derradeira paixão, onde coincidem as palavras e os dias. Onde o esconderijo surge porque é preciso tocar um rosto tanto como respirar, e o respirar é apenas o tempo entre a vida de tocá-lo. Tocar aquele rosto, aquele e não outro, aquele e nenhum outro, suspende os dias, o mundo, a luz, a escuridão, tocá-lo dá-nos vida, alimenta-nos. O respirar mantém-nos ao correr dos dias para poder tocá-lo. 
Faltou-te a derradeira paixão, por isso não guardas ausências, se não olharmos o lugar vazio não lhe vemos o vazio, nem sequer o lugar. Se não formos à procura do que já não encontraríamos a ausência não se faz presente, nem sequer existe, como a derradeira paixão que te faltou. 
A mim falta-me a voz e as mãos fecham-se-me. Já não me comovo.]

... Caso para dizer: dane-se! 
Dane-se, que passa...

25 setembro 2015

A lua enorme, quase à minha frente, brilhante, branca. Ilumina, mas só reflecte, a verdadeira luz não vem dali, não nasce ali. A lua dá a luz que recebe. Não seria bom tudo ser assim?

24 setembro 2015

Aceitam-se candidatos para me sussurrar 
isto ao ouvido quando eu chegar a casa.
(isto é obviamente um anúncio 
virtual - convenhamos, nem devia ser preciso dizer... - é 
só uma tontice, 
mas foi o que me lembrei quando vi isto...)


Aproveitar um bocadinho a primeira noite de Outono na varanda, ainda sem mantas. Estamos já a ver o outono, é um instante entre o seu cumprimentar de longe e o chegar-nos aos ossos, com toda a melancolia, toda a nostalgia da minha estação preferida, ou aquela com que mais me identifico. Engraçado, agora, pensar nisto que digo, porque o outono é o morrer de tudo o que nasceu na primavera, a transformação que dará lugar, depois, a coisas novas e verdejantes. São as despedidas,  os fins a que se seguem os lutos, os frios cerrados, a noite mais escura antes do amanhecer da primavera. São os pores de sol quentes ao longe. E talvez eu seja isso mesmo, feita de fins, de folhas que caem para que venham outras, que se despegam dos braços das árvores, que tombam nos caminhos por percorrer já despidas do verde de vida. De mim tudo se despega, se despede, despem-se de mim como a um casaco coçado, gasto, sem serventia. Folhas mortas no chão. As primaveras moram noutras paragens, não na minha. Na minha só as despedidas, o que antecede o gelo e o recolhimento a casa. Nunca tinha pensado nisto, mas sou realmente feita de outonos, a estação onde todos páram e se apeiam. Continuam outras viagens, eu fico-me pelo recolhimento de todos os lutos que a vida me tem servido de bandeja, e com que luto para que um dia me floresça a Primavera no olhar, na alma, no espírito. Na vida. Mas eu sou feita de Outono... E já poucas folhas me restam, nenhuma verde. 
Mas depois do Inverno, o verde nascerá em todas, vivo, mesmo que não se acredite.

23 setembro 2015



"... e ele dizia-me 
se tu fores um poema de amor
eu apaixono-me por ti 
e eu desaparecia
 boca fora para dentro dele"

Valter Hugo Mãe

..como se a alma despisse a pele
e mergulhasse
sem palavras
no abismo
dum amor
só poesia.

21 setembro 2015

I know you've suffered,
But I don't want you to hide,
It's cold and loveless,
I won't let you be denied

Soothing,
I'll make you feel pure,
Trust me,
You can be sure

I want to reconcile the violence in your heart
I want to recognize your beauty is not just a mask,
I want to exorcise the demons from your past,
I want to satisfy the undisclosed desires in your heart

You trick your lovers,
That you're wicked and divine,
You may be a sinner,
But your innocence is mine
(...)


Era a música que estava a tocar quando hoje de manhã cheguei ao trabalho. Fiquei a ouvir ainda um bocadinho, atenta na letra... 
Gosto especialmente do "You may be a sinner, But your innocence is mine" 
Gosto de ouvir as letras das músicas, sempre gostei, às vezes apaixono-me pelas letras primeiro, e desta gosto especialmente E hoje disse-me mais do que costuma, ou hoje quero mais alguém que me diga tudo isto do que noutros dias, que me reconcilie, que me cole os cacos despedaçados de mim, que me veja por dentro, que assuste os fantasmas que me habitam amando-me, que me descubra os desejos do coração, que me descubra, em quem possa confiar, que me faça sair dos refúgios em que me aninho. Que me faça ser eu de braços abertos - porque eu sou assim mas esqueci-me. Preciso de quem me esqueça a memória para voltar a lembrar-me de ser quem sou.

Bom Dia

20 setembro 2015


... O sol escapa-se entre os guarda-sóis
(É guarda-sóis? Não sei se é este o plural, pela lógica não devia ser, porque sol, supostamente só há um...), e está quente, muito quente. O tempo pode não estar bom, mas o clima hoje está uma maravilha... É aproveitar que não vai durar muito se calhar.
(Falta-me aqui a minha máquina, estão aqui uns telhados em escadinha para o céu azul que estão mesmo a fazer-se à fotografia...)
... Dia de ronha. 
Mas o sol a dar a vontade de sair, vontade dum livro numa esplanada, de aproveitar os últimos cartuchos do verão... De pensar no que a vida ainda pode ser, do que quero de mim e comigo, do que ainda tenho e gosto. Há dias em que parece que ainda não desisti. Como alguém me dizia há dias... Ainda há uma parte dentro de mim que quer a lua num bolso chegado ao corpo e acredita que um dia a conseguirá encontrar lá. Não sei, mas não tendo companhia para a ronha, é ir fazer companhia ao dia lá fora... Pode ser que tropece na lua e a traga para casa, no bolso.

Bom dia!

19 setembro 2015

15 setembro 2015

Olh'ó caramelo... doce doce, sem enjoar. 
(ou eu não enjoo, adoro esta música, 
e conduzir a ouvi-la debaixo de chuva ligeira 
é uma boa maneira de começar o dia...)

Bom Dia

14 setembro 2015



Hoje de manhã, no caminho, a ouvir Ive Mendes e o seu, tão meu, "mistério" dei por um pedaço de lua no céu, meio perdido, um fiapo quase translúcido, uma lua quase pedaço de nuvem. A mesma lua que às vezes ilumina a noite inteira, que brilha como espelho forte e sólido, parecia apenas uma pequena nuvem prestes a dissipar-se e desaparecer. Mas não, é ainda lua, e isso prova-se, vê-se, logo à noite, quando o dia adormecer, já ninguém poderá confundi-la com uma nuvem frágil a dissipar-se. Será outra vez luminosa e os atentos ao luar levantarão os olhos para vê-la, inteira, mesmo que meia.


Bom Dia!

13 setembro 2015

10 setembro 2015

(foto @_mylight_ )
(..)
Mas o pior momento do dia é aquele em que nos separamos. 

Não consigo dormir.

Fico noite fora com a minha solidão - e quem esteve a ver-me parte com o susto de continuar a existir.

Nenhum de nós é capaz de murmurar: fica comigo e toca-me. E a noite cai, de certeza, mais escura para quem parte.

Eu sou apenas a imagem do que fui. Não sinto nada.
(...)

Al Berto, "O Esconderijo do Homem Triste"

[são assombrosas as coisas deste homem, desconcertantes, quase letais de doçura, e, no entanto, duma tristeza tão densa, duma solidão tão lancinante... E a separação, sempre a separação. Ser preciso haver uma separação para haver solidão, é saber-se não estar só, é saber o exacto peso da solidão por conhecer a exacta medida da leveza do seu contrário, que é, não apenas companhia, mas partilha. Quando isso se perde parece que não resta nada, porque não havendo com quem deixa de haver o que partilhar. Tudo se esvai a cada noite, a cada manhã, a cada dia que não se conta, que não conta, mas que se vão somando de existência, de sobrevivência... 
Leio isto e penso que ouvimos sempre que a noite cai, mas não, a noite levanta-se, afirma-se, emproa-se, ensopa-nos, para que nos deixemos cair no vazio até ao amanhecer seguinte. Em tudo. 
Nem sempre parece que vai voltar a amanhecer.]

Engraçado, a sério!!
Porque a sério acaba sempre sem graça nenhuma...
é sempre uma desgraça muito séria.
Pode ser um relacionamento engraçado com alguém a sério, não?

09 setembro 2015


"Não há metade do coração. Ou todo o amor ou toda a indiferença; 
quando não, é uma insustentável impostura, chamada estima."

Camilo Castelo Branco

[Estimo nunca me render a esta estima -
metade de nada, a meio de tudo.]


08 setembro 2015

"Creio que, nisto, sentimos a mesma coisa. Temos uma imperiosa necessidade de dizer tudo um ao outro. Eu falo com ela como se falasse comigo mesmo; na verdade, melhor ainda do que se falasse comigo mesmo. É como se Avellaneda participasse da minha alma, como se estivesse acocorada num recanto da minha alma, à espera das minhas confidências, reclamando a minha sinceridade. Ela, por sua vez, também me diz tudo. Noutro momento, sei que teria anotado: «pelo menos, assim o creio», mas agora não consigo, simplesmente porque não seria certo. Agora sei que me diz tudo."

"Nunca na minha vida, nem com a Isabel, nem com ninguém, me senti tão perto da glória. Às vezes, penso que Avellaneda é como uma forma que se instalou no meu peito, que o está a dilatar, que o está a pôr em condições adequadas para sentir mais a cada dia que passa. Certo é que eu ignorava ter em mim estas reservas de ternura. E não me importa que esta seja uma palavra sem prestígio. Tenho ternura e sinto-me orgulhoso de a ter. Até o desejo se torna quase imaculado. Mas essa pureza não é beatice, não é afectação, não é pretender que envolvo apenas a alma. Essa pureza é amar cada centímetro da sua pele, é aspirar o seu odor, é percorrer o seu ventre, poro a poro. É levar o desejo até ao topo."

Mario Benedetti, in A Trégua 

Tenho estes trechos guardados há muito tempo,  mas não me tem apetecido pegar nisto, nem nisto nem noutras coisas, mas hoje a remexer nos rascunhos deparei-me com eles, e merecem aqui ficar, no meu registo dos livros que leio e das partes que gosto de reler. O último parágrafo que aqui transcrevo é absolutamente delicioso, lindo. Sentir assim é privilégio de muito poucos, acredito. A noção de ternura, a relação funda de quem conversa sem fronteiras e sem medo de invasões, a certeza de que não se esconde nada, que o que não foi dito não foi por uma qualquer razão de limitar informação, mas apenas porque não surgiu. Dizendo tudo, sempre tudo fica por dizer, porque conversar é quase respirar a vida em conjunto. É isto que abre a porta, ou melhor, que nos deixa - sem sabermos como lá fomos parar - naquele estado em que descobrimos em nós reservas de sentimentos que não conhecíamos, ou não os conhecíamos assim. Como a ternura, como o desejo, como a amizade. Como a pureza de que tudo isto pode inundar-nos e mudar-nos a paisagem da vida, as cores, o sentido, e o sentir. E as duas últimas frases dizem-no da melhor maneira: "Essa pureza é amar cada centímetro da sua pele, é aspirar o seu odor, é percorrer o seu ventre, poro a poro. É levar o desejo até ao topo." Até ao topo é ter o corpo rente à alma, a pele a vestir o sentir,  é amar com desejo, com tesão, sem nunca deixar de ser ternura. É o que gosto de me lembrar de chamar "amorar", ou eu gosto deste termo. Muito.

Logo por aqui que se vê que deve ser gajo....
... E danadinho hein?
Não há direito...

Bom dia!

07 setembro 2015


... Mas espero ter o meu melhor presente no futuro...
"Na grande maior parte das vezes só vemos aquilo que queremos ver, e sabemos aquilo que queremos saber. 
Fechar os olhos, não querer saber nada que nos acrescente em termos humanistas ou que nos faça evoluir como pessoas, saber não satisfazer "curiosidades negativas", 
melhor, chegar ao ponto de nem sequer ter curiosidades ilegítimas, isto tudo, não só é nível como é verdadeira evolução do espírito. 
A inocência é o que fazemos dela, a vida é como a vemos... 
A vida é bela quando a única coisa que nos preocupa, é o bem estar dos outros e nada mais. 
Porque as pessoas têm o seu espaço, que é seu. 
Vivemos num mundo corrupto."

Este comentário foi aqui deixado ontem. Só vi agora mas tenho alguma dificuldade em perceber o seu conteúdo, de qualquer forma, e porque a resposta se tornou demasiado extensa (eu e a minha capacidade de sintetização...), aqui fica a resposta possível...

Bom, vamos por partes porque não consigo bem seguir a linha de raciocínio do comentário...e até vamos começar pelo fim:

1º - vivemos num mundo com muita gente corrupta - verdade que não merece ser discutida,
poderíamos era discutir o que isso poderia ter a ver com o tema, porque não consegui perceber.

2º - "A vida é bela quando a única coisa que nos preocupa, é o bem estar dos outros e nada mais.
Porque as pessoas têm o seu espaço, que é seu." - mais uma vez, lamento, peço mesmo imensa desculpa pela minha incapacidade, não só de não perceber a ligação ao tema  (as pessoas negarem o que vêem e sabem), mas também de não perceber a lógica de relacionar o encarar-se a felicidade como o ver quem gostamos felizes (o que concordo) com o facto de as pessoas terem um espaço "que é seu"...???? hein?? não percebi.

3º - Concordo plenamente com a vida ser como a vemos, é o nosso olhar que nos define o mundo, sem dúvida, é o nosso filtro, mas quanto à inocência, a inocência não é o que fazemos dela, isso parece indicar uma certa utilização do conceito de inocência, um aproveitamento, uma manipulação,
e isso é tudo menos inocência...
Inocência é, de facto e genuinamente, não saber e não ver, isto no caso que estamos a discutir, ou melhor, sobre que eu escrevi...
Alguém que vê a vida e o mundo achando que a inocência é o que se faz dela tem um olhar sobre o mundo diferente do meu.

4º - Não vejo como evolução do espírito - muito menos "verdadeira evolução" - o saber não satisfazer "curiosidades negativas", nem ter "curiosidades ilegítmas".

Primeiro, não percebo bem o que seja a ilegitimidade duma curiosidade (se for saber da vida dos outros que não têm nada a ver com a nossa, bom, não é nada disso que aqui se trata, e isso para mim não é escolha, não é sequer fechar os olhos a algo que não se queira ver, enquanto escolha, para evitar ser confrontada com o que não me é favorável, é simplesmente não ouvir, não ligar. Não chega a ser "fechar os olhos", não é uma escolha, é simplesmente não me interessar por isso, legítima ou ilegitimamente, não sei, nem me interessa).

Quanto às "curiosidades negativas" penso que é um exemplo básico daquilo que falo (ou tento...) no texto, quando as coisas são "negativas" as pessoas escolhem fingir não saber, fechar os olhos,
(fazerem-se de "inocentes" na linha do comentário que aqui deixaram...), quando na verdade sabem exactamente o que estão a escolher fazer de conta que não vêem, porque não é bom, não lhes é favorável, não é agradável e às vezes até implica tomada de atitudes (ohhh que maçada, essa coisa das atitudes!!.... vamos lá fazermo-nos de "inocentes" que é muito mais cómodo...) - e isto, na minha perspectiva, não é, de todo, uma verdadeira evolução do espírito, ou sequer demonstração de nível, diria até que é o seu oposto.
É fugir de ver a sua própria realidade para não ter de se confrontar com ela e ver-se a si mesmo, aos outros e às situações, como na verdade são. Porque, isto sim, faz-nos evoluir enquanto pessoas adultas e seres humanos - lidar com a verdade, não manipulá-la, não fazer parecer uma coisa bonitinha quando não é. Há demasiada hipocrisia neste querer fazer parecer, é não assumir a realidade como é, para nós mesmos e para os outros.
E há pessoas para quem a imagem que projectam nos outros é fundamental, têm a sua própria imagem como aquilo que querem que os outros vejam e não pelo que são (e nalguns casos eu percebo, de facto se vissem o que realmente algumas pessoas são...enfim.), por isso passam a imagem para os outros duma coisa que não são, e muitas vezes isso implica fazer de conta que não se sabe o que se sabe, para poder passar a imagem duma vida que na realidade só têm quando estão no palco social... uma hipocrisia, portanto...

mas no fundo acho que vai ao encontro da primeira frase do comentário que aqui foi deixado:

"Na grande maior parte das vezes só vemos aquilo que queremos ver, e sabemos aquilo que queremos saber." - nós só queremos saber e só admitimos saber o que nos convém, sabendo exactamente o que estamos a eliminar do nosso conhecimento, ou seja, daquilo que efectivamente sabemos mas não queremos admitir. Sabê-lo colocar-nos-ia numa posição em que nós mesmos não nos queremos colocar. Essa posição, normalmente implica uma qualquer atitude que não queremos tomar,
e, então, em vez de assumirmos que sabemos mas nada fazemos, fingimos que não sabemos, e assim não perdemos a face nem o orgulho por não tomar nenhuma atitude...

É muito mais cómodo manipular o que se sabe da realidade do que enfrentá-la, mas está muito longe de quem o faz ter nível ou ser mais evoluído em termos espirituais, ou humanistas ou o que lhe queiram chamar, mas isto é só como eu vejo as coisas, mais nada.

Eu escrevi o texto que deu origem ao comentário porque durante muito tempo a minha razão dizia-me uma coisa, e o meu coração, pele, e alma diziam-me o contrário, e eu pus-me a pensar se eu, sabendo, não quis ver o que estava à frente dos meus olhos, embora tivesse  também muitas razões para duvidar da razão...    não era nada minimamente na linha do comentário que foi deixado, não tinha a ver com curiosidades, inocência ou corrupção... Respondi da forma que consegui  pelo que entendi do teor do comentário, no entanto, a resposta não tem muito a ver com a razão do texto inicial...

06 setembro 2015

Diz-se que o pior cego é aquele que não quer ver, 
mas não querer ver não é já saber e fechar os olhos para não ver? 
Um cego não precisa fechar os olhos para não ver. 
Não querer ver é uma escolha, não uma incapacidade. 
E será que depois de se saber, vale a pena fechar os olhos? 
Melhor, conseguir-se-á verdadeiramente? 
Fazer de conta que não se sabe, que não se viu?
Não é para todos enfrentar a sua realidade sem providenciais cegueiras paliativas. 
Para se assumir que se viu o que nao se quer ver, que se sabe o que não queremos saber,
 é preciso coragem, não para abrir os olhos, mas para não fazer de conta que os fechámos. 

04 setembro 2015

... Sou só eu que leio isto e acho uma estupidez?.. Às vezes deparo-me com coisas tão estapafúrdias e tontas, que até duvido que esteja a ver bem a coisa... E que a estupida sou eu...
Mas se eu caio uma levanto-me uma, se caio sete levanto-me sete... Ou são tão optimistas que já estão a fazer contas à próxima vez que caírem? Hum? Nem eu tenho um optimismo tão refinado.
Ou então, sei lá, há contas que eu não percebo, deve ser isso...  Não sei fazer contas, realmente, se calhar é isso...

01 setembro 2015

...isto era coisa para me fazer voltar à vida...
De se lhe tirar o chapéu...
(pelo menos...)

30 agosto 2015

Há bocado apercebi-me, por um comentário que deixaram, que tinha publicado um post que não sabia que tinha publicado, era para ficar nos rascunhos, naqueles rascunhos que servem para libertar pesos, ou para pôr pensamentos preto no branco, tentando organizá-los, desembrulhá-los, e no caminho também a mim. São devaneios e coisas minhas, que não pertencem aqui, como ultimamente tão pouca coisa tem pertencido, aliás. Mas isto para responder a esse comentário, que falava de almas grandes, é que não sei de nada disso do tamanho das almas, mas sei que a minha sente o que sente e não tenho grande mao nela nesse campo, infelizmente. E as vezes há um sentido de justiça - ou de injustiça -, que nos arranha os sentires, e deseja-se que a vida, de alguma forma, equilibre as coisas, ainda que não queira ter participação alguma nesse ajuste de contas da vida, pensa-se nele, mas na verdade desconfio sequer que exista...

28 agosto 2015

...quero. Muito.
Acho que encontrarei esse azul no fundo do meu olhar. 
Talvez tenha de mergulhar em mim para o encontrar.
Sem medo, de olhos fechados, em busca duma cor que nos dá pertença.
Só em mim esse azul estará seguro, e eu também.
Só assim eu serei o meu refúgio e as asas do que sonho.
Só assim serei o meu lugar.
Onde se sente o azul de olhos fechados.

Boa noite.

27 agosto 2015

...Não sei quem é "ela",
mas gosto d' "ela"
Não gosto de jaulas nem para o coração. 
Nem para o meu nem para o dos outros.
Só na liberdade de não prender ninguém alguém se prende a nós.
Gostar é a liberdade de se escolher a quem nos prendemos, 
sem amarras, sem jaulas, sem dever de gostar.

Bom Dia!